O projeto EJA pretende diminuir essa estatística, mas conta apenas com 5 turmas.

 

 

No Brasil ainda existem 11,8 milhões de analfabetos, o que condiz a 5,68% da população, segundo dados de 2017 do  IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), O número é maior que o total de habitantes do estado do Paraná, que corresponde a 11,3 milhões de habitantes.

 

 

Em Ponta Grossa esta realidade não é diferente. Segundo dados do último Censo Demográfico do IBGE feito em 2010, aproximadamente 11,5 mil ponta-grossenses não sabem ler e escrever.

 

 

De acordo com o IBGE, para ser considerado analfabeto, o indivíduo deve ter 15 anos ou mais e declarar-se incapaz de ler e escrever um bilhete simples ou assinar apenas o próprio nome. Também encaixa-se à categoria aqueles que aprenderam a ler mas esqueceram. Os índices de analfabetismo na cidade são altos, porém a procura pela alfabetização é baixa.

 

 

 

 

Com o objetivo de diminuir essas estatísticas, o município aderiu em meados de 1990, a EJA (Educação para Jovens e Adultos), projeto federal elaborado com o objetivo de desenvolver o ensino fundamental e médio gratuito para pessoas que não possuem escolaridade.

 

 

De acordo com a chefe da coordenação da EJA, Perla Cristiane Enviy, a maior procura é de pessoas com cerca de 40 anos com o objetivo de “conseguir um emprego com carteira assinada”, explica. Perla ainda esclarece que “alguns vem para poder fazer a prova da Carteira de Motorista, outros frequentam, porque são beneficiários do INSS e há aqueles que vem para cumprir pena judicial”, esclarece. Perla ainda complementa que geralmente estas pessoas param de estudar quando criança, para poder ajudar em casa, trabalhando desde cedo.

 

 

A professora Enese Fabrício trabalha com a EJA desde 2014, e explica que o método como o conteúdo deve ser trabalhado, é diferente de como se alfabetiza uma criança, pois a criança está construindo sua base de conhecimento. Já o adulto chega com este conhecimento de mundo construído. “A diferença é que você precisa trabalhar a partir deste conhecimento já adquirido com o adulto”, explica a professora.

 

 

A EJA atende alunos a partir de 15 anos. Overli Henrique Franke, tem 73 anos é o aluno mais velho da turma da professora Enese. “Voltei  a estudar após 65 anos parado, depois que entrei, minha vida mudou”, declara o estudante.

 

 

Josineia da Silva Pinto, de 33 anos, também é estudante da EJA e explica que sentiu necessidade em voltar a estudar, quando precisou ajudar os filhos com a tarefa da escola, “eu me sentia constrangida de não saber ajudar eles, me sentia perdida em algumas tarefinhas deles”, justifica Josineia.

 

 

Para a professora Enese a maior dificuldade dos alunos está na assimilação de conteúdos “eles não conseguem gravar. Mas também, com uma jornada de trabalho de 8 horas, filhos, família, dívidas, compromissos, para manter é difícil [...] Também sentem dificuldade pelo tempo em que estão sem estudar”, esclarece a professora.

 

 

Quando o aluno já está apto a ler e escrever, deve passar por uma prova aplicada pela prefeitura duas vezes ao ano – uma em junho e outra em dezembro - , assim comprovar que concluiu o Fundamental I e passará a estudar no CEEBEJA ( Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos) caso queira continuar os estudos.

 

 

Para realizar esta prova, não precisa estar matriculado na EJA. Chefe da coordenação da EJA expõe que dos 100 alunos realizam esta prova  cerca de 76 são aprovados. “Nos últimos 5 anos certificamos cerca de 600 pessoas”, ressalta Perla.

 

 

As classes da EJA são multisseriadas e as matrículas acontecem diariamente em todas as escolas municipais. Caso a matrícula seja feita em uma escola que não faz parte do projeto, o aluno é encaminhado para a que for mais próxima.