Artista ponta-grossense conta detalhes sobre carreira, processo criativo e dá conselhos para quem deseja crescer na arte

Melissa Garabeli é uma ilustradora ponta-grossense, graduada em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Sua carreira é marcada pela ilustração com traços infantil e pinturas em aquarela. Hoje, junto a Phellip Willian, escritor, professor e seu marido, publica livros e histórias em quadrinhos, sendo a primeira delas “Saudade” (2017), vencedora de prêmios nacionais como o 35º Troféu Angelo Agostini e o 31º Troféu HQ Mix.

 

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Ilustradora Melissa Garabeli e o escritor Phellip Willian no festival Multiverso Triz | Foto: Ana Barbato

 

Como começou a sua carreira na ilustração?

R: Eu desenho desde que me conheço por gente. Eu cresci desenhando, fui fazendo alguns pequenos cursos de desenho, aí na faculdade escolhi Artes Visuais na UEPG, aqui em Ponta Grossa. É Licenciatura, mas acabei optando por outro caminho. E depois disso, fiz cursos complementares de desenho, de ilustração e de aquarela, então essa foi a minha jornada como desenhista. 

Como começou a ideia de publicar livros?

R: Foi na faculdade. Eu já gostava muito de desenhar, mas na verdade, antes eu achava que queria ser professora de Artes. Só que quando entrei na faculdade, vi que não me dava bem com a área de licenciatura. Então comecei a conversar com os professores, e uma professora, a Sandra Borsoi, disse que meu traço combinava muito com livros infantis. Então  eu fui pesquisar a respeito e tal, e me apaixonei pela área, sabe? Comecei a pesquisar e a estudar bastante sobre livro infantil durante os meus anos do curso na UEPG. Inclusive, o resultado do meu TCC é um livro infantil que começou no segundo ano da faculdade.

Mas hoje em dia a sua produção é bem diversa, né? 

R: Sim. A minha ilustração é infantil, mas não que o tema dos quadrinhos seja infantil. A característica do meu desenho é mais infantil mesmo, mas eu compreendo várias faixas etárias, digamos assim. 

Como funciona o processo criativo das ilustrações?

R: Varia muito de cada tema. Depende também se é uma arte avulsa que eu imaginei, que eu idealizei. Quando é uma imagem avulsa, eu penso nela e idealizo o desenho na minha mente. Depois vem o processo do esboço. Começo a esboçar várias formas de desenhar, faço um estudo de gesture, estudo outros personagens, vejo imagens que possam me inspirar para criar uma composição mais harmônica e complexa. Aí tem a parte de passar para o papel com a aquarela. Para esse processo, eu geralmente uso uma mesa de vidro, que é uma mesa de luz. Então eu passo para a folha de aquarela, que é uma folha mais grossa, daí começa o processo de colorização, e só depois o tratamento da imagem no PhotoShop. Às vezes eu preciso tirar um errinho, mas é basicamente esse tipo de ajuste que tenho que fazer depois na imagem.

No seu trabalho com o Phellip, vocês conversam bastante ao longo do processo?

R: A gente conversa muito sobre as histórias antes. No processo de criação de livros, nós conversamos sobre a histórias, depois fazemos os layouts das páginas com os esboços, depois eu faço os estudos de gesture, igual quando faço no meu trabalho de forma independente. E só depois é que vem a parte de colorir a imagem e de colocar os balões de fala. É um processo bem complexo e demoradinho, mas que o resultado fica bem massa. 

E qual dica você daria para quem quer se tornar ilustrador(a) profissional?

R: Estudo e prática. É só isso, e muita insistência. Nada vai acontecer do dia pra noite. Eu e ele trabalhamos com isso há 12 anos, e agora que está começando a aparecer resultados concretos. Muitas vezes, as pessoas não têm paciência de esperar o tempo certo das coisas acontecerem, sabe? E enquanto esse tempo vai correndo, a gente precisa sempre estudar, aumentar nosso conhecimento para fazer um trabalho cada vez melhor e para ser cada vez mais reconhecido.

 

Ficha técnica:

Produção: Ana Barbato

Edição e publicação: Amanda Dal´Bosco

Supervisão de produção: Luiza C. dos Santos

Supervisão de publicação: Luiza C. dos Santos e Marizandra Rutilli