O Laboratório de Estudos em Gênero e História da Universidade Federal de Santa Catarina (LEGH - UFSC) lançou, na última semana de abril, o documentário "Ditadura militar - fotojornalismo por mulheres voluntariosas", fruto de estudos sobre as ditaduras no Brasil e no Cone Sul (formado por Argentina, Uruguai e Chile) e a participação de mulheres fotojornalistas no contexto. Mestre em Jornalismo pela UEPG, a jornalista e pesquisadora Elaine Schmitt atuou como roteirista e editora da produção. "O documentário é uma tentativa de mostrar que existiram muitas mulheres nesse registro e que tem muito material para se pesquisar", revela.

 

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Documentário traz registros de jornalistas mulheres. Foto: Reprodução Documentário. 


A pesquisadora explica que o produto é parte de um projeto iniciado pelo LEGH em 2016, com objetivo de compreender o que representam as ditaduras e os afetos no âmbito político. "Ainda é um campo de estudo recente, que rende muitas pesquisas no Brasil e em outros países", completa. O grupo de estudos produziu documentários sobre o amor, a solidariedade, a raiva, o humor e outros sentimentos no contexto da repressão. A jornalista revela que será lançado, em breve, um livro para complementar a investigação.
A fotojornalista Nair Benedicto, uma das entrevistadas na produção do vídeo, conta que estudava na Universidade de São Paulo (USP) quando foi presa, em 1967. A entrevistada, que sonhava em trabalhar com rádio e TV, considerava a fotografia como um detalhe da televisão. "Uma das minhas dificuldades para trabalhar em TV foi porque eu tinha sido presa", lamenta a fotojornalista, que encontrou na fotografia a oportunidade de trabalhar com imagens.
Elaine Schmitt destaca a resistência existente no Brasil para estudar o tema, por conta da influência das ideologias de direita e acredita que em países como a Argentina e o Chile a abertura ao debate é maior. "O Brasil tem potencial para pesquisar mais o significado das ditaduras, mas falta interesse em participar e perceber a importância que o assunto tem na vida dos brasileiros ", avalia.
A pesquisadora considera difícil não se envolver emocionalmente com o projeto, por se tratar de uma produção baseada em sentimentos diversos, mas ressalta a importância de abordar afetos como amizade e solidariedade. "É uma outra forma de entrar em contato com um período histórico importante, por mais que seja difícil", explica.
Para Maria Helena Denck, acadêmica de Jornalismo da UEPG, que participa do projeto "O Jornalismo na Resistência à Ditadura Militar no Paraná", falar das ditaduras é importante, tanto para o Brasil e os países do Cone Sul, quanto para o mundo. "Foi uma época sombria, em que a gente não conseguia ter uma boa relação com as outras pessoas, com o mundo e com a vida política", diz. A estudante vê nas pesquisas uma esperança para as novas gerações, que podem compreender o que aconteceu na época.

Ficha técnica

Reportagem: Carolina Olegário de Jesus

Edição: Emanuelle Salatini

Foto: Reprodução Documentário

Supervisão: Sérgio Luiz Gadini

Publicação: Emanuelle Salatini