Morador de rua em Ponta Grossa | Foto: Vitor Almeida

 

Serviço dos assistentes sociais cresce mais nesta época do ano, para auxiliar desabrigados ou pessoas em situação de vulnerabilidade social

A queda nas temperaturas no final do outono e começo do inverno atinge diretamente a população que vive nas ruas. Em Ponta Grossa, duas entidades filantrópicas prestam abrigo aos moradores de rua e às pessoas em situação de rua, o Ministério do Melhor Viver e a Casa da Acolhida. Além dos abrigos, há o serviço municipal de atendimento do Centro Pop, unidade básica do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), que oferece café da manhã e da tarde, banhos, tíquetes do Restaurante Popular e outros serviços.

A organização social Ministério Melhor Viver atende na recuperação e reintegração social dos indivíduos. Além disso, o local oferece vagas para 50 abrigados e o tempo de permanência é considerado ilimitado. Já no abrigo da Casa da Acolhida, considerado apenas uma casa de passagem, os abrigados podem ficar no máximo 90 dias.

A assistente social do Ministério Melhor Viver, Ana Carolina Reis, explica que há dois tipos de população que vive nas ruas, as consideradas moradoras de rua e as em situação de rua. Esta última se refere às pessoas que possuem um lugar para morar, mas que por algum motivo encontram-se na rua. “Jovens usuários de drogas, idosos abandonados pela família, pessoas que tem o vínculo familiar rompido, são pessoas que têm onde dormir, mas que vivem nas ruas, esse é o conceito do termo”, destaca.

No frio, o trabalho dos assistentes sociais do Centro aumenta, além da procura por ajuda. Durante a permanência da reportagem no local, a coordenadora do Centro Pop, Rose Christóforo, atendeu cinco situações em 10 minutos: “Rose, quero uma vaga na Casa da Acolhida”, “Preciso de ajuda, vim de Palmeira e não tenho onde dormir”, “Tem um homem lá tomando banho e disse que vai demorar”. A cada minuto, a coordenadora do local é chamada por quem procura o Centro por ajuda. “Nós aqui não paramos. É sempre bem corrido. Eles sempre precisam de alguma coisa”, conta a coordenadora.
Christóforo estima que, atualmente, há cerca de 160 pessoas no município que vivem na rua e/ou em situação de rua. O aumento da procura por ajuda no frio acontece, mas também não existe uma estatística que mostre esse crescimento. “A procura aumenta, não só por pessoas que moram nas ruas aqui da cidade, mas também pessoas de outras cidades que vêm até Ponta Grossa atrás de ajuda, pois sabem que aqui existem locais que podem ajudá-los”, relata.
“Fazemos a abordagem o dia todo. Qualquer pessoa que fizer uma chamada, nós vamos e fazemos, além da abordagem espontânea. Alguns são resistentes e preferem ficar na rua, mas temos que conquistá-los pela confiança, pois não fazemos nenhuma abordagem pela força”, afirma a assistente social.

A coordenadora do local, que trabalha com assistência social há 26 anos, explica que não tem como medir quantas pessoas são atendidas por dia e nem quantas pessoas são encaminhadas por mês para a Casa da Acolhida e para o Ministério Melhor Viver. “Acredito no ser humano e acredito que eles possam mudar, ter uma vida diferente da que eles têm hoje, porque ninguém nasceu desse jeito”, finaliza Christóforo.

Além da movimentação nas unidades de serviço social, a preocupação com a saúde dos que se encontram desabrigados também aumenta nessa época do ano. Segundo o médico Bráulio César Pereira, a queda nas temperaturas pode fazer com que o corpo de quem vive nas ruas entre em estado de hipotermia. “Quando a pessoa fica exposta ao frio intenso, como é o caso dos moradores de rua, o organismo começa a dissipar mais calor do que ele é capaz de produzir. Nessa situação, a pessoa entra em risco de desenvolver a hipotermia, que tecnicamente é quando a temperatura corporal fica abaixo de 35ºC”, explica o médico.

“A exposição prolongada ao frio pode causar uma diminuição muito grande no diâmetro das arteríolas [pequenos vasos sanguíneos] que levam o sangue até as extremidades. Algumas pessoas podem sofrer até necrose das extremidades por causa da exposição ao frio”, finaliza Pereira.
O Ministério Melhor Viver atende na recuperação e reintegração social dos indivíduos. Os assistentes sociais do local trabalham em quatro etapas de recuperação das pessoas: recuperação da saúde, estímulo à profissionalização através de cursos, reestabelecimento da estrutura familiar e o desligamento, que acontece no último passo, quando os abrigados são levados para um outro local, conhecido como República, onde é dividido contas básicas como água e luz entre os próprios moradores. Diferentemente do abrigo, a República oferece 15 vagas.

Os assistidos são deslocados para a República quando já tem um emprego formal e, então, se inicia a etapa de desligamento através do estabelecimento de metas. “A gente estabelece metas perguntando: ‘O que você quer comprar?’ Alguns querem uma casa, outros um carro, outros querem móveis novos, depende de cada um. A partir desse momento, a gente inicia o desligamento deles, para que possam viver de forma independente”, relata Ana Carolina Reis.
Reis destaca que, desde o ano passado, o Ministério Melhor Viver não pode mais deslocar as pessoas que se encontram na rua diretamente para o abrigo, como era realizado através do procedimento de abordagem: “Uma lei no ano passado mudou isso e agora a gente só faz a abordagem, mas o encaminhamento para cá não pode mais ser feito de forma direta. O processo é feito pela Prefeitura e esse deslocamento não é feito de forma direta por nós”. De acordo com a assistente social, são realizadas cerca de 100 abordagens por mês, as quais são repassadas para o Centro Pop.

O Creas Pop funciona das 8h30 às 17h, na Rua Tobias Monteiro, 74, Centro, desde o ano passado, embora a mudança de endereço encontra-se desatualizada no site da Prefeitura de Ponta Grossa. O Ministério Melhor Viver fica na rua Herculano de Freitas, 751, no Órfãs e recebe doações de roupas e cobertores para os abrigados. A Casa da Acolhida fica na Rua Doralícia Correia, 316, no Cará-Cará e também recebe doações. Para ajudar alguém que está em situação de rua, basta ligar no número (42) 3220-1065 para que o Centro Pop realize a abordagem.

 

Ficha técnica

Reportagem: Marcus Benedetti

Edição: Isabela Gobbo e Alexandre Douvan

Supervisão: Professoras Angela Aguiar, Fernanda Cavassana, Hebe Gonçalves

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