Sem investimento do governo, instituições enfrentam dificuldades para promoção de direitos fundamentais 

 

 

Marcha da visibilidade lésbica em Ponta Grossa. Foto: Arquivo Lente Quente/Débora Chacarski 

 

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, no início de março, os resultados da segunda edição da pesquisa intitulada “Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”. Os dados coletados comprovam a desigualdade de gênero presente no mercado de trabalho, apontando que mulheres com filhos de até três anos de idade, mesmo com a possibilidade de trabalhar, não ocupam esse espaço.

Os dados contam com critérios como as idades de 25 a 49 anos e a presença de crianças de até três anos de idade na família para a realização da pesquisa, para observar o quanto os afazeres domésticos impedem mulheres de trabalhar fora de casa. Somente 54,6% das mulheres que se adequam nos critérios do IBGE ocupam o mercado de trabalho, enquanto 89,2% dos homens nas mesmas condições já estão em algum emprego. Os dados mudam quando se trata de mulheres pretas e pardas com filhos de até três anos de idade: apenas 49,7% das mães ocupam vagas em que poderiam atuar

Denise Guichard Freire, analista dos dados publicados pelo IBGE na área das desigualdades do trabalho, reforça que os resultados apontam as diferenças de responsabilidades entre homens e mulheres. Dados da pesquisa indicam que mulheres dedicam 21,4 horas do tempo disponível para o cuidado de pessoas ou afazeres domésticos, enquanto homens ocupam somente 11 horas com as tarefas. “A diferença está atrelada às maiores responsabilidades que as mulheres possuem no ambiente doméstico, gastando mais que o dobro de horas que os homens”, analisa Denise Guichard Freire.

Jaqueline Gorchacoski Pytlak, mãe e trabalhadora, explica que a rotina é cansativa, fazendo com que o dinheiro proveniente do trabalho seja utilizado, também, para ajuda doméstica com serviços de diaristas. “A jornada dupla faz com que fiquemos mentalmente exaustas e cansadas”, afirma Jaqueline Gorchacoski.

O professor de direito da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Volney Campos, analisa os dados e destaca que muitos dos resultados divulgados pelo IBGE são boicotados pelo próprio governo. “Se os dados são representativos de boa parte da realidade brasileira, para quem nega a realidade, isso já não importa”, critica.

O professor reforça que a desigualdade de gênero no País faz com que mais homens ingressem no mercado de trabalho, mesmo que mulheres da mesma idade e com o mesmo perfil familiar tenham a possibilidade de realizar os mesmos trabalhos. “Homens e mulheres trabalham de forma igual, mas há uma desigualdade que não só é real como é histórica, pois homens e mulheres não ingressam no mercado de trabalho da mesma forma”, explica Volney Campos, ao analisar as informações divulgadas pela pesquisa do IBGE. Os dados completos da pesquisa podem ser encontrados no site e a análise de Denise Guichard Freire também está disponível em áudio.

 

Ficha Técnica

Repórter: Maria Helena Denck Almeida

Supervisão: Sérgio Gadini

 

Registros já são cinco vezes maiores do que o registrado em 2019, conforme dados obtidos via Lei de Acesso à Informação

 

No Paraná, as denúncias de injúria racial e racismo cresceram 440%, de 2019 a 2020, segundo dados do Departamento de Promoção e Defesa dos Direitos Fundamentais e Cidadania, do governo estadual. As denúncias foram registradas no programa SOS Racismo, canal gratuito, criado pela Lei Estadual nº 14.938/2005 e regulamentado pelo Decreto Estadual nº 5115/2016. Em 2019 foram registradas 32 denúncias, enquanto de janeiro a outubro de 2020, o número de registros era de 173, mais de cinco vezes ao ano anterior.

A Agência de Jornalismo da UEPG, em parceria com a Rádio Comunitária Princesa, estreia nesta semana o programa Democracia e Direitos Humanos, que semanalmente receberá representantes de instituições e de movimentos sociais. Na primeira edição, antecipando o 8 de março, Dia Internacional da Mulher, ouvimos Maria Cristina Rauch, professora do curso de Direito da UEPG e coordenadora do Núcleo Maria da Penha (NUMAPE).

Para Maria Cristina Rauch, são necessárias políticas públicas | Foto: Frame de vídeo

Escute o primeiro programa:

Escute o segundo programa:

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Parda LGBT Maria Eduarda Eurich

A segunda Parada LGBT dos Campos Gerais aconteceu no último domingo (24). A celebração da diversidade teve início ao meio-dia na concha acústica e, por volta das duas da tarde, o público seguiu em passeata pela avenida Vicente Machado até a feira do produtor.