Ponta Grossa registrou 400 denúncias apenas em 2020

 

O número de denúncias de violência e maus-tratos contra a pessoa idosa cresceu 59% no Brasil durante a pandemia da Covid-19. Dados publicados pelo Disque 100, número que recebe denúncias de casos que violam os Direitos Humanos, revelam que, só no primeiro semestre deste ano, mais de 33 mil casos de desrespeito e agressão foram registrados contra o idoso no país. As reclamações mais frequentes são casos de violência física, verbal e emocional.

Segundo dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR), no primeiro semestre de 2019 o estado contabilizou 618 denúncias de algum tipo de violência. Já em 2020, ano em que a pandemia eclodiu, o número de registros no mesmo período subiu para 966 casos de agressão ao idoso. E apenas de janeiro a junho deste ano houve 676 denúncias de maus-tratos.

Em Ponta Grossa, foram registradas quase 400 denúncias de violação de direitos ao idoso em 2020. Em casos mais graves como violência física e abandono, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) é acionado e disponibiliza atendimento às vítimas em instituições conveniadas com o município. 

Informações publicadas pelo Departamento da Política para a Pessoa Idosa da Sesp, apontam que o isolamento social possibilitou maior contato entre membros de famílias que antes da pandemia, possuíam uma rotina de vida agitada e cheia de afazeres. Contudo, agora que as pessoas convivem mais tempo juntas e isoladas em casa com os idosos, a convivência poderia ser mais intensa, porém, não se pode garantir com segurança que essa relação saudável se faz presente em todas as casas paranaenses. 

Segundo Fernanda de Almeida Silva, assistente social do Asilo São Vicente de Paulo, que atende vítimas de maus-tratos, há um cuidado diferenciado no acolhimento das pessoas que passaram por algum episódio de violência e desrespeito. “A equipe do asilo é muito dedicada. Temos uma equipe multidisciplinar de fonoaudiólogos, psicólogas e outros profissionais que trabalham diariamente seguindo um planejamento, a fim de dar um carinho e resgatar a dignidade dos nossos idosos”, afirma. Para ela, aqueles que já estavam em uma situação de vulnerabilidade, encontrar uma moradia permanente como a do Asilo, é garantia de que será bem cuidado, acompanhado e não passará por mais situações de risco. 

De acordo com a pesquisa realizada pela enfermeira Fabiana Martins para a sua dissertação de mestrado, intitulada Padrões de violência contra idosos: análise pelo Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes, no Brasil, há um perfil das vítimas que sofrem de violência. Os dados mostram que a maioria das vítimas que sofreram violência doméstica é formada por pessoas de 60 a 69 anos de idade. No Paraná, de acordo com a pesquisa, no primeiro trimestre de 2021, as ocorrências especificamente de violência doméstica teve como faixa etária pessoas idosas com 60 anos ou mais.

 

INFOGRÁFICO VIOLÊNCIA IDOSOS

 Infográfico: Maria Eduarda Ribeiro

 

 

Serviço:

Para evitar e combater esse tipo de violência, é importante que amigos, vizinhos, parentes ou quaisquer pessoas estejam cientes da melhor forma de proceder diante desses episódios criminosos. Os núcleos do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ofertam serviço de proteção à pessoa idosa e o número do Disque 100 recebe denúncias anônimas, reclamações e relatos de casos de qualquer tipo de maus-tratos. Ambos contatos recebem as denúncias que violam os Direitos Humanos do idoso e oferecem os encaminhamentos adequados para acompanhamento das vítimas.

  

 

Este texto é parte do conteúdo da edição recém-publicada do jornal-laboratório Foca Livre, produzido pelo 2º ano de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Acesse a edição completa em https://periodico.sites.uepg.br/index.php/foca-livre

Ficha técnica

Repórter: Maria Eduarda Ribeiro

Editora de texto: Diego Chila / Ana Paula Almeida

Publicação: Ana Paula Almeida

Supervisão Foca Livre: Jeferson Bertolini, Muriel Emidio e Rafael Kondlatsch

Supervisão Site Periódico: Marcos Zibordi e Maurício Liesen