Crítica de Ponta

Produzido pelos alunos do terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você.

 
 
Um Transporte Público que não é para todos

     As ruas estreitas e as calçadas curtas escondem um problema crônico da cidade de Ponta Grossa. Ônibus destinados ao transporte público dividem espaço com o tráfego cotidiano, que vaga pelo asfalto desgastado da região central. Poucos terminais nos bairros mais afastados. Em uma cidade que cresceu sem planejamento urbano, o monopólio de uma empresa privada também afeta os cidadãos.
     O preço que se paga nas catracas (R$ 3,80) todos os dias é pouco perto do prejuízo daqueles que creem em um transporte público de qualidade. A demanda é maior do que se imagina. A Viação Campos Gerais, responsável pelo transporte público do município, só permite a circulação de novas linhas de ônibus nos bairros se a periferia apresentar retorno financeiro à empresa.
     O tempo de espera para pegar um ônibus em regiões distantes do centro pode variar de 30 minutos a uma hora. Exemplo disso é a linha que passa pelo Cará-Cará, próximo ao aeroporto. O transporte passa em frente ao Colégio Estadual Francisco Pires Machado minutos antes do fim das aulas do turno vespertino. Com isso, os alunos que moram longe da escola, têm de esperar cerca de 40 minutos, por um novo ônibus com destino ao Terminal Oficinas. A espera ocorre durante o início da noite.
     A situação descrita acima é apenas uma das realidades do município. O acesso ao centro da cidade chega a parecer proposital a fim de manter determinada parte da população à margem, já que a imensa parte da produção cultural e econômica de Ponta Grossa está presente no coração da cidade. Tudo isso influencia na construção da desigualdade.


Serviço:
O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Ponta Grossa (IPLAN) propôs uma
nova discussão acerca do Plano Diretor e da mobilidade urbana do município. Fique por
dentro dos debates, audiências e oficinas através do link:
https://planodiretor.pontagrossa.pr.gov.br/
Allyson Santos
 
 

                                        O sabor árabe nos Campos Gerais

         Forte tempero, alface, carne bovina ou de frango, pepino e batata frita. Esses são os principais ingredientes que, envoltos em pão árabe, compõe um shawarma.
         O sabor marcado pela cebola e molho sírio são as características do lanche feito por Areen, um refugiado de guerra que encontrou em Ponta Grossa a oportunidade de recomeçar a vida a partir da culinária de seu país de origem: a Síria. Junto com o colega refugiado Khalid, produz o pão utilizado no lanche, que mede de 25 a 30 centímetros. É a shawarmaria de Ponta Grossa melhor avaliada pelos usuários do Facebook.
          Pelo lanche ser vendido em um trailer, a maioria dos clientes se senta em banquetas na calçada. Há uma sala com 10 mesas onde se pode apreciar o lanche, entretanto muitos não o fazem por conta da simpatia dos atendentes, que sempre têm algum assunto interessante para comentar, seja sobre o lanche ou qualquer outro assunto do cotidiano. A falta de um espaço atrativo e cadeiras confortáveis são o principal problema do ambiente. Para aqueles que preferem comer na comodidade de suas casas, também são feitas entregas em qualquer lugar da área urbana de Ponta Grossa.
         Até pouco tempo era servida uma espécie de shawarma gigante, que não é enrolado e serve até quatro pessoas, entretanto com o tempo que demanda para a sua produção e o alto número de pedidos do lanche tradicional, acabaram abandonando a opção. Isso é um problema se considerarmos a variedade do cardápio, que oferece apenas bebidas industrializadas e o lanche já citado. Mesmo assim, é um lanche que vale experimentado por seu considerável apelo ao paladar. Areen Shawarmaria é localizada na Rua Julia Wanderlei, esquina com a Caixa Econômica Federal.


Serviço:
Endereço: Rua Julia Wanderlei, Centro - Ponta Grossa 
 

 

                                                                                                                                              Alexandre Douvan

 
Música Celta começa a entrar no repertório Pontagrossense
    
    A música Celta não é comum no repertório brasileiro. Ela não é tocada em todos os lugares. Uma das principais características da música celta são seus ritmos complexos e métricas contrastantes ou seja, de feliz, que pode soar como melodias, até tristes e suaves, o que pode não agradar todos os públicos, diferente da música brasileira, que não possui arranjos com combinações elaboradas de notas. Os instrumentos que são usados para tocar a música Celta são: gaita de fole, tin whistle (flauta irlandesa), violino, bandolim, acordeon, violão e percussão.
     A música Celta é uma junção dos estilos que passam entre os países Irlanda, Escócia, Bretanha, Galícia, Cornualha e Ilha de Man. Considerada uma música popular tradicional. Existem diferenças entre o contemporâneo de cada país, apesar de o evento, Celta às Seis, as bandas, Notórios Bardos e Trovadores Celtas, são declarados como música irlandesa e punk irlandês.
     Foi a primeira participação da Notórios no Sexta às Seis. Para os Trovadores Celtas, foi a terceira edição no evento. Willian Silva, integrantes dos Trovadores, o público gosta do estilo de música que vem crescendo. De acordo com ele, filmes, séries e novelas ajudam na divulgação da música Celta a ter reconhecimento.


Serviço:
https://pt-br.facebook.com/NotoriosBardos/
https://pt-br.facebook.com/trovadoresceltas/
Gabriella de Barros
Jogar baralho é um comportamento de idosos em praça de Ponta Grossa
 
    O que faz um grupo de idosos se reunir na Praça Getúlio Vargas, conhecida popularmente como Praça dos Bichos? Jogar um baralho, conversar entre si, passar o tempo e esse divertir, são algumas características do comportamento de homens com idade entre 60 e 80 anos que sentam nas mesas de cor esverdeada embaixo das árvores presentes no espaço.
      Um grupo de quatro senhores jogam canastra na praça todos os dias para fugir da rotina e se distrair. O mais velho e mais bravo de 86 anos, que está aposentado há 30 anos, briga com um deles porque não estava jogando corretamente e ao final de cada partida anota em um caderno todas as pontuações feitas no jogo. Outros idosos preferem ficar sozinhos e não interagir com ninguém. Aposentados e cansados de passar as tardes em casa, optam por ir à praça, sentar em um banco e observar tudo o que acontece no local.
      A Praça dos Bichos é mais frequentada pelos idosos, pois esses senhores possuem o hábito de ir até o local todos os dias para fazer amigos, se entreter, conversar ou apenas se acomodar em um canto e esperar o tempo passar. Mas também, pessoas de outras faixas etárias fazem uso do espaço.
    
Serviço: 
A Praça dos Bichos (Praça Getúlio Vargas) está localizada na rua Ernesto Vilela – Nova Rússia, próximo ao Shopping Total.
Para saber mais sobre a história da Praça dos Bichos acesse o site:
http://eventos.uepg.br/semanageo/anais/arquivo17.pdf
 Natália Barbosa
Peça ‘Auto da Compadecida’ rende debate sobre políticas públicas de
teatro em Ponta Grossa

 
    A peça Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, foi adaptada pelaCompanhia de Teatro Bianca Almeida, no final de maio. Na apresentação, o cangaceiroSeverino, personagem masculino na obra original, se transforma em Severina, filha de Maria Bonita. Devido ao número de atores, as figuras religiosas como o padre, o bispo e o sacristão foram representados na figura de Celestina, a Beata, que reuniu as características das três personagens em uma só. Todos os atores conseguiram retratar a essência das personagens. Além disso, os figurinos, efeitos sonoros e as diferentes iluminações no palco deixavam o público imerso na obra.
     Em uma das cenas, o personagem João Grilo utiliza um gato de verdade. Porém, ao ser passado de mão em mão, o animal se estressa e arranha o rosto de um dos atores. Após o ocorrido, o ator que representava Chicó esquece as falas, mas os atores que participavam da cena conseguem contornar a situação de forma descontraída, fazendo o público rir.
     Nas cenas finais do purgatório, os atores que representam Jesus, Nossa Senhora e o Diabo aparecem com pernas de pau, para ficarem mais elevados que os demais personagens. No entanto, eles precisam ficar se movimentando para não perder o equilibro. Como o palco é pequeno, o movimento de pêndulo chama mais atenção do que a própria cena de julgamento dos personagens. Além disso, o constante movimento dos três fazia barulho no chão de madeira, que também desviava a atenção.
     Ao final, o diretor da peça e os atores interagiram com o público, sentando-se próximos da plateia para saber as impressões e as dúvidas do público sobre a peça. Uma das falas dos presentes foi relacionada ao pouco incentivo que a arte cênica recebe em Ponta Grossa, por meio de políticas públicas. Após a fala, os artistas revelaram que a realização da peça foi possível após a arrecadação de dinheiro por meio da venda de doces em alguns locais da cidade pelos próprios atores. 

Serviço:
Peça Auto da Compadecida (por Cia de Teatro Bianca Almeida) – Duração: 100 min
Apresentação em 25/05/2019, No Palco B Teatro Ópera
Hellen Scheidt
 
Jornalismo em forma de charge
 
     As charges são mais que do que piadas gráficas, a união da linguagem verbal e não verbal podem ser usados para denunciar e criticar situações políticas e sociais. Uma boa charge consegue expressar críticas contundentes sobre determinados assuntos que estejam em discussão na sociedade.
     Uma exposição organizada pelo centro acadêmico de jornalismo contempla charges do jornalista Alberto Benett.
     As charges do sócio do Portal Plural através do humor identifica em seu trabalho uma forma de se expressar livremente. Nenhum humor está imune as responsabilidades civis e penais. No entanto, é exagerada e muitas vezes incabível a insatisfação daqueles que se sentem ofendidos com algumas dessas charges.
     Em tempos de intolerância e ódio as pessoas perdem a sensatez resistindo de forma arbitrária aos avanços democráticos e a liberdade de expressão.
     Em tempos digitas, conteúdos como charges, quadrinhos e cartuns têm ganhado grande atenção na internet e nas redes sociais. As charges de Benett claramente expressão a intenção de aguçar a percepção dos leitores sobre temas políticos e assuntos polêmicos.
     As charges expostas focam em temas que atiçam o leitor e ao mesmo tempo fazem rir. Com um livro publicado e seu trabalho como chargista, Benett entende de bagagem e visão de mundo, sua postura em expor fatos do cenário social e político, com ou sem texto, trazem uma boa reflexão.
     Todo bom chargista que faz seu público leitor rir deve saber lidar com as críticas, uma charge não é isenta, ela crítica e toma posição. Benett em suas charges mostra ter consciência da arma sedutora que é o humor, o jornalista oferece uma versão crítica do fato, sem perder a linguagem rápida do humor.

Serviço:
Para ver as charges do jornalista: Plural.jor.br
Thaiz Rubik
 
Salas de cinema preferem produções estrangeiras
 
    O levantamento produzido pelo Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual, com base nos dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine) mostra que, em 2017, 160 filmes brasileiros foram lançados. Número baixo, se comparado com o lançamento de filmes estrangeiros, que alcançam 303 estreias no mesmo ano.
     Nas salas comerciais de cinema em Ponta Grossa, a diferença é enorme entre o número de exibições de filmes nacionais e estrangeiros. De junho a dezembro de 2018 foram 868 sessões que exibiram 19 filmes brasileiros. Em contrapartida, foram 6.106 sessões de 50 filmes estrangeiros.
     Em 2017 foi decretado a obrigatoriedade de exibição de obras audiovisuais cinematográficas brasileiras. E mesmo que isso seja seguido à risca, percebe-se, com os dados citados acima, o contraste entre a quantidade de filmes nacionais e estrangeiros que são transmitidos. A justificativa pode ser o número de lançamentos, mas os filmes nacionais não são divulgados com o mesmo investimento que os filmes estrangeiros aqui no Brasil.
     Se foi preciso formular um decreto para obrigar a exibição de produções brasileiras, significa que o espaço era reduzido para os trabalhos do próprio País. Muitas vezes, se considera o dito popular de que as produções internacionais têm mais valor do que aquilo que é feito no Brasil. Embora os dados mostrem o contrário, tendo em vista que em Ponta Grossa, o Grupo Araújo teve a participação de 42% de público nos filmes brasileiros e o Grupo Lumiere 57%. Mesmo assim, a divulgação de filmes nacionais é limitada e falta espaço para apresentar.

Serviço:
https://oca.ancine.gov.br/dados-de-bilheteria-por-sess%C3%A3o-do-parque-exibidor-
brasileiro

 
Nadine Sansana
Corte de gastos na Universidade dificulta novas aquisições de livros para a biblioteca
 
   A Biblioteca Central Professor Faris Michaele (BICEN), do Campus Central da Universidade Estadual de Ponta Grossa, tem uma defasagem na atualização de obras. Os alunos podem pedir a renovação do acervo da biblioteca, mas segundo informações do Setor de Aquisições, no ano de 2018 não houve pedido de novos livros por falta de verba e não há previsão de pedido para 2019 também.
     A solicitação de compra para a biblioteca é coletada durante o ano, e no mês de agosto é feito o pedido. O solicitante deve preencher um formulário e enviá-lo por e-mail. Sugestões de aquisição podem ser registradas via site (https://sistemas.uepg.br/pergamum/biblioteca/index.php) a qualquer momento. A BICEN também recebe colaborações da comunidade, como doação de livros ou periódico. O material é analisado, de acordo com os critérios da biblioteca. A UEPG também troca publicações com outras instituições de ensino.
     A Biblioteca do Campus Central tem no acervo cerca de 28 mil títulos e 42 mil exemplares. A sede do Campus Uvaranas tem aproximadamente 27 mil títulos e 48 mil exemplares. A Biblioteca do Hospital Regional possui 206 títulos e exemplares. E a Biblioteca do Colégio Agrícola Augusto Ribas tem em torno de 3 mil títulos e 4 mil exemplares. Fechando pouco mais de 59 mil títulos e 96 mil exemplares, segundo dados de Outubro 2018 da Biblioteca Central Professor Faris Michaele.
     A falta de verba para compra de novos livros para a biblioteca é o retrato do corte de gastos na Universidade. Afinal o ensino público vem passando por cortes que refletem em tudo dentro da instituição.

Serviço: 
Biblioteca Central Professor Faris Michaele (UEPG)
Praça Santos Andrade, 1 - Bloco - D - térreo - Centro, Ponta Grossa
Telefone: (42)3220-3385
E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Arieta de Almeida
Campanha de mídia em defesa da educação na UEPG
    Após tanto tempo de luta pela educação, a administração da Universidade Estadual de Ponta Grossa manifesta apoio aos movimentos sociais em defesa do ensino público, de uma forma direta em relação aos anos anteriores. Ao invés de manter o silêncio diante das medidas do governo federal, a instituição se une às entidades que lutam por mais verbas para a educação.
     Não é de hoje que acontecem movimentos a favor do ensino público. A partir de abril de 2019, a assessoria da UEPG fixa no site oficial a frase “em defesa da universidade pública”, em destaque no topo da página. Já no Facebook, a mesma frase é destacada nas fotos de capa e de perfil. No estado, outras instituições de ensino aderiram à campanha, como as universidades estaduais de Londrina e de Maringá, e também a Universidade Federal do Paraná.
     A adesão à campanha está presente no uso do filtro da campanha nas imagens de contas em redes sociais. Centenas de usuários compartilham do filtro e das demais formas de apoio à causa, como fotos de capa e outras artes nos perfis.
     Em abril de 2019, o governo federal bloqueou R$ 1,7 bilhão do orçamento destinado às universidades. Desde então, várias manifestações tomaram conta do país e contou com apoio massivo de estudantes, docentes e populares.

Serviço:
Site: Portal UEPG – disponível em: https://portal.uepg.br/
Foto: Página da UEPG no Facebook – disponível em:
https://web.facebook.com/oficialuepg/photos/a.248467415814808/354262495235299/?type

 
Cicero Goytacaz
Produzido pela Turma B - Jornalismo UEPG