Crítica de Ponta no Rádio Logo

                      Crítica de Ponta 

 

Produzido pelos alunos do terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura de Ponta Grossa para você! 

 

 

Cemitério São José: um mundo de arte, cultura e história

Crédito: Eder Carlos

Pode até parecer macabro ou de mau gosto para alguns, mas visitar um cemitério é entrar num mundo de história, arte e cultura. Claro, os túmulos são a última morada dos que já deixaram a vida como a conhecemos. Mas são os vivos que dão aos cemitérios um aspecto encantador. Jazigos luxuosos, estátuas, capelas e outros cuidados, feitos pelos vivos, preservam a lembrança dos que já partiram.

Em grandes cidades, como Roma, Buenos Aires, São Paulo ou Curitiba, catacumbas e cemitérios fazem parte de roteiros turísticos. Túmulos de personalidades do mundo artístico ou histórico são pontos de visitação. O mesmo acontece com os chamados santos de devoção popular, não reconhecidos pela Igreja Católica, mas cultuados pela população.

Ponta Grossa, oficialmente, não tem nenhum cemitério como roteiro turístico. Mas não são poucos os que visitam os campos santos para conhecer um pouco da história e cultura da cidade. O mais visitado é o Cemitério São José, no centro da cidade. Em especial, a região que fica à direita do portão principal, onde ficam os túmulos mais luxuosos e históricos. E ali há de tudo um pouco, numa convivência pacífica. Lado a lado estão túmulos cristãos, judeus, muçulmanos e ateus. Também lá estão túmulos suntuosos, com 30 metros quadrados, como a Capela que contém os restos do Barão de Guaraúna, ou simples marcos com uma cruz, lembrança de algum recém-nascido desconhecido.

 

Crédito: Eder Carlos

E há obras de arte para todos os gostos. Nas capelas tumulares, estão imagens de santos, quadros produzidos pelos falecidos, ou lindos vitrais que dão um colorido especial em dias de sol. Sobre os túmulos, a imagem de Jesus Cristo é a que mais aparece. E há diversas variações. Pietás também estão presentes. Num túmulo, um grande São Jorge está sobre a capela. Em outro, há detalhes que remontam ao antigo Egito. Um túmulo tem detalhes que parecem saídos de um templo grego. E outro uma ligação com a aeronáutica.

Visitar um cemitério e ver como os vivos homenageiam os mortos é algo especial. E o Cemitério São José é um prato cheio. Vale a pena ir ao local, com tempo, caminhar entre os túmulos, ver como foram construídos, ler as lápides, ver os detalhes das capelas tumulares, observar as obras de arte que os adornam. Uma primeira visita vai deixar a vontade de voltar. E a cada retorno, outros detalhes vão ser descobertos. Mais que um local que causa temor, cemitérios também são cultura, história e arte.O cemitério São José está aberto diariamente, das sete horas da manhã às seis horas da tarde.

Por: Eder Carlos

 

Pizzaria Domino's tem espaço de consumo interno apertado

A maior pizzaria do mundo tem um espaço pequeno em Ponta Grossa

      

  Crédito: Kadu Mendes

Nascida em Michigan, nos Estados Unidos, por volta dos anos 60, a Pizzaria Dominino’s abriu as portas em Ponta Grossa em 18 de abril deste ano. 

A empresa oferece um bom serviço de atendimento ao cliente, sobretudo no que diz respeito aos pedidos de entrega. Além de pizza, também vende sobremesas, sanduíches e outros acompanhamentos. Os preços das pizzas são acima da média da concorrência, partindo de 30 reais para a pizza média de 30 cm, até ultrapassar os 95 reais para as pizzas gigantes super premium. O preço se justifica ao degustar dos produtos da casa. Provei as pizzas premium dos sabores 4 queijos e frango com cream cheese. Estavam deliciosas.   



Créditos: Reprodução Pizzaria Domino’s

Mas a maior franquia de pizzarias do mundo tem, na loja física, um problema no ambiente interno. A área para os clientes é pequena. O espaço entre as poucos mesas deixa o freguês com uma sensação de aperto, o que dá a impressão de que a Domino’s almeja que os consumidores comam rapidamente e deixem o local para não ocupar lugar à mesa que pode ser utilizada por outras pessoas. Ou a aposta está no serviço de entregas. 

A Domino’s Pizza se localiza na Avenida Bonifácio Vilela, número 666, em frente à UEPG do centro. E atende de domingo a domingo, das 17h às 23h30. 

Os pedidos para entrega ou para retirada na loja podem ser feitos pelo site www.dominos.com.br, pelo Whatsapp (21) 97301-5191 ou pelo aplicativo da Domino’s. 

         Por Kadu Mendes


Até os anjos pecam

Espetáculo “Mirra” traz descontração e bom humor aos teatros de Ponta Grossa


Crédito: Redes Sociais Festival Prosiá

O terceiro dia de apresentações do Festival Prosiá contou com a encenação da peça “Mirra”, na sala do Teatro SESC. O espetáculo, apresentado no dia 28 de julho, contava o dilema de três anjos da guarda que tinham a missão de cuidar de três grandes pecadores na terra enquanto precisavam resistir às próprias vontades carnais para não cometerem pecados e serem expulsos do paraíso. 

Durante a apresentação, Ana Almeida, Levi Hilgemberge e Paulo Henrique interpretavam cada um um dos anjos da guarda que sempre estavam em apuros devido aos vários pecados cometidos constantemente pelos seus humanos. O Ápice da trama é quando os humanos atingem o número recorde de pecados que alguém pode cometer, fazendo os anjos pagarem uma humorada punição.

O local de apresentação era um espaço, similar a uma sala de estar, onde o público podia ficar bem próximo e interagir com os atores. A decoração, que remetia ao paraíso, casava com a interação dos atores com o cenário. Para completar a experiência, o jogo de luzes contrastava com o fundo escuro, o que trazia um destaque maior para as atuações e causava uma maior imersão nos espectadores.

 

Crédito: Redes Sociais Festival Prosiá

As atuações merecem destaque. Com um humor voltado ao público LGBTQIA+  e sempre muito expressivos, os atores dançavam, gritavam e choravam conforme os personagens  mergulhavam em mais confusões por causa dos seus humanos. Seus figurinos de anjos, com asas, vestimentimentas e aréolas 

A peça foi uma das nove encenadas durante a Semana do Festival de Teatro Prosiá, que durou dos dias 26 à 31 de julho. Foi a segunda edição do festival na cidade, encenado em alguns dos principais locais de teatro da cidade, como no auditório da UEPG central, e no Teatro SESC.

 

         Por Lucas Ribeiro

Yogo age como aliado para melhora da saúde mental

Em momento de crise pós-pandemia, serviços de Yoga buscam novas alternativas para sobreviverem

 

Crédito: Carla Amaral / Arquivo

Uma prática que tem como objetivo trabalhar a mente e o corpo de forma interligada e que busca conquistar a hiperconsciência. O Yoga tem sido uma alternativa encontrada por algumas pessoas que queiram melhorar o físico, como flexibilidade, resistência e funcionamento dos órgãos internos, e a saúde mental, controlando a ansiedade, inquietações e reduzindo os níveis de estresse. Atletas, por exemplo, procuram o Yoga a fim de melhorar a mobilidade e a relação com seus adversários durante o jogo. 

A cultura do Yoga surgiu há mais de 5 mil anos na índia e foi difundida ao longo do tempo para os demais países. Hoje, existem mais de 108 fundamentos do Yoga, sendo eles ligados à cultura e à religião, ou apenas à prática, como é o caso da maioria dos que são oferecidos em Ponta Grossa. Segundo Carla Amaral, instrutora de Yoga há mais de 18 anos na cidade, ainda são poucas as pessoas que realizam a prática e que se interessam em conhecer a cultura. 




    Crédito: Carla Amaral / Arquivo

Qualquer pessoa pode realizar o Yoga, visto que as aulas são pensadas seguindo as necessidades e limitações de cada corpo. Mas apesar de ser uma alternativa para a melhora da saúde mental, ele não cumpre o papel de uma terapia ou tratamento com medicamentos, e dependendo do caso de cada indivíduo, é preciso o acompanhamento com especialistas na área. 

Nesse pós-pandemia, a procura pelo esporte teve uma queda. De acordo com Carla, o principal motivo se deve pelo financeiro, uma vez que ultimamente tudo está mais caro e as aulas acabam sendo vistas como algo não essencial. Dessa forma, algumas pessoas que ainda continuam realizando o Yoga acabaram optando por aulas apenas uma vez na semana ou de maneira remota, que são mais baratas.

Em Ponta Grossa, a Secretaria Municipal de Esportes oferece a prática do Yoga de forma gratuita. A iniciativa faz parte do projeto Oscar Pereira de Portas Abertas, onde as aulas têm duração de uma hora e contam com 15 participantes por turma. Elas são ofertadas nas segundas e quartas às 08h e ao meio-dia, e nas terças e quintas, nos horários das 09h, 10h e meio-dia. Para participar é preciso de autorização médica e a ficha de cadastro disponível no site da Secretaria. Até o momento a procura tem sido grande e conta com lista de espera assim que novas vagas estejam disponíveis. 

        Por Ana Luiza Bertelli Dimbarre

 



Koto projeta a cultura japonesa através de doces notas


Instrumento milenar japonês representa a música tradicional no Japão e no mundo 


Crédito: Fundação Japão em SP

Provavelmente você já escutou notas semelhantes em filmes que trazem para as telas histórias sobre o Japão, especialmente, um Japão mais antigo. O instrumento que produz esse som se chama Koto e se assemelha a uma harpa.   Estima-se que o instrumento tenha chegado ao Japão através da China por volta do século VIII. Então, uma antiga orquestra da corte inseriu o koto em seu repertório. Dessa forma, o instrumento chegou a outros músicos e foi cultivado pela nobreza até sua popularização no século XVII. 


Crédito: Fundação Japão em SP

A harpa japonesa, como é conhecida no ocidente, possui 13 cordas extensas que são fixadas em duas pranchas de madeira de 1,80m que é deitada no chão para ser tocada. Normalmente, as pranchas vem da árvore kiri, também conhecida como árvore imperatriz, moldada para ter um corpo oco e ressonante. Antigamente, as cordas eram feitas com seda, mas agora os instrumentos usam o nylon. Além disso, o koto é usualmente tocado por mulheres com vestimentas tradicionais japonesas.

Um fato interessante sobre o instrumento é que não se pode fazer a afinação das cordas, elas apenas ficam tensionadas. Para obter as notas, utiliza-se de pequenos cavaletes colocados entre as cordas por todo o corpo do koto. Por conta desse detalhe, existem limitações de notas quando os cavaletes ficam próximos e isso traz um grau de dificuldade para quem quer aprender a tocar  esse instrumento milenar.  

Infelizmente são poucos os músicos que dominam esse instrumento, seja pela complexidade ou pela falta de incentivo à música japonesa. Quase não se encontram professores habilitados e há muita dificuldade para adquirir o instrumento vendido apenas no Japão. O cenário pontagrossense não difere do nacional,  lojas de instrumentos na cidade não dispõe do koto ou outros instrumentos asiáticos. Porém, apesar de o koto ser pouco conhecido, os sons produzidos pelo instrumento são melódicos e harmônicos. Facilmente as notas transportam os ouvintes para  um lugar de calmaria. Quem toca as 13 cordas do koto também toca a alma dos apreciadores da cultura japonesa.  

Serviço: 

De acordo com Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira de Ponta Grossa, o instrumento koto não é ministrado na instituição.



Por Kathleen Schenberger






Quem tem medo de escrever sobre cultura?

Dois principais jornais ponta-grossenses possuem defasagem na produção de pautas críticas e culturais 

Crédito: Iolanda Lima - Lente Quente

Quando se trata de temáticas relacionadas à cultura e conteúdos que fomentam a crítica de mídia, o jornalismo ponta-grossense nutre a prática sintomática de evitar estes temas ou falar sem aprofundamento ou reflexão, não apenas oferecendo à população uma visão superficial da agenda cultural da cidade, mas também tornando-se refém de releases de assessoria e cópias de outros sites. 

Seja em grandes metrópoles ou em pequenas cidades, as iniciativas culturais são parte importante da construção identitária da comunidade local. Entretanto, a cobertura jornalística destes acontecimentos em Ponta Grossa apresenta problemas que se repetem. 

Em uma semana de publicações, os dois principais jornais da cidade, aRede e DC+ publicaram apenas três matérias relacionadas à crítica e à cultura, sendo duas no portal aRede e apenas uma no site DC+.

Dos dois conteúdos publicados no portal A Rede, uma noticiava oficinas de cinema e a outra analisava a primeira temporada da série Sandman, da Netflix, no qual diversas partes da crítica são cópias de um site de resenhas, o que não foi sinalizado pelo portal. Com relação ao site online do jornal Diário dos Campos, a única publicação era material de assessoria. 

 

Crédito: Vitória Teste - Lente Quente

A mídia é um importante vetor de fomento à cultura e ter um espaço cedido dentro de portais jornalísticos permite aos leitores ampla construção de pensamento crítico. De maneira geral, o que fica perceptível é a notória falta de prioridade na cobertura destes eventos por parte dos dois veículos. Apesar de possuírem grande alcance do público de Ponta Grossa, a lacuna deixada pela falta de diversidade de pautas relacionadas ao ambiente cultural, tem por consequência a defasagem de divulgação da cultura local que acarreta também na dificuldade de conhecimento e acesso da população a eventos como peças de teatro, mostras de dança e concertos musicais. 

O apoio dos veículos de grande abrangência é parte fundamental para o crescimento do cenário cultural da cidade e a valorização da comunidade que a promove. 

        Por Valéria Laroca