Imagem: Saori Honorato e William Clarindo.

Queda de 17% de famílias beneficiadas em um ano mostra os efeitos em Ponta Grossa


O Bolsa Família foi criado em 2003 durante o governo Lula (PT). É um programa que visa à diminuição dos índices de pobreza no Brasil através da oferta de bolsas mensais às famílias registradas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal. Apesar de ser uma importante estratégia para o combate de pobreza no país, dados comprovam que nos últimos anos o número de famílias beneficiadas pelo programa diminuiu. Em novembro do ano passado, o governo de Michel Temer (PMDB) cancelou e bloqueou R$ 1,1 milhão de benefícios do Bolsa Família. Julho de 2017 registrou o menor número de pessoas beneficiadas na história do programa. 

Segundo relatório gerado em 21 de julho deste ano, em média 9% da população total de Ponta Grossa é beneficiada pelo Bolsa Família e o valor médio da bolsa é de R$ 151,38 por família. Ao comparar os meses de julho dos anos de 2016 e 2017, é possível observar a diminuição de 17% no número de famílias beneficiadas pelo programa Bolsa Família em Ponta Grossa. Enquanto em julho do ano passado 11,3 mil famílias eram contempladas pelo programa, no ano de 2017 o número cai para 9,4 mil. Nos últimos 12 meses, julho de 2017 foi o mês com o valor mais baixo de repasse de verba, sendo R$ 1.501.281,00 o valor destinado para as famílias da cidade. A quantidade de famílias beneficiadas pelo programa em Ponta Grossa diminui gradativamente mês após mês e não há um aumento nos valores destinados deste outubro de 2016.

 

A coordenadora do Programa Bolsa Família em Ponta Grossa, Ana Seres Leite, diz que os cortes não são um problema. “As famílias que deixaram de fazer parte do programa foi porque superaram a renda inicial. […] Se diminuíram o número de bolsas, quer dizer que mais famílias deixaram a pobreza”, aponta a coordenadora.
Para se cadastrar no programa, a família deve ter renda mensal de R$ 85,01 a R$ 170,00 por membro e comprovar a renda em uma unidade do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). Ponta Grossa possui dez unidades do CRAS.

 

Os cortes do auxílio acontecem quando são detectados problemas nos dados oferecidos pelas famílias que recebem a bolsa. Em seguida, a conta no banco é bloqueada e o beneficiado não consegue retirar o dinheiro. O professor do curso de Serviço Social da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Peterson Marino, argumenta que esses bloqueios do Bolsa Família não são feitos para organizar os cadastros e sim são uma forma do governo cortar gastos. “Quando vemos os cortes e a diminuição do valor do benefício isso demonstra que em vez de avançarmos, estamos regredindo. Em vez de garantir um direito, o governo está tirando o pouco que ainda se tem”, afirma o professor.

 

Marino lamenta o descaso que os programas assistenciais recebem do atual governo e defende a importância do Bolsa Família para o país. “Quando olhamos para a condição do povo brasileiro a gente consegue ver muita desigualdade social, uma baixa qualificação da população, um mercado de trabalho precário, além do alto nível de desemprego. É necessário um programa de assistência social que dê o mínimo de dignidade de vida para as famílias de baixa renda”, argumenta o professor. Segundo a coordenadora do Bolsa Família, o município está abaixo da meta ideal de famílias contempladas pelo programa porque não consegue atingir o restante da população em função de problemas estruturais nos CRAS, como falta de pessoal e estrutura física. Esse impasse é resultado do município ter atingido o limite prudencial, o que impede a contratação de mais funcionários na área de assistência social.

 

O censo demográfico realizado pelo IBGE em 2010 indica que há 12.692 famílias consideradas pobres em Ponta Grossa. Os dados mostram que 78% desse grupo faz parte do programa Bolsa Família, entretanto o restante das famílias pobres permanecem sem receber auxílio do governo.
Ainda há meio milhão de famílias na lista de espera do Programa Bolsa Família no Brasil.

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