Trabalhadores consideram retorno ao ensino presencial durante a pandemia uma "ameaça à vida"

Diante da decisão do governo estadual de retomar as atividades presenciais nas escolas públicas ainda em plena pandemia de coronavírus, o Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública do Paraná (APP Sindicato) anunciou greve para o dia 1° de março. "A greve é a última ferramenta que uma categoria tem para dar visibilidade à sua causa", afirma Tércio Nascimento, presidente do núcleo regional da entidade sindical para a região dos Campos Gerais, destacando a falta de disposição do governo em dialogar com os servidores.

 

Sindicato alerta para o risco de contaminação pelo coronavírus se houver o retorno das aulas. Foto: Jornalismo UEPG/Banco de dados

 

O professor Nascimento alerta para o risco de disseminação do novo coronavírus entre alunos, professores e funcionários caso as aulas presenciais retornem antes da vacinação em massa. Ele argumenta que, mesmo no sistema híbrido (parte dos alunos em casa e parte na escola), ainda haverá contato entre muitas pessoas, cerca de 150 a 200 diariamente.

"O governo passou, com a pandemia, a controlar nossas atividades", afirma Nascimento, destacando a pressão que houve sobre professores e alunos em relação ao uso de plataformas como o Google Meet e o Google Classroom. Ele diz não ser contra o uso dessas tecnologias, mas lembra que o processo de ensino-aprendizagem se torna precário sem as interações que ocorrem em sala de aula. Thaisa Olegário de Jesus, estudante que passou pela experiência do ensino remoto, relata a dificuldade com o sistema. "Mesmo tendo concluído todo o terceiro [ano], eu ainda sinto que poderia ter tido mais uma chance, porque tem várias coisas que eu não entendi", afirma.

A defesa da vida é o principal motivo da paralisação, ao lado da luta por direitos adquiridos, como concurso público e plano de cargo e carreira. O dirigente da APP ressalta a defasagem salarial da categoria (30%), e a onda de desemprego, que afetou cerca de 20 a 25 mil professores e funcionários desde o começo da pandemia. O professor lembra ainda a decisão do governo Ratinho Junior de reduzir a carga horária das disciplinas de filosofia, sociologia e artes, o que deve diminuir o número de professores e dificultar o trabalho dos que permanecem na profissão.

Projeto de Lei 4/2021, que tramita na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) na última quarta-feira (17), pretende transformar a educação em atividade essencial. Nascimento argumenta que essa é apenas uma estratégia governamental para evitar greve. Para ele, a educação ultimamente tem perdido muito espaço.

 

Ficha Técnica: 

Repórter: Carolina Olegário 

Imagem: Jornalismo UEPG/Banco de dados 

Edição: Laísa Braga 

Supervisão: Sérgio Gadini, Angela Aguiar e Jefferson Bertolini