Escolas para estas crianças produzem conteúdos para serem trabalhados de maneira remota

 

Faz um ano que as escolas paralisaram seus trabalhos. Com o ensino especial a situação é a mesma. Em Ponta Grossa muitas instituições fazem o trabalho especializado, como a Apae, APACD, Proaut, para as crianças com algum tipo de deficiência. Desde março de 2020 o Brasil passa por um período de quarentena com serviços suspensos. De acordo com a OMS são 45,6 milhões de pessoas com deficiência no Brasil

Luciana Marenda, organizadora de eventos, sente os efeitos dessa reclusão. Luciana é mãe da Mariana Gabriela de 12 anos que possui paralisia cerebral e é aluna da APACD. De acordo com a organizadora, a rotina da Mariana foi toda afetada, quando frequentava a APACD possuía horários rígidos para todas as atividades. “Como ela dorme tarde, acaba acordando um pouco tarde, toma um café leve para esperar o almoço. Mas no período da tarde temos que fazer alguma atividade com ela e algumas atividades vem da escola de maneira online também” Além de exercícios como auxiliar na “marcha”, a mãe segura e dá apoio para estimular o andar da Mariana mesmo sem fisioterapia.

Outro caso é o da Marina, de 12 anos, que também frequenta a APACD. De acordo com sua mãe Elaine Cristina Alves de Lima, voltar a rotina normal será um desafio, pois a menina se acostumou com a nova rotina diária. “Ela gosta de ficar em casa, nunca teve problemas para ir para a escola, mas se acostumou a ficar em casa. Tiramos um tempo para fazer os exercícios da escola, o resto do tempo é eu e ela, assistimos TV e brincamos das coisas que ela gosta”, diz.

De acordo com a Enfermeira Karen, da APACD, A educação especial possui algumas especificidades que torna o afastamento das escolas algo que precisa de mais atenção: há casos em que os cuidados envolvem o trabalho de fisioterapia e cuidados de enfermagem, principalmente em crianças que utilizam sonda para a sua alimentação. Esses atendimentos foram paralisados com a chegada da pandemia. Na APACD, por exemplo, não há atendimento nos setores pedagógicos e psicossociais funcionando de maneira presencial. As famílias foram orientadas a estimular essas crianças para continuarem ativas mesmo estando em casa. Na instituição, as terapias ainda estão acontecendo, para não paralisar totalmente os estímulos ou acontecer regressões nos quadros de saúde.

Esse quadro de regressão pode ser visto na Mariana. De acordo com a mãe Luciana, houve uma pequena regressão em suas pernas que pode ser percebido. “É complicado porque ela está sem essa fisioterapia diária em casa, algo mais profissional, às vezes faço uma massagem, deixo ela mais tempo no banho porque a água é relaxante. Quando a gente percebeu essa atrofia na perna percebemos o quanto é importante para ela ser estimulada sempre que possível”, completa.

Elaine relata que não houve quadro de regressão do quadro de saúde da Marina, mas que deixá-la ativa a deixa mais calma. “Mesmo ela gostando de ficar em casa, precisamos fazer algo que a distraia, como qualquer outra criança, ela tem as limitações dela e brinca do seu próprio jeito”.

Volta às aulas em Ponta Grossa

Ponta Grossa não possui previsão para a volta às aulas de maneira presencial. Com relação a vacinação, não está previsto que menores de 18 anos sejam vacinados, automaticamente crianças especiais menores de 18 anos não serão vacinadas, deixando-as mais tempo longe das escolas.

A professora do ensino especial Giovana Cristina Pincelli relatou que esse isolamento traz prejuízos para essas crianças. “Com certeza, traz prejuízos para todos, alunos, professores, familiares, pois as crianças especiais necessitam muito do convívio com o outro, de receber atendimento diferenciado, atenção, carinho, enfim, envolve parte intelectual, física e emocional de todos os envolvidos no seu processo de ensino e aprendizagem”. Ela completa afirmando que o contato com o outro auxilia o seu desenvolvimento intelectual, físico e emocional, as trocas de experiências realizadas neste sentido no ambiente escolar, são necessárias para elas neste processo.

 

Com relação às metodologias de ensino foi necessária uma readaptação para o ensino remoto. “No nosso plano de aulas remotas ficamos muito limitadas no desenvolvimento de nossas atividades que são muito práticas para nossos alunos especiais. Nós contamos com o auxílio total das famílias, pois elas se tornaram imprescindíveis na execução destas atividades agora nesse momento. Porém, compete à equipe de gestão articular o repasse de como será efetivada essa parceria com as famílias, para podermos realizar este nosso trabalho online”, completa.

O período de isolamento é necessário para controlar o colapso que o país está passando. Muitos serviços ainda estão paralisados por tempo indeterminado. Nessa situação os pais tentam entreter as crianças de alguma forma. Luciana relata que Mariana tem vários animais de estimação, visando promover esse contato com os animais para a distração. “Ela tem o jeito dela de brincar, com todas as suas limitações, mas os bichinhos ajudam muito, ela gosta de passar o tempo com os animais que tem em casa, gato, cachorro e coelho”. De acordo com Luciana pelo menos 1 vez por semana ela procura sair com a filha para tentar distraí-la, levando em consideração todos os protocolos de segurança para a saúde de ambas.

Com Marina a situação não é muito diferente, de acordo com Elaine, as atividades enviadas pela escola ajudam muito na própria distração de sua filha, além de distrações comuns como assistir TV e brincar. Marina também não é filha única, ela tem mais quatro irmãos, mas somente um dos irmãos ainda mora com ela.

Mariana anda passando por uma irritabilidade maior que o normal, que começou quando as atividades presenciais na APACD foram paralisadas: "Se a gente não entende o que ela quer, ela fica muito brava, e quando ela fica irritada é muito difícil de conseguir animar ela de volta. Ela como toda criança gosta de assistir TV, mas não podemos deixar o dia todo assistindo, tirar ela da frente da TV gera um estresse e deixa ela irritada com a gente. Mas estamos há um ano em pandemia, nos acostumamos e aprendemos a lidar melhor com essa situação”, completa.

Mariana não é filha única, ela possui mais três irmãos que auxiliam na sua distração: fazem tarefas juntos, brincadeiras, de acordo com Luciana nenhum dia é monótono o que tem ajudado muito no humor da Mariana. “Quando ela ia para a aula, ela já chegava em casa cansada, agora não, ela dorme tarde, acorda tarde, por ela ficar em casa o dia todo” complementa.

APACD segue com as aulas suspensas

Na APACD estão suspensas as atividades pedagógicas e psicossociais desde o início da pandemia. A enfermeira Karen da APACD relata que sua função antes da pandemia era fazer todo o cuidado disciplinar e de tratamento com as crianças, principalmente aquelas que fazem o uso de sondas para a sua alimentação. A utilização de sonda é muito comum principalmente em crianças que têm paralisia cerebral. As crianças com PC têm a tendência em desenvolver disfagia (dificuldade de deglutição). “Nosso trabalho lá era fazer uma educação com os pais para ensiná-los o manejo dessa alimentação e desses cuidados, para que fossem alimentados e tratados e medicados da mesma forma que eram tratados dentro da instituição”, completa. Atualmente os trabalhos mudaram já que as crianças não estão frequentando a instituição desde o início da pandemia. Na instituição funciona com um setor de clínicas, setor pedagógico e o psicossocial, esses dois últimos estando com suas atividades suspensas. Todas as terapias ainda estão funcionando, para que não haja prejuízos para a saúde dessas crianças, mas sempre seguindo todos os protocolos de saúde para preservar as crianças e seus familiares.

Segundo Karen, todas as terapias estão em funcionamento, fisioterapias, fonoaudiólogos e psicoterapia. Estão acontecendo para manter as crianças ativas e sempre progredindo. Crianças que possuem um risco de perigo principalmente por passar por um período pandêmico é restrito a esse fluxo de atendimentos. Os terapeutas possuem um vínculo com a família onde juntos passam os ensinamentos aos familiares a fazer alguns exercícios em casa mesmo para que essas crianças continuem sendo estimuladas.

Os estímulos feitos em casa são importantes para que não haja nenhum malefício ou regressão do quadro de cada criança. Mas algum atraso nos quadros clínicos, pode sim acontecer, pois não é sempre que as famílias podem comparecer à essas terapias que estão em funcionamento, por diversos fatores, como o próprio transporte público, que estava parado por causa do lockdown, famílias trabalhando 24 horas em função dessas crianças que estão em casa, acabam deixando os pais sobrecarregados, dificultando essa ida à instituição, por exemplo.

São realizadas semanalmente orientações de todos os setores (psicossocial, clínico e pedagógico) com as famílias para fazer as orientações necessárias da melhor forma. Essas orientações são separadas pelas áreas para serem bem direcionadas e bem compreendidas pelas famílias.

Uma das preocupações relatadas é sobre a saúde mental dessas crianças, que necessitam muito desse contato direto com outras pessoas. De acordo com a enfermeira Karen há malefícios que essa pandemia pode trazer, não só para as crianças com algum tipo de deficiência, mas para todos é a questão da saúde mental. “A maneira que temos para se prevenir é ficando em casa, isolando-se, não tem mais festa de aniversário que se pode encontrar com os amigos, não podemos ir ao parque, ao circo, por exemplo. Essa falta de interação social pode, não só com essas crianças, mas em todos, pode causar algum distúrbio de saúde mental, a pessoa pode ficar mais depressiva, ou desenvolver alguma doença mental que provavelmente já tinha, mas que não tinha se manifestado”, completa.

 

Ficha Técnica:

Repórter: Larissa Hofbauer

Publicação: Mirella Mello

Supervisão: Vinicius Biazotti

Documentário em áudio lembra reportagens produzidas durante os primeiros meses de 2021 e expõe os impactos da pandemia na Educação. O material foi produzido pela Turma 34 de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

Acadêmicos da Universidade Estadual de Ponta Grossa relatam rotina de estudo no ensino remoto, provocado pela pandemia da Covid-19, no documentário em áudio. O material foi produzido pela turma 34 de Jornalismo da UEPG.

 

 

Ficha Técnica:

Locução: Deborah Kuki e Larisa Godoi

Edição: Ana Moraes, Larissa Onório, Leonardo Duarde e Levi de Brito

Públicação: Daniela Valenga

Supervisão: Rafael Schoenner

O resultado da manifestação pela garantia da aposentadoria foram cerca de 400 feridos
Momento do confronto durante manifestação em 2015 Foto: José Gabriel Tramontin/Lente Quente

 

O ‘Massacre do Centro Cívico’ completa seis anos em 29 de abril. O registra marca a violência policial orquestrada pelo então governo Beto Richa (PSDB) contra aproximadamente 20 mil servidores públicos, muitos deles professores, que participavam de uma manifestação em frente ao prédio da Assembleia Legislativa (ALEP), em Curitiba.

Atualização realizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) inclui no Currículo Lattes campo para registar períodos de licença-maternidade para mães pesquisadoras. De acordo com o Parent in Science, o percentual de pesquisadoras na ciência é reduzido conforme avança na carreira, sendo 55% das bolsistas de iniciação científica e 36% das bolsistas de produtividade em pesquisa. 


Cerca de 78% das cientistas brasileiras são mães, e 81% consideram a maternidade extremamente negativa ou negativa na carreira, aponta pesquisa realizada sobre o impacto da maternidade na carreira científica das mulheres brasileiras. O principal problema enfrentado é a submissão de projetos, pois somente após 4 anos da gestação a pesquisadora consegue retomar os projetos. “O natural para as pesquisadoras sem filhos, conforme experiência, é o crescimento das submissões de projetos, enquanto às pesquisadoras com filhos, há um decréscimo na produção natural”, afirma a professora de Química, Christiane Borges.


A jornalista e doutoranda na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Elaine Schmitt relata que a possibilidade de registrar a licença-maternidade é importante, porém tardia. “As atividades relacionadas à esfera doméstica e de cuidados recaem às mulheres e isso apenas se soma às demandas da vida acadêmica, que também não são poucas”, afirma. Pesquisadoras mulheres apresentam mais dificuldades que os pesquisadores homens. A disparidade pode ser vista durante a pandemia, a partir de pesquisas que apontam uma queda significativa na produtividade de mulheres do mundo todo, já no mês de abril de 2020.


Desde o início do século XX, quando as mulheres se inseriram no mercado de trabalho, as pesquisadoras enfrentam desafios para conciliar o trabalho com as demandas da maternidade, aponta a jornalista Nara Souza. De acordo com a jornalista, é significativo a atualização, se considerar as questões de acesso das mulheres às oportunidades, e o tratamento dado à maternidade. “A expectativa é que as instituições de ensino superior e pesquisa ajustem o limite de tempo para a análise da produção científica, de acordo com o período que a pesquisadora esteve afastada”, diz.


Há anos, as pesquisadoras lutam pelo espaço conquistado, pois muitas relatam falta de empatia e dificuldade de voltar ao desempenho que tinham antes da maternidade. O intuito do campo, é apresentar o período em que a pesquisadora esteve afastada, para o avaliador considerar o período sem submissão de projetos. "Conseguir que quem vai analisar nossos lattes entenda qual é o efeito disso, vai ser outra luta de alguns anos'', conclui Christiane.

 

grafico maternidade

Pesquisa mostra área de atuação das cientistas brasileiras

 

Ficha Técnica: 

Repórter: Janaína Cassol

Publicação: Teodoro Anjos

Supervisão: Sérgio Gadini

Infográfico: Pesquisa da Parent in Science.