Professores destacam que o principal problema enfrentado pelos alunos foi a falta de acesso à internet

 

A estratégia para que o ano letivo de 2020 não fosse perdido foi a adaptação para aulas remotas. Os estudantes tiveram dificuldades para se adaptar ao novo formato. Alguns alunos não tiveram condições de assistir os conteúdos, seja pela dificuldade de acesso à internet ou por não terem equipamentos de qualidade para acompanhar as aulas. Em Ponta Grossa, professores da educação infantil, ensinos fundamental, médio e superior, avaliam o ano letivo de 2020 e destacam quais foram os prejuízos para a aprendizagem dos alunos e quais são os desafios de 2021.

Uma professora do 1° ano do ensino fundamental, que prefere não se identificar, destaca que a pandemia afetou a educação pública principalmente pela falta de preparo dos professores em atender as dificuldades dos alunos, pois muitos não possuem acesso aos equipamentos necessários para a realização das atividades. Ela também aponta que não é a favor do ensino híbrido, pois muitas escolas não possuem estrutura para atender os estudantes conforme os critérios de biossegurança. Outro fator é que os alunos menores não conseguem compreender as medidas de prevenção, como manter o distanciamento dos colegas e não compartilhar os materiais escolares. “Em 2020, não trabalhamos de forma híbrida, apenas remota. O desafio para 2021 é resgatar o que não foi aplicado em 2020 com segurança”, declara.

 

Com a pandemia, alunos da educação infantil precisam se adaptar com a nova forma de ensino - Foto: Larissa Godoi

 

Para Miriam Carneiro da Silva Moreira, diretora auxiliar do Colégio Estadual Professor Edison Pietrobelli, o ensino remoto é uma alternativa para momentos emergenciais, pois permite a continuidade das atividades pedagógicas que contribuem para diminuir os impactos na aprendizagem dos alunos enquanto eles precisam ficar afastados do ambiente escolar. A diretora considera como principais desafios do ensino híbrido para os docentes a falta da formação pedagógica contínua de professores, o aumento da carga horária de trabalho, a adaptação do formato das aulas, o acompanhamento da aprendizagem dos alunos e o contato com as famílias. “A forma como as aulas estão sendo transmitidas é muito boa, porém tem muitos alunos que nem uma TV digital tem em casa, quem dirá uma internet de qualidade para poder acompanhar as aulas em tempo real. Temos também situações em que o local em que muitos alunos moram, nem sinal de internet tem”, aponta.

De acordo com Jefferson Mainardes, professor do Departamento de Educação na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), a pandemia afetou todos os níveis de ensino, da educação infantil até a pós-graduação, mas esse impacto é diferenciado. Os jovens e os adultos têm maior autonomia para conseguir acompanhar as atividades com facilidade. No caso das crianças da educação infantil e ensino fundamental, esse impacto é mais complexo, já que aprendem melhor no ensino presencial. Mainardes destaca que em sala de aula, o professor consegue observar, acompanhar e auxiliar os alunos com facilidade. No caso do ensino remoto, essa interação fica prejudicada. Segundo o professor, as crianças, principalmente na fase da alfabetização, foram as mais afetadas. “Os alunos das escolas públicas tiveram um impacto muito mais sério em termos de aprendizado no ano de 2020 e isso vai levar algum tempo para ser corrigido. No momento em que houver o retorno às aulas presenciais, certamente os professores terão muito trabalho para acompanhar esses alunos e para superar as lacunas que ficaram no ano de 2020”, afirma.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, mesmo com aulas totalmente remotas ao longo de 2020, o resultado foi positivo em relação à participação dos alunos da educação infantil e fundamental na retirada e entrega das atividades. A Secretaria de Educação ainda aponta que o maior desafio é continuar atendendo a todos os alunos, da melhor maneira possível, dentro do contexto de incertezas gerado pela pandemia. A secretaria também destaca que o processo avaliativo deve ser minucioso, principalmente com os alunos que apresentam defasagem na aprendizagem, pois apesar dos esforços, o ensino remoto não substitui a figura do professor no processo de ensino.
Com o crescimento dos casos de COVID-19 em Ponta Grossa no ano de 2021, as aulas na educação infantil, ensino fundamental e médio foram suspensas em março. As atividades escolares passaram a ser realizadas de maneira remota. A prefeita da cidade, Elizabeth Schmidt, decretou que a rede municipal de ensino retorne a partir do dia 5 de abril exclusivamente por meio remoto. Já a rede particular funcionará em formato híbrido. A ocupação das salas de aula e demais áreas de uso comum não pode ser superior a 50% da capacidade.

 

 Infográfico: Leonardo Duarte e Maria Eduarda Eurich

 

Ficha-técnica: 

Repórteres: Deborah Kuki e Larissa Godoi

Editor de Texto: João Gabriel Vieira

Supervisão: Rafael Kondlatsch, Marcos Zibordi e Kevin Kossar

Publicação: Laísa Braga