O terceiro e último encontro do projeto Vem Vestiba acontece no próximo sábado, 23, na Biblioteca Municipal Professor Bruno Enei.

O encontro discute obras literárias e propostas de redação cobradas no vestibular de verão da UEPG. O objetivo é auxiliar os alunos que farão a prova no próximo mês. A iniciativa é gratuíta e aberta ao público.


Escolas de ensino regular buscam dar suporte a alunos com necessidades especiais, com apoio da Secretaria de Estado da Educação (SEED). De acordo com a Secretaria Municipal de Educação (SME), hoje em Ponta Grossa são mais de 1 mil crianças com algum tipo de deficiência em inclusão no ensino regular. 887 alunos possuem laudo médico de suas necessidades especiais e 381 estudantes aguardam resultados dos procedimentos médicos. “No início de 2013, havia somente 95 laudos. O restante das crianças não possuíam ainda esses laudos. Com algo certificando que a criança em questão é especial, o professor é capaz de trazer e fazer dentro de sala de aula uma melhor orientação para aquele aluno com dificuldade”, relata a coordenadora de Educação Especial, Elizabeth Alves.

Segundo a coordenadora, atualmente as escolas estão preparadas para receber crianças com algum tipo de deficiência, seja ela intelectual ou motora. “Já iniciamos esse trabalho de inclusão da criança no espaço escolar em 2013. Quando se recebe um aluno que necessita de auxílio específico, os professores devem buscar outro tipo de preparo, pesquisar, buscar ajuda. Quando a criança chega à escola, o ambiente escolar é preparado para o acolhimento desse aluno, tanto pelos outros colegas quanto pelos professores”, afirma.

O Centro Municipal de Atendimento Educacional Especializado orienta e acompanha professores e alunos na escola, quando esta recebe um aluno especial. “A equipe que trabalha no CMAEE tem formação em neuropsicopedagogia clínica. Essas professoras que têm essa formação foram em busca de algo a mais para dar conta da questão e procurar entender para poder ajudar melhor a criança”.

Os métodos de aprendizagem para auxílio de crianças especiais são incluídos nas atividades das demais crianças na sala de aula. De acordo com as normas básicas de educação, a professora regente faz o planejamento pensando em uma atividade individualizada para o aluno. O conteúdo deve ser o mesmo que é trabalhado para os demais alunos, mas o currículo/atividade é adaptado para a criança que possui uma dificuldade maior.

Escolas que possuem mais de sete crianças com necessidades especiais, são obrigadas pelo Ministério da Educação (MEC) a destinar recursos para a criação de salas multifuncionais.
A Escola Municipal Prefeito Coronel Claúdio Guimarães, na vila Coronel Claúdio, é uma das instituições que possuem sala multifuncional. Segundo a professora Ediclelaine Aparecida de Mello, são 25 alunos que frequentam as salas. Com um esquema de rodízio, as crianças são agrupadas conforme o nível de dificuldade para realização de atividades complementares. “As crianças são atendidas por grupos. Isso se dá conforme o nível de aprendizagem. A cada uma hora são trocadas as crianças”, completa.

A inclusão de crianças com necessidades especiais ainda é desafiadora para a educação, na Escola Municipal Prefeito Coronel Cláudio, o atendimento aos alunos também encontra dificuldades. De acordo com a professora Ediclelaine Aparecida de Mello, a escola não possui nenhum suporte aos alunos com deficiência visual, por exemplo. “Não possuímos nenhum material especializado para essas crianças para dar o devido auxílio. Por exemplo, um cego, não possui materiais nem livros em braile”, completa.

Bianca Ramos conta que seu filho Matheus, 10 anos, com diagnóstico de hiperatividade, não recebe o suporte necessário dentro de sala de aula. “A escola disse que não tem professora para ele”. Matriculado no 5º ano em uma escola pública da cidade, Bianca afirma que a instituição não possui o preparo necessário para receber alunos especiais. “O Mateus, muitas vezes, não é compreendido. Não entendem que ele tem as suas limitações. De fato, pra mim, a escola não tem suporte”, complementa.

Em Ponta Grossa, há centros especializados em necessidades especiais, como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), a Associação Ponta-grossense Assistência à Criança com Deficiência (APACD), a Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Visuais(APADEVI) e a Escola Geny Ribas. Segundo Elaine Lima, mãe de Marina Rafaella Alves de Sousa, que estuda na APACD, colocar a filha em uma instituição especializada foi a primeira opção. “Na APACD, ela tem todo suporte necessário, como fonoaudióloga, fisioterapia, entre outros atendimentos. Na escola regular, ela poderia ter uma assistência para ir ao banheiro, por exemplo. Mas outros atendimentos, provavelmente, ela não iria possuir. Isso iria acarretar dificuldades para ela e para mim”, completa.

A lei no 9.394 que assegura o direito das crianças especiais de frequentarem ambientes escolares. “Se a criança especial vai frequentar uma sala de aula regular ou não, é opção dos pais. Temos muitos alunos, por exemplo, que iniciaram na APAE e passaram para o ensino regular. Mas é sempre uma escolha dos pais do aluno”.

Elizabeth Alves explica que a SME oferece auxiliar de inclusão até o quinto ano. Já a partir do sexto ano, a Secretaria orienta os pais na busca por instituição especializada para os filhos.
A professora Ediclelaine relata que a inclusão é mais aproveitada quando o aluno tem a oportunidade de conseguir seguir no aprendizado com os demais colegas. “Como professora, sou a favor da inclusão desde que o aluno com laudo tenha condições de acompanhar os demais no ensino regular”, conclui.

Ponta Grossa possui 50 salas de aula com recursos voltados para as crianças especiais, segundo a assessoria de comunicação da SME. Alunos com maiores dificuldades contam com um professor que os auxiliam dentro de sala de aula, como os cadeirantes ou surdos/mudos.


Falta de professores auxiliares dificulta a Inclusão Escolar em Ponta Grossa

Ficha Técnica:

Texto:
Larissa Hofbauer
Vídeo: Bruna Kosmenko e Rafael Santos
Supervisão: Professoras Angela Aguiar, Fernanda Cavassana e Paula Melani Rocha
Edição: Hygor Leonardo

O Colégio Estadual Senador Correia, há três anos, oferece aulas de música e enfrenta dificuldades de encontrar pofessores formados na área. Neste ano, o colégio fez uma parceria com o curso de Música da UEPG que criou o projeto de extensão "Universidade Escola: Encontros com a Música na Educação Básica", que possibilita aos alunos do curso ministrarem aulas.

A 4° edição do #VemVestiba acontece nos dia 9, 16 e 26 de novembro, a partir das 14h, na Biblioteca Pública Municipal Professor Bruno Enei.

A atividade tem o objetivo de discutir sobre as obras literárias e as propostas de redação que podem ser cobradas na prova. As atividades são abertas e gratuitas para todos os inscritos do Vestibular de Verão da UEPG, que acontecerá no dia 1 e 2 de dezembro.

Ouça a notícia de Matheus Gaston.

7 11 2019 vemvestiba Danilo Schleder

 

Serviço:

09 de novembro: debate da obra "Vestido de Noiva", de Nelson Rodrigues.
16 de novembro: debate da obra "Vidas Secas", de Graciliano Ramos e "Toda Poesia", de Paulo Leminski (participação especial do escritos Kleber Bordinhão).
23 de novembro: debate da obra "Quarto de Despejo: diário de uma favelada", de Carolina Maria de Jesus e "Obra Completa", de Murilo Rubião"

Local: Biblioteca Pública Municipal Professor Bruno Enei, a partir das 14h.

 

Ficha Técnica

Reportagem: Matheus Gaston
Supervisão: Professoras Angela Aguiar e Fernanda Cavassana
Monitores: Luiz Zak e Alex Miles
Apoio técnico: Reinaldo Santos
Foto: Danilo Schleder/Arquivo Lente Quente

Colégio Estadual Borell insere o projeto Escola Restaurativa | Foto: Patrícia Guedes

As práticas da justiça restaurativa vem mudando a realidade dos alunos da rede estadual de ensino nas instituições com índices de violência entre adolescentes, através do projeto Escola Restaurativa. A proposta usa a mesma metodologia da justiça restaurativa para a solução dos conflitos, com rodas de conversa e círculos de mediação, onde aborda temas relacionados à cidadania e conversação entre os adolescentes nas salas de aula.

O Colégio Estadual Prof. João Ricardo Von Borell du Vernay adotou a metodologia dos círculos de mediação em 2014, com atividades relacionadas à solução de conflitos entre professores e alunos. A iniciativa surgiu junto com o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC), que, em parceria com o Núcleo Regional de Educação e o Instituto Mundo Melhor (IMM), buscou solucionar os problemas relacionados a violência dentro das escolas.

Dados do Batalhão da Patrulha Escolar Comunitária (BPEC) mostram que, até setembro de 2019, as ocorrências atendidas na cidade de Ponta Grossa resultaram em 39 prisões de adultos, 138 apreensões de adolescentes, 551g de drogas apreendidas, 4 armas brancas e 4 veículos apreendidos. Além do atendimento a essas ocorrências, foram realizadas 1.226 visitas escolares, 275 palestras interativas, 40 reuniões com direções e pais de alunos e 279 Boletins de Ocorrências, os mais comuns relacionadas a agressões ou ameaças entre alunos, assim como desacato contra professores, porte de drogas, furtos e roubos no entorno das Unidades de Ensino.

Com as demandas para solucionar o número de ocorrências levadas pelas escolas ao Ministério Público da cidade, os gestores das instituições de ensino, junto com o judiciário, se mobilizaram para buscar outras alternativas para solucionar questões que vinham da escola. A diretora do colégio Borell, Claudete Aparecida de Albuquerque, explica que, antes do projeto, não existiam soluções eficientes para conter as ocorrências de violência entre os alunos. “Expulsar o aluno não resolve porque você não está resolvendo o problema, apenas mudando o aluno de escola”, pondera a diretora. Após o início do projeto, em conjunto com outras ações para integrar os alunos – como o incentivo ao esporte, feiras de ciências e círculos temáticos de sociabilização – foi possível ouvir os alunos e compreender a origem dos conflitos.

O projeto Escola Restaurativa tem como base uma iniciativa realizada em uma escola de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, que utiliza técnicas da justiça restaurativa para a solução de conflitos e violência. Em Ponta Grossa, oito colégios estaduais já adotaram (total ou parcialmente) a metodologia da Escola Restaurativa.

Segundo a diretora do Colégio Borell, cerca de 1700 alunos já participaram das atividades dos círculos de mediação e, desde 2014, os índices de violência reduziram drasticamente. “Não é mágica, é você escutar o adolescente, é você dar voz pra ele. O projeto é uma prevenção. Não que os conflitos não existam mais, mas a violência e as brigas a gente conseguiu diminuir drasticamente”. A diretora explica que os problemas sempre vão existir, mas destaca a abertura para o diálogo entre professores e estudantes.

Em 2017, o Colégio se tornou referência na região ao receber o Selo Gralha Azul, concedido pelo Instituto Mundo Melhor e Tribunal de Justiça do Paraná, pelas práticas de cidadania na comunidade escolar. Além de solucionar os problemas do colégio, a Justiça Restaurativa pode influenciar no convívio dos indivíduos em sociedade, além de reparar os vínculos familiares.

A diretora do Borell ressalta a importância dos círculos restaurativos e como políticas públicas desse tipo influenciam de forma positiva toda a sociedade. “Nós aqui do colégio já estamos coletando os dados e escrevendo artigos para falar que é preciso assistentes sociais, psicólogos, precisam atender essa criança. Com os resultados que a gente vem coletando nós já temos a capacidade de falar ‘isso aqui dá certo’”.

Justiça restaurativa no ambiente escolar

A justiça restaurativa constitui-se pelo conjunto de princípios, métodos, técnicas e atividades próprias, que visa à conscientização sobre os fatores institucionais e sociais motivadores de conflitos e violência, por meio do qual os conflitos são solucionados a partir da escuta dos ofensores e das vítimas. Esse conceito institucional encontra-se delineado na Resolução CNJ N.R 225/2016 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e a sua prática apresenta iniciativas cada vez mais diversificadas à maneira de compreender, viver e aplicar o direito penal.

A psicóloga do entro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC), Glaucia Mayara Niedermeyer Orth, explica que a justiça restaurativa é um processo colaborativo em que as partes afetadas, agressor e vítima, determinam a melhor forma de reparar o dano causado pela transgressão. Ambas as partes são ouvidas e compartilham suas histórias a partir de um questionário com perguntas empáticas, num processo de construção coletivo de saber. “Quando temos um determinado problema ou conflito, nós somos muito habituados a dizer como as pessoas tem que ser ou como devem agir, e nos círculos isso fica por último. Primeiro nós vamos nos conectar, vamos humanizar o outro para que seja possível trocar a lente pela qual nós enxergamos essa pessoa e a partir disso conversar sobre os problemas”, descreve a psicóloga. “Muitas vezes o Estado assume o papel da vítima apenas como acusador, e ela não participa mais do processo, a opinião dela não importa. E a justiça restaurativa diz que o crime é antes de tudo um conflito interpessoal entre o vítima, o ofensor e a comunidade”, conclui Niedermeyer.

Para a psicóloga do CEJUSC, o ponto mais imediato a se observar nos casos é a fragilização dos vínculos familiares. “Não quero dizer com isso que as famílias estão desestruturadas e que o problema é na família, até porque a família está inserida numa comunidade, que está inserida numa cidade, num estado e em um país, e todas as conjunturas econômicas, sociais e políticas interferem no modo de ser família”. A psicóloga ainda explica que a adolescência, por si só, traz muitas questões que influenciam no comportamento e na saúde mental do indivíduo. Mas quando o adolescente compreende a escola como um espaço de pertencimento, o estudante acaba criando redes de apoio, que, por consequência, permitem que o adolescente lide melhor com os problemas.

 

Arquivo Portal Periódico

24/10/2019 - Escola Restaurativa diminui conflitos entre alunos da rede estadual

 

Ficha Técnica

Reportagem: Patrícia Guedes
Edição: Natália Barbosa
Foto: Patrícia Guedes
Supervisão: Professores Ben-Hur Demeneck, Hebe Gonçalves, Rafael Kondlatsch, Angela Aguiar e Fernanda Cavassana