Na última semana, atos em prol do Dia Internacional da Mulher marcaram a semana em Ponta Grossa. Uma das manifestações aconteceu na sexta-feira (6). O protesto pede o fim da violência de gênero e relembra o caso do assassinato de Marielle Franco, crime ainda sem solução. A mobilização, organizada por coletivos feministas, teve concentração na Praça Barão de Guaraúna às 18h30 e seguiu pela Avenida Vicente Machado até a frente do Terminal Central.

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Profissionais da imprensa de Ponta Grossa participaram na manhã da última segunda-feira (9) da mesa de debate ''Dia de Luta das Mulheres Jornalistas''. O debate foi realizado no Campus Central da Universidade Estadual de Ponta Grossa. O encontro foi organizado pelo SindijorPR em parceria com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e do Mestrado.

Em Ponta Grossa, o Dia Internacional da Mulher foi propício para lutar por direitos, através de manifestações. Foto: Fernanda Wolf

O Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, surgiu no fim do século XIX e começo do século XX, como forma de simbolizar as conquistas que as mulheres adquiriram e suas reivindicações por direitos igualitários. Como forma de mostrar o contexto atual que muitas mulheres vivem, a equipe do Periódico produziu um mini-documentário contendo depoimentos de sete mulheres feministas, que lutam pela igualdade de gênero. Os relatos mostram quais são as lutas diárias que as mulheres enfrentam e os anseios que possuem por uma sociedade mais igualitária. Confira:

 

 

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Foto: Débora Chacarski

Na tarde desta quinta-feira, 9, segundo e último dia do 5º Colóquio Mulher e Sociedade grupos de pesquisa de gênero discutiram a proposta de parceria UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa). O objetivo da iniciativa é fomentar debates de gênero e sexualidade dentro da comunidade acadêmica e buscar alternativas efetivas para visibilidade de situações de assédio, racismo, LGBTfobia.

Os grupos NUREGS (Núcleo de Relações Étnico-raciais de Gênero e Sexualidade), GET (Grupo de Estudos Territoriais) e Jornalismo e Gênero participaram do debate. Para a representante do NUREGS, Aparecida de Jesus Ferreira, o debate de gênero na Universidade é de extrema importância. "É de relevância considerar que temos alunos que vem de vários outros locais da sociedade e para que se sintam representados em todos os cursos”, defende a professora.

A representante do GET, Joselina de Silva, teve experiências negativas com as políticas burocráticas da Universidade. “A minha principal ansiedade é uma reforma na estrutura da instituição, que atualmente não possui legislação específica para o amparo de alunos transgêneros”, destaca Joselina.

A discussão de situações desiguais gerou a proposta de um levantamento dos debates de gênero na Universidade e a possível criação de um núcleo de convergência entre os grupos. A partir disso, os grupos representados pretendem criar uma página no site institucional, facilitando aos alunos a integração com os projetos com os quais se identificam.

 

Foto: WIlliam Clarindo

 

No dia 8 de março, a Câmara Municipal de Vereadores de Ponta Grossa aprovou o Projeto de Lei n.º 20/17, de autoria da Professora Rose (PSB), que declara 2017 o Ano da Mulher na política na cidade. No entanto, a matéria foi apreciada tão somente por vereadores homens. Isso porque a participação das mulheres na política ponta-grossense ainda é pequena: de 23 vereadores, somente uma é mulher.
Últimas eleições

Nas eleições municipais de 2016, Ponta Grossa teve 156 candidatas a vereadora, o que representa 32% do número total. Esse percentual é pouco maior que o número exigido pela Lei nº. 9504/1997, que determina que cada partido ou coligação deve reservar no mínimo 30% e no máximo 70% das vagas a candidatos de um mesmo sexo.

A maioria das candidatas ao legislativo estava na faixa etária dos 40 aos 49 anos, somando 53 concorrentes. Dos 30 aos 39 anos, foram 35 mulheres disputando uma cadeira na Câmara Municipal. Na faixa dos 50 aos 59 anos, houve 44 candidatas ao cargo.

As candidatas brancas somavam mais 80% do total. Quase 7% se declararam pretas e cerca de 11%, pardas – conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em relação à escolaridade das candidatas a vereadora em Ponta Grossa no ano de 2016, 58 tinham Ensino Médio completo, enquanto 47 tinham Ensino superior completo. O menor índice de escolaridade está entre as 4 candidatas que declararam apenas ler e escrever.

Um a cada 15 candidatos homens a vereador foi eleito. Enquanto das 156 candidatas, a única eleita foi a Roseli Mendes (PSB), 58 anos, com 2.108 votos. Ela assume pela primeira vez uma cadeira na Câmara. Como educadora, a vereadora afirma que sua intenção é fazer política de uma maneira diferente.

 



 

O total de gastos da Professora Rose foi R$ 5.201,70 e os recursos foram totalmente recebidos de doações, sem verba do fundo partidário. O limite de gastos da campanha era de R$ 93.515,09.

O PL 20/17, proposto pela Professora Rose, pretende aumentar a participação feminina na política local. Além disso, é uma homenagem a Cândida Mendes Braz, primeira vereadora eleita em Ponta Grossa, que completaria 100 anos em 2017. Rose lembra ainda de outras mulheres que já ocuparam uma cadeira de Câmara de Vereadores em Ponta Grossa.

 

 

Conheça a trajetória das vereadoras de Ponta Grossa:

 

 Fonte: Maria Pauteira (Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5 e Parte 6)

 

Prefeitura

Entre as chapas concorrentes à prefeitura nas eleições municipais 2016, duas tiveram mulheres como candidatas ao cargo de vice: a do prefeito eleito Marcelo Rangel (PPS), com Elizabeth Schmidt (PSB) concorrendo à vaga, e a de Leandro Machado (PPL), com Adriana Lopes (PPL). Não houve nenhuma mulher candidata à prefeitura. Para a vice-prefeita Professora Elizabeth, a mulher necessita de apoio da sociedade para ingressar na vida política.

 

 

 

Elizabeth, 56 anos, já fez partes de secretarias municipais, como Cultura e Administração e Recursos Humanos e concorreu a outros cargos políticos, como deputada federal. Nesta gestão, a vice prefeita ocupa o cargo de Presidente da Fundação de Turismo (FUMTUR).

Entre os dias 17 e 31 de janeiro, Elizabeth assumiu o cargo de Prefeita Interina da cidade. Pela primeira vez em Ponta Grossa, uma mulher assumiu o cargo de chefia da cidade.

Para a vice-prefeita, a atuação em secretarias é uma forma de as mulheres ganharem visibilidade na vida pública. Das 13 secretarias de governo em Ponta Grossa, atualmente, três são comandadas por mulheres: Educação,  Assistência Social e Saúde.

 

 

Apesar da população feminina ser maioria na cidade (51,5%), há apenas uma mulher ocupando cargo eletivo no Executivo e uma no Legislativo. O total de candidatas nas últimas eleições foi próximo do número mínimo exigido por lei, o que significa que o envolvimento feminino na política local ainda é reduzido.

Mariane Nava, formada em Jornalismo pela UEPG e mestranda pela UFPR, pesquisou a cobertura noticiosa realizada pelo jornal Estadão no período eleitoral de 2010 e 2014. A pesquisa, intitulada “A imagem de Dilma Roussef pelo editorial do O Estado de S. Paulo: comparação entre as eleições de 2010 e 2014”, constatou que o conservadorismo e ideias liberais moldaram a forma de retratar a ex-presidenta, Dilma Roussef.

Nava destacou alguns temas abordados na pesquisa, como a imagem pública de Dilma, que em sua primeira campanha em 2010, era associada na maioria das vezes com o então presidente Lula, e em 2014, à economia, que havia enfraquecido naquele ano. Em conclusão, a pesquisadora comenta como os jornais desempenham um importante papel em tempo político, utilizam a imagem pública de acordo com seus interesses e fomentam a opinião pública. A apresentação de Mariane Nava finaliza o Grupo de Trabalhos de Discurso e Representação de Gêneros  do 5° Colóquio Mulher e Sociedade.

 

Foto: Ana Istschuk

 

Uma roda formou-se no hall do Bloco B, campus central da Universidade Estadual de Ponta Grossa, na noite de ontem, 8, Dia Internacional da Mulher. Em meio às conversas paralelas de passantes, o grupo de 16 pessoas realizou uma discussão sobre livros jornalísticos de escritoras. O encontro foi organizado pela Biblioteca Central, através do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Pedagogia, Pedagogia Social e Educação Social, em Parceria com o curso de Jornalismo.

O debate, mediado pelo professor e jornalista Ben-Hur Demeneck, discutiu questões como a coragem, a sensibilidade e o talento das jornalistas. Cada um dos três livros selecionados foi apresentado por uma leitora: 41 Inícios falsos, de Janet Malcolm, discutido por Anna Cuimachowicz; A vida que ninguém vê, de Eliane Brum, comentado por Bruna Camargo; e Na pele de uma jihadista, de Anna Erelle, abordado por Marina Semensati.

A debatedora Anna Cuimachowicz leu somente obras de escritoras durante o ano de 2016, superando um preconceito que possuía. “Se levantarmos esse debate, a gente acaba descobrindo alguns tipos de preconceitos que estão na gente e tentamos superá-los”, considera a estudante.
A leitora Letícia de Queiroz participou da roda e destaca a importância de eventos como esse. “Eu adoro trocar experiências literárias com todo mundo”, relata a acadêmica, apesar de lamentar que existam poucos projetos assim.

A “conversa entre leitoras” faz parte de uma série de projetos que a Biblioteca Central realiza para se aproximar dos alunos. “A biblioteca tem o papel de socializar", afirma a diretora da Bicen, Maria Lúcia  Madruga. Outros eventos promovidos pela instituição foram intervenções acerca do “Maio Amarelo” e cursos para atendimento adequado de LGBT’s e surdos, realizados durante o ano de 2016.


Foto: Ana Istschuk