Crítica de Ponta

Produzido pelos alunos do terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você.

 
Cine Café, uma agradável opção tradicional 
Por Hygor Leonardo
 
       Localizado na Rua Dr. Colares, no Centro de Ponta Grossa, o Cine Café surpreende por ser uma das melhores cafeterias da cidade. Contando com uma estrutura pequena e pouco espaço, o local pode atender confortavelmente até, no máximo, 15 pessoas. Por outro lado, o ambiente sucinto gera uma sensação de conforto e aproximação, algo essencial em uma cafeteria. Assim como o ambiente, o atendimento é cordial. É inevitável se sentir acolhido pelo local, que conta com funcionários educados e bem instruídos.
       A localização, próxima a uma esquina, permite que ao consumir o café também se desfrute da vista e movimento da cidade . Se por um lado isso pode ser um ponto positivo, esta ligação direta com o trânsito e “correria” do dia-a-dia impede o estabelecimento de ser uma fuga desta rotina, como outros ambientes mais restritos e climatizados.
       A variedade do cardápio não é curta, porém, não vai além do necessário, o que permite que a escolha dentre as opções disponíveis não seja demorada nem cansativa com diversos pratos que ninguém pede. E conta com cafés de grãos especiais, e salgados entre doces tradicionais.
      O preço dos cafés gira em média entre R$7,00 e R$9,50. Os cafés são bem preparados e saborosos. Já os lanches não têm um preço tão agradável e são pequenos, se comparados a outras cafeterias, embora também sejam apetitosos.
      De modo geral, o café supera as expectativas, mostrando que ainda há espaço para apreciar um bom café e desfrutar da convivência que a cidade oportuniza. Cada detalhe do local visa dar conforto e oportunizar que, além de um café, seja possível ter uma boa conversa e passar um tempo aproveitando o ambiente.

Serviço:
Endereço: R. Dr. Colares, 293 - Centro, Ponta Grossa - PR, 84010-010
Horário: 07:30am - 6:30pm
Telefone: (42) 3028-0865
 

 

      Olho D’ Água São João Maria registra descaso do poder público em PG

Por Luíza Sampaio

     A história do monge conhecido como João Maria faz parte do imaginário de várias comunidades da região Sul do Brasil. No Paraná, João Maria é descrito como um homem que peregrinava pelo interior paranaense, vivia da natureza, fazia pregações, milagres e cumpria promessas. Em Ponta Grossa, no bairro de Uvaranas, se encontra o Olho D’Água de São João Maria onde religiosos afirmam que o monge viveu no local. 
    O espaço é um dos pontos turísticos da cidade e frequentado por religiosos para pagar promessas, batizar as crianças na água do olho d’água, fazer orações e firmar a fé através de imagens e objetos religiosos. A reportagem do Crítica de Ponta visitou o local e constatou registros de abandono na manutenção das condições do espaço, principalmente no que diz respeito ao lixo depositado no entorno.
    No local, onde muitos visitantes fazem orações, chama atenção o lixo exposto, como sacolas plásticas, papéis, objetos descartáveis e de variada natureza. A má iluminação do 'olho' é outro problema registrado no espaço, além frequente forte cheiro de urina devido à falta de conservação e limpeza. O arroio Pilão de Pedra, que liga a fonte da água do São João Maria, possui resíduos de esgoto e lixo jogado, causando riscos à saúde de quem arrisca usar a água da fonte. 
     De acordo com Helena de Almeida, 70 anos, que frequenta o local há alguns anos, as pessoas não costumam mais ir ao santuário devido às más condições. “Antes a gente usava o espaço, vinha visita para rezar e era limpo, não tinha sujeira como agora. As pessoas estão deixando de vir por não ter mais a caseira que fazia a vigilância do local e ninguém cuida do local”, relata.
     O local não conta com nenhum monitoramento, apenas o Governo Municipal faz a limpeza do mato, por meio da Secretaria do Meio Ambiente. Em contato com a Secretaria do Meio Ambiente, nenhum profissional soube informar como funciona a manutenção do espaço e também não deram nenhuma outra informação sobre o espaço. A reportagem da Crítica de Ponta entrou em contato com a Secretaria do Meio Ambiente na tarde do dia 13, e a educadora ambiental Andréia Aparecida Oliveira não tinha as repostas para as informações perguntadas.

Serviço: 
Olho D’água São João Maria. Espaço público em PG. Acesso aberto (sem custo).
Localização: Rua Alfonso Celso, 1021 - Uvaranas

Qual o perfil do conservadorismo político brasileiro em 2019?
Por Nadine Sansana
 
      O conservadorismo na visão de uma pesquisadora pontagrossense. Marina Basso Lacerda em sua obra O novo conservadorismo brasileiro busca explicar as origens e a situação atual da nova onda conservadora no país. Primeiramente, a autora localiza como foi a ascensão internacional do neoconservadorismo e usa como referência as eleições presidenciais nos EUA em 1980, onde o movimento neoconservador caracteriza-se pela participação acadêmica (chamado movimento intelectual), em que os estudantes são a favor do anticomunismo e pelo movimento político, que resulta na eleição de Ronald Reagan. 
      Em seguida, Lacerda expõe o surgimento do novo conservadorismo no Brasil, que acontece a partir de 2015 com as eleições de deputados evangélicos e com a escolha do representante da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, também evangélico. Desde então, a política brasileira tem sido cada vez mais regida por lideranças religiosas e representantes empresariais que defendem os mesmos ideais.
      O que caracteriza o novo conservadorismo, de acordo com Lacerda, é o apoio à família patriarcal, o combate à igualdade de gênero e a defesa da importância dos valores morais e religiosos na esfera pública. Pode-se supor que tais premissas acabam indo contra a própria Constituição Brasileira, pois esta prevê que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações e que a liberdade de consciência e de crença é inviolável. Entende-se que a defesa dos valores morais e religiosos por parte dos representantes eleitos pelo povo não traga benefícios para todos, mas somente para a parcela da sociedade que segue os mesmos ideais. 
      Por fim, a autora coloca algumas possíveis razões para a ascensão do novo conservadorismo no Brasil, entre elas está a presença da bancada evangélica e a expansão do combate à chamada ideologia de gênero, entre outras. A autora, Marina Basso Lacerda nasceu em Ponta Grossa e o livro O novo conservadorismo brasileiro foi lançado aqui na cidade, no final de outubro. 

Serviço:
Livro: O novo conservadorismo no Brasil – de Reagan a Bolsonaro
Autora: Marina Basso Lacerda
A linha tênue entre a crítica positiva e a publicidade no Fenata
 
Por Alexandre Douvan
 
    Durante a edição do Fenata deste ano, a UEPG publicou no site institucional alguns textos que classificou como “críticas” das peças do festival. Ao pesquisar pelo nome do festival, o buscador do site nos oferece sete textos até o fechamento desta crítica.
     As críticas, produzidas pelos acadêmicos de Letras da UEPG não estão à altura de um festival da envergadura do Fenata. Não passam de extensas e elogiosas resenhas despidas de qualquer elemento negativo ou interrogação sobre as peças. O que se lê no site não são textos que alimentam debate, pois mais se assemelham com as práticas de publicidade ou assessoria. Não se quer dizer que a crítica não pode ser positiva, mas em momento algum, nos textos, ficou claro ao leitor se houve parceria entre o curso de Letras e a organização do evento. Não é preciosismo, é transparência – mordomo que elogia o patrão é sempre suspeito.
     Houve um tempo em que o Festival trazia críticos externos, dos quais os textos eram publicados em mídias diversas, coisa que se foi junto com os recursos destinados ao Fenata, com a redução da verba para financiamento. Esses fatores, além das condições estruturais dos teatros Opera e Pax, não foram contemplados em nenhuma das críticas, que parecem não se dar conta de que a crítica não consiste apenas na análise dos textos e da encenação. 
     Barbara Heliodora (1923-2015) foi uma crítica de teatro brasileira mundialmente reconhecida. Quando jornalistas se dirigiam a ela, muitas vezes comentavam que era a responsável pelo sucesso ou pelo fracasso das peças que criticava. Por mais elogiosa que fosse a uma atuação, ao papel do diretor ou sobre a montagem como um todo, sempre houve o que elencar para que melhorasse. Nem artistas do porte de Vera Holtz e Antônio Fagundes escaparam de suas análises. Se as peças do 47º Fenata realmente mereceram apenas elogios, já deveriam ter conquistado o mundo.

 
A contribuição do Funk para a realidade periférica Brasileira
Por Thaiz Rubik
 
     Funk-nejo, brega-funk, funk melody, funk de beat fino e funk pop. Estas são apenas algumas das vertentes do ritmo que está ganhando proporções internacionais. Os primeiros funkeiros brasileiros surgiram nos anos 1980 se estabeleceram nos anos 1990 e se tornou popular no Brasil inteiro.
    O Funk tem várias vertentes, ele vai desde as letras mais suaves e sensuais até os chamados “proibidões”, que fazem referência ao mundo do crime e trazem mensagens pesadas e fortes nas letras como forma de protesto. O funk, neste sentido, é uma arma que revela problemas como a exclusão social, a marginalização do povo negro, o racismo, o preconceito, a discriminação, a corrupção e os desgovernos.
    Diferente dos outros ritmos musicais brasileiros o funk tomou proporções mundiais. O canal Kondizilla é um dos principais responsáveis pelo sucesso deste ritmo musical, atualmente, é maior canal do YouTube Brasil e da América Latina, e o  maior canal de música do mundo, com mais de 52 milhões de inscritos. 
   Uma pesquisa realizada em 2017 pelo site cultura nas capitais mostrou que o funk e o sertanejo são os ritmos mais ouvidos nacionalmente. A pesquisa entrevistou de 12 capitais brasileiras: Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo.
  Mesmo com proporções nacionais e internacionais o funk ainda é um ritmo desvalorizado em cidades mais “conservadoras”. Em Ponta Grossa, alguns vereadores já tentaram barrar shows de artistas deste ritmo musical. Talvez esse conservadorismo seja só uma forma de disfarçar o preconceito contra artistas negros e de periferia que ganharam destaque na música, com temas sociais que acabam irritando algumas pessoas.

Serviço:
http://www.culturanascapitais.com.br/
https://www.youtube.com/user/CanalKondZilla


 
Mídia Pontagrossense não utiliza devidamente o YouTube
Por Natália Barbosa

    O canal do Diário dos Campos no YouTube, que possui 345 vídeos e 188 inscritos, não usa playlists, dificultando a procura específica para o usuário. Também não há um padrão quanto ao tempo dos vídeos, que variam de 20 segundos a seis minutos. Mortes ou acidentes são os principais assuntos do canal do DC. Os vídeos em geral são compostos por uma gravação com legendas ou narração do fato. Já a periodicidade de publicação é em média a cada um ou dois meses. 
    O Jornal da Manhã conta com 907 vídeos e 1,9 mil inscritos. A última publicação é de cinco anos (20 de agosto de 2014). Alguns dos vídeos são notícias de um a dois minutos, enquanto os outros são apenas os jornalistas, de cada editoria, falando sobre os assuntos correspondentes ao dia, além de conter quatro playlists. 
   O Tribuna da Massa tem 3.478 vídeos, 9,6 mil inscritos e faz pelo menos uma publicação por dia com os programas completos e de algumas matérias separadas, em geral, alguma fatalidade. Na playlist cada edição é separada por data, deixando visualmente mais organizado e facilitando ao usuário. Já a TV Educativa apresenta 8.835 vídeos, tem 4,1 mil inscritos e também publica as notícias soltas todos os dias. As pautas são diversificadas com duração de três minutos cada vídeo e as 12 playlists são separadas por assuntos variados. 
  Ao analisar os quatro canais percebe-se que o YouTube é apenas uma plataforma digital com uso do visual sem a característica jornalística e consequentemente, sem informação. São vídeos curtos sobre algum acontecimento da cidade, muitas vezes sensacionalistas, alguns não tem uma publicação constante, não possuem um padrão de publicação dos vídeos no canal e não usam como ferramenta auxiliar na divulgação das notícias para alcançar mais públicos. Portanto, estão longe de se tornar um meio de propagação e recurso informativo.

Serviço:
Canal dos jornais no YouTube: Redação Diário dos Campos; Jornal da Manhã – Ponta Grossa; Tribuna da Massa – Ponta Grossa e região; TVE Ponta Grossa. 


 
Serviços comerciais aumentam uso de tecnologia em PG
Por Gabriella de Barros

   Desde o início de 2019, diversos estabelecimentos comerciais de Ponta Grossa passaram a adotar o uso máquinas no atendimento ao público.  Alguns restaurantes utilizam máquina para fazer pedidos, descartando o serviço de funcionários, que ficam apenas com a função de chamar o nome das pessoas quando o pedido está pronto ou para aqueles que farão o pagamento em dinheiro. Os cinemas da cidade adotaram o mesmo método quando instalaram duas máquinas que podem ser utilizadas para comprar ingressos dos filmes, sem precisar ficar na fila ou entrar em contato com as atendentes.
  A franquia do McDonald's fez uma reforma em 2018 e optou pelo mesmo método, tornando o atendimento mais rápido no estabelecimento. A rede Burger King, ao invés de uma máquina, optou pelo aplicativo, onde as pessoas podem fazer o pedido e entrar em contato com os atendentes apenas quando retirar no balcão, o que também limita o serviço, pois nem todos consumidores têm rede wifi ou 4G para acessar o aplicativo. O shopping Palladium, há alguns anos, utiliza máquinas que recebem o pagamento do estacionamento tanto em dinheiro como cartão de crédito, executando funções que, antes, eram feitas por pessoas.
  A tecnologia auxilia em diversas áreas, facilita processos, acelera as comunicações e gera resultados rápidos. No entanto, as pessoas sentem os efeitos da tecnologia, que reduz e limita aspectos são importantes ao desenvolvimento humano, como a afetividade, contemplação, sensibilidade, atenção ao momento presente, contato e a convivência humana.



 
Espaço disponibilizado pela prefeitura para exposição artística
não valoriza as obras
Por Hellen Scheidt

   A Feira Permanente de Pinturas e Esculturas, realizada pela Fundação Municipal de Cultura junto ao Centro de Cultura (esquina da rua Augusto Ribas com a rua Dr. Colares), reúne obras de artistas da cidade. O local possui quadros pintados à óleo e acrílico, ilustrações em papel tamanho A4 pintadas à lápis e com aquarela e esculturas. A proposta é permitir que os artistas da cidade tenham um espaço físico para expôr as obras. No entanto, o local não valoriza as peças apresentadas. Por exemplo, em 1º de novembro havia folhas secas no chão levadas pelo vento. Algumas pinturas e ilustrações estão fixadas em paredes de madeira, com o aspecto de tapumes utilizados em construções. 
   Além disso, a disposição não leva em consideração as características de cada trabalho. Estão disponíveis sete espaços individuais de 4m² para cada artista. Por conta disso, as ilustrações em tamanho A4 possuem espaço sobrando, mas para os quadros o espaço é menor, dando a sensação de que estão “empilhados”. 
  Por ser uma exposição que reúne diversos artistas e várias propostas, não há uma uniformidade na apresentação. Os quadros mostram cenas do campo, com paisagens típicas dos Campos Gerais, como as araucárias. Há também quadros que representam o teatro, retratando as máscaras. A proposta que mais destoa do restante dos quadros, principalmente por não ser feita com tinta, mas sim com outras técnicas, trata sobre a lenda de origem chinesa onde duas pessoas estariam ligadas por um fio desde o nascimento. 
  As esculturas representam temas mitológicos, como dragões e lobisomens, além de personagens de filmes e jogos. As ilustrações feitas à lápis possuem temas variados, entre animais, carros e motos, até personagens da cultura pop, como cantores e atores. Já as ilustrações em aquarela são focadas em flores. É possível comprar a grande maioria dos trabalhos presentes no local e os preços variam entre ilustrações partir de R$50 até pinturas à óleo por cerca de R$200. 

Serviço:
Local: Centro de Cultura/Saguão Matteo Domênico: Rua Augusto Ribas n°722 - Centro de Ponta Grossa
Horário: de segunda à sexta-feira, das 9h às 17h
Entrada gratuita
Data: até 13 de dezembro


 
Uma “Irmandade” representada nas condições de insegurança e desrespeito aos direitos humanos
Por Cícero Goytacaz

   “Irmandade” conta a história de Edson e Cristina, dois irmãos que foram separados pelos rumos da vida. Quando pequena, Cristina descobre o envolvimento do irmão com tráfico de drogas. Ele foi preso e, a partir de então, se torna o líder de uma facção criminosa, que se fortalece com o ideal de lutar contra a opressão das autoridades.
  Ter uma personagem mulher como centro da narrativa destaca a atuação de Cristina, que se torna uma advogada honesta e aceita se infiltrar na “Irmandade” para desmantelar a facção. No entanto, ela passa a reconsiderar seus objetivos e a ideia de justiça durante a missão, causando reviravoltas na história.
   A série estreou em 25 de outubro e é protagonizada por Naruna Costa, Seu Jorge,Hermila Guedes, Lee Taylor, entre outros atores. As atuações transmitem ao telespectador um equilíbrio entre o suspense, a ação e o drama. A história se passa nos anos 1990 e muitos acontecimentos da época são abordados como crítica social, como a morte de Ayrton Senna e o Tetracampeonato Mundial da Seleção em 1994 que, de certo modo, prenderam os olhares do povo aos espetáculos das coberturas dos fatos.
   A história não faz nenhuma referência à facções existentes. Apesar de retratar uma realidade presente no Brasil, não é baseada em uma história real. Falar sobre falta de oportunidade na vida e abusos de autoridade é recorrente no Brasil, desde suas origens, passando por toda a sua história, até os dias atuais, onde a defesa dos direitos humanos é ferida por discursos de ódio por parte da sociedade e de seus governantes.
   A preocupação com os acontecimentos da serie reflete com o crescimento da população carcerária em Ponta Grossa, hoje estimada em 1,5 mil presos, que aumentou em 40% nos últimos três anos. Quantas “Irmandades” podem existir diante dos nossos olhos?

Serviço: 
Série “Irmandade” (2019) está disponível no serviço de streaming Netflix.
Primeira (e única) temporada em oito capítulos (50 minutos cada).
Produção e direção: Pedro Morelli.


 
Produzido pela Turma B - Jornalismo UEPG

 

Crítica de Ponta

Produzido pelos alunos do terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você.

 
 
 

Quanto custa uma experiência artística em bares de Ponta Grossa?

 

Por Ane Rebelato

É comum que bares e restaurantes de Ponta Grossa ofereçam couvert artístico aos
clientes durante a permanência no local. O couvert é uma apresentação, geralmente musical, de uma banda ou de um único artista. Os estabelecimentos oferecem o serviço nos finais de semana ou véspera de feriado, momento em que há um maior número de pessoas frequentando o local.

O Boteco da Estação em Ponta Grossa proporciona a experiência aos seus clientes.
O estabelecimento comunica, logo na entrada, a cobrança de uma taxa de R$ 5,00 por pessoa, para pagar o artista. A questão é que como o local possui dois ambientes, um interno e outro externo, quem opta por ficar na parte de fora paga por um serviço que não utiliza. O músico fica na parte de dentro do bar, sendo impossível ouvir a apresentação da parte de fora.

Quem escolhe a área coberta do bar consegue ter uma experiência diferenciada, pois a apresentação ao vivo conta com músicas de diferentes gêneros, agrada todos os públicos. Além disso, a taxa é significativamente barata pelo tempo de show, que dura em média duas a três horas.

Algo que é incômodo tanto para os clientes que escolhem ficar na área interna do bar quanto para o artista que está se apresentando é o pequeno espaço disponibilizado para a quantidade de atividades. A divisão do local fica por conta do músico, dos clientes e de uma mesa de sinuca localizada bem no centro, sendo muita informação e barulho ao mesmo tempo. O boteco torna-se um local inviável e desagradável para todos os que disputam aquele espaço.

Serviço
Local: Boteco da Estação - Bairro Olarias - Ponta Grossa/PR
Endereço: Rua Ermelino de leão, n° 1565
Valor do couvert: R$5,00

 

 

                            Casa Colaborativa chega a Ponta Grossa

 

Por Milena Oliveira

O conceito Casa Colaborativa surgiu em 2015, com o propósito de reunir empreendedores e pequenas empresas que, embora atuem em áreas diferentes, têm objetivos semelhantes. Além de realizarem seus projetos próprios, eles atuam em conjunto para promover a casa e ter alguma forma de impacto na sociedade, seja social, cultural ou ambiental. Há um mês e meio foi inaugurada Casulo, a primeira Casa Colaborativa de Ponta Grossa.

O local vende desde acessórios, roupas, passando por produtos de higiene e beleza naturais, decoração, utilidades, até presentes criativos - artesanais e sustentáveis. O espaço oferece prática de Yoga, Heike, rodas de conversa, cursos de bordado e costura, atendimento a mulheres grávidas e mães. Já na parte externa funciona uma cafeteria e um ambiente de convivência, e nos fins de semana eventos como bazar, palestras, exposições e música ao vivo. O objetivo é valorizar o produto artesanal e em pequena escala, possibilitando ao pequeno empreendedor o contato direto com o mercado.

Apesar de ser algo novo, Casulo já tem uma alta adesão e circulação de pessoas. As idealizadoras contam que esperavam abrir apenas um domingo por mês para eventos, mas todos os domingos de novembro e dezembro já estão com a agenda lotada, devido à grande procura. A Casa pretende ampliar para projetos sociais e atender pessoas em situação de risco.

Localizada no centro da cidade, colorida e acolhedora, Casulo traz sensação de bem-estar e desperta inovação. O espaço é pequeno e aconchegante, com livros disponíveis e cadeiras à disposição para quem quiser desfrutar do local. Um espaço inovador que incentiva a discussão sobre consumo consciente, responsabilidade social e, claro, economia colaborativa.

Serviço
Casulo Casa Colaborativa
R. Dr. Paula Xavier, 1352 - Centro, Ponta Grossa
Horário: Terça a Sábado - das 10h às 18h
Para maiores informações sobre as empresas que funcionam no local e domingos com eventos acesse: www.instagram.com/casulo_casacolaborativa


 
 

                        O Coringa retorna com uma piada digna

 

Por Gustavo Camargo

O Coringa, dirigido por Todd Phillips, é uma das maiores surpresas do cinema em 2019. Através da atuação de Joaquim Phoenix, é possível ver a premiada interpretação de Heath Ledger renascer de uma maneira digna, desta vez com uma perspectiva alinhada, de acordo com a realidade que o personagem Arthur Fleck vivia, antes de se tornar um vilão.

O filme retrata uma cidade de Gotham ambientada em 1981, com elevados índices de desigualdade social e violência. O personagem Arthur Fleck possui problemas neurológicos, que o fazem rir subitamente em momentos inapropriados, e devido a condição de Arthur, os problemas da sociedade transparecem-se e tornam-se exponenciais e revoltantes.

Conforme o filme prossegue, o espectador passa a compreender a insatisfação do protagonista que fracassa como comediante de stand-up, sobrevive com poucos recursos em um pequeno apartamento junto com sua debilitada mãe e presencia a revolta do povo e do Coringa, como uma consequência de quem vive na margem da sociedade e é renegado pelo Estado.

O filme trabalha com o suspense psicológico, inclusive de maneira gráfica em alguns momentos. No entanto, há reclamações que apontam a falta de moral na maneira com que o filme é construído e ressaltam a possibilidade de impactos negativos na realidade, como atentados ou revoltas. Porém, a crítica que o filme faz, por meio de um protagonista sociopata e injustiçado, torna-se pertinente ao expor o medo que a ignorância e a insatisfação podem provocar, principalmente para quem está no poder.

O filme lotou as sessões das salas de cinema durante a semana de estreia em Ponta Grossa, ele fica em cartaz até o dia 7 de novembro no Cine Araújo.

 
Cento e vinte e seis anos e Mário de Andrade ainda é vanguardista

 

Por Rafael Santos

Neste mês de outubro marca o aniversário de um dos escritores pioneiros da poesia e escrita modernista, o escritor paulista Mário de Andrade. Dentre suas obras mais famosas está o romance polêmico: Amar, verbo intransitivo obra publicada em 1927. A história chama atenção pela linguagem diferente que se afasta do português correto e remete a um português mais coloquial. Assim a escrita de Mário destaca-se pela maneira como se aproxima da forma como as pessoas falam cotidianamente.

Por ser uma obra diferente, foi considerada como um romance modernista da primeira fase, quebrando com o padrão linguístico. No título o romance apresenta uma contradição expressiva, afinal, o verbo “amar” é transitivo direto e não intransitivo. O autor na construção narrativa busca criticar os valores brasileiros da época, ao mesmo tempo que diz que esses comportamentos são muito inconscientes.

A história se dá pela vinda da alemã Fräulein para a casa de Souza Costa, ela é uma mulher bonita e dedicada que foi contratada pelo Senhor Souza para iniciar a vida amorosa e sexual de seu filho Carlos. Um dos pontos negativos da história é o sexismo social vigente e presente na narrativa, colocando as mulheres como objetos sexuais ou interesseiras. Mas uma crítica positiva a destacar é que, justamente o autor queria criticar esses papéis. A narrativa é construída na terceira pessoa, mas o autor acaba entrando dentro da história para fazer algumas observações, comentando, criticando e expondo ideias feitas em primeira pessoa.

Alguns pontos que podem ser negativos, por tratar de um romance clássico, é que a história não tem uma divisão de capítulos, também não há uma definição dos discursos, ora é direto ou indireto e também livre. Outra crítica é que os comentários do autor no meio da história podem atrasar a leitura ou deixá-la cansativa. A pontuação também pode dar certa dificuldade a leitura e o ritmo depende muito da capacidade de cada leitor. Mário de Andrade é um experimentador da linguagem, e para quem gosta de sair da zona de conforto e ler algo diferente, Amar, verbo intransitivo traz uma experiência diferenciada.

Serviço
Autor: Mário de Andrade
Ano: 1927
Páginas: 170
Obra: Romance

Peça apresenta a cultura caipira e feminismo para crianças a partir da história de Inezita Barroso

Por Bruna Kosmenko

O 47° Festival Nacional de Teatro aconteceu do dia 22 até o dia 27 de outubro em Ponta Grossa. Nesta edição o evento contou com 19 espetáculos em diferentes horários e locais da cidade. Aconteceram apresentações no Cine-teatro Pax, Cine teatro Ópera e, ainda, espalhadas pelas ruas da cidade.

Na quinta-feira, 24, no Cine-teatro Pax foi exibida a peça "Oi lá Inezita";. A peça infantil veio de São José do Rio Preto/SP para apresentar o espetáculo que reúne de forma sintetizada a trajetória da cantora Inezita Barroso, falecida em 2015.

Com tom de comédia a peça envolve música caipira de viola, dança, poesia e fragmentos que relembram a história da artista, com duração de 1h20. O grupo que exibiu a peça se chama "Companhia Cênica"; e atua há mais de 10 anos sendo dirigida por Fagner Rodrigues. Segundo o diretor, a peça nunca está genuinamente pronta, eles a aperfeiçoam a cada apresentação.

O espetáculo estreou em agosto de 2018, depois de mais de 6 meses de ensaio diário. O elenco é composto por três homens e três mulheres, as quais representam Inezita em 3 fases da vida: a juventude, a vida adulta e, também, idosa.

O grande enriquecimento da peça, devido ao fato de ser voltada ao público infantil, foi enfatizar que a cantora, durante a vida e a carreira, não ficou presa à estrutura machista da sociedade que dizia que ela não podia ser violeira por ser mulher. A peça traz um debate feminista de forma leve e com tom de comédia, facilitando o entendimento das crianças. Além disso, a peça também faz uma crítica ao governo atual que fere os direitos culturais da sociedade, mostrando a importância do teatro e da música ao público.



Foto: Bruna Kosmenko

 

                            Marcas do feminicídio nas lentes da fotografia

 

Por Mariana Santos

A foto tem o poder de registrar momentos do cotidiano, mas também debater
temas relevantes como o feminicídio. A exposição "Tarde demais para flores"; da estudante de Jornalismo, Saori Honorato, retrata através de fotografias, a história de três famílias de Ponta Grossa que foram vítimas do crime contra mulheres.

A exposição contém fotos que expressam como o crime afetou o cotidiano das famílias e inclui a exibição de um mini-documentário com depoimentos de duas mães que perderam as filhas vítimas de feminicídio em 2017, além de entrevista com uma filha que perdeu a mãe em 2018. A relação das fotos expressa momentos comuns das famílias, mas traz, através das lentes, diversos sentimentos. Ao ver as fotos, é possível perceber como a fotografia tem o poder de suscitar debates e revelar outras perspectivas do tema abordado.

Com início na segunda-feira (28), no Museu Campos Gerais, a exposição ainda circulou por dois lugares diferentes na última semana de Outubro. Na terça-feira (29), a exposição esteve no Colégio Estadual Nossa Senhora das Graças, em evento destinado a estudantes e professores do ensino médio. E na quarta-feira (30) a produção foi exibida no Campus Central da UEPG. 

A mostra foi um dos projetos selecionados pela Seletiva de Apoio a Projetos em Cinema, Fotografia e Vídeo, promovido pela Fundação Municipal de Cultura e Conselho Municipal de Política Cultural de Ponta Grossa. A exposição conta com o apoio do Centro Judiciário de Soluções de Conflitos e Cidadania (CEJUSC), Projeto Lente Quente e Museu Campos Gerais.


Foto: Mariana Santos

Serviço
Próxima exposição
Local: Cidade de Ipiranga (local a ser definido)
Data: 19 de novembro
Apoio: CRAS, Tribunal de Justiça e Prefeitura Municipal de Ipiranga
Mini-documentário disponível em:
https://drive.google.com/file/d/16s9mhXYmIGxPcdPYabTtPP_7tBoNrMuy/view?ts=5dbce944
 
Uma ideia que dissemina o nada 


Por Maria Fernanda Laravia

Qual seria a relação dos índices que confirmam a violência contra a mulher em Ponta Grossa e o MGTOW? Essa onda de expressão chamada Men Going Their Own Way (homens seguindo seu próprio caminho) é uma linha de pensamento que se baseia na filosofia de vida a qual homens devem evitar qualquer tipo de vínculo emocional ou união estável com mulheres. Para os homens que compartilham desse estilo de vida, a intenção é não cair na “armadilha” de mulheres que querem se aproveitar do seu dinheiro ou qualquer outro recurso. Acontece que para atingir esse objetivo eles sustentam discursos preconceituosos e de objetificação da mulher.

Existem algumas frentes desse movimento, as que não são explicitamente violentos e outras que pregam ojeriza, principalmente o fim de lutas femininas como o movimento feminista. Eles acreditam que a sociedade não é justa com os homens e que as leis favorecem somente as mulheres.

O que falta a este grupo é conhecimento sobre o enredo histórico da construção da
sociedade humana. No Brasil, as mulheres conseguiram poder de voto somente no ano de 1934, o direito trabalhista conferiu a mulher licença maternidade apenas no ano de 1917, segundo a Organização Mundial da Saúde a taxa de feminicídio no Brasil é a quinta maior do mundo. Nos primórdios da sociedade a mulher era vista como o sexo frágil, em algumas comunidades tinha função de mãe e reprodutora, sem nenhum papel social.

Esse movimento individualista foi criado por volta dos anos 2000 e seu conteúdo
Uma ideia que dissemina o nada ficava restrito a na deep web. Hoje ele vem tomando espaço em canais e plataformas como youtube e blogs. São ideias preocupantes que se baseiam na misoginia e no machismo, além de pregar a desigualdade de gênero, o preconceito e nos fazer refletir na evolução da sensibilidade humana.

Produzido pela Turma A - Jornalismo UEPG

 

Crítica de Ponta

Produzido pelos alunos do terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você.

Para Coringa quem ri por último não ri melhor 

Escrita por Alan Moore e Brian Bolland em 1988, a HQ A Piada Mortal é a história mais famosa da DC Comics por contar o surgimento do maior vilão do nosso querido morcego, o Coringa. A HQ, que possui 50 páginas, começa com os primeiros 21 quadros sem fala e com cores mais escuras fazendo analogia ao Batman. Os detalhes dos desenhos trazem um aspecto realista que nos fazem sentir dentro da história. 
No decorrer da história, o Coringa é apresentado de duas formas. Transformado no vilão e como um homem comum, casado e comediante. Essas duas versões são misturadas, o que pode causar uma certa confusão para o leitor. 
A história é marcada por violência, título que cabe bem a esse vilão, o que deixa a leitura emocionante. Para os DC lovers de plantão, não podia ser melhor. Algumas partes chegam a ser perturbadoras por conta da forma como foi desenhada cada imagem, passando toda a loucura do vilão. Em contrapartida, outros momentos emocionam pelo fato de o Coringa ser apresentado como um ser humano com problemas financeiros e que acaba perdendo a esposa, nos fazendo sentir pena do personagem.
Apenas ao fim da leitura é contado como o Coringa torna-se vilão. Como um homem comum, tenta escapar das mãos de Batman ao assaltar a fábrica que era ex-funcionário e pula em um tanque cheio de químicos deixando seu cabelo verde e pele branca, além de ficar louco.  Nas últimas páginas da HQ, já como vilão, Coringa é morto por Batman enquanto contava uma piada para o herói, cena que inspira o nome da história.

Por Natália Barbosa


Serviço:
Para leitura online ou em pdf da HQ A Piada Mortal é só acessar o site: http://baixarquadrinhos.com/Hq-Quadrinho/ler-hq-online-a-piada-mortal-alan-moore/ 

 
 

           47º Fenata traz peças de teatro de rua

 

           O teatro de rua é uma modalidade em que os atores utilizam seu corpo e sua voz a serviço da construção da peça, de maneira que o cenário não fica restrito a apenas um local específico, mas acontece em espaços abertos, sobretudo nas cidades.
O teatro de rua é uma oportunidade para aquelas pessoas que não têm tempo e nem dinheiro para se dirigirem aos grandes teatros e acompanharem uma peça. Mas não significa que tal modalidade seja de uma qualidade inferior por ser de rua. Pelo contrário, por estarem em um espaço aberto, os atores não dispõem da mesma estrutura presente no palco do teatro, como som e iluminação. Por isso, os atores do teatro de rua devem saber utilizar aquilo que está ao seu alcance no momento da apresentação: o seu próprio corpo.
Este ano o Festival Nacional de Teatro (Fenata) oferece espetáculos ao ar livre em três diferentes espaços do centro de Ponta Grossa. Um ponto a se destacar é que nesta edição as peças de rua estão restritas ao centro da cidade e a programação está menor que a de edições anteriores.
Neste ano, três peças irão constituir o teatro de rua no Fenata: Casa de farinha do Gonzagão, às 10h30, no Terminal Central, quinta-feira (24); Vikings e o reino saqueado, sexta-feira (25) na Praça Floriano Peixoto às 10h30 e, por fim, Pequenas porções de tempo no domingo (27) às 15 horas no Parque Ambiental.

 

Por Nadine Sansana

Serviço:
A programação completa do 47º Fenata acesse: https://www2.uepg.br/fenata/

           Lobatiando, uma exposição para crianças de todas as idades

 

    A exposição Lobatiando em comemoração à vida e obra do escritor Monteiro Lobato está no Museu Campos Gerais. Principalmente voltada para o público infantil, a visita é dinâmica, embora conte com pouco espaço físico. Passar por todas as partes da exposição leva cerca de 15 à 20 minutos. 
Uma coisa curiosa é  que um dos textos da mostra fazem referência a uma visita, feita pelo escritor Monteiro Lobato à cidade de Ponta Grossa, em 20 de outubro de 1938.  Na época de passagem pela cidade, o escritor concedeu entrevista ao jornalista Wilson Martins, então repórter do jornal Diário dos Campos.
A mostra reúne objetos que ajudam a contextualizar e contar a visão do autor. Contando com diversos móveis, quadros, esculturas e trechos referentes à obra do escritor brasileiro Monteiro Lobato. A exposição tem mais de 20 quadros. Além de adereços, como cartas de estudantes, livros raros e esculturas de personagens - leva a assinatura das irmãs e artistas plásticas Patrícia e Renata Maia. 
A exposição conta também com o livro "o Marquês de Rabicó" do autor. Em parceria com o Pega Aí, projeto que disponibiliza livros gratuitos, o livro de Lobato, com domínio público, foi impresso e disponibilizado para  empréstimo à quem comparecer na exposição.
Embora voltada principalmente ao público infantil, a exposição é agradável em qualquer idade. A sensação é como adentrar um livro do autor. As peças produzidas pelas crianças dão um ar infantil e despreocupado ao local. As cores e esculturas das artistas plastucas trazem certa animação e leveza. Não há como sair da exposição sem refletir sobre a importância de uma literatura séria voltada para as crianças, como a de Monteiro Lobato. 
A curadoria é da professora Sueli Bortolin, do Departamento de Ciência da Informação, do Centro de Educação

Por Hygor Leonardo

Serviço:
O Museu Campos Gerais fica na R. Engenheiro Schamber, esquina com a XV de Novembro. Aberto de terça a sexta-feira, das 8h às 11:45 e das 13:30 às 17:15; aos sábados, das 8h às 11:45. 

           Garota PG: entre o Romantismo e o Realismo

 

     Vários artistas já mexeram com os corações apaixonados, como Wando e Reginaldo Rossi. Mas em Ponta Grossa estamos em outro patamar.
A música “Garota PG” de Flávio Wilson faz com que valorizemos cada segundo de silêncio. Na letra, digna de cantor de boteco, é possível identificar elementos de influência machadiana, que reacende os debates sobre a transição do romantismo para o realismo no século XIX. Ao mesmo tempo em que faz uma ode à beleza das moças ponta-grossenses, traz elementos que compõe a cena de uma organização social típica do tradicionalismo como o trecho “ajudam os pais/ lavam a louça e limpam a casa”.
“Anjos da cidade”, as jovens que atuam no videoclipe parecem não saber direito o que estão fazendo ali. Pudera! Parece até que o próprio produtor não sabia. Os cortes abruptos e a coreografia sem muita lógica associados ao vocal de qualidade duvidosa dão caráter único à produção, que já nasce candidata a pérola. Enquanto a música se desenvolve, as jovens jogam futebol e nadam em uma piscina. Não é possível compreender exatamente a relação entre o ambiente futebolístico e as virtudes do trabalho doméstico exaltadas na letra. o ambiente da gravação também destoa da pegada romântica da canção.
É difícil compreender a relação causal proposta por artistas que estão à frente de seu tempo. A interpretação do sentido total da obra-prima de Flávio Wilson fica para a posteridade.

 

Por Alexandre Douvan

           Por trás das cortinas: o preparo dos artistas de teatro

 

        Caso ouça em uma peça de teatro um ator desejando que o outro “quebre a perna”, não se assuste, essa é uma expressão comum nesses locais. A frase é utilizada para desejar boa sorte aos artistas na apresentação. Desde aquecer a voz, alongar o corpo e até a meditação são técnicas de preparação feitas nos bastidores de uma peça ou show. Especialmente se tratando dos atores, o improviso faz parte dessas técnicas. Ele ajuda o profissional a ter mais espontaneidade durante a apresentação teatral e colabora ocultando quando o ator esquece alguma fala.
A técnica de improvisação é considerada pelos especialistas no assunto como uma das mais importantes para a formação de um ator. Além da entonação na voz e da expressão corporal, o artista precisa estar preparado caso esqueça o roteiro ou algum imprevisto aconteça durante a apresentação teatral. E para evitar que esqueça as falas, o ator precisa estudar e conhecer o personagem que está interpretando a fundo.
A preparação do ator precisa considerar outros aspectos que envolvem uma peça. Os ensaios precisam considerar os figurinos e o cenário da apresentação. Roupas pesadas, que dificultam a movimentação, ou até uso de outros acessórios como pernas de pau, por exemplo, precisam de preparação.
Você pode conhecer melhor a rotina e o comportamento dos artistas no Festival Nacional de Teatro, que acontece em Ponta Grossa de 22 a 27 de outubro em espaços tradicionais da cidade como Teatro Ópera e o Teatro Pax.

 

Por Hellen Scheidt

          Por trás das cortinas: a história do Festival Nacional de Teatro
     Henriette Morineu, Bibi Ferreira, Cássia Kiss e Marcos Winter são alguns nomes que passaram pelos palcos do Festival Nacional de Teatro. Historicamente, o evento reúne artistas de todo o país, que participam em categorias competitivas e não competitivas. Ao todo, cerca de 1500 grupos de teatro já passaram pela região dos Campos Gerais, contribuindo para o desenvolvimento da arte a nível nacional.
A primeira edição do FENATA ocorreu em novembro de 1973, no mesmo período em que a Universidade Estadual de Ponta Grossa foi reconhecida como instituição de ensino superior. A partir deste momento, os laços entre a UEPG e a produção artística teatral se fortaleceram cada vez mais. Hoje, o evento é considerado um dos festivais mais antigos do Brasil. 
Além do teatro, o FENATA promove apresentações especiais em instituições de assistência social, hospitais e escolas da região. Os espetáculos direcionados ao público infantil possuem entrada franca, uma estratégia fundamental para que se amplie a cultura teatral no município, também estimulando o surgimento de novos talentos no ramo das artes cênicas. 
O teatro de rua também é algo muito explorado pelo festival, proporcionando uma maior integração com a população de Ponta Grossa e outras cidades que participam do evento. Em 2018, o número de apresentações foi menor em relação a outros anos por conta do corte de verbas para a realização do FENATA. Para tentar resgatar sua essência em meio a um cenário de desvalorização da arte, a 47ª edição do FENATA ocorrerá dos dias 22 a 27 de outubro.

 
Por Allyson Santos
Serviço:
Abertura do 47º FENATA
Data: 22 de Outubro às 20h
Local: Cine-Teatro Ópera
Espetáculo: “Translúcido”, da companhia Talagadá.
Ingressos: R$20 a inteira e R$10 a meia-entrada.

           UEPG de cara nova

 

     Você já viu o novo site da uepg? Com a nova logo da Universidade Estadual de Ponta Grossa veio um site reestruturado. Diferente do antigo site, este tem um design mais "clean" com um menu mais organizado. O visual aparentemente não mudou muita coisa, mas a organização da nova plataforma pode facilitar a vida daqueles que utilizam do site da instituição.
A antiga página da universidade já apresentava alguns problemas por conta da grande quantidade de informação, os alunos que precisavam utilizar o acadêmico online para fazer a rematrícula tinham algumas dificuldades técnicas já que o site não abria se não fosse um computador compatível com o navegador Mozilla Firefox, por conta disso, alguns estudantes tinham que baixar este programa ou recorrer a algum colega que já tivesse instalado no computador. Outro problema era o tamanho das letras do menu no sistema mobile que dificultava a navegação pela página. Aqueles que procuravam editais no antigo site também tinham dificuldade para encontrar um menu organizado.
Este novo site facilitou a navegação do novo portal via mobile, oque faz uma grande diferença para os alunos que acessam a página somente pelo celular.
Um dos poucos problemas dessa nova reformulação é o sistema de senhas dos estudantes para acessar o acadêmico online. As senhas antigas tiveram de ser trocadas por quase todos os alunos que já estavam habituados com a antiga senha. E outro problema é que quando clicamos em alguns links do novo menu, voltamos para o site antigo.

 

Por Thaiz Rubik


Serviço:
link do novo site : https://portal.uepg.br/

           HBO traz série com debate sobre saúde mental

 

      Problemas como ansiedade, depressão, vício em drogas e álcool acometem a sociedade, isso tudo é uma das abordagens trazidas pela série da HBO, Euphoria. Embora traga um elenco majoritariamente jovem e aborde os dramas da vida adolescente, a série não é um programa teen. Um grupo de estudantes do ensino médio que navegam pelas drogas, sexo, identidade, trauma, mídias sociais, amor e amizade.
A série pode não agradar a todos já que no episódio piloto há cenas contendo bastante nudez, uso de drogas, estupro e sexo entre dois adolescentes envolvendo enforcamento. 
Euphoria não é uma série em que você pode colocar para assistir e mexer no celular ou fazer outra coisa ao mesmo tempo, porque além de sua trama a série é composta por uma cinegrafia que revela através das cores, movimentos de câmera e edição, os sentimentos dos personagens, isso tudo carrega a história. As formas técnicas estão presentes quando se tem o uso de drogas, porque criam o efeito das substâncias, como por exemplo, o desfoque, algo bem simples mas que já demonstra que os personagens saíram da sua realidade, assim como as cores neons. A iluminação utilizada faz um jogo de luz e sombra que ressalta os cenários de Euphoria que trabalha bastante com glitter e brilho, deixando o visual mais bonito.
Um dos pontos interessantes é a construção dos personagens. A personagem que narra à história, Rue, tem uma linha vaga em vários momentos porque deixa o espectador em um clima constante de pensar se determinadas ações e eventos que a acometem são reais ou apenas coisas que acontecem em sua cabeça. 
A série não glorifica e nem romantiza o uso de drogas, nem a depressão, nem os relacionamentos abusivos que aborda, tanto o familiar quanto o romântico. Pode parecer que está mostrando novos horizontes, mas está apenas abordando o que já acontece com várias pessoas, trazendo à tona problemas que acometem tanto jovens quanto adultos.

 

Por Gabriella de Barros
 

Serviço:
Euphoria está disponível na HBO GO, com 8 episódios em torno de 56 minutos cada. 

Confira o programa Crítica de Ponta na TV:

Produzido pela turma B -Jornalismo UEPG
 

 

 

 

 

Crítica de Ponta

Produzido pelos alunos do terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você.

Um Restaurante Popular a quase 70 reais por mês

Por Luiz Zak

 

Localizado no centro da cidade e com comida saudável, porém com um preço que gera dúvidas. É assim que pode ser definido o Restaurante Popular (RP), de propriedade da Prefeitura Municipal. O estabelecimento oferece almoço a três reais de segunda a sexta-feira. O cardápio varia durante os dias da semana, porém sempre é composto por arroz, feijão, carne, salada e uma fruta. 

O almoço no dia 2 de outubro foi composto por purê de batata, arroz, feijão, peixe, salada de repolho e maçã, não deixando nada a desejar para os restaurantes do centro, seja por quilo ou PFs. A comida do RP leva pouco sal e com facilidade é possível terminar de comer tudo que está na bandeja. O peixe veio temperado com tomate e molho, porém com grandes pedaços de espinho, o arroz é bem soltinho e o feijão temperado. Mesmo  servida pelas pessoas que trabalham no RP, dá para pedir a quantidade de alimento que será colocada na bandeja, com exceção da carne. 

O local é amplo e composto por várias fileiras de mesas. No dia visitado não tinham pessoas em pé esperando lugar para comer, porém do lado de fora a partir das 11 horas começa a formar uma longa fila que ocupa desde a entrada do restaurante até o estacionamento. A espera para comprar o ticket é de 5 a 10 minutos. 

No lugar não pode entrar com refrigerante, chás ou sucos, aviso colocado em várias partes. O restaurante não oferece copos e no espaço há um bebedouro. É possível notar que há filas quando as pessoas terminam de comer para encher a garrafa levada por elas ou para tomar direto no bebedouro.

O preço do Restaurante Popular de Ponta Grossa pode ser considerado barato? Essa é a dúvida que fica quando se depara com o preço de três reais por apenas uma refeição. Se o frequentador quiser repetir, precisa voltar para a fila e desembolsar mais três reais para comer. Durante apenas uma semana, quem come do RP gasta 15 reais e para almoçar, no mês, são em média menos 70 reais do salário ou do auxílio do governo, que hoje fica em torno de 96 reais, segundo a Caixa Econômica Federal. 

Criado em 2014, o Restaurante Popular é voltado à população mais carente, sendo cobrado na época 1 real por pessoa, porém é nítido que esse objetivo foi sendo afastado ao longo do tempo. O valor atual, por mais que seja considerado baixo por muitos, se considerarmos uma família com filhos acaba por representar um custo razoável, deixando o “popular” apenas de nome ou numa frase de efeito dos administradores do RP.

Em 2007 a Prefeitura de PG começou a servir sanduíches à população em troca de qualquer moeda. Apesar de ser uma ótima ideia, principalmente para matar a fome da população mais carente, a proposta não seguiu adiante. A gestão do atual prefeito Marcelo Rangel (PSDB) acabou com o sanduíche popular, restando só o ponto em que o alimento era oferecido e a fome dos mais carentes da cidade.

 

Serviço:

O Restaurante Popular fica na rua Ermelino de Leão, 1125, em Olarias. O custo é de R$3,00 reais por refeição e o horário de funcionamento é das 11 ás 13 horas.

Os sonhos que não foram esquecidos 

Por João Pedro Teixeira

 

Com certeza você já teve sonhos estranhos e cheios de símbolos, mas quase sempre os esquece, certo?  Akira Kurosawa não. O diretor japonês reproduziu oito sonhos que teve ao longo da vida. Lançado em 1990, o filme “Yume”, ou “Sonhos” em português, traz histórias cheias de simbolismos tipicamente japoneses. Em primeiro momento, o longa é confuso e parece não fazer sentido algum, porém conforme as histórias são contadas podemos perceber que se trata de um tema só: a vida e a morte. 

Um raio de sol através da chuva, O jardim dos pessegueiros, A tempestade, O túnel, Corvos, Monte Fuji em Chamas, O demônio que chora e o Vilarejo dos moinhos d’água parecem desconexo quando assistimos sem atenção. Mas conforme o decorrer do filme, notamos que há certa linearidade nos temas tratados. Os dois primeiros são leves e tratam da infância, da descoberta e curiosidade. Os cinco seguintes são mais profundos e tratam sobre a morte e os erros dos seres humanos. E o último sonho traz uma conclusão, ou talvez a visão madura do diretor, sobre seus atos em vida e a relação com o fim dela. 

“Sonhos” foi exibido no projeto “Conversando sobre cinema Japonês”, coordenado pelos professores de Artes Visuais da UEPG, João Antonio Machado e Nelson Silva Jr. O projeto acontece  uma vez no mês na quinta-feira e intercala entre Campus Central e Campus Uvaranas, conforme as temáticas dos filmes. A programação pode ser conferida no Facebook pessoal do professor João Antonio que posta a programação somente uma semana antes. Ao final da exibição há sempre um debate entre os presentes. O projeto contará com mais duas sessões dentro do gênero terror e suspense. 

 

Sorteios de Loteria: a mania dos paranaenses

Por Leticia Gomes

 

Comprar bilhetes de loteria na esperança de ficar rico faz parte do cotidiano do brasileiro. Para os paranaenses, além da famosa loteria da caixa federal, é possível também apostar no título de capitalização, chamado Mega-mania. É um prêmio de sorteio que é vendido semanalmente nas cidades do Paraná.

O Mega-mania tem um programa de TV na Rede Record, que passa todos os domingos, às 10 horas. Nele, passam o resultado de quatro sorteios que são ofertadas em uma só cartela. Os prêmios vão do menor para o maior valor, aumentando gradativamente de um valor para o outro. A transmissão é feita a partir dos prêmios de menor valor, até o prêmio final, de maior valor. O valor da cartela varia de acordo com o tamanho dos prêmios. O valor pode ir de 7 reais até 20 reais por cartela.

Diferente dos prêmios da loteria que só podem ser vendidos nas lotéricas, a cartela do Mega-mania é vendida em diferentes lugares. Desde um café no centro, como o Cactus, até os mercadinhos de vila. O interessante desse prêmio é que a loja que vendeu o bilhete premiado também ganha um prêmio no valor de 100 reais.

O ato de apostar não é dependente do fato de ganhar, pois muitos paranaenses fazem com que a própria aposta e verificação do resultado virem rotina. A esperança de ganhar se torna quase como um pensamento em segundo plano, pois mesmo perdendo sempre, as pessoas continuam apostando.

O programa de TV do Mega-mania vai até a casa dos ganhadores para entregar os prêmios, isso faz com que o espectador se sinta mais próximo da situação do ganhador e dá a ilusão de que “se ele, gente como a gente, ganhou, então eu também tenho chance de ganhar".

 

A Rede dos homens
Por Erica Fernanda

 

Desde sempre vivemos em uma sociedade patriarcal onde modelos, distribuição de trabalho e de renda e práticas culturais giram em torno do homem. Desde as últimas décadas estamos em processo de mudança conquistada pelas mulheres, podendo lutar por direitos, deveres e respeito equalitários em todas as esferas. Mas o portal de notícias pontagrosensse aRede está indo no sentido contrário com a publicação da editoria chamada Homem. 

Ao entrar nesta editoria, observa-se que as publicações têm “subeditorias” como: Homem – Estilo, Homem – Cerveja, Homem – Comportamento, Homem – Fitness, Homem – Sexo e assim segue. É preocupante para o contexto atual o reforço do machismo, afirmando práticas que excluem outros gêneros e sexualidades. Duas postagens chamam atenção nesta editoria. Uma delas é a matéria “Os benefícios da cerveja na saúde do homem”, que traz pesquisas dizendo que a cerveja diminui o estresse, aumenta a fertilidade, melhora a saúde cerebral e reduz os riscos de desenvolver câncer. Ao longo do tempo as mulheres foram vítimas da indústria da cerveja, sempre sexualizadas nas propagandas para atingir o “público alvo”: o homem. Nenhuma das pesquisas foi divulgada juntamente à matéria, tornando o material pouco credível. Aparecem outras matérias de portais com o mesmo sentido, porém elas contam que a cerveja ajuda na saúde de todos, e não só na do homem.

Nenhuma das matérias tem o valor-notícia que o jornalismo tanto se preocupa; as informações não são de interesse público mas sim do interesse DO público, aquele que desperta curiosidade. Outra postagem que chama atenção é “Paternidade ativa e como praticar no dia a dia”, que pelo título mostra um assunto importante, pois nas famílias a falta da contribuição paterna na criação dos filhos é comum, um dos causadores da jornada dupla das mulheres. O texto ainda traz esse aspecto da jornada dupla, mas de uma forma totalmente equivocada. “Levando em consideração que a maioria das mulheres também trabalha fora de casa, isso gera um desequilíbrio muito grande de tempo. Elas acabam tendo uma ‘jornada dupla’, digamos assim, em seu dia-a-dia”. É inquestionável que as mulheres, de fato, têm uma jornada dupla, e não só por conta dos filhos, mas pela má distribuição das tarefas domésticas, que são realizadas pelas mulheres em sua maioria. Segundo dados do IBGE de 2018, as mulheres que não ocupam lugar no mercado de trabalho dedicavam 23,8 horas a atividades domésticas e cuidados de pessoas, enquanto os homens nessa mesma situação, 12 horas. A diferença também é grande entre mulheres e homens ocupados, sendo 18 horas entre as mulheres e 10 horas entre os homens.

 Ao utilizar uma linguagem jornalística, o portal aRede reproduz comportamentos e ideias da cultura hegemônica. O texto sobre a paternidade ativa traz algumas reflexões a respeito da colaboração do homem na casa não só financeiramente, mas na organização e acompanhamento das filhas e filhos. Porém, os textos abordam pesquisas sem disponibilizá-las; são matérias reproduzidas de outros portais ou de assessoria de imprensa. O texto sobre a cerveja era do site Revista Versar e sobre a paternidade foi reproduzido do site El Hombre.

Jacu Rabudo completa 10 anos de pontagrossês

Por Veridiane Parize

 

O projeto “Noites de Sexta” no último dia 27, no Museu Campos Gerais, exibiu uma série de vídeos intitulada “Pontagrossês”, produzido pela Misto Quente Produções em parceria com o autor do livro Jacu Rabudo, Hein Leonard Bowles. Os vídeos têm a ver com a temática do regionalismo, assim como o Jacu Rabudo, que completa 10 anos neste ano.

Bowles foi convidado para uma roda de conversa que aconteceu após a exibição, juntamente com o poeta Kleber Bordinhão, o professor e cronista Ben-Hur Demeneck, além dos produtores da série “Pontagrossês”, Frederico Taques e Sérgio Baroncini, com a mediação do jornalista Ismael de Freitas. Houve um debate sobre expressões linguísticas regionais muito usadas no dia a dia dos ponta-grossensses.

O Jacu Rabudo é um dicionário de expressões típicas usadas em Ponta Grossa, produzido em uma linguagem coloquial que não está em nenhum dicionário comum. O autor as reuniu por ordem semântica, ou seja, por proximidade de significados equivalentes ou parecidos.

O livro de 152 páginas contém palavras muito utilizadas no cotidiano do ponta-grossensse como “vina”, “ade”, “desgracido” e seus respectivos significados. Os diálogos são apresentados no contexto de uma conversa. O Jacu Rabudo já está na 4ª edição ampliada pela editora Toda Palavra.

O Brasil que temos: riquezas, conquistas e resistência

Por Amanda Dombrowski
 

 

No dia 5 de outubro, no Cine-Teatro Ópera, o Estúdio de Dança de Salão Alan Oliveira apresentou o espetáculo “Que país é esse?”. Com muita música e dança o espetáculo contou uma parte da história do Brasil. O primeiro ato representou diversas formas de resistência, começando com a ditadura militar e os protestos do povo para conquistar seus direitos, com músicas populares da época, como “Cálice” de Chico Buarque. A peça retratou também a miscigenação dos povos e fez críticas sobre a desigualdade, pobreza, fome e diversos problemas que vemos no Brasil. 

FOTO - O segundo ato mostrou símbolos culturais, ídolos e as conquistas do Brasil. Neste ato a peça passou por todas as regiões do Brasil, mostrando a cultura de cada local. Na região Norte teve danças representando a Amazônia e falando que é importante preservá-la, mostrou também a tradição do Boi-Bumbá. O Nordeste apresentou as festas de São João, o forró e o baião. 

No Centro-Oeste eles fazem novamente algumas críticas, o cenário era Brasília e mostrou a corrupção dos políticos brasileiros. O Sul apresentou a tradição gaúcha, com a dança e música típica da região. O Sudeste foi representado por último, neste momento eles apresentaram o pagode, o samba e o funk como um momento de muita alegria, que foi interrompido pela forte violência da região. 

Um elemento destaque da apresentação foi a inclusão social, com uma tradutora de libras presente em todas as falas.Com o fim do espetáculo, o diretor da peça, Allan Oliveira fez uma fala frisando a importância de ser polêmico e mostrar a realidade do país nos dias de hoje. O espetáculo foi emocionante, conseguiu passar ao público o que queria e foi aplaudido em pé pela plateia. 

 
Produzido pela Turma A - Jornalismo UEPG

 

 

Crítica de Ponta

Produzido pelos alunos do terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você.

 
 
 
 

Uma Praça pouco atrativa

Praças, parques são locais públicos nas cidades, locais onde a população tem a oportunidade de desfrutar da tranquilidade, conversar com as pessoas e apreciar a história. Em Ponta Grossa isso não acontece. Como lugar histórico, a cidade possui a Praça Barão do Rio Branco localizada em frente ao Colégio Regente Feijó. O local carrega o passado da cidade junto aos monumentos que nela residem. No entanto, mesmo com a manutenção a desvalorização e o desgaste deixa o ambiente pouco atrativo. 

Na praça, as estátuas como a de Tiradentes é bastante bonita, mas a falta de explicação e maior cuidado não à valoriza. A placa informativa  no chão é bastante enferrujada o que dificulta as pessoas a ler o que está escrito. Outro monumento que sofre do mesmo problema é a homenagem aos maçônicos, não há muita explicação sobre a história. Falta iluminação à noite e poucos bancos para as pessoas sentar, sendo que algumas pessoas sentam em cima de muretas.  Com uma estrutura bastante ampla que conta com: Parque infantil, sanitários, árvores, ponto de ônibus, pontos de táxi, banca de revistas, Casa do Artesão, Concha Acústica, Memorial Ponto Azul, monumentos, entre outras coisas. Barão do Rio Branco, podia ser um dos cartões-postais da cidade, mas isso está longe de acontecer. 

Hoje a praça é espaço para vendedores ambulantes e comércio popular, além de moradia para cachorros de rua. De acordo com a prefeitura a construção iniciou em 1935 e foi totalmente terminada em 1938. Depois de 81 anos, o local continua pouco atrativo, apenas a revitalização da Concha Acústica foi feita recentemente, mas não é só esse espaço que constrói a história do local. De acordo com a Prefeitura a Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos faz manutenções rotineiras ou permanentes em diversos pontos da cidade, incluindo as praças. 

Por Rafael Santos

Serviço

Praça: Barão do Rio Branco – 1935.

Localização: Rua do Rosário, Rua Sant’Ana, Rua Augusto Ribas e Rua Saldanha Marinho. 

Monumentos: Casa do Artesão, Concha Acústica, Memorial Ponto Azul, monumento Tiradentes e Maçônico.

 
 

 

 

 

Bar de Ponta Grossa inova 

A cervejaria Pure Hops abriu na primeira semana de agosto deste ano, no centro da cidade, e trouxe um novo conceito de serviço. O bar conta com a modalidade de cartão pré-pago, os clientes abastecem o cartão com o valor desejado e podem escolher quais das 10 opções de cerveja querem se servir nas torneiras, em estilo self service. Conforme o cliente vai enchendo seu copo o valor aparece na tela e é descontado do crédito depositado no cartão. O preço da cerveja que aparece na máquina é fixo a cada 100ml. 

O bar conta com cardápio de porções, mas são poucas as opções, além de pequenas e caras. Os drinks são tradicionais, nada muito inovador. Além das cervejas nas torneiras, há cervejas expostas e disponíveis para compra e consumo no local. O espaço é temático, decorado e bem dividido: com sofás, mesas compartilhadas e cadeiras altas. Diferente de outros bares da cidade que são pequenos, dificultando a circulação interna. Tudo que é gasto no local é pago com o cartão pré pago, inclusive as porções.

A Pure Hops traz novidades mensais de sabores das cervejas de lata e oferece uma diversidade de cervejas nas torneiras espalhadas pela parede, além da opção espumante. Apesar de ser um bar de alto custo, o dinheiro gasto é válido para quem gosta de degustar variedades, além do espaço do bar. O cartão pode ser recarregado em casa através de aplicativo, ou até mesmo no bar, sem precisar enfrentar filas para recarregar. As comidas e os drinks deixam a desejar, por ser um bar que traz muita inovação se espera algo diferente do comum, mas a Pure Hops não apostou nestes pontos quando criou o cardápio. 

Por Milena Oliveira

Serviço 

Aberto de quarta-feira a sábado 

Horário: 16h - 0h

Localização: Rua Sant'Ana 694, Centro

Telefone: (42) 9 9136-066

 

As populares tranças com toque de criatividade

A moda sempre teve espaço para inovações, mas existem tendências antigas que são usadas até hoje, como as tranças. De acordo com registros históricos, as primeiras tranças foram encontradas nas estátuas “Vênus de Brassempouy” e “Vênus de Willendorf” – ambas descobertas em sítios arqueológicos do período paleolítico na Europa. Porém, a técnica de trançar os cabelos foi notada mais tarde na África. O penteado era usado pelas civilizações para identificar desde tribos, estado civil, religião, até a posição social. 

Na cultura africana, o cabelo era parte integrante de um complexo sistema de linguagem. A manipulação do cabelo era uma forma resistência e de manter suas raízes. Existem formas diferentes de fazer a trança, como a trança lateral, boxeadora, escama de peixe, holandesa, embutida, cascata, zig zag, entre outras.

Em Ponta Grossa, as tranças ganharam mais popularidade este ano em jogos e eventos universitários. A estudante de Engenharia Química da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Carla Teixeira, percebeu o crescente interesse pelas tranças e teve a ideia de inovar. Ela passou a realizar o penteado com fitas, como forma de representar as cores das Associações Atléticas Acadêmicas.     

Pelo contexto histórico das tranças e a criação delas pela cultura negra, é necessário entender que não se trata apenas de um apetrecho, é a representatividade e resistência de uma cultura que por muito tempo não teve o devido valor. Portanto, ao usar tranças, deve-se ter em mente seu histórico e a importância para a cultura que a criou. 

Por Mariana Santos


 
 
‘Meio Sol Amarelo’: a guerra aos olhos de negros e negras

O livro ‘Meio Sol Amarelo’ é uma obra da africana Chimamanda Adichie - escritora e militante de 42 anos. Adichie estudou comunicação e ciência política nos Estados Unidos. Hoje, escreve sobre imigração, desigualdade e situação político-social dos países africanos. No livro de 2008, a autora narra, a partir da perspectiva de quatro protagonistas, a Guerra Civil Nigéria-Biafra, que ocorreu no final dos anos 60. O título faz referência à bandeira da Biafra, que tem a metade de um sol.

A história começa na cidade universitária Nsukka. Lá vive Ugwu, um menino de 13 anos, de família muito pobre, que vai trabalhar na casa do professor Odenigbo. Ugwu encontra, na casa do patrão, fartura jamais imaginada por ele - abundância de comidas e bebidas na mesa. Richard é um escritor inglês e Ollana, uma estudante de família de alta classe. Por meio desses personagens, Adichie ilustra situações reais, experiências de nação, lealdade, origens, família e responsabilidade. 

Há uma parte feliz na história, mas o relato da guerra traz cenas fortes à imaginação. A sede da Biafra por independência provocou o deslocamento da população para o sul do país, mas a fome e as doenças persistiram matando cerca de um milhão de pessoas. 

A crítica ao colonialismo britânico aparece em toda a narrativa. A capacidade de sintetizar, em quatro personagens, a complexidade da guerra, aguça a curiosidade do leitor. Trata-se de uma versão da guerra a partir dos olhos dos negros e negras e não da abordagem de homens brancos e ricos. O único problema é que, por conta da história não ser contada de forma linear e não deixar claro quem é o narrador, o leitor pode acabar se perdendo. 

Há uma indagação despertada pelo livro: Como é que podemos resistir à exploração se não temos ferramentas para entender o que é exploração?

Por Raylane Martins

Serviço

Livro: Meio Sol Amarelo, 2008

Escritora: Chimamanda Adichie 

Disponível em: Le Livros

 

 

Música local desprestigia e ofende cidadãos e cidadãs ponta-grossenses

No dia 15 de setembro Ponta Grossa completou 196 anos e diversas homenagens à cidade foram feitas pelos moradores. Uma delas foi o vídeo que circulou nas redes desde o domingo (15).

Nele, comediantes locais produziram uma música autoral em que falam dos bairros, das pessoas e das gírias dos ponta-grossenses de maneira cômica.

A música tem duração de 2 minutos e 40 segundos e, no clipe, os comediantes estão fantasiados como os personagens da série "La Casa de Papel", na maior parte do tempo com o rosto coberto. No clipe, eles exploram lugares conhecidos de PG como cenários. Entre eles, o Calçadão Central, o Parque Ambiental e o Terminal Central.

No entanto, o que era pra ser uma homenagem 'engraçada' para os moradores da cidade, acabou se tornando provocativa para alguns. Na letra, os autores citam bairros da cidade, como Ronda, Vila Cipa e Vila Marina apenas os enfatizando como perigosos e fazendo, até mesmo, simulação de uso de armas de fogo enquanto as mencionam, insinuando que nesses bairros só se ouve o som de tiros. Outra questão que incomodou os ouvintes foi a letra transfóbica no momento que dizem "no Nova Rússia tem gente bonita, só que tem uns travestis".

Espera-se que, uma música que é feita com a intenção de prestigiar a cidade e os moradores respeite a diversidade e as condições de outras pessoas, não contendo nas letras frases que disseminam a violência e o preconceito.

O vídeo está disponível no Facebook dos protagonistas e circula pelas outras redes sociais.

 

Por Bruna Kosmenko

Grupo de Teatro Municipal surpreende ao levar peça para as ruas

O Grupo de Teatro “Cidade de Ponta Grossa” foi criado a partir da lei nº 13.123, de 12/04/2018. Vinculado à Fundação Municipal de Cultura, tem caráter de formação de profissionais e valorização dos atores da cidade.

Em dezembro de 2018, a Prefeitura de Ponta Grossa lançou um edital para selecionar alunos para a temporada de 2019. De acordo com o documento, 19 pessoas foram escolhidas para participar do grupo, sendo 15 atores e/ou atrizes, um assistente de direção, um iluminador, um figurinista e um cenógrafo. Os alunos recebem bolsas de estudo no valor de R$ 962,93. Além de 10 estagiários não remunerados que formam o grupo de acesso.

Após testes seletivos, os participantes começaram os ensaios no dia 04 de fevereiro para a temporada de 2019. A primeira peça revisitou a história de William Shakespeare, sob a direção de Edson Bueno. “Shakespeare – Paixão e Poesia” teve cinco apresentações em agosto deste ano, sendo duas para alunos da rede pública municipal. A peça está prevista na programação do Festival Nacional de Teatro (FENATA), este mês.

Com encontros duas vezes por semana, o Grupo já ensaia novo espetáculo programado para a começo de dezembro. Segundo o diretor do Departamento de Cultura, Eduardo Godoy, a peça é uma comédia dirigida por Leo Campos e deve ser apresentada nas ruas de Ponta Grossa. 

Um grupo de Teatro público deve se esforçar para chegar cada vez mais perto da população. A tentativa de levar a comédia até as pessoas pode ser uma maneira de oportunizar acesso aos que não conseguiram assistir à apresentação em agosto. O teatro em Ponta Grossa é elitizado, ao tomar as ruas, o grupo surpreende positivamente e mostra que os moradores da cidade não podem ser esquecidos.

Por Thailan de Pauli Jaros


 
Imagem e tecnologia. Não dá para ficar dependente só de máquinas 

Toda imagem é uma forma de linguagem e expressão. As pinturas rupestres, tidas como imagens visuais, começaram no período Paleolítico (40.000 a.C.), quando o ser humano percebeu a necessidade de deixar registros para que pudessem comunicar-se entre si. No Parque Nacional da Serra da Capivara, no Paraná, tais pinturas encontradas representam o cotidiano e realidade daqueles que viviam no local. 
 
Eduardo Thielen é historiador e pesquisa em áreas como saúde pública, história, comunicação, fotografia e vídeo. Na palestra sobre imagens virtuais, é feita uma trajetória das imagens como memória social na construção histórica, dialogando com o fato que a produção da arte, como um todo, é vivenciada por aqueles e aquelas que detém o poder. Na Idade Média, a grande parte de imagens, pinturas e expressões artísticas eram sobre divindade e religião, tendo a igreja católica responsável pelo pensamento social e cultural na época. O humano cria a imagem conforme a realidade estabelecida.

As câmeras fotográficas ofereceram a possibilidade de pessoas comuns capturarem imagens. Vivemos em uma sociedade imagética, na qual a imagem consegue transmitir informação de maneira simples e democrática. Atualmente, imagens virtuais ganharam espaço no mundo da tecnologia, o que também se torna prático e acessível. 

A palestra e exposição“Imagens virtuais e memória social na construção da História”, de Eduardo, contaria com a apresentação de imagens virtuais na ciência e história, porém o computador do palestrante resolveu atualizar e não ligar mais. Thielen prosseguiu com a fala mesmo sem as capturas, o que, no geral, foi uma discussão bastante produtiva e significativa. Entretanto, até onde os humanos conseguem driblar os problemas técnicos que a tecnologia pode ocasionar? 

 
Matheus Rolim
Produzido pela Turma A - Jornalismo UEPG