Meio ambiente

As declarações do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em Ponta Grossa em 1º de maio causou reação em ambientalistas e pesquisadores locais. Em entrevista concedida à imprensa, o ministro disse rever os aspectos da demarcação do Parque Nacional dos Campos Gerais (PNCG).

                                                 Área preservada do Parque Nacional Campos Gerais. / Foto: Veridiane Parize.

A coletiva aconteceu em uma fazenda produtora de sementes em Ponta Grossa, conforme divulgado pela imprensa local, após reunião fechada entre o ministro com empresários, produtores rurais e políticos da região.

A reunião aconteceu após o pedido oficial da deputada federal Aline Sleutjes (PSL-PR), por meio do ofício 022/2019, no qual solicita “avaliar a possibilidade de cancelar o decreto de criação ou alterar de Parque para Monumento Natural o hoje denominado Parque Nacional dos Campos Gerais”. O pedido foi motivado pela reivindicação de 100 famílias que ainda moram em regiões do Parque que não foram desapropriadas, conforme as declarações à imprensa pela deputada. As principais reivindicações dos moradores da região é o pagamento das indenizações pelas terras, e os problemas causados pela inviabilidade de construção de novos empreendimentos e dificuldades de acesso a linhas de crédito, por ser uma região protegida legalmente.

Atos estão marcados nos cinco estados do Brasil para esta sexta-feira (20), sendo que a cidade de Ponta Grossa também tem programação prevista

As atividades do movimento Fridays for Future -  Greve pelo Clima têm início nesta sexta-feira (20) e seguem até a próxima terça-feira (24), em Ponta Grossa. O protesto, que teve início em 2018 na Suécia e se espalhou pelo mundo, busca conscientizar a população sobre a crise climática.

Em oito meses quase 300 novos agrotóxicos foram liberados pelo presidente da república, grande parte proibidos em diversos países

Desde o início do mandato, em janeiro de 2019, o presidente da República, Jair Bolsonaro, liberou de cerca de 290 agrotóxicos, com princípios ativos classificados como tóxicos e extremamente tóxicos pela ANVISA, a maioria deles proibidos na União Europeia. Alguns desses princípios ativos são vendidos e usados nas plantações de Ponta Grossa. Em Ponta Grossa, um debate foi realizado pela campanha, no dia 15 de agosto, com a presença de professores, especialistas e agricultores, que debateram sobre o uso e os perigos dos agrotóxicos.

Em 3 anos, Ponta Grossa comercializou cerca de 4.423,1 toneladas de agrotóxicos. Foto: Kauana Neitzel

O Brasil é o país que mais consome agrotóxico do mundo. O Paraná é o terceiro maior consumidor de agrotóxicos do Brasil. De acordo com dados, disponíveis na internet, da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR), presentes no Plano de Vigilância e Atenção à Saúde de Populações Expostas aos Agrotóxicos do Estado do Paraná, a quantidade de agrotóxico comercializado nos anos de 2014 a 2017 em Ponta Grossa é cerca de 4.423,1 toneladas. No estado, aproximadamente 382.750 toneladas.

Professor de agronomia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Carlos Hugo Rocha, afirma que a maioria dos alimentos produzidos em larga escala pelas grandes empresas do agronegócio são contaminados. “No Brasil, desenvolvemos uma agricultura fundamentada no eixo de fertilizantes e no uso desenfreado de agrotóxicos”, explica. De acordo com o professor a cada três alimentos dois têm contaminação total ou possui resíduos de produtos químicos. “O sistema que temos favorece isso, portanto o alimento que chega na mesa do brasileiro está contaminado”.

“Até a água que chega nas cidades está contaminada com agrotóxicos encontrados nas lavouras”, afirma Rocha. Uma investigação realizada pelo veículo Repórter Brasil, junto com a Public Eye e Agência Pública, com dados do Ministério da Saúde, mostra que a cada grande parte dos municípios brasileiros possuem um “coquetel” de agrotóxicos na água. Em Ponta Grossa foram detectados 27 tipos de agrotóxicos na água, entre 2014 e 2017, 11 deles associados a doenças crônicas, como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos. 

Os riscos do uso dos defensivos não é somente no consumo, mas em todo o processo de manuseamento e aplicação. “Os agrotóxicos têm a função primária de controlar as populações de plantas, animais e micro-organismos que irão diminuir a produção agrícola, contudo, essa toxidade não é totalmente seletiva, o que pode causar a morte em seres humanos”, explica o Professor Doutor Marcos Pileggi, do Departamento de Biologia Estrutural, Molecular e Genética da UEPG. 

Pileggi ressalta outro risco, a contaminação à longo prazo do ecossistema. “Boa parte dos agrotóxicos não atingem seus alvos e podem contaminar rios, lagos e lençóis freáticos”, analisa. “Agrotóxicos têm a função primária de controlar as populações que irão diminuir a produção agrícola, porém a toxicidade não é seletiva, podendo prejudicar seres humanos”.

Segundo o dossiê feito pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), disponível na internet, em 2015, existem confirmações que certas doenças são causadas pelos agrotóxicos, como por exemplo endometriose, má formação fetal, doença de Parkinson, distúrbios hormonais diversos (nas glândulas hipófise, tireoide, suprarrenais, mamas, ovários e testículos), entre outros. 

As campanhas voltadas contra o uso do agrotóxico apoiam e defendem a agroecologia, como um dos caminhos para o fim do uso dos agrotóxicos. Para Pileggi o agronegócio está totalmente dependente dos agrotóxicos mas é preciso buscar outros caminhos. “A busca de alternativas para diminuir os efeitos tóxicos destes produtos é uma tarefa essencial para a preservação da saúde de plantas e animais, incluindo os humanos”, afirma.

Visando combater o uso dos agrotóxicos organizações estão promovendo campanhas em nível nacional para conscientizar a população. A campanha Viva Sem Veneno, é um exemplo. Criada em novembro de 2017 promove conversas em todo o país sobre os perigos do uso dos defensivos agrícolas. Segundo a campanha, cada pessoa consome cerca de 7,3 litros de agrotóxico todo ano. 

Ficha Técnica:

Reportagem:
 Emanuelle Salatini
Supervisão: Angela Aguiar, Fernanda Cavassana, Rafael Kondlastsch, Ben-Hur Demeneck
Foto: Kauana Neitzel
Edição: Alunos do 2° ano de Jornalismo, Raylane Martins e Gabriella de Barros

Ausência do uso de equipamentos de segurança figura entre os problemas

Perigos e riscos de acidentes ocorrem por falta de treinamento e orientação | Foto: Cássio Murilo

Armazéns de grãos têm ganhado destaque entre os acidentes envolvendo o meio rural. Apesar de pouco divulgado, os números indicam a falta de atenção com relação à segurança dos trabalhadores. O Ministério da Previdência Social considera que o número de acidentes em armazéns de grãos como os silos não expressam a realidade. Isso devido ao fato de que muitos trabalhadores não fazem o registro. Além disso, o Ministério não possui dados específicos sobre acidentes em silos, os fatos são registrados na descrição “armazéns gerais”, que contemplam os silos.

A UTFPR e a UEPG promovem, nesta quinta-feira (13) e na próxima quarta-feira (19), o seminário "Conhecendo o Parque Nacional dos Campos Gerais". O evento debate as oportunidades geradas com a criação do Parque Nacional dos Campos Gerais. Com área de aproximadamente 21 mil hectares, o Parque abrange as de Carambeí, Castro e Ponta Grossa.
Evento debate oportunidades para o setor de turismo no Parque Nacional dos Campos Gerais
Ouça a reportagem de Ana Moraes
Ouça a reportagem da Maria Eduarda Eurich
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Ficha Técnica
Reportagem:  Ana Moraes e Maria Eduarda Eurich
Fotos: Éder Carlos, Rafael Bahls, Rhamonn Cottar e Vitória Rosa
Edição: Luiz Zak
Supervisão: Professores Angela Aguiar, Fernanda Cavassana e Rafael Schoenherr
Técnico de edição: Reinaldo dos Santos
Monitores: Luiz Zak e Alexsander Marques

 

Com o tempo limite para o fechamento do aterro Botuquara se encerrando, a Prefeitura de Ponta Grossa discute a implementação de um novo empreendimento junto à empresa Zero Resíduos, em Teixeira Soares. Contudo, a população está descontente, principalmente pelo fato da origem do lixo ser de outra cidade. Liberada pelo prefeito da antiga administração de Teixeira Soares, Ivanor Luiz Muller (PSD), em 2013, é a atual administração que assume a responsabilidade. O aterro será construído em área vizinha à Colônia Guaraúna, nome do rio que passa pelo local, que fica na zona rural da cidade.

Trajeto de Ponta Grossa a Guaraúna, local da construção do aterro | Foto: Lorena Panassolo

 


O aterro Botuquara, em Ponta Grossa, era um antigo lixão e, hoje, é um exemplo de aterro “controlado”. “Hoje há captação de chorume e cobertura com solo. As novas células têm impermeabilização do substrato, que não havia no lixão original”, explica o geólogo e professor do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Mário Sérgio de Melo. No entanto, para o professor o Botuquara nunca será um aterro, pois “a escolha da área não seguiu os critérios necessários”, adverte.

 


Para a instalação de um aterro, existem normas a serem cumpridas. Segundo informações do site do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o aterro deve: “a) estar localizado fora da área de influência direta do manancial de abastecimento público; b) manter a área de disposição final a uma distância mínima de 200 m de rios, nascentes e demais corpos hídricos; em situações na qual forem previstas distâncias maiores, de acordo com o Código Florestal ou demais legislações aplicáveis no que diz respeito às áreas de preservação permanente - APP, estas deverão ser atendidas”.

 


No caso do aterro de Guaraúna, a população reclama pela proximidade com o rio e com muitas casas. “O local onde querem construir é ao lado do Rio Guaraúna, o qual deságua no Tibagi [cuja água que é abastece alguns municípios]”, destaca a moradora Alessandra Wosniask.

 


Além de enchentes, outro problema é em relação à fauna. “O local é cheio de vertentes, tem animais que vivem ali - capivara, lobo guará e até mesmo onça - e que certamente seriam afetados com a construção desse aterro”, alerta

 

 

Mesmo com reclamações dos moradores, não se sabe, ao certo, qual o local exato da construção do aterro, já que a área cedida à empresa é muito grande. O empreendimento é uma iniciativa particular, sem vínculo com a Prefeitura de Ponta Grossa.

 


Os efeitos do aterro Guaraúna sobre os poços artesianos, muito utilizados nas residências e em instituições, também geram preocupação nos moradores. Há o risco de contaminação das águas subterrâneas acontecer, principalmente, pela construção inadequada dos aterros, como ressalta Melo.

 


Embora ressalte que não conhecer a área destinada e o projeto específico do aterro, Melo adverte, em relação ao manancial da região, que “leis e normas técnicas definem a distância mínima em relação aos corpos d’água”. O professor ainda salienta que: “Como geólogo que sou, minha preocupação principal é com as águas subterrâneas e não as superficiais. Se contaminado o aquífero subterrâneo, ele não tem recuperação viável”.

 

 

LIXÃO X ATERRO
A diferença entre aterro e lixão passa pela compreensão das diferenças entre os tipos de rejeitos, como observa o geólogo Henrique Pontes, ressaltando que o lixo é aquilo que é descartado e não terá condições de reaproveitamento. “Boa parte dos resíduos sólidos é reciclável e boa parte é orgânica. Apenas uma porcentagem pequena pode ser considerado lixo [descartável 100%]”, esclare.
 O geólogo defende ser necessário “mudar o conceito do que é lixo”, uma vez que o que mais é gerado são os resíduos sólidos. “O descarte ideal é um aterro bem feito e seguindo as regras da legislação ambiental”, opina o geólogo Henrique Pontes.

 

Infográfico: Lorena Panassolo Fonte: Zero Resíduos

 

Com descarte a céu aberto, os lixões são os maiores poluidores do planeta. Essa áreas provocam a contaminação do ar, do solo e das águas, com substâncias tóxicas e cancerígenas. O prejuízo seria de R$ 3,6 bilhões, dinheiro usado para tratar de problemas ambientais, ainda segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

 


Contudo, 60% das cidades brasileiras ainda utilizam o lixão, totalizando aproximadamente 3 mil municípios. É o que apontam dados de 2015 da  Abrelpe. Já o gasto com a construção de aterros, que são projetos mais viáveis economicamente, gira em torno de R$ 1,2 milhões.

 


Atualmente, o mais viável é a instalação de aterros que, caso sejam bem feitos, podem ocorrer até mesmo dentro da cidade, sem que a população perceba. Economicamente falando o aterro é a melhor alternativa, gerando empregos e renda, como aponta a representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Conselho de Municipal Meio Ambiente de Ponta Grossa, Caroline Schoenberger Ávila. Ela também afirma a viabilidade, na conjuntura atual, do aterro e do tratamento de resíduos. Como projeto futuro, Schoenberger sustenta a possibilidade de uma usina, “desde que ela seja economicamente viável, já que ambientalmente ela”. Para ela, é importante considerar o aspecto econômico, uma vez que é preciso “pensar na questão de sustentabilidade".

 


Existem também dois tipos de aterro: o controlado e o sanitário. O primeiro é uma espécie de lixão um pouco melhorado, onde existe uma cobertura do lixo com solo para evitar vetores. Neste caso, o confinamento ainda preserva o local de problemas de saúde pública e evita o fluxo de catadores de lixos.

 


Já o segundo item segue as leis e normas ambientais. É necessária, nesse caso, observar critérios rígidos, como o principal deles, que é a escolha do local. “Aterro controlado nãopossui todas as células impermeabilizadas, devidamente preparadas onde é lançado o lixo. Já o aterro sanitário o lixo vem até o local, descartado e é aterrado e compactado”, completa Schoenberger.

 


O geólogo Mário Melo questiona o processo de concessão de licenças pelo IAP, que deve cumprir  que prevê a legislação ambiental. Para o professor, o Instituto “não tem atendido essa premissa”. O resultado, alerta, seriam os inúmeros processos envolvendo dirigentes em crimes de “improbidade, corrupção, venda de licenças, o que deu razão ao conceito pejorativo de “moeda verde”, critica.

 


O termo, explica o geólogo, se refere à “venda de licenças para angariar verbas de campanha para políticos supostamente ambientalistas que são na verdade criminosos ambientais”.
Embora não haja a comprovação de irregularidades no projeto de construção do aterro de Guaraúna, a equipe de reportagem do Portal Periódico entrou em contato com a unidade local do IAP, mas somente a sede de Curitiba está autorizada a falar com a imprensa. O contato foi também realizado com a unidade da capital, mas até o fechamento desta reportagem, não houve resposta.

 


Foi realizado ainda o contato com a empresa Zero Resíduos, responsável pelo aterro em Teixeira Soares, mas não obtivemos respostas.
Vale lembrar que no primeiro semestre deste ano, o Superior Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucional o item do Código Florestal que define “utilidade pública” e “interesse social” a gestão de resíduos sólidos. Isso impediria a construção de aterros sanitários em áreas de preservação permanente e em

 


Em entrevista ao jornal Diário dos Campos (https://www.diariodoscampos.com.br/noticia/moradores-da-colonia-guarauna-sao-contra-implantacao-de-aterro), o IAP alegou que a decisão do Supremo não afetaria a construção do aterro, já que a obra não se daria em área definida como APP. O Instituto também afirmou que o perfil de decisões para concessão de licenças já era de negá-las para APPs e para áreas de especial atenção, úmidas ou alagadas.