Meio ambiente


 

Em 2021, a semana da Água ficou marcada por diversas ações, como a manifestação do Papa Francisco, que defendeu o direito universal à água potável, além da campanha da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa), que também aproveitou o momento para alertar ao uso consciente da água. O Dia Mundial da Água (dia 22 de março) é uma data definida em 1992 pela Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir a utilização e os conflitos que envolvem a posse política e a mercantilização causada pela constante procura pela água.

Mesmo com o setor em queda, ecoturismo se destaca 

Um dos principais pontos turísticos de Ponta Grossa, o Buraco do Padre está localizado dentro do Parque Nacional dos Campos Gerais.

Foto por: Éder Carlos

 

A pandemia afetou o turismo na cidade e gerou danos de 300 milhões de reais em 2020, segundo dados do Ponta Grossa Campos Gerais Convention & Visitors Bureau (PGCG CVB). As referências decorrem do grande número de eventos cancelados por conta da Covid-19. A única área do turismo que não teve queda foi a de atividades e excursões ao ar livre, com aumento na procura em agências.  

 

Ponta Grossa enfrentou estiagem mais longa no início de 2020 e a falta de chuvas durante o ano reforçou medidas do uso consciente do recurso

 

Em 2020, Ponta Grossa enfrentou a maior estiagem desde 1993. A falta de chuvas foi um problema não apenas na cidade, mas em todo o estado do Paraná, gerando uma crise hídrica. O volume da Represa de Alagados diminuiu, assim como a Vazão do Rio Pitangui. No dia 02 deste mês foi registrado na represa uma lâmina d’água de 8,33 metros, numa escala de 10 metros. 

 

A Sanepar, responsável pelo abastecimento de água na cidade, explica que o manancial para a captação de água em Ponta Grossa é o Rio Pitangui. ‘‘O abastecimento vem de dois pontos de captação. Um na Represa de Alagados, que é o Pitangui represado, responsável por 30% do abastecimento da cidade, e o outro a captação diretamente no Rio Pitangui, responsável por 70%.’’, informa a assessoria.

 InfoChuvas18 12 2020

A Meteorologista Cátia Braga, explica que os índices pluviométricos na região ficaram bem abaixo do esperado. A falta de chuvas é decorrente de um fenômeno chamado La Niña, que é quando a temperatura do oceano diminui, e as águas do pacífico ficam mais frias, dificultando a evaporação e consequentemente causando a diminuição das chuvas na região sul. ‘‘Esse fenômeno deixa o volume das chuvas bastante baixo, isso fez com que Ponta Grossa e toda a região sul do país tivesse índices abaixo da média histórica. O que acontece no oceano pacífico influencia todos nós.’’, completa. 

 

Por conta da pandemia, e da maior parte da população ficar em casa por períodos integrais na quarentena, a água se tornou ainda mais essencial e houve aumento por volta de 3% na média do consumo, informa a Sanepar. Obras de abastecimento da companhia de saneamento em bairros da cidade durante o ano deixam famílias sem o recurso, de acordo com a moradora do bairro Vila Estrela, Gislaine Indejejczak. ‘‘A falta de água atrapalhou minha rotina, no banheiro a água é direto da rua, e dificultou quando precisava dar banho nas minhas 3 filhas pequenas. Duas vezes tive que comprar água por que ficou muitas horas sem encher a caixa’’, ressalta. Questionada se o motivo dessas obras estarem sendo realizadas como forma de rodízio de água, a Sanepar declarou que elas fazem parte de um projeto de ampliação implantado em etapas nos últimos anos. 

 

A população está sendo orientada sobre a diminuição de água nos reservatórios, e assim também para evitarem desperdícios no consumo

 

Mas mesmo assim, os moradores não são quem mais utilizam água. O setor produtivo na cidade também consome o recurso na irrigação. Dados da ONU mostram que no Brasil a agricultura utiliza 72% do recurso.  De acordo com o professor substituto do Departamento de Geociências da UEPG, membro do Grupo Universitário de Pesquisas Espeleológicas (GUPE) e integrante do Fórum das Águas, Henrique Pontes, a principal responsabilidade com a água está no setor do agronegócio e da indústria. 

 

Todas as medidas de redução e  planejamento de uso para evitar o desperdício fazem parte do compromisso que devem assumir. ‘‘Esse compromisso não pode ser exercido apenas nos momentos de estiagem mas estendido para todos o ano. A preservação dos mananciais também é importante, como a presença de vegetação nativa, então para garantir essa preservação é necessário manter essa vegetação.’’, ressalta.

 

A Sociedade Rural dos Campos Gerais foi procurada para esclarecimentos sobre ações que estão sendo realizadas na cidade para a redução do consumo de água, mas até o momento não houve retorno.

 

A cidade de Ponta Grossa está se expandindo pelos extremos, com tendência à expansão urbana horizontal, cada vez mais novos loteamentos estão saindo nas porções periféricas do centro urbano. O professor Henrique completa dizendo que a questão do planejamento urbano também afeta essa falta de chuvas. ‘‘Essa ação faz com que precise aumentar a água no sistema de abastecimento público, porque precisa haver uma vazão para elas chegarem nesses locais. Afetando diretamente a falta de água, levando em consideração uma questão social, e a questão desses locais afastados serem os mais carentes de equipamentos urbanos e que concentram muitas pessoas em vulnerabilidades diversas’’, afirma.

 

Em Ponta Grossa, os mananciais estão na área denominada de afloramento das rochas de formação de furnas, onde estão o aquífero, furnas e a zona de recarga deste aquífero, e também as áreas de conservação. A partir do momento que acontece a expansão nas áreas de preservação de manancial, pode agravar ainda mais o problema da falta, na qualidade e quantidade de água. 

 

Ponta Grossa ainda possui o recurso para abastecer os moradores por conta do manancial subterrâneo do aquífero furnas, com uma capacidade muito grande, suficiente para manter os rios e os mananciais superficiais durante toda a estiagem, mas precisa haver um cuidado para que isso não reflita em problemas no abastecimento público futuramente.

 

Para 2020 não deve haver aumento de chuvas que comporte os índices esperados, continuando com a escassez. De acordo com  a meteorologista Cátia Braga, no mês de janeiro e fevereiro em Ponta Grossa são esperados 182 e 185 milímetros, respectivamente.

 

 Confira a matéria em vídeo da reportagem produzida pela Mirella Mello no YouTube:

 

Ficha técnica:

Repórter: Mirella Mello

Vídeo: Mirella Mello

Edição: Manu Benicio

Supervisão: Angela Aguiar, Cintia Xavier, Jeferson Bertolini e Vinicius Biazotti.

 

 ARROIO 12 11 2019

A nova estrada que ligará os bairros Centro e Jardim Carvalho prevê o desvio no trecho do Arroio Pilão de Pedra. De acordo com a planilha de orçamento, cerca de 2.500 m² de vegetação será retirada. O valor máximo da obra está avaliado em torno de R$3.678.025,80 e o prazo de execução será de 360 dias.

 

E as operárias, que são a maior parte, são fêmeas que polinizam, alimentam as larvas e protegem a entrada da colmeia. | Foto: Arieta de Almeida

“Eu lido com abelhas desde meus dez anos de idade e nunca passamos por uma crise de desaparecimento como vemos na última década”, enfatiza o apicultor de 91 anos, Aberhard Husch. A produção de mel nos Campos Gerais caiu 70% em 2017, conforme destaca Husch. Além disso, os apicultores da região relatam, durante as reuniões da Associação dos Apicultores dos Campos Gerais, mortes e sumiços frequentes de abelhas e, através de observações, tentam reunir informações para compreender o fenômeno.

As declarações do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em Ponta Grossa em 1º de maio causou reação em ambientalistas e pesquisadores locais. Em entrevista concedida à imprensa, o ministro disse rever os aspectos da demarcação do Parque Nacional dos Campos Gerais (PNCG).

                                                 Área preservada do Parque Nacional Campos Gerais. / Foto: Veridiane Parize.

A coletiva aconteceu em uma fazenda produtora de sementes em Ponta Grossa, conforme divulgado pela imprensa local, após reunião fechada entre o ministro com empresários, produtores rurais e políticos da região.

A reunião aconteceu após o pedido oficial da deputada federal Aline Sleutjes (PSL-PR), por meio do ofício 022/2019, no qual solicita “avaliar a possibilidade de cancelar o decreto de criação ou alterar de Parque para Monumento Natural o hoje denominado Parque Nacional dos Campos Gerais”. O pedido foi motivado pela reivindicação de 100 famílias que ainda moram em regiões do Parque que não foram desapropriadas, conforme as declarações à imprensa pela deputada. As principais reivindicações dos moradores da região é o pagamento das indenizações pelas terras, e os problemas causados pela inviabilidade de construção de novos empreendimentos e dificuldades de acesso a linhas de crédito, por ser uma região protegida legalmente.