Meio ambiente

 ARROIO 12 11 2019

A nova estrada que ligará os bairros Centro e Jardim Carvalho prevê o desvio no trecho do Arroio Pilão de Pedra. De acordo com a planilha de orçamento, cerca de 2.500 m² de vegetação será retirada. O valor máximo da obra está avaliado em torno de R$3.678.025,80 e o prazo de execução será de 360 dias.

 

E as operárias, que são a maior parte, são fêmeas que polinizam, alimentam as larvas e protegem a entrada da colmeia. | Foto: Arieta de Almeida

“Eu lido com abelhas desde meus dez anos de idade e nunca passamos por uma crise de desaparecimento como vemos na última década”, enfatiza o apicultor de 91 anos, Aberhard Husch. A produção de mel nos Campos Gerais caiu 70% em 2017, conforme destaca Husch. Além disso, os apicultores da região relatam, durante as reuniões da Associação dos Apicultores dos Campos Gerais, mortes e sumiços frequentes de abelhas e, através de observações, tentam reunir informações para compreender o fenômeno.

As declarações do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em Ponta Grossa em 1º de maio causou reação em ambientalistas e pesquisadores locais. Em entrevista concedida à imprensa, o ministro disse rever os aspectos da demarcação do Parque Nacional dos Campos Gerais (PNCG).

                                                 Área preservada do Parque Nacional Campos Gerais. / Foto: Veridiane Parize.

A coletiva aconteceu em uma fazenda produtora de sementes em Ponta Grossa, conforme divulgado pela imprensa local, após reunião fechada entre o ministro com empresários, produtores rurais e políticos da região.

A reunião aconteceu após o pedido oficial da deputada federal Aline Sleutjes (PSL-PR), por meio do ofício 022/2019, no qual solicita “avaliar a possibilidade de cancelar o decreto de criação ou alterar de Parque para Monumento Natural o hoje denominado Parque Nacional dos Campos Gerais”. O pedido foi motivado pela reivindicação de 100 famílias que ainda moram em regiões do Parque que não foram desapropriadas, conforme as declarações à imprensa pela deputada. As principais reivindicações dos moradores da região é o pagamento das indenizações pelas terras, e os problemas causados pela inviabilidade de construção de novos empreendimentos e dificuldades de acesso a linhas de crédito, por ser uma região protegida legalmente.

Atos estão marcados nos cinco estados do Brasil para esta sexta-feira (20), sendo que a cidade de Ponta Grossa também tem programação prevista

As atividades do movimento Fridays for Future -  Greve pelo Clima têm início nesta sexta-feira (20) e seguem até a próxima terça-feira (24), em Ponta Grossa. O protesto, que teve início em 2018 na Suécia e se espalhou pelo mundo, busca conscientizar a população sobre a crise climática.

Em oito meses quase 300 novos agrotóxicos foram liberados pelo presidente da república, grande parte proibidos em diversos países

Desde o início do mandato, em janeiro de 2019, o presidente da República, Jair Bolsonaro, liberou de cerca de 290 agrotóxicos, com princípios ativos classificados como tóxicos e extremamente tóxicos pela ANVISA, a maioria deles proibidos na União Europeia. Alguns desses princípios ativos são vendidos e usados nas plantações de Ponta Grossa. Em Ponta Grossa, um debate foi realizado pela campanha, no dia 15 de agosto, com a presença de professores, especialistas e agricultores, que debateram sobre o uso e os perigos dos agrotóxicos.

Em 3 anos, Ponta Grossa comercializou cerca de 4.423,1 toneladas de agrotóxicos. Foto: Kauana Neitzel

O Brasil é o país que mais consome agrotóxico do mundo. O Paraná é o terceiro maior consumidor de agrotóxicos do Brasil. De acordo com dados, disponíveis na internet, da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR), presentes no Plano de Vigilância e Atenção à Saúde de Populações Expostas aos Agrotóxicos do Estado do Paraná, a quantidade de agrotóxico comercializado nos anos de 2014 a 2017 em Ponta Grossa é cerca de 4.423,1 toneladas. No estado, aproximadamente 382.750 toneladas.

Professor de agronomia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Carlos Hugo Rocha, afirma que a maioria dos alimentos produzidos em larga escala pelas grandes empresas do agronegócio são contaminados. “No Brasil, desenvolvemos uma agricultura fundamentada no eixo de fertilizantes e no uso desenfreado de agrotóxicos”, explica. De acordo com o professor a cada três alimentos dois têm contaminação total ou possui resíduos de produtos químicos. “O sistema que temos favorece isso, portanto o alimento que chega na mesa do brasileiro está contaminado”.

“Até a água que chega nas cidades está contaminada com agrotóxicos encontrados nas lavouras”, afirma Rocha. Uma investigação realizada pelo veículo Repórter Brasil, junto com a Public Eye e Agência Pública, com dados do Ministério da Saúde, mostra que a cada grande parte dos municípios brasileiros possuem um “coquetel” de agrotóxicos na água. Em Ponta Grossa foram detectados 27 tipos de agrotóxicos na água, entre 2014 e 2017, 11 deles associados a doenças crônicas, como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos. 

Os riscos do uso dos defensivos não é somente no consumo, mas em todo o processo de manuseamento e aplicação. “Os agrotóxicos têm a função primária de controlar as populações de plantas, animais e micro-organismos que irão diminuir a produção agrícola, contudo, essa toxidade não é totalmente seletiva, o que pode causar a morte em seres humanos”, explica o Professor Doutor Marcos Pileggi, do Departamento de Biologia Estrutural, Molecular e Genética da UEPG. 

Pileggi ressalta outro risco, a contaminação à longo prazo do ecossistema. “Boa parte dos agrotóxicos não atingem seus alvos e podem contaminar rios, lagos e lençóis freáticos”, analisa. “Agrotóxicos têm a função primária de controlar as populações que irão diminuir a produção agrícola, porém a toxicidade não é seletiva, podendo prejudicar seres humanos”.

Segundo o dossiê feito pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), disponível na internet, em 2015, existem confirmações que certas doenças são causadas pelos agrotóxicos, como por exemplo endometriose, má formação fetal, doença de Parkinson, distúrbios hormonais diversos (nas glândulas hipófise, tireoide, suprarrenais, mamas, ovários e testículos), entre outros. 

As campanhas voltadas contra o uso do agrotóxico apoiam e defendem a agroecologia, como um dos caminhos para o fim do uso dos agrotóxicos. Para Pileggi o agronegócio está totalmente dependente dos agrotóxicos mas é preciso buscar outros caminhos. “A busca de alternativas para diminuir os efeitos tóxicos destes produtos é uma tarefa essencial para a preservação da saúde de plantas e animais, incluindo os humanos”, afirma.

Visando combater o uso dos agrotóxicos organizações estão promovendo campanhas em nível nacional para conscientizar a população. A campanha Viva Sem Veneno, é um exemplo. Criada em novembro de 2017 promove conversas em todo o país sobre os perigos do uso dos defensivos agrícolas. Segundo a campanha, cada pessoa consome cerca de 7,3 litros de agrotóxico todo ano. 

Ficha Técnica:

Reportagem:
 Emanuelle Salatini
Supervisão: Angela Aguiar, Fernanda Cavassana, Rafael Kondlastsch, Ben-Hur Demeneck
Foto: Kauana Neitzel
Edição: Alunos do 2° ano de Jornalismo, Raylane Martins e Gabriella de Barros

Ausência do uso de equipamentos de segurança figura entre os problemas

Perigos e riscos de acidentes ocorrem por falta de treinamento e orientação | Foto: Cássio Murilo

Armazéns de grãos têm ganhado destaque entre os acidentes envolvendo o meio rural. Apesar de pouco divulgado, os números indicam a falta de atenção com relação à segurança dos trabalhadores. O Ministério da Previdência Social considera que o número de acidentes em armazéns de grãos como os silos não expressam a realidade. Isso devido ao fato de que muitos trabalhadores não fazem o registro. Além disso, o Ministério não possui dados específicos sobre acidentes em silos, os fatos são registrados na descrição “armazéns gerais”, que contemplam os silos.