Meio ambiente

Foto: Mirna Bazzi

Operado irregularmente há anos, aterro do Botuquara extrapola capacidade de uso e incomoda comunidade do entorno

Em uma pequena propriedade na região próxima a Itaiacoca, um cachorrinho late e chama a atenção de sua dona, que aparece logo em seguida. Antonilda Volski limpava a casa e não se importou com o barro dos sapatos dos visitantes. "Não faz mal, comecei a limpar agora", tranquilizou Nilda, como é conhecida na comunidade. Viúva há seis meses, cria uma filha de oito anos, animais e é agricultora. Além de lidar com as tarefas do plantio, da casa e de mãe, a maior preocupação é a montanha de lixo que é depositada a céu aberto, a 200 metros de seu quintal.


Para sobreviver, dona Nilda vende os alimentos que planta ao Município e ao Estado, assim como outros produtores rurais da região. O problema é que o poço usado para irrigar a plantação e manter os peixes vivos fica próximo ao aterro do Botuquara. Quando chove, o chorume chega a transbordar e escorre por um córrego que passa ao lado do poço e chega às redondezas do pré-assentamento Emiliano Zapata, uma comunidade de produtores rurais ligada ao Movimento Sem Terra (MST). Por enquanto, não há indícios de contaminação desses alimentos. Mas o lixo continua despejado a céu aberto. "Como podemos vender nossos produtos para Prefeitura, para as escolas, para o Estado e para o banco de alimentos? Será que o prefeito não vê isso?”, indaga a agricultora.


A polêmica em torno do aterro do Botuquara nunca deu passos largos rumo a uma solução. O depósito de resíduos foi implantado na década de 1960 de forma inadequada – como lixão a céu aberto – na área de preservação ambiental da Escarpa Devoniana, e opera em condições precárias, além de afetar principalmente a vida daqueles que vivem naquela região. Em março deste ano, a Prefeitura de Ponta Grossa recebeu denúncias da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que envolvem desde a má gestão do aterro até um contrato firmado irregularmente com a Ponta Grossa Ambiental (PGA) – empresa responsável pelo despejo de lixo.


Foto: Thaiz Rubik

Aconteceu na sexta-feira (11), no Centro de Convivência da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Ponta Grossa, debate sobre a proposta de redução da Área de Proteção Ambiental da Escarpa Devoniana. O encontro contou com a palestra dos professores Gilson Burigo e Carlos Hugo Rocha, ambos da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). O deputado estadual Péricles Holleben de Mello (PT) também esteve presente e falou sobre o papel da Área de Proteção Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana para a sociedade.

Carrinheiros se recusam em trabalhar para associações pela atividade não ser lucrativa com intermediários

A Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis da Nova Rússia (ACAMARU) conta com uma equipe de 19 catadores.

A nova coleta seletiva de Ponta Grossa, implantada em março de 2016, não abrange nem metade dos bairros do município. A explicação dada pela prefeitura é de que não há agentes ambientais o suficiente. Apenas os bairros Centro, Jardim Carvalho, Vila Liane, Jardim América e Vila Estrela são atendidos com coleta de porta em porta. Os materiais recolhidos são levados para as associações de catadores de material reciclável, ac, a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Oficinas (ACAMARO), a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Uvaranas (ACAMARUVA) e a Associação dos Recicladores Rei do Pet (ARREP).

Antes da Conferência, o professor de Geociências, Gilson Guimarães, conversou com alunos do curso de Jornalismo sobre questões relacionadas ao meio ambiente

Na conferência das cidades o eixo de Meio ambiente teve 23 participantes, entre representantes da Sanepar, Prefeitura Municipal de Ponta Grossa, estudantes Faculdades Ponta Grossa, APAC, UEPG, Fórum das Águas dos Campos Gerais e Geógrafos da região.