Estudantes do curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) promovem, de 6 a 10 de agosto, a Semana de Integração e Resistência, no campus central. Organizado pelo Centro Acadêmico João do Rio (Cajor), o evento está na 13ª edição e tem palestras sobre temas de interesse dos alunos e que não são contemplados pelo currículo acadêmico.

 

 

O evento foi criado para lembrar a resistência dos estudantes em 2004, quando protestaram contra o governo do Estado. “A realidade é praticamente a mesma da época, ainda vivemos em uma universidade desmontada, por isso é importante relembrar do que aconteceu”, ressalta Gabriel Miguel Costa, membro da Diretoria de Integração do Cajor.

 

 

A semana é aberta a todos os cursos e à comunidade universitária. “Sempre foi difícil ver pessoas de outros cursos participando dos eventos, então decidimos abrir para toda a UEPG, para haver mais movimentação”, diz William Clarindo, membro da Diretoria de Cultura do centro acadêmico. Nesta edição, a semana conta com a participação de alunos dos cursos de Letras e Artes nas mesas de debate.

 

 

Conforme a organização, a ideia é tratar um assunto por dia da semana. As palestras acontecem a partir das 9h e na segunda e na sexta, acontecem no Grande Auditório. Nos outros dias, acontecem no Portal Telemidiático, sala A17 do campus central. Na segunda-feira, convidados discutirão o cenário de música independente. Na terça, o tema é feminismo e gênero. Na quarta, o evento discute a questão ambiental, produtos orgânicos e agrotóxicos, com convidados do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Na quinta, a programação é voltada para cultura. Já na sexta, o evento culmina com a palestra "Partidarização da justiça: o caso Lula", com o professor doutor Marcos Danhoni Neves.

 

 

Outras informações podem ser encontradas na página do Cajor no facebook.

O curso de Bacharelado em História foi suspenso do vestibular e passa por reformulação desde 2017, um ano após a abertura do curso de Matemática Aplicada

 

 

Existem atualmente 40 cursos presenciais de graduação na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Para um curso ser aberto, o departamento responsável deve realocar professores de modo que não exista um custo para a universidade, como foi o caso do curso de Bacharelado em Matemática Aplicada. Para que o curso de bacharelado fosse inaugurado, foi necessário eliminar o período integral da Licenciatura em Matemática devido à falta de docentes. A inauguração de um curso é um processo que envolve o departamento, o colegiado, os setores da universidade e os conselhos institucionais. O último curso a ser aberto com contratação de novos docentes na UEPG foi o Bacharelado em Educação Física, em 2008.

 

 

Desde o ano passado, a universidade está realizando a reformulação do curso de Bacharelado em História, cuja oferta foi suspensa dos dois últimos vestibulares, sem previsão de volta. O professor e coordenador do Bacharelado em História, José Roberto Galdino, conta que a reformulação do currículo é certa, mas existe uma comissão responsável por decidir como o processo acontecerá, formada, majoritariamente, por professores do curso de Licenciatura em História. Recentemente, Galdino montou uma segunda comissão, desta vez em nome do Bacharelado, para garantir a volta do curso ao catálogo da UEPG.

 

 

Bacharelado em História

 

 

Em 2017 foi criada uma comissão para definir o novo formato dos currículos dos cursos de Licenciatura e Bacharelado em História. Além das reformulações de currículo serem algo comum nos cursos universitários, principalmente naqueles com um período de longa duração, o Departamento de História estava com um baixo número de professores (19 profissionais efetivos), que precisavam se dividir entre os dois cursos presenciais, a modalidade a distância e a pós graduação; uma carga que ultrapassa as 20 horas semanais propostas pela Resolução nº 021, de 9/12/2013. A partir de uma votação, optou-se primeiramente pela suspensão do curso de Bacharelado em História dos vestibulares da UEPG, até que os currículos fossem reformulados. “A proposta votada foi a de retirar a oferta do curso temporariamente dos vestibulares; depois disso ser aprovado tentou-se votar a extinção do curso de bacharelado, mas isso não foi aprovado”, conta o professor José Roberto Galdino, coordenador do curso. “Eu fiz parte da comissão que votou a favor da reformulação, mas desde que vi a proposta de extinção percebi que era uma comissão a favor do curso de licenciatura e não dos dois cursos, por isso estou criando uma comissão para lutar pelo bacharelado”, completa Galdino. Segundo a comissão, um dos principais motivos para a permanência do Bacharelado é o engajamento dos alunos que já o compõe com as disciplinas exclusivas do curso.

 

 

Os acadêmicos do Bacharelado em História foram convocados para uma reunião ampliada do colegiado para compreender melhor a situação, na qual todos foram contra a continuidade da suspensão e uma possível extinção do curso. “Nós fomos contra por conta da função do Bacharel que é de pesquisar, contribuindo tanto no meio acadêmico como na função de historiador”, ressalta a estudante do segundo ano do Bacharelado, Amanda Ribeiro Vitor de Souza. Amanda reforça que os alunos reconhecem que o currículo deve ser modificado e melhorado, mas de forma nenhuma deve ser extinto. “Levando em conta também a atual situação do país que é de sucateamento do ensino público, acredito que devemos lutar pela permanência do curso e pelo ensino público de qualidade”, finaliza a estudante.

 

 

O Bacharelado em História contabiliza 60 alunos (apenas cinco na turma do primeiro ano, já que o curso não foi ofertado no vestibular), enquanto a licenciatura possui 130 no total. No último vestibular em que foi ofertado (verão de 2016), a concorrência foi de 2,7 candidatos por vaga; na Licenciatura, este número era de 14 por vaga. Nos dois vestibulares em que não houve oferta do Bacharelado em 2017, a concorrência da Licenciatura diminuiu, sendo de 12 candidatos por vaga no inverno e oito no verão.

 

 

O professor Cláudio Dias, que lecionou no curso de Bacharelado até 2017, pontua que percebeu muitas desistências e desmotivação por parte dos alunos, o que foi mais um fator para a reformulação do currículo. Ele também comentou a importância do historiador, já que a profissão ainda não é regulamentada. “Seria contraditório fechar o curso de Bacharelado em História, tendo em vista que o nosso departamento assim como a maioria dos departamentos do Brasil luta pela regulamentação da profissão, que infelizmente ainda não é reconhecida”, explica o professor.

 

 

Para o coordenador José Roberto Galdino, um único curso que formasse profissionais capazes de atuar tanto como bacharéis como licenciados, assim como acontece na maioria das Universidades Federais brasileiras, seria uma boa opção, mas não é o que está fazendo a atual comissão de reformulação, que não engloba disciplinas específicas do bacharelado. “Na UEPG, os cursos sempre foram separados, já tentamos aprovar currículos que formassem ao mesmo tempo historiadores e professores, mas isso sempre é barrado nas instâncias da própria Universidade, ainda que digam que isso é uma demanda Federal, o que não é verdade”, afirma o coordenador.

 

 

De acordo com o pró-reitor Miguel Archanjo de Freitas Junior, unificar cursos de Licenciatura e Bacharelado prejudica o desempenho de ambos os cursos, pela terminalidade própria de cada um, especialmente no Departamento de História. “Algumas disciplinas têm características similares, mas a nossa preocupação é manter as identidades dos cursos e aprimorar a atuação do Bacharel. A preocupação sempre foi também de que a licenciatura não fosse um apêndice do bacharelado”, explica o pró-reitor. Apesar de ser um modelo histórico, segundo Arcanjo não é mais possível unificar cursos de bacharelado e licenciatura (modelo 3+1) desde uma resolução aprovada pelo MEC que entende como distintas a formação de professores e pesquisadores.

 

 

Bacharelado em Matemática Aplicada

 

 

O curso de Bacharelado em Matemática Aplicada foi inaugurado no início de 2016 e demanda conhecimentos mais específicos da disciplina do que a Licenciatura. O coordenador do curso Giuliano La Guardia, explica que a implementação do Bacharelado foi pensada na perspectiva da carreira acadêmica. O professor explica a área de atuação do Bacharel em Matemática, que pode atuar principalmente como pesquisador científico, mas também com a matemática aplicada em bancos e empresas. “A longo prazo, nós visamos abrir um curso de mestrado e de doutorado formados pelos alunos do Bacharelado”, comenta La Guardia. Ela aponta também a importância do crescimento vertical do Departamento de Matemática e Estatística (DEMAT), a fim de aumentar a contrapartida da universidade em relação aos cursos. “Nós ganharíamos mais recursos como extensão do espaço físico e aquisição de livros, que melhoraria, também, o curso de Licenciatura”, afirma o professor. Segundo ele, a estrutura do departamento está defasada, especialmente nos laboratórios. Ele relata que há computadores quebrados e com programas desatualizados, o que impossibilita seu uso. Ele ainda denuncia que houve um pedido de livros para o curso feito em 2016, que ainda não foi atendido.

 

 

Ao ser criado o novo curso, o curso de Licenciatura em Matemática deixou de ser em período integral como medida para remanejamento de professores, mantendo somente o período noturno. “A Universidade entendeu bem a criação do curso. Não houve ônus para a instituição, como contratação de professores, até porque, caso contrário, o curso não seria aprovado”, relata Giuliano. O processo de criação do currículo levou cerca de dois anos e meio e a comissão responsável era composta por sete docentes, chefiada pelos professores Marciano Pereira e Marcos Calçada.

 

 

De acordo com o pró-reitor de graduação Miguel Archanjo, houve investimento em laboratórios e bibliotecas que também serão utilizados pela Licenciatura, um tipo de custo corriqueiro para a universidade. “Nossa maior dificuldade perante o governo é a criação de novas vagas de recursos humanos, ou seja, a contratação de profissionais”, relata.

 

 

No último vestibular em que foi ofertado (verão de 2015), o curso de Licenciatura em Matemática integral teve a concorrência de 1,8 candidato por vaga. O curso de Bacharelado em Matemática, por sua vez, teve 0,8 candidatos/vaga no último vestibular da instituição (verão de 2017) e atualmente possui 12 alunos matriculados, sendo 10 no primeiro ano do curso e dois no segundo. Houve também um total de 25 vagas remanescentes ofertadas no último vestibular. O DEMAT tem oito professores efetivos e todos são pesquisadores de área.

 

 

O coordenador acredita que um dos motivos da baixa procura do curso de Bacharelado em Matemática nos vestibulares é a pouca divulgação por parte da UEPG. “Nós do departamento estamos nos mobilizando através de folders, cartazes, divulgação nos eventos em que participamos, fomos ao núcleo de educação para que a existência do curso chegasse a todos os colégios de Ponta Grossa para conseguir o maior número de acadêmicos possíveis, e a universidade não nos auxilia nisso”, conta Giuliano. A pró-reitoria de graduação afirma que a divulgação é a mesma para todos os cursos da instituição, através da propaganda do vestibular. “Não houve pedido formal para que divulgássemos o curso, e, por mais que tivesse, isto não cabe à Reitoria”, comenta o pró-reitor Miguel Archanjo. Ele explica que esta é uma responsabilidade da Coordenadoria de Processos de Seleção (CPS), que não é mais vinculada à pró-reitoria.

 

 

Situação atual da instituição

 

 

Desde 2000, 16 cursos foram inaugurados e cinco encerrados na UEPG. Outros, passaram por reformulação de currículo, conforme o infográfico abaixo:

 

 

 

 

 

Há quatro projetos para a abertura de novos cursos para a universidade esperando aprovação do governo estadual. Os cursos de Arquitetura, Física Médica, Psicologia e Filosofia devem ser implementados, mas ainda não existe previsão. A abertura de um novo curso geralmente parte de um departamento já existente, de onde se cria um projeto pedagógico e previsão dos recursos necessários. Em seguida, o projeto é apresentado ao setor correspondente, ao conselho administrativo e ao Centro Estadual de Educação Profissional de Ponta Grossa (CEEP-PG). Desde que o projeto seja executável, não há critérios específicos para a aprovação do currículo pela CEEP, mas, na prática, o custo (laboratórios, livros, contratação de servidores e espaço físico) é o fator determinante.

O Ciclo Comemorativo 50 anos de maio de 68 realiza, na noite desta terça-feira, 26/06, a palestra “Fotografia de Resistência: imagens em defesa dos direitos humanos” com o fotógrafo João Roberto Ripper antes do encerramento do evento (27). A palestra acontece às 19h na sala A17 do Campus Central da UEPG. Ripper faz uma fala sobre seu trabalho e comenta as fotografias. O trabalho tem inspiração e referência no fotojornalismo de direitos humanos, dialogando com relações dos movimentos que marcaram o maio de 1968. O projeto de extensão Lente Quente, do curso de Jornalismo da UEPG, realiza o evento com apoio da Fundação Municipal de Cultura, do Mestrado em Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da UEPG.

 


João Roberto Ripper é uma das referências nacionais na luta pela profissionalização do fotojornalista e direito de créditos nas imagens. O fotógrafo começou a carreira nos anos 1970 e, desde o início, utiliza a fotografia para denunciar as injustiças sociais registradas no país. Ripper teve o trabalho reconhecido nos anos 1980, a partir da cobertura do movimento ‘Diretas Já’, com foco em expressões dos direitos humanos, fotografando para mostrar situações de desigualdade onde se destaca a denúncia da violência sofrida pela população rural do Brasil.

 


Organizador do evento, Rafael Schoenherr, explica que o fotojornalista preza pela aproximação da realidade e valoriza a sensibilidade da luz no trabalho profissional. O trabalho que o fotojornalista apresenta em Ponta Grossa foca em trabalhadores urbanos e ribeirinhos. “É fácil precarizar uma população que já é vista como precária. Fazer o inverso, valorizá-los, requer grande habilidade”, avalia Schoenherr sobre as fotos da apresentação da noite. O organizador destaca a importância de retratar a realidade da população. “A proximidade do fotógrafo em relação a uma população tão vasta no país, mas com pouquíssima visibilidade, revela a essência de um trabalho profissional”, diz.

 


Membro da equipe de organização, o estudante Gabriel Miguel fala da importância de Ripper estar presente em um evento sobre os movimentos que marcaram o maio de 68. “Ele registra as lutas sociais, denuncia as injustiças da Ditadura Militar, seu trabalho é fortemente ligado com isto”, diz. As redes sociais do projeto Lente Quente fazem uma transmissão ao vivo da palestra, pelo canal do Youtube (https://www.youtube.com/projetolentequente) e pela página do Facebook (https://pt-br.facebook.com/lentequente/).

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Pesquisadores da comunicação destacam a importância do professor José Marques de Melo, falecido na quarta-feira, dia 20 de junho, na defesa da área como conhecimento cientifico no Brasil. “Ele defendeu desde o inicio a importância do diploma, a liberdade de expressão e o estudo da comunicação”, relembra o mestrando Felipe Adam, ao destacar que o professor foi um vanguardista na área.

 

 

A jornalista e pesquisadora Karina Woitowicz, integrante do corpo docente do Departamento de Jornalismo na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), destaca que o professor matinha um vínculo com a instituição desde 2004, quando foi um dos palestrantes da Semana de Estudos em Comunicação na Universidade. “Ele sempre teve um compromisso de difundir as pesquisas nacionais na área”, conta a pesquisadora, que é uma das coordenadoras da Revista Internacional de Folkcomunicação, editada pela Agência de Jornalismo e Programa de Mestrado, que passou para a UEPG com a mediação do pesquisador.

 

 

Em 2010, Melo foi um dos convidados da I Jornada Beltraniana de Ciências da Comunicação, que homenageou o jornalista Luiz Beltrão, o qual José Marques de Melo possuía uma admiração. “Isto demostra o perfil do professor e uma preocupação em não deixar cair no esquecimento um dos principais pesquisadores brasileiros de comunicação”, avalia Karina. No mesmo evento, o pesquisador recebeu o título de Professor Emérito da UEPG, como forma de agradecimento às contribuições à Universidade.

 

 

O pesquisador também contribuiu com a biblioteca da Universidade, em 2015, através da doação de cerca de 300 títulos do acervo pessoal, das áreas de jornalismo e filosofia, para a instituição, como forma de colaboração ao Curso. Karina Woitowicz recorda que José Marques de Melo sempre criticou o fato de o conhecimento comunicacional ser colonizado por pensadores de fora do Brasil, defendendo e a realização e divulgação de pesquisas nacionais. Melo escreveu dezenas de livros na área de comunicação, além de orientador de centenas de trabalhos científicos na graduação, mestrado e doutorado no País.

A apresentação dos trabalhos começam na sexta (08) e se encerram no sábado(09) ao meio dia.