Universidade afirma não ter como apurar casos ocorridos no passado

 

“Mesmo podendo parecer só alguém querendo fazer amizades, ele não respeita nosso espaço" | Foto: Marcela Panzarini

 

A Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) lançou em 23 de maio a campanha “Assédios Plurais: discutindo o assédio e a importunação sexual no ambiente universitário". A iniciativa tem o intuito de acolher as vítimas. A UEPG é considerada a primeira entre as Universidades Estaduais a lançar uma campanha contra o assédio.
A PRAE ressalta que a campanha é um esforço para construir coletivamente o atendimento a estudantes alvos de práticas de assédio no ambiente universitário. “É dizer às vítimas que a instituição se importa com elas e reconhece que há um problema a ser enfrentado e, por outro lado, dizer a agressores que eles estão sendo observados e que a instituição não é conivente com esse tipo de atitude”.
A campanha tem o propósito de acolher tanto alunos, professores e funcionários que sofrem ou sofreram assédio dentro da universidade. “Estamos tratando em especial de assédio sexual, importunação sexual e assédio moral nas relações acadêmicas”, especifica.
A pró-reitora de Assuntos Estudantis, Ione Jovino, não acredita que a campanha irá incentivar alunos a denunciarem. “Pensamos primeiramente em iniciar uma cultura de acolhimento, na qual as pessoas que queiram denunciar ou relatar se sintam acolhidas. A ideia é enfrentar a questão, assumir uma postura de discussão e enfrentamento, criar mecanismos para ouvir”, relata.
A pró-reitora explica que, caso seja efeituada uma denúncia, ela pode ser seguida de abertura de inquérito ou processo administrativo, conforme o caso. “As sanções previstas não são específicas para assédio, mas vão desde suspensão, multa, até exoneração no caso de agressores serem funcionários ou professores. No caso de alunos, de suspensão a expulsão, também não há ainda nada específico sobre assédio”, explica.
Apesar da intensa campanha contra o assédio dentro da universidade, alunos, professores e funcionários reclamam do descaso nos casos já denunciados pela UEPG, em sua maioria arquivados, e dizem ter medo de denunciar, pois sabem que os possíveis casos continuarão impunes.
Aluna de Engenharia de Alimentos da UEPG, Aime Sprotte, conta que ela e outras amigas já sofreram assédio dentro do campus por parte de um estudante da Universidade. “Ele parava em frente a minha sala e ficava observando a mim e as meninas através da janelinha na porta. Um dia chegou a nos seguir até o terminal central, colado em nós durante todo o trajeto”, relata.
Cansada da situação, uma amiga de Sprotte decidiu protocolar processo na Universidade no início deste ano, mas a Instituição disse não poder fazer nada, pois alegou que o aluno sofre de problemas psicológicos, mas que está dando suporte para a família.
Sprotte diz não se sentir segura na mesma instituição que ele. “Mesmo podendo parecer só alguém querendo fazer amizades, ele não respeita nosso espaço, tem um olhar nojento e malicioso, aparentemente se faz de tonto e só vem atrás de nós quando não estamos acompanhadas de nenhum homem”.
Durante a produção desta reportagem, a própria repórter recebeu vários relatos de alunas e funcionárias que sofreram ou ainda sofrem assédio, tanto moral quanto sexual, dentro da universidade.
Segundo outra aluna que também não quis se identificar, o assédio na universidade já está institucionalizado. “Eu imagino que as pessoas envolvidas no projeto têm boas intenções, mas são barreiras muito pesadas para conseguir ultrapassar”, afirma.
Presidente do Diretório Central dos Estudante (DCE), Iniwara Kurovski, afirma que eles recebem denúncias de alunos que sofreram assédio dentro da universidade, principalmente de alunas, segundo ela. Kurovski conta que ao receber a denúncia, eles encaminham para a UEPG para iniciar um processo administrativo, que muitas vezes não dão em nada. “Eles não lidam da melhor forma possível, e obviamente protegem muita gente, é aquela coisa de hierarquia, infelizmente”.
A presidente afirma que o DCE tem tentado ajudar como pode para diminuir os casos de assédio na universidade. “Tentamos enfatizar essa questão fazendo campanha, postando coisas na nossa página, conversando com os alunos, mas ainda falta muito pra fazer, e não está sendo muito efetivo, porque é muito difícil atingir todo mundo”.
Presidente do SINDUEPG, Marcelo Ubiali, diz que é dever da universidade se preocupar com o assédio. “Se um professor usa da relação hierárquica de poder para constranger, impor situações ou atitudes, não pode ser ignorado. A instituição tem o dever de responsabilizar o agressor”, finaliza.
A Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis, que é quem lida com os casos de assédio que ocorrem dentro da universidade, afirma não ter nada a dizer sobre os processos que já foram encerrados. “Poderei dizer se algum processo ainda estiver tramitando e a PRAE for solicitada a dar algum parecer ou alguma ação, no caso de envolver alunas e alunas como vítimas e/ou agressores”.

Para saber mais sobre o assédio dentro da Universidade acesse o link: https://www.youtube.com/watch?v=i8wkaildG8w

Ficha Técnica

Reportagem: Isabela Gobbo
Edição: Natália Barbosa
Supervisão: Angela Aguiar, Ben-Hur Demeneck, Fernanda Cavassana, Hebe Gonçalves e Renata Caleffi

Além da adesão à paralisação contra a reforma da previdência, assembleias do SindUEPG e do Sintespo discutiram a realização de greve por tempo indeterminado

Na tarde desta sexta-feira (07), o Sindicato dos Professores da UEPG (SindUEPG) e o Sindicato dos Técnicos e Professores da UEPG (Sintespo) realizaram assembleias onde foi aprovada a paralisação das atividades para adesão à Greve Geral que acontece em todo o país na próxima sexta-feira (14). A Greve Geral é convocada por centrais sindicais em protesto contra a reforma da previdência em trâmite na Câmara de Deputados.

Professores aprovam adesão à Greve Geral de 14 junho  em assembleia do SindUEPG. Foto: David Candido. 

A CAPES decidiu congelar bolsas dos cursos avaliados com notas 3 e 4 na avaliação trienal de 2013. Mais informações com a repórter Erica Fernanda:

Ficha técnica:

Reportagem: Erica Fernanda
Edição: Fabiana Manganotti
Professoras responsáveis: Angela Aguiar, Fernanda Cavassana e Paula Melani.

 

Palestra sobre mídia independente com Melina Santos e Rogerio Galindo, do Plural. Foto: Hellen Scheidt

Nesta segunda-feira, 27, começou a 14° Semana da Integração e Resistência – Marginais da Mídia organizada pelo Centro Acadêmico João do Rio (CAJOR), do curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Os jornalistas Rogerio Galindo e Melina Santos iniciaram a semana de palestras com uma conversa sobre Jornalismo Independente.

Na abertura o jornalista Rogerio Galindo, que foi demitido da Gazeta do Povo, em 2018, jornal em que cobria política, devido a oposição à linha editorial e à valorização da pluralidade. Hoje em dia, o jornalista é um dos sócios-fundadores do jornal independente Plural, juntamente com outros jornalistas e colaboradores como Benett, Mauricio Ramos e Rosiane Correia de Freitas.

Ao longo da semana, a programação segue com palestras todas as manhãs e oficinas à tarde, exceto na quinta-feira, 30, devido a segunda paralisação nacional em defesa da educação. Na terça-feira, o chargista da Folha de São Paulo, Benett, ministra a palestra “Charges, Quadrinhos e Resistência”, às 9h. Em seguida, às 14h começa a oficina de charges com o estudante de Jornalismo da UEPG Gabriel Miguel Costa. Na quarta-feira, a oficina de Midiativismo, com Georgia Prates, às 13h30, antecede a palestra sobre Fotojornalismo e Movimentos Sociais, às 17h, ministrada por Tuana Fernandes, Farpa Foto, Georgia Prates e Plural Jor. Na sexta-feira, encerrando a Semana de Integração e Resistência, Denise Kelmes (Produtora Harver Filmes) e Guto Pasko (Diretor de Iván, Entre Nós, O Estranho).

Alberto Benett, chargista da Folha de São Paulo. Foto: Arieta de Almeida.

 

Ficha técnica:

Produção: Bruna Kosmenko
Fotos: Arieta de Almeida e Hellen Scheidt
Supervisão: Professoras Angela Aguiar, Fernanda Cavassana e Manoel Moabis

 

Na última segunda-feira (29) servidores da rede Estadual paralisaram as atividades em diversas cidades do Paraná. Na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) as reivindicações estão entre o pagamento da data-base referente às perdas da inflação, que somam 16,24% desde 2016; defesa da carreira docente; autonomia da universidade e contra a reforma da previdência. “Nós estamos lembrando os quatro anos do massacre do Centro Cívico, a mobilização estadual pela reposição dos 16,24% e também contra a reforma da previdência do Governo Federal”, explica Marcelo Ubiali Ferracioli, presidente do Sinduepg.


Durante todo o dia 29, no campus Central e de Uvaranas da UEPG,  integrantes do Sinduepg distribuíram panfletos e conversaram com os estudantes e professores que não aderiram à paralisação. A comunidade docente de todo o Estado luta pelo pagamento da data-base que o Governo do Paraná não repõe há 40 meses. “Isso não significa uma reivindicação por aumento de salário, pelo contrário, nós apenas estamos exigindo o nosso direito do reajuste inflacionário”, reforça a vice-presidente do Sinduepg, Carina Alves da Silva Darcoleto.

A paralisação do dia 29 de abril foi aprovada em assembleia promovida pelo Sinduepg no último dia 23.

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Distribuição de panfletos na parte externa da UEPG
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Professores distribuem panfletos para a comunidade acadêmica
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Ação contribui para a memória e conscientização do 29 de abril
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Professora distribuindo panfleto contra a reforma da previdência
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Participação de alunos e professores
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Café comunitário
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Alunos também aderem a paralisação
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Professores explicam as reivindicações
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Panfletagem aconteceu também dentro das salas de aula
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Professor mostra os artefatos utilizados pela polícia em 2015
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Alunos também ajudaram na distribuição de panfletos dentro de sala de aula
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Ficha técnica
Reportagem: Veridiane Parize
Edição: Nadine Sansana, Natália Barbosa, Thailan de Pauli Jaros, Thaiz Rubik
Foto: Veridiane Parize
Supervisão: Professoras Angela Aguiar e Fernanda Cavassana