Área é a mais atingida em PG com 88% dos estabelecimentos fechados

 

Desde o início da pandemia, os trabalhadores do setor de eventos vivem na incerteza e na dúvida de quando poderão retomar as atividades. Os poucos clientes que surgiram nesta época não foram suficientes para evitar a crise econômica e os prejuízos causados por cancelamentos e atrasos em todas as partes. Essa área era responsável por mobilizar, anualmente, 250 bilhões de reais de atividades corporativas e 17 bilhões de reais de atividades sociais. No entanto, a situação financeira atual é uma das dificuldades da maioria das empresas, chamando a atenção de informantes do setor e daqueles que contratam esses serviços.

Em Ponta Grossa, de acordo com os dados levantados pelo Ponta Grossa Campos Gerais Convention & Visitors Bureau (PGGCG CVB), em 2020, os prejuízos com os eventos cancelados chegaram a cerca de R$ 300 mil. No Paraná, somando Curitiba, Cascavel, Londrina e PG, os valores chegam, aproximadamente, em R$ 922 mil.

Segundo os Estudos elaborados pelas Câmaras Técnicas do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Ponta Grossa, com 80% ou mais de queda do seu faturamento, encontram-se todos os estabelecimentos da área de Eventos e de Turismo/Hotelaria/Atrativos e comércio atacadista. Soma-se a essas, as áreas de Transporte de Pessoas, Gastronomia/Bares/Restaurantes, as quais tiveram mais de 60% dos seus estabelecimentos com queda acentuada da receita.

Na média, a área de Eventos perdeu 97% do seu faturamento, seguido do Turismo/Hotelaria/Atrativos (83%), Transportes de Pessoas (80%), Comércio Atacadista (80%), Academia (75%), Gastronomia/Bares/Restaurantes (71%). Portanto, essas áreas foram as mais atingidas, em termos de faturamento pelo distanciamento social.

 

 

Em todo país, antes dos adiamentos e cancelamentos de eventos, devido a pandemia, o setor gerava 8 milhões de postos de trabalho que, infelizmente, deram lugar a um número expressivo de desempregados. Segundo o levantamento realizado pela Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape), indica que 335.435 empregos formais foram perdidos no setor e que o número pode ser maior, se considerar os empregos indiretos, chegando em 450 mil. Em Ponta Grossa, não existe um dado concreto do número de desempregados neste setor.

Lauro Ferreira é um dos donos de uma empresa de organização de eventos e cerimonial. Para ele, o fator crucial, que contribuiu para a crise no setor, foi a falta de respaldo do governo. ‘’ Para as empresas do setor, isso começa a complicar muito, porque agora elas não têm o que fazer. Às vezes, a empresa nem tem caixa para continuar suas atividades. Por mais de um ano, você não tem nada no bolso, a situação está difícil’’, relata Ferreira.

A estratégia encontrada foi manter a situação financeira da empresa em dia e sobreviver com o dinheiro economizado. As vendas do ano passado caíram significativamente e os cancelamentos tornaram-se frequentes: ‘’ Vendemos e organizamos poucas festas neste ano. Especialmente devido à incerteza do mercado de eventos de hoje, os clientes têm medo de fechar negócio. Muitos aproveitam para iniciar um planejamento para 2022 e 2023, mas isto não ajuda na questão financeira’’, enfatiza.

Cancelamentos

Durante este período, desde o início da pandemia, alguns eventos já haviam sido agendados para o ano todo, mas os cancelamentos começaram a acontecer.

‘’ Muitas pessoas começaram a cancelar eventos. As atividades que podiam acomodar 100, 200 pessoas foram reduzidas para 20,30. No ano passado, fechei um evento para março deste ano, mas não pode acontecer devido às medidas restritivas na cidade’’.

O empresário, que atende casamentos, formaturas e jantares, relata que perdeu um dinheiro imensurável nos primeiros meses de 2020, em decorrência dos cancelamentos: ‘’ Nosso setor depende de contratos, sendo uma área que não é movida apenas pela nossa força de vontade, mas sim, das pessoas quererem contratar e agora, principalmente, da nossa atividade poder ser realizada, está ficando cada vez mais complicado.’’

Com 53 anos e mais de duas décadas de experiência no ramo, o garçom Carlos Eduardo, trabalhava em diversos eventos na cidade. A demanda surgia em shows, casas noturnas, restaurantes, casamentos, entre outros. Com a pandemia, as oportunidades de empregos diminuíram, junto com a renda do experiente garçom. ‘’ Mais da metade da minha renda foi perdida após a paralisação dos eventos. Eu conseguia trabalhar de domingo a domingo, quando tinha oportunidade, nos mais variados ramos, dentro do setor de eventos e agora isso não existe mais’’, lamenta Carlos.

Com as oportunidades reduzidas, a busca por novas fontes de renda iniciou-se no primeiro semestre de 2020. ‘’ Nunca deixei de ficar parado e sempre busquei alguma forma de ter meu próprio dinheiro desde muito novo. Quando os eventos se paralisaram, encontrei na venda de espetinhos uma nova fonte de renda’’, diz.

Agora o microempreendedor, consegue auxiliar nas despesas da casa que vive com a esposa e com o filho, mas enfatiza que a luta diária para manter uma vida digna continua difícil. ‘’ Consigo pagar as contas da casa, por comida na mesa, mas meu emprego de antes, garantia uma renda maior e mais confortável para a minha família’’, disse.

Mesmo trabalhando na frente de casa, com o auxílio da esposa, Carlos mantém o desejo de retornar para a vida de garçom, quando os eventos retornarem. ‘’ Vender espetinho salvou minha vida e nunca esquecerei dessa fase que passei, mas mantenho a esperança de que todos recebam a vacina e que eu volte a praticar o que mais amo’’, relata.

Dificuldades

Trabalhando também nos mais variados segmentos dentro do setor de eventos, o segurança Pedro Henrique era contratado de duas empresas específicas para o trabalho durante a semana, aos sábados e domingos. Inesperadamente, aos 34 anos, Pedro deparou-se com uma situação que jamais esperava ao longo dos 10 anos de profissão.

‘’Conseguia trabalhar tranquilamente à noite em bares e restaurantes, durante a semana, e aos sábados e domingos era contratado para shows e eventos maiores, minha presença era carimbada como segurança nesses locais e de repente, tudo paralisou’’, relata.

Sendo funcionário de duas empresas, com carteira assinada e todos os benefícios garantidos, nos primeiros meses de pandemia o segurança conseguiu guardar algumas economias, mas depois disso, a realidade do desemprego foi escancarada. ‘’ Como funcionário, percebi que fizeram de tudo para que não houvesse demissões, mas como segurança, sem que pessoas frequentem os locais, não teria jeito de que me mantivessem empregado. Fui demitido há um ano e desde então não consegui me firmar em nenhum outro local’’, lamenta Pedro.

Desempregado, as buscas por uma nova fonte de renda foram as mais variadas. ‘’ Tentei em supermercados, lanchonetes, até busquei alguns segmentos que nem tenho tanta aptidão, mas em tempos de crise, a resposta que mais escutei foi ‘não’ ou ‘no momento não estamos contratando’’’.

Mesmo morando sozinho, as contas continuam chegando. A maneira que amenizou a crise na renda de Pedro, foi o auxílio emergencial disponibilizado pelo Governo Federal em abril do ano passado, mas não era o suficiente. ‘’ Com o auxílio, conseguia pagar algumas contas, amenizar o valor do aluguel, mas não era o suficiente. Consegui fazer alguns trabalhos temporários, ajeitando um chuveiro na vizinhança, ajustando o pneu do carro de um amigo ou outro, mas até agora, apenas serviços dessa maneira que não me deixaram passar fome’’.

O até então segurança, lamenta a falta de auxílio dos governos federais e municipais e faz um apelo para que os gestores invistam nas vacinas. ‘’ Está sendo o pior ano na vida de muitas pessoas que dependem dos eventos. Tudo isso irá passar com a chegada da vacina para todos, mas isto só depende dos governantes. Espero que todos enxerguem que só a vacina irá solucionar nossos problemas ou que pelo menos criem um novo plano de auxílio para quem precisa’’, enfatiza.

Segundo a Prefeitura Municipal de Ponta Grossa, no momento, ainda não existem programas específicos para os trabalhadores do setor de eventos. Entretanto, a administração municipal entende que parte do pacote de medidas anunciado na última semana vai contemplar trabalhadores deste segmento, como garçons, seguranças, entre outros, através do vale mercado.

O Vale-Mercado faz parte de um pacote de 10 medidas, da Prefeitura Municipal, denominado como Retoma PG, com ações na área econômica e social que visam beneficiar a população mais impactada socialmente pelos efeitos da covid-19, como empresários, microempreendedores individuais, desempregados, trabalhadores informais e ambulantes.

Dentro dessas medidas, o Vale-Mercado é esclarecido como um repasse de $ 150 em vale-compras para aquisição de produtos em unidades do Mercado da Família. Como forma de complemento às ações já desenvolvidas pela Fundação de Assistência Social – FASPG, e medidas de auxílio emergencial dispostas pelo Governo Federal, a administração municipal cria um programa temporário de Vale Mercado no valor de R$ 150,00 (cento e cinquenta reais) por família pelo prazo de 4 meses.

Auxílio Emergencial

Além da medida realizada pela Prefeitura Municipal de PG, o Governo Federal aprovou o auxílio emergencial 2021. A Caixa Econômica Federal (CEF) pagará um total de quatro parcelas iniciais, com o valor do benefício variando de acordo com a composição da família, entre $ 150, $ 250 e $ 375.

Os pagamentos iniciaram-se nesta semana e de acordo com o anúncio das medidas provisórias, o atendimento emergencial em 2021 será limitado a uma pessoa por família. Vale lembrar que, como no ano passado, o dinheiro pode ser repassado pelo app Caixa Tem.

A prorrogação do auxílio foi desmentida desde o início do ano pelo Governo, mas com o evidente atraso no plano de vacinação e o agravamento dos contágios pela COVID-19, a renovação do programa tornou-se indispensável para os lares brasileiros, principalmente daqueles mais vulneráveis, em todas as regiões do país.

 

Ficha Técnica:

Repórter: João Paulo Pacheco

Publicação: Mirella Mello

Supervisão: Vinicius Biazotti

 

União-PG foi criado em 2018 no bairro Dalabona.

 

Cleo Nascimento é a única gestora de um time amador de futebol em Ponta Grossa, o União-PG. Ela montou sua equipe por meio de um projeto social em 2018 que visa tirar meninos das ruas através de atividades recreativas. A ideia surgiu no bairro Dalabona, junto de sua mãe, Maria Jacira. Depois de três meses, a quantidade de participantes dobrou, o que possibilitou a criação do projeto e do time. Hoje participam 572 crianças e adolescentes.  

Cleo acredita que sua presença dentro de campo pode se tornar um exemplo, conseguindo encorajar ainda mais a participação feminina no esporte. “Eu acho um máximo ser essa figura para outras garotas. Amo ver mulheres em todas as áreas: no futebol, na política... É uma honra fazer parte disto”. A gestora julga importante todo tipo de representatividade de mulheres no cenário esportivo. O União PG aceita atletas homens e mulheres, porém não foi possível ainda a criação de um time feminino devido a pouca quantidade de jogadoras.

Foto Representatividade Futebol Tayná

Cleo Nascimento, presidente do União PG.  Foto: Tayná Lyra

Atualmente, existem coletivos em 16 estados com grupos de mulheres que buscam a igualdade nas arquibancadas. Apesar da mudança, Cleo afirma ainda enfrentar preconceito quando sua capacidade de gestar o time e seu conhecimento do esporte é posto à prova. “Eu não fico triste, eu fico revoltada. Você está ali para fazer o seu trabalho”, desabafa.

A dirigente acredita que as barreiras que ela enfrenta no futebol acontecem porque muitos julgam que o futebol é uma atividade  exclusivamente masculina. “É difícil porque sinto que temos que sempre provar que somos capazes. Talvez o homem não tenha essa necessidade. Ele pode não entender nada de futebol, mas a figura dele basta. Já a mulher pode estudar, pode acompanhar o esporte, mas ela sempre vai ser colocada em julgamento”. Ela diz não se abalar e usa as críticas como sua força para impulsionar a equipe. “Eles fazem valer e me representam. Minha representação maior é o suor, a garra e dedicação deles dentro de campo. O respeito aqui dentro é igual, pelos técnicos e por mim”.

Alex Ferreira, ex-atleta do Ituano e colaborador do projeto, diz que o União-PG só existe graças ao esforço e dedicação de Cleo. O técnico reafirma a importância de ter um exemplo para outras mulheres dentro do esporte. “Infelizmente o mundo do futebol é machista. Eles veem a mulher como se não entendesse nada de futebol. A Cleo, além de entender, faz um ótimo trabalho dentro e fora de campo. Tenho certeza de que a partir dela vão surgir outras mulheres à frente do futebol.”

Marlon Ferreira de Lima, jogador do União-PG desde 2018, afirma que ter uma presidenta é diferente, pois Cleo se mostra muito acessível aos meninos. “Ela sempre conversa com a gente, nos inclui nos assuntos da equipe, pede nossa opinião. Ela precisa da nossa ajuda”, relata o atleta. Em 2021, a equipe se prepara para competir no campeonato amador de Ponta Grossa pela segunda vez. Na primeira edição que participou, em 2020, o time perdeu a classificação para as quartas de final, marcando participação apenas na primeira fase do campeonato.

Ficha Técnica:

Repórter: Tayná Lyra 

Edição: Levi de Brito

Publicação: Teodoro Anjos

Supervisão: Rafael Kondlatsch, Marcos Zibordi e Kevin Kossar

Estudo de emprensa de consultoria de gestão global aponta que 20% das instituições brasileiras não possuem recursos para manter as atividades, e 87% pararam com as atividades durante a pandemia.

Ficha técnica:

Repórter: Lucas Ribeiro

Edição: Vinicius Sampaio

Publicação: Teodoro Anjos

Supervisão: Paula Melani Rocha

Somente em 2020, cerca de 13 milhões de pessoas ficaram desempregadas no Brasil. Confira mais informações na reportagem em áudio: 

Ficha Técnica:

Repórter: Helena Denck

Edição: Tamires Limurci

Publicação: Mirella Mello

Supervisão: Paula Melani Rocha

Com o desemprego em alta e a taxa de desocupação em 12,1% durante a pandemia no Paraná, famílias estão em situação vuneralidade social. Entidades intensificam ações no estado.