Aumentam as demandas nas vilas mais afastadas do bairro

O crescimento populacional no bairro Colônia Dona Luíza tem aumentado a demanda de serviços públicos no Colônia Dona Luíza, situadas após o Viaduto do Santa Maria. Composto por nove vilas, Santa Maria, Santa Marta, Jardim Ouro Verde, Santa Luíza, Santa Tereza, Santa Clara, Jardim Cerejeiras, Porto Seguro e Colinas Verdes, toda a região conta apenas com duas Unidades Básicas de Saúde (UBS) para atender toda a população nos postos Lauro Muller (Santa Maria) e Adão Ademar Andrade (Cerejeiras)

Pesquisa realizada por alunos do curso de Turismo da UEPG mostra que baixa no número de turistas está relacionado à falta de divulgação do local

Arenitos do Parque Vila Velha | Foto: Arquivo

Pesquisa de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do turismólogo João Pedro Maciel, defendido em outubro do ano passado na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), aponta queda de 82,5% no número de visitantes por ano no Parque Estadual de Vila Velha. A pesquisa aprofunda levantamento dos estudantes do 4º ano de Turismo de 2017, que então apontava somente 39% da população ponta-grossense como visitantes do local após a revitalização do Parque, realizada entre 2002 e 2004.
“Na pesquisa, a turismóloga me passou os dados que a média de visitantes que passavam pelo local. Antes da revitalização, era de 400 mil por ano. Hoje, a média é de 70 mil pessoas por ano”, afirma Maciel.
De acordo com a pesquisa, o desinteresse da população local está relacionado à pouca divulgação do Parque. Das 200 pessoas entrevistadas, 98, 5% afirma que deveria haver mais divulgação do local para gerar interesse na população. Essa constatação ilustra outro dado da pesquisa: das 162 pessoas que já visitaram o Parque pelo menos uma vez, apenas nove fizeram o trajeto até o local através do ônibus da Viação Campos Gerais (VCG), pela linha urbana Jardim Vila Velha e Vila Velha via Panorâmico. Ou seja, grande parte da população não tem conhecimento sobre a existência dessa linha de ônibus.
A auxiliar de cozinha Anelise Pereira afirma que nunca visitou o Parque e acredita que a falta de divulgação influencia no número de turistas que visitam o local. Porém a distância, é um fator que também atrapalha. “Falta divulgação, mas pra nós que dependemos de ônibus tem custo, então é difícil pelo dinheiro e por ser longe”, afirma.
O baixo número de visitantes após a revitalização do Parque demonstra que a maioria dos visitantes preferiam o local antes das mudanças. Com as reformas, houve a desativação do elevador que servia para a visitação das furnas, a proibição de churrascos dentro do Parque e controle do acesso às trilhas. A pesquisa indicou ainda que 92,5% das pessoas disseram achar importante a reativação do elevador para incentivar a volta dos turistas ao local.
A professora Maria de Lima já visitou o parque diversas vezes e considera que além da desativação do elevador, as regras estabelecidas pelo Governo do Estado também influenciaram na queda no número de turistas. “Já visitei o parque duas vezes com o elevador e ele tornava o passeio mais emocionante e interessante”, afirma. “As exigências do Governo do Estado, priorizando a preservação e o estudo geológico do parque e exigindo a presença de um guia em todas as visitas também contribuíram para essa queda”, completa a professora.
Atualmente o Parque Estadual de Vila Velha não tem um site próprio e sua divulgação limita-se à página no Facebook e ao site da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa. O valor da entrada é de R$ 28 para visitar todos os principais elementos do Parque (Arenitos, Furnas e Lagoa Dourada). A meia entrada tem o valor total de R$ 19 que equivale à metade do valor do ingresso dos Arenitos, R$ 10, e das Furnas e Lagoa Dourada, R$ 8. Entretanto, para o valor do guia, R$ 10, não existe meia entrada. Tem direito ao benefício estudantes, funcionários públicos, moradores de Ponta Grossa ou doadores de sangue, mediante comprovação. Crianças com menos de 6 anos são isentas de todas as taxas e pessoas com mais de 60 anos pagam apenas a taxa do guia, de R$ 10. O horário de funcionamento é de 8h30 até 15h30 nas sextas, sábados e domingos, com permanência permitida até 17h30.
A visitação do Parque durante os dias da semana (exceto nas terças-feiras, quando o Parque fecha para manutenção) é recomendada para grupos de 15 a 40 pessoas e necessita a presença de um guia turístico local. As visitas em grupo devem ser agendadas com no mínimo 10 dias de antecedência pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. A contratação do guia deve ser feita pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. O Parque proíbe a entrada de novos visitantes quando atinge 800 pessoas no local. O transporte até Vila Velha pode ser feito com carro próprio, ônibus da VCG, que faz a linha urbana Jardim Vila Velha e Vila Velha via Panorâmico, a partir do Terminal Oficinas, ou ônibus da Princesa dos Campos, que oferece dois horários de ida por dia, às 9h e 15h15, com valor de R$ 9, 68. Aos domingos, o primeiro horário de saída do ônibus é às 8h45. A empresa não oferece serviço de volta.

 

Ficha Técnica

Reportagem: Marcus Benedetti
Edição: Natália Barbosa
Supervisão: Angela Aguiar, Ben-Hur Demeneck, Fernanda Cavassana, Hebe Gonçalves e Renata Caleffi

lotação 18 06 2019

 

Alunos de instituições de educação superior com campi distantes do centro de Ponta Grossa enfrentam dificuldades de locomoção até seus destinos finais. Estudantes que dependem do transporte urbano para Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Centro de Ensino Superior dos Campos Gerais (Cescage) e Unicesumar enfrentam obstáculos todos os dias, que vão da falta de linha de ônibus, superlotação em horários de pico, pontos de espera em locais sem segurança com tempo de espera maior a 20 minutos.

Segundo o estudante da UTFPR, Luiz Henrique Fernandes Estevom, alguns ônibus não param quando capacidade de passageiros lotada. “Quando está em horários de pico, ele apenas passa direto e a temos que esperar outro”. Estevom ressalta que muitos estudantes, em vez de embarcarem no veículo no único ponto existente dentro do campus, caminham até o ponto fora da UTFPR, por falta de número de ônibus para os horários de término das aulas. “Muitos pegam ônibus fora da universidade por conta que não são a maioria que sobem e passam lá dentro”. O tempo de espera para o próximo veículo a partir da UFTPR para o Terminal Central é de 20 minutos. Já o trajeto leva mais de mais 20 minutos.

Em outros campi mais distantes do centro também não foi diferente. O transporte coletivo para o Cescage, no bairro de Olarias, é ainda mais precário para os estudantes. Para se chegar à faculdade de ônibus, a caminhada a partir do ponto mais próximo do campus leva cerca de 10 minutos em uma rua não asfaltada, com matagais à beira. O ônibus que faz o percurso até dentro do campus passa de 40 em 40 minutos. Ao fazer o trajeto no término do turno da tarde, a reportagem ficou no ponto de espera por 52 minutos.

Estudante de Odontologia do Cescage e usuário diário da linha de transporte público, Otávio Kravinski, afirma que a longa espera pelos ônibus já é rotina. “Se não quisermos esperar, temos que caminhar até outro ponto. Lá passa de 20 em 20 minutos”. Kravinski ainda ressalta que a espera pode ser perigosa. “Aqui à noite é perigoso, e caminhar até o outro ponto também”, diz o estudante. Para ir até a Unicesumar, localizada em Oficinas, os estudantes também enfrentam dificuldades. A reportagem constatou a espera de 55 minutos no ponto de ônibus. Nesse intervalo, nenhum ônibus circulou no local, e foi preciso a caminhada de 10 minutos até o Terminal Oficinas, ponto mais próximo para embarque.

Na UEPG de Uvaranas, o tempo de espera também dificulta os estudantes. Do ponto do campus Uvaranas até o centro da cidade, é necessário embarcar em três ônibus diferentes, o que leva a uma espera de 16 minutos no ponto, mais 37 minutos no percurso até os terminais Uvaranas e Central. No percurso centro-Uvaranas, o tempo total foi de uma hora. Morador do centro e estudante de Física da UEPG, Marcos Vinícius Gauglitz afirma que o tempo demorado já o prejudicou nas aulas. “Teve vezes que cheguei atrasado na aula por conta do longo tempo de trajeto até meu bloco”. Gauglitz diz que a solução seria uma linha direta do terminal central até o campus Uvaranas da UEPG. “Iria facilitar muito. Todos os dias, os ônibus tanto quanto ao terminal central até o Uvaranas, quanto para dentro do campus vão e voltam sempre lotados”, afirma Gauglitz.


De acordo com a assessoria da Viação dos Campos Gerais (VCG), a orientação passada aos motoristas é sempre avisar o porquê de não parar no ponto em específico. O usuário pode contestar essas medidas entrando em contato com a empresa. A assessoria ainda afirma que a colocação de novas linhas e aumento de oferta dependem de análise e serem repassadas para a Autarquia Municipal de Trânsito (AMTT). Qualquer alteração interfere nos custos do sistema, segundo a VCG. De acordo com a assessoria da AMTT, a inclusão de uma linha ou alteração de itinerário é de analise da autarquia, levando em conta a demanda de  passageiros, oferecimento de linhas próximas e possíveis impactos na planilha de custos, pois geram necessidades de mais veículos rodando e  consequentemente manutenção de combustível, dos veículos e outros fatores.

De acordo com a pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Economico e Social (IPARDES) em Ponta Grossa no ano de 2017, obteve um total de 21.424 de matrículas no ensino presencial. A cidade é hoje pólo universitário do Estado, que movimenta a economia e o crescimento populacional da cidade.

 

Ficha Técnica
Reportagem: Germano Busato
Foto: Afonso Verner / Lente Quente
Supervisão: Professores(as) Angela Aguiar, Ben-Hur Demeneck, Fernanda Cavassana, Hebe Gonçalves e Renata Oliveira

 Enquanto passeata seguia para o Parque Ambiental, motorista avança com carro sobre os manifestantes no cruzamento da Avenida Vicente Machado com a rua Benjamin Constant

Limpeza da escadaria da Igreja dos Polacos, durante ato da Greve Geral / Imagem: Luiz Zak

A Greve Geral, convocada pelas centrais sindicais, teve início nesta sexta-feira (14), às 7 horas, com a realização de piquete nos campi da UEPG, em Ponta Grossa. No meio da manhã, houve concentração em frente à Igreja dos Polacos, com passeata que seguiu em direção ao Parque Ambiental. O ato tem continuidade às 16 horas, com programação cultural que inclui apresentações musicais e de poesia, na Praça dos Polacos.

 

Ficha Técnica

Reportagem: Isabela Gobbo

Imagens: Amanda Gongra

Supervisão: Professoras Angela de Aguiar, Cibele Abdo e Fernanda Cavassana