Fotojornalismo é um tipo de fotografia que surge de uma pauta jornalística e tem como objetivo contextualizar uma notícia. A imagem deve conter algum tipo de ação e, na maioria dos casos, elemento humano ou algo que remeta de uma forma muito clara a pauta, pois necessita trazer informação para o público. Por exemplo, se a pauta é um protesto, alguma fotografia desse evento precisa conter vários ou um indivíduo e algum cartaz que identifique o porquê daquelas pessoas estarem se mobilizando.

O fotojornalismo como prática e profissão sofreu diversas mudanças nos últimos anos, mas só a partir dos anos 60 é que as mulheres começaram a ocupar este espaço e serem reconhecidas como fotojornalistas. Há uma masculinização da profissão, que valoriza certos atributos que vêm de estereótipos masculinos, como força física e objetividade. Geralmente, os homens são protagonistas quando se trata de tirar fotos. 

Quando pensamos no jornalismo, devemos lembrar que a profissão deve prezar sempre por uma produção justa e ética, não pender para questões mercadológicas e capitalistas. Sempre almejando pela informação da forma mais clara, precisa e diversa possível, ir contra esses ideais “é um ato contra a humanidade e a favor de uma ética essencialmente particularista” (Karam, 1997, p. 26). No momento em que analisamos a realidade do jornalismo na internet, há uma luta constante pela atenção do público, afinal, com a grande soma de materiais que está circulando na web, as pessoas acabam se dispersando em meio a tantas informações. E prender a atenção do leitor fica mais difícil.

O jornalismo, enquanto instituição que representa o interesse público, deve tratar temas que são sensíveis e relevantes para a sociedade, como os feminicídios. Esta é uma contribuição importante para o debate público, que colabora com a pluralidade e pode ser compreendido como um comportamento ético do jornalismo, considerando o compromisso profissional com os direitos humanos e aquilo que se espera da prática.

O caso Nathalia Deen chocou os Campos Gerais. Em 6 de abril de 2018, Nathalia foi encontrada morta em seu apartamento no bairro de Uvaranas, em Ponta Grossa. A jovem foi morta a facadas e seu irmão, que morava com ela, também sofreu lesões. O principal suspeito do crime era seu ex-namorado, que pouco tempo depois do acontecimento foi encontrado no Campus de Uvaranas da UEPG quebrando uma janela de vidro e utilizando os cacos para cortar os pulsos, na tentativa de tirar a própria vida. Os vigilantes que o encontraram recorreram à PM, que retiraram o rapaz inconsciente do local, ele foi atendido e levado para um hospital da cidade.

O Paraná no Ar, da Rede Record, é apresentado pelo jornalista Ricardo Vilches e transmitido, diariamente pela manhã, em todo o estado com a duração de cerca de três horas. É um programa informativo, no qual o âncora tem a liberdade de apresentar a sua opinião. Além disso, ele é transmitido pelo canal do YouTube no qual, durante os comerciais da TV, o apresentador lê comentários dos espectadores e responde ao vivo.

O problema maior que eu encontro é a própria apresentação de Vilches, que é um jornalista formado. Por se tratar de um informativo que é, em sua maioria, de notícias policiais, com pautas de acidentes, assaltos, ocorrências em si, o jornalista toma liberdade para condenar suspeitos e usa de uma linguagem forte quando se trata desses casos, inclusive, com alguns comentários racistas. No programa do dia 22 de novembro de 2019, por exemplo, o âncora, ao se referir sobre um assalto que aconteceu na noite anterior, usa a expressão “Nego é perigoso”.

Existem diversos casos que mostram como o jornalismo falha na cobertura de tragédias. Principalmente quando se trata de abordagem das fontes. Nesses momentos, o jornalista pode ferir preceitos éticos da profissão, não respeitando a privacidade dos cidadãos ou no modo como aborda os entrevistados. Estas abordagens, como foram feitas nos casos que falarei a seguir, são invasivas e claramente com o objetivo de dar o furo de reportagem. Porém, de acordo com o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, “o jornalista não pode divulgar informações de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes”.