A recém-nascida UEPG, em foto do final da década de 1960, ainda sem a ampliação do prédio. Foto: Reprodução/ Facebook - Grupo Antigamente em Ponta Grossa.

Foi num domingo à tarde, no final de 1969. Meus pais decidiram levar os três filhos para um passeio, caminhando pelas ruas de Ponta Grossa. De ônibus, viemos da distante Vila Pinheiro até o Ponto Azul. Dali, tomamos a Rua Bonifácio Vilela e fomos conhecer o prédio da recém-criada Universidade Estadual de Ponta Grossa. Talvez, instintivamente, quisessem despertar nos filhos – eu, o mais velho, com meus seis anos, ainda o único a frequentar uma escola - o interesse por um dia estudar naquele lugar. Na escola, a professora, com o mesmo objetivo, nos contou que estudava “na faculdade” e nos dizia que precisávamos estudar para também “chegar lá”.

 

Mulheres reivendicam direitos políticos, econômicos e sociais - Foto: Guilherme Bronoski

Há muitos anos as mulheres estão na luta pela conquista de seus direitos, maior visibilidade perante a sociedade e progresso social. O Dia Internacional da Mulher é resultado de muitas lutas e reivindicações das mulheres por melhores condições de trabalho e por seus direitos sociais e políticos.

A data 8 de Março não é meramente comemorativa. Ela tem o esforço de tentar transformar o cenário mundial da participação da mulher. “O capitalismo criou essa imagem do 8 de Março como um dia de parabéns e flores, porém a essência dele nunca foi comemorativa, é de luta”, ressalta a estudante de Direito da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ana Carolina Ramlow.

A relevância da mulher no papel que exercem sobre a comunidade avança, aproximando-se dos homens em alguns aspectos. Com a criação do Código Eleitoral em 1932, a mulher brasileira conseguiu o direito ao voto, após muitos anos de discussões e demandas exigidas pela população feminina. Com o advento da Constituição Federal de 1988, a igualdade de gêneros foi estabelecida pelo artigo 5º, I.

Mercado de Trabalho

A pesquisa divulgada pelo Instituto Ipsos, realizada em 24 países, não deixa dúvidas de que a igualdade de gênero é um objetivo de alcance distante, mesmo com o progresso que a figura feminina vem conquistando na sociedade. Das mulheres de todo o mundo, 26% têm medo de defender seus direitos e de lutar pela igualdade de gêneros. A desigualdade de gênero fica ainda mais perceptível com o ingresso das mulheres no mercado de trabalho. De acordo com a previsão do Fórum Econômico Mundial, apenas no ano de 2095 haverá igualdade salarial entre os gêneros, um visível desequilíbrio que afeta as reivindicações  femininas.

O mercado de trabalho mostra claramente uma pirâmide hierárquica que desvaloriza os esforços das mulheres, onde elas ocupam a base, e o topo é dominado pelos homens. A taxa de participação feminina pouco varia, ficando entre 54 e 55% da população, portanto, quase metade das brasileiras em idade ativa está fora do mercado de trabalho, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Violência contra a mulher

O ato de conceder o poder de participação social às mulheres é chamado de empoderamento feminino, garantindo que estas possam estar cientes sobre a luta pelos seus direitos. Em julho de 2010, a Assembleia Geral da ONU criou a ONU Mulheres, a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres. Os Estados-Membros da ONU deram um passo histórico para acelerar a implementação das metas da Organização sobre a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres.

Dentre as diversas pautas e causas defendidas pela ONU Mulheres, a luta contra a violência às mulheres é uma das mais almejadas. A pesquisa realizada pelo Instituto Avon, em parceria com o Data Popular, aponta que três em cada cinco mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos.  A lei nº 11.340, mais conhecida como Lei Maria da Penha, garante proteção a todas as mulheres contra qualquer tipo de violência domestica. Os diversos tipos de violência cometidas contra a mulher tem seus índices cada vez maiores , violência essa que ocorre principalmente em casa e na rua. Os índices se agravam quando se trata de mulheres negras e pardas.

As mulheres batalham cada vez mais a favor de sua valorização e ainda têm muitos obstáculos a superar. A voz das mulheres não pode ser silenciada pela opressão da sociedade conservadora. O quadro de estatísticas da violência contra a mulher é grave, e a busca pela igualdade de gênero se torna urgente.