Segundo a Ancine, participação do público na exibição do cinema brasileiro em Ponta Grossa chega a 13,4%, enquanto a média nacional é de 11,7%

Arquivo Lente Quente

Dos mais de R$ 260 milhões arrecadados na exibição das películas brasileiras, R$ 404 mil reais resultaram das exibições em Ponta Grossa (arrecadação superior à cidade de Cascavel, por exemplo, que somou R$ 281 mil reais). Entretanto, o a cidade reproduz a mesma proporção de exibição do país. A cada 10 filmes lançados, apenas três são nacionais. E em relação à participação popular, a cada 10 filmes lançados que uma pessoa assiste, apenas um é nacional.
Em 2017, dos 70 filmes exibidos em Ponta Grossa pelas duas redes de cinema local, 20 eram brasileiros. Desse total, 15 eram comédias. O padrão se repetiu nos números das bilheterias. Dos 10 filmes brasileiros de maior arrecadação na cidade, nas duas redes, apenas dois não eram comédias. Em relação ao cenário nacional, dos 427 filmes lançados no país, 163 eram brasileiros. Em 2018 a Agência Nacional do Cinema (Ancine) registrou um aumento nas bilheterias de 35% (R$ 91 milhões a mais) em filmes nacionais, em comparação com 2017, quando a receita foi de R$ 169 milhões de reais.
Gerente da rede de cinemas Lumière em Ponta Grossa, Claudinei Machado, explica a política da empresa junto às distribuidoras. “Os filmes precisam obter sucesso na primeira semana para que a matriz nos permita deixá-lo mais uma semana em cartaz, e assim sucessivamente. Isso vale tanto para filmes nacionais, como para estrangeiros. As distribuidoras costumam basear as escolhas de qual filme irão mandar para determinada cidade baseado no êxito de filmes de gênero semelhante. O que determina o perfil do gosto do público daquela região. Como Ponta Grossa é considerada um polo cinematográfico pequeno na região, a variedade costuma ser menor”, afirma.
Machado também relata que cabe às sucursais apenas exibir os filmes. “Normalmente a matriz [em Goiânia] define horários e salas de exibição, cabendo a nós apenas executar a projeção. Eles e as distribuidoras através de um sistema único digital embutido nos projetores, monitoram todas as sessões realizadas no país. Os dados de exibição são repassados automaticamente ao site da Ancine”. O que, segundo o gerente, é uma das exigências da Agência para conceder o direito de exibição das obras.
Para o cineasta documentarista André Queiroz, a responsabilidade pela falta de oferta é das distribuidoras. “Se trata de você se inserir num mercado viciado e viciante. São canais que sob o pretexto de profissionalização, arregimentaram só um determinado tipo de produção e excluem o resto”, afirma Queiroz, também professor da Universidade Federal Fluminense.
Já para Guto Pasko, cineasta e criador da produtora GP7 de Curitiba, não se trata de vício de mercado, apenas procedimentos padrões comerciais. “O lançamento de um filme custa caro [R$ 1.000.000, 00 em média, segundo Guto]. A distribuidora arca com os altos custos com a distribuição do filme, e com seus 25% de participação nos lucros deve se virar para evitar perdas e depois pensar em renda. Por isso optam por projetos mais vendáveis. É legítimo esse procedimento, visto que é um negócio. A finalidade é justamente ganhar dinheiro”, afirma Pasko. Ele explica que os filmes estrangeiros já vêm com roteiro de distribuição prontos. A prática torna mais econômico e lucrativo para as distribuidoras.
Há 9 anos no ramo, Machado conta que pessoalmente não vê muito espaço no cinema comercial para uma real variedade. “Talvez se tivéssemos mais distribuidoras nacionais mais voltadas exclusivamente para a distribuição de nossos filmes (como é o caso da Vitrine filmes), talvez nos habituamos mais a vê-los e consumi-los. É uma possibilidade. Uma alternativa são as mostras públicas e gratuitas que ocorrem na cidade de vez enquanto, pois ao não necessitarem de renda, podem ousar e oferecer algo novo”, explica Machado.
Para o professor de Filosofia da rede estadual de ensino do Paraná, Vinicius Costa, e um dos criadores do Projeto Fissura, de exibição de filmes alternativos, oferecer variedade é entregar todo o potencial da arte ao público. “A ontologia da diferença esclarece que somos subconscientemente influenciados a padronizar tudo de um jeito ou de outro, excluindo aquilo que foge do que nos foi apresentado como comum ou aceitável. Por isso nós criamos o Projeto Fissura, para oferecer via cinema, opções mais variadas possíveis com um outro tipo de opção, que tira o público da zona de conforto do cinema lazer, estimula o debate e gera uma infinidade de sensações e emoções. Para mim, esse é o papel da arte”, afirma Costa.

Informações Complementares:
· O Brasil tem um total de 3223 salas de cinema, cujas 1357 concentram-se apenas no eixo Rio-São Paulo. O paraná possui atualmente 192 salas;

Em 2018, os cinemas de Ponta Grossa exibiram 107 filmes. 88 estrangeiros e 19 nacionais;

A cada 10 filmes estrangeiros lançados na cidade, é lançado um nacional;

Enquanto filmes nacionais lucraram R$ 404 mil reais, filmes estrangeiros tiveram receita de R$ 3,195 milhões de reais;

A distribuidora Downtown Filmes é a única brasileira a figurar entre as que mais lucraram em 2018. O ranking é composto por filiais de estrangeiras como a Disney, Warner Bros e a Sony;

No ranking estadual de bilheterias nacionais, Ponta Grossa ocupa o 5º lugar ficando atrás de Curitiba, Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu;

Dos 20 filmes nacionais lançados na cidade, 19 foram lançados pela rede Lumière, enquanto apenas oito foram lançados pela Rede Araújo;

Ficha técnica:

Reportagem: Yuri A.F. Marcinik

Edição: Gabriella de Barros

Supervisão: Angela Aguiar, Fernanda Cavassana e Hebe Gonçalves

Eventos de hip hop são algumas expressões culturais de Ponta Grossa | Foto: Arquivo 

A pesquisa de mestrado “As trajetórias juvenis do movimento Hip Hop e a paisagem urbana de Ponta Grossa - PR”, de Lucas Renato Adami, mostra que o Hip-Hop de Ponta Grossa desenvolve dois de seus pilares, Rap e Graffiti nos bairros da cidade. Pistas de Skate e quadras de basquete, práticas íntimas do Hip-Hop, têm se transformado em espaços usados para a reunião dos jovens ligados ao Hip-Hop. A localização próxima a ginásios poliesportivos contribui para realização das atividades. O processo de ressignificação desses espaços presentes na periferia, através de eventos, constitui marcas do Hip-Hop no espaço e na paisagem da cidade, conforme aponta a dissertação defendida por Adami através do Programa de Pós-Graduação em Geografia Mestrado em Gestão do Território, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), em março deste ano.
“Todas essas questões fazem com que os jovens frequentem estes espaços e assim condicionem uma aceitação por parte da população local”, afirma Adami, que possui graduação em Geografia. Segundo a pesquisa, o centro de Ponta Grossa carece de espaços para reapropriações por meio das grafias pois da mesma forma que um mural de graffiti é perceptível e explícito, a frequência semanal de rappers ao lado da pista de skate do Parque Ambiental também se torna uma apropriação resistente e constante, porém nem sempre explícito. A dissertação mostra que essas reapropriações e manifestações do movimento Hip-Hop acabam descobrindo espaços/lugares que são referências para afirmar a presença do movimento Hip-hop na paisagem urbana da cidade.
Para Adami, em Ponta Grossa, esses diferentes momentos são caracterizados pela intensidade de apresentações de rap. “O fato de não se encontrar dentro do eixo do mercado cultural do Rio de Janeiro e São Paulo faz do movimento Hip-Hop na cidade uma luta mais intensa por parte dos ativistas em alcançar um público para além daqueles já adeptos, em maior número, na periferia – uma questão de aceitação pela sociedade local”, afirma. Segundo Adami, muitos entendem Ponta Grossa como uma cidade “tradicionalista”, com os rappers precisando de uma luta mais intensa por aceitação, reprodução, ou por valorizarem as produções locais.
A dissertação conclui que o movimento Hip-Hop, através dos seus pilares (Graffiti e Rap) serve como um meio de expressão e saída do cotidiano monótono, além de uma forma dos jovens se expressarem e serem ouvidos pela sociedade por meio das marcas deixadas na cidade e que muitos jovens, através do rap, buscam sustento e trabalho. Por parte dos grafiteiros, alguns buscam a profissionalização e outros mantêm a prática como hobby, muito pela realidade “vandalizada” do movimento, ou seja, das ações e re-apropriações ilegais.

A VISÃO DO HIP HOP POR QUEM FAZ
O gênero Rap teve sete dos 10 álbuns mais ouvidos de 2018, segundo ranking da Billboard. Tiago Sousa, da banda ponta-grossense Apologia Sul, avalia o mercado do Rap. “O conteúdo sempre bate com a hipocrisia da sociedade dos Campos Gerais em não aceitar o Rap como relevante, enquanto as rádios tocam Rap americano que passa uma ‘autoestima’ ao público que vive sob um estereótipo que não reflete a realidade”, diz.
Uma das mulheres grafiteiras de Ponta Grossa, Jesk, afirma que há interesse em trazer a cultura para o centro por meio das rodas de rima, eventos de graffiti e outras ações, para facilitar o acesso às pessoas que circulam pelo centro. Jesk aponta diferença entre a manifestação do Hip-Hop no centro e na periferia. “Quando fazemos ações mais ao centro da cidade, sentimos uma certa rejeição da sociedade. Mas quando fazemos eventos na periferia, nos sentimos até mais à vontade. Mesmo que a gente queira levar para o centro urbano, não será na mesma intensidade”, diz.
Sousa explica que a dificuldade é encontrar espaços que enxerguem o Rap como mercado que possa ser explorado. “Isso é reflexo do conservadorismo dos proprietários e empresários, que hoje caminham cegamente nessa onda, ainda mais na nossa região”, completa.

Arquivo Portal Periódico
14/11/2018
Da repressão à resistência, o Hip-Hop

 

Ficha técnica:
Reportagem:
Vítor Almeida
Edição:
Arieta de Almeida 
Supervisão:
Angela Aguiar, Ben-Hur Demeneck, Fernanda Cavassana, Hebe Gonçalves e Renata Caleffi

A Estação do Parque Ambiental recebeu no sábado, 18, a primeira seletiva de batalhas de rima, dezesseis Mc's disputaram o título que garante vaga para a seletiva regional em Guarapuava. 

 

Ficha Técnica:

Produção: Yuri A. F. Marcinik e Vitor Almeida
Supervisão: Professoras Angela Aguiar, Cibele Abdo e Fernanda Cavassana
Monitores: Milena Oliveira e Thaiz Rubik
Técnico Multimídia: Jairo Souza

O Museu Campos Gerais reabriu em abriu após reforma / Foto: Divulgação

Após reabertura neste mês, o Museu Campos Gerais agenda visitas para grupos, como escolas. De acordo com o diretor de acervo Rafael Schoenherr, o intuíto é aproximar o público do Museu. A partir de maio, o Museu Campos Gerais terá feiras culturais. Segundo Schoenherr, é preciso chamar atenção para o caráter memórial e também como espaço cultural do Museu.

museu 12 04 2019

O Museu Campos Gerais (MCG) reabre nesta sexta-feira (12), após ficar quatro meses fechado para manutenção. O evento de reabertura traz quatro exposições, com destaque para a mostra “Paraná: A fotografia de Orlando Azevedo”. Outras três exposições são: “Linotipo – A imprensa nos tempos de Hugo Reis”, “Intelectualidades – A trajetória de Wilson Martins” e “Salus – Histórias da saúde em Ponta Grossa”.