Ao todo participaram 33 instituições que confeccionaram  cerca de 3,5 km de tapetes. O trabalho começou em frente ao Lar São Vicente de Paulo

 

As paróquias de Ponta Grossa se reuniram para a montagem de cerca de 3,5km de tapetes no feriado de Corpus Christi. Com início da montagem às 8 da manhã, na rua Júlio de Castilhos, em frente ao Lar de idosos São Vicente de Paulo, a montagem se estendeu pela rua Balduíno Taques e Vicente Machado e prosseguiu até a rua Benjamin Constant. Ao todo, foram 33 paróquias que se organizaram com  moldes e serragens para a confecção dos desenhos.Tapete Corpus Christi IOLANDA LIMA

Serragem é um dos principais materiais utilizadas na confecção dos tapetes de Corpus Christi.

 Josiane Gelinski, frequentadora da Paróquia São Sebastião e uma das coordenadoras do processo, faz parte da montagem há cerca de 20 anos. Ela conta que a organização começa duas semanas antes com os desenhos e confecção dos moldes feitos com caixas de leite colados com cola quente. Já as serragens, utilizadas na elaboração dos tapetes, são coloridas uma semana antes para a cor ficar vívida até o dia da confecção. “A montagem dos tapetes e a procissão é o ápice da vida do cristão católico, é a Eucaristia, é uma honra muito grande”, explica. 

Osmário Telchinski contribui na montagem há mais de 10 anos. Ele conta que duas semanas antes é feita uma convocação de pessoal para ajudar na colagem dos moldes e para o trabalho com a serragem no dia de Corpus Christi. “A Eucaristia é o centro da vida cristã. É gratificante montar os tapetes sabendo que por ano passam mais de 20 mil pessoas na procissão", afirma.

Ramon Iansen, coordenador pastoral do Marista, participa há três anos da montagem pelo colégio que faz parte. Ele conta que o processo é um momento de celebração dentro da comunidade, já que os voluntários trocam experiências e vivências durante a manhã de Corpus Christi. “É um momento de comunhão e fraternidade, me sinto parte de algo muito grande”, conta. Ramon ainda explica que os tapetes são montados por alunos e colaboradores, mas também por pessoas que já passaram anteriormente pelo colégio. “É uma ocasião de celebração, onde as pessoas se reúnem desde manhã no propósito de montar um caminho para Jesus passar”. 

 

Ficha Técnica

Produção: Iolanda Lima

Edição e publicação: Gabriel Ribeiro e Carolina Olegário

Supervisão de produção: Muriel Emidio

Supervisão de publicação: Cândida de Oliveira e Luiza Carolina dos Santos 

Pais desaprovam envolvimento dos filhos com teatro e desestimulam profissionalização

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Iniciativas como "Expondo-nós" da acadêmia BA dá oportunidades para os pais conhecerem o trabalho dos filhos no teatro | Foto: Eduarda Macedo

 

O teatro para muitos é visto como uma arte majestosa, divertida e cheia de emoções. Os atores dão vida a vários personagens em diferentes grupos e escolas de teatro da cidade. Mas uma coisa que fica nos bastidores é a falta de reconhecimento e apoio dos familiares aos jovens talentos que pisam nos palcos em busca de seus sonhos.

Um exemplo disso é um jovem ator que preferiu não se identificar. Ele afirma que já passou por muitas dificuldades quando decidiu entrar para um dos grupos de teatro na cidade. “Meu pai odiou quando eu contei pra ele que estava no teatro, ele falou muitas coisas pesadas e que eu não teria futuro.” O ator relata que quase foi expulso de casa, pois, segundo seu pai , aquilo que ele estava fazendo era algo muito promíscuo e que não era coisa “de homem”. O pai comenta que não gostaria de ver o filho seguindo o caminho do teatro. “Eu acho que meu filho deveria estar mais focado na faculdade, na sala de aula e não pulando por um palco”, comentou. O ator, apesar disso, não pensa em desistir do teatro. “Eu amo o teatro e não vai ser meu pai gostar ou não que vai me tirar dele. Claro que é difícil não ter essa rede, porém sei que tenho amigos que me apoiam mais que minha família.”

Outra jovem atriz, que também preferiu não ser identificada, conta que se apaixonou pelo teatro ao participar do Grupo de Teatro Universitário (GTU) e que isso a inspirou a fazer artes visuais, um choque para a família.“Eu sou bissexual e minha familia culpou o teatro pela minha sexualidade. Porque, segundo eles, artistas ultrapassam os limites e talvez essa coisa de humanas mexam com o meu psicológico” relata a atriz.

Para a diretora da escola de teatro e dança, Bianca Almeida, muitos pais julgam a produção artística como indecente e marginal. “Eles ficam com um certo receio. É aquilo que eles pensam que o filho vai ter que fazer teatro nu. E não é isso, a arte é uma ferramenta de transformação”. Bianca ainda afirma que há diferenças entre os alunos que têm o apoio familiar e os que não têm, no qual, quem tem a rede de apoio é nítida a evolução, pois se sentem seguros.. “Muitos pais já vieram falar, ‘Bianca, eu nunca imaginei que minha filha ia ficar transformada no bom sentido’. Eles apresentam melhoras até na faculdade e dentro de casa”, conta a diretora. E quando não há o incentivo dos familiares muitos alunos chegam tristes à aula. “Às vezes quando é necessário cortar contas o primeiro é o teatro. E não deveria porque o teatro é uma questão de qualidade de vida, ele trabalha a parte de cura”, finaliza Bianca.

Nem todos vivem essa mesma experiência, a atriz Jeny Hornung conta que sempre teve o apoio de seus familiares, mas apenas vê o teatro como um hobby e não  como uma possibilidade de profissão. Porém, segundo Jeny, a família problematiza alguns personagens que ela interpreta. “Uma vez eu interpretei uma personagem que só usava ataduras e durex de roupa e uma bêbada. Isso talvez danifique um pouco a visão pessoal da minha família. Porque ninguém entende de verdade o conceito que a vulgaridade também é utilizada na arte e na expressão e acham desnecessário”. Segundo a atriz, seu pai não gosta das peças que ela faz por achar que os personagens possuem uma “energia ruim ". Aqui em Ponta Grossa as pessoas sempre se ligam ao tradicional e não ao arriscado. Não incentivando muito o teatro nas crianças. Isso também cria a imagem na família que teatro é só ler um texto e interpretar um conto de fadas”, finaliza a atriz.

 

Ficha Técnica

Produção: Eduarda Macedo

Edição e publicação: Gabriel Ribeiro 

Supervisão de produção: Muriel Amaral

Supervisão de publicação: Cândida de Oliveira e Luiza Carolina dos Santos

O Terreiro de Umbanda Caboclos da Lei realiza feijoada para comemorar a data

 

No domingo (21), o Terreiro de Umbanda Caboclos da Lei (TUCLEI) realizou a 6° Grande Festa Feijoada de Ogum em comemoração ao dia do Orixá guerreiro. O evento teve início ao meio-dia, quando a feijoada foi servida para o público. Durante a tarde, as apresentações de Curimbas e a Roda de Samba do grupo Okàn Mimo entreteram o público.

 

1 Pai Rafael canta com a Curimba

Pai Rafael de Ogum canta com a Curimba. | Foto: João Victor Lemos

 

De acordo com a organização do evento, a festa tem um significado mais que especial. Conforme postagem no perfil do terreiro no instagram “Ogum foi o primeiro que nessa casa entrou, nosso chão é de Ogum e a festa é para ele e para os falangeiros que guardam a raiz firme dessa casa”.“Quando o terreiro foi orientado pelo Exu Pimenta, ele determinou que se tornasse um terreiro que fosse caminho e desenvolvesse a sociedade macumbeira de Ponta Grossa, e isso é característica do Orixá Ogum, o Orixá que desenvolve a humanidade”, explica Rafael Miranda de Almeida, mais conhecido como Pai Rafael de Ogum, fundador do TUCLEI.

 

Dia de Ogum e de São Jorge

 

O dia 23 de abril é uma data importante para adeptos de várias religiões. Os católicos comemoram o dia de São Jorge, enquanto os umbandistas,  o dia de Ogum. Não é coincidência que as duas entidades sejam celebradas no mesmo dia, isso acontece devido ao sincretismo religioso entre as divindades africanas e santos católicos,  já que os umbandistas eram proibidos de cultuar suas divindades.

Pai Rafael de Ogum explica que “o sincretismo colaborou para a aceitação das religiões afro-brasileiras, dando abertura a pessoas de raça branca, mas o preço disso foi a exclusão da raça negra e o embranquecimento é apagamento de fundamentos africanos”. Para ele, Ogum e São Jorge são diferentes, mesmo tendo ocorrido esse fenômeno aqui no Brasil, “O sincretismo religioso é algo que não contribui com uma grande parte da população que se identifica como pardos e negros. Eles perdem sua identidade, pois  assim seus Deuses são substituídos por Santos. Isso faz com que não vejam dentro do terreiro coisas que os representem. Portanto crianças negras e adultos negros, por exemplo, não encontram em terreiros sincréticos a representatividade” completa.

 

Preconceito religioso

 

De acordo com uma pesquisa do Datafolha realizada no final de 2019, a religião dos brasileiros se configura da seguinte forma: Católica, 50%; Evangélica, 31%; Não tem religião, 10%; Espírita, 3%; Umbanda, candomblé ou outras religiões afro-brasileiras, 2%; Outra, 2%; Ateu, 1%; Judaica, 0,3%.

As religiões afro-brasileiras, por ter número tão pequeno de representantes e  suas raízes no continente africano, sofrem ataques e intolerância religiosa com frequência. “Todos os meses, diversos médiuns sofrem racismo religioso ou intolerância religiosa. A forma de ataque mudou, antes era ataque direto, hoje podemos observar ataques indiretos de maneira velada, por exemplo, quando algo acontece de ruim, acontece com um macumbeiro. Quase sempre recebemos opiniões culpando a religião, ‘Só Jesus salva’, ‘Sangue de Jesus tem poder’, ‘Você tem que acreditar em Deus’, essas são frases que muitas vezes são direcionadas a macumbeiros de maneira a ameaçar e oprimir”, afirma Pai Rafael.

Kimilly Lopes, médium do TUCLEI, relata a mudança nos ataques religiosos. “A discriminação ainda acontece, mas de uma forma muito sutil, como piada, brincadeira, vinda dos proprios familiares ou de pessoas conhecidas. Se a gente não tiver um certo filtro, essas discriminações podem até passar despercebidas”, conta Kimilly.

A aceitação do público aos praticantes das religiões de matriz africana tem melhorado na cidade de Ponta Grossa, porém, ainda há um caminho longo a ser percorrido no combateà discriminação. “Eu acredito que tem muita discriminação ainda. Duas semanas atrás, eu fui vítima de racismo e intolerância religiosa, eu como mulher preta umbandista, [para a sociedade] ainda é um absurdo. Sofro por ser preta, por vir de uma ancestralidade preta e por fazer parte de um chão de matriz africana que foi criado por pretos. Então tem muita coisa que precisa melhorar, o ser humano precisa buscar muito conhecimento, mas tem muitas pessoas que não estão abertas a conhecer. Então tudo que é novo assusta,  mas é necessário ter mais visibilidade. Precisamos ter mais voz e ter mais direitos de expor e apresentar o que é a nossa religião”, observa Evelin de Sousa Gomes, também médium no terreiro. “São tantos os episódios de racismo e intolerância religiosa no cotidiano do macumbeiro que poderíamos escrever um livro”, conclui Pai Rafael.

 

Ficha Técnica:

Produção: João Victor Lemos

Edição e Publicação: Loren Leuch

Supervisão de produção: Carlos Alberto de Souza

Supervisão de publicação: Cândida de Oliveira e Luiza Carolina dos Santos

Obra intitulada A Casa dos Loucos foi lançada no último mês de junho

O professor e geólogo pesquisador Mário Sérgio de Melo é autor de nove livros de poesias e quatro em prosa. A obra  A Casa dos Loucos é o lançamento mais recente do autor e reúne poemas dos anos de 2018 a 2023, fazendo referências ao período de campanha eleitoral, da pandemia e do último governo presidencial. Os livros escritos pelo professor são divulgados no blog Perrengas Princesinas.

Foto: Josué Teixeira

Para o autor, é importante colocar as ideias no papel e mostrar aquilo que o mesmo pensa, pois através da escrita é possível ser crítico moral e social, além de alertar as pessoas que leem sobre questões cotidianas através da emoção e da sensibilidade. Ele considera como obrigação divulgar as próprias obras. “Os poemas gritavam na gaveta e eu precisava compartilhar minhas inspirações”, conta.

O primeiro livro de poemas foi escrito por Melo em 2005, e publicado quando ele  estava com 60 anos, em 2012. No lançamento mais recente, ele destaca que os poemas foram escritos no “período das sombras”, principalmente pelo caos gerado devido à pandemia, e pelas questões sociais do Brasil, que se tornaram importantes e com destaque no período. A tiragem da edição é de 300 exemplares impressos.

O autor é natural de Votorantim, no estado de São Paulo, e vive em Ponta Grossa há 27 anos. Melo conta que escreve desde a adolescência, principalmente poesias, porém nunca publicou. Ele afirma que na geração atual os livros impressos estão saindo da linha de consumo, pois os jovens pouco se interessam, mas o ato de ler e escrever é essencial. “É importante acreditar naquilo que se escreve e na produção da informação de qualidade”, afirma o autor. Melo destaca que colocar as ideias no papel é uma forma de exercício e que gera confiança para escrever.

O auditório da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) UEPG foi o palco do lançamento de A Casa dos Loucos, no dia 26 de junho passado. Os livros estão disponíveis na biblioteca municipal e na do campus central da universidade.

Ficha técnica: 

Reportagem: Fernanda Matos

Edição: Diego Chila e Lincoln Vargas

Publicação: Diego Chila

Supervisão de produção: Luiza Carolina dos Santos

Supervisão de publicação:  Marizandra Rutilli e Luiza Carolina dos Santos