Marinho Gallera relembra parceria com Paulo Leminski | Foto: Vítor Almeida

O araraquarense Mário Amadeu Gallera, sentado no banco da praça Marechal Floriano Peixoto, fumou cinco cigarros durante a entrevista de quase duas horas e meia. Em meio aos três meses em que mora em Ponta Grossa afirma que “andou escrevendo algumas coisas”. Aos 71 anos, Marinho Gallera planeja começar um novo projeto até o final do ano, além de visitar os amigos e familiares de São Paulo.

Gallera desembarcou em Curitiba para estudar Ciências Sociais na Universidade Federal do Paraná, mas foi com os Paulos, Leminski e Vitola, um trio de amigos no qual, segundo ele, compunha sem vaidades, que Marinho fez carreira no meio artístico. Além de ter participado do Movimento Atuação Paiol (MAPA), que reunia pessoas ligadas à cultura curitibana, Gallera compôs trilhas, jingles, discos, fez parcerias e acompanhou o desenvolvimento dos grandes espetáculos nos teatros curitibanos. Em 2018, Gallera e Paulo Vitola lançaram o projeto “Nós de Pinho”, o primeiro volume de partituras com as canções compostas durante a parceria dos dois, que pode ser acessado no sit http://www.nosdepinho.com.br/.

Jornada de trabalho dos participantes dificulta manutenção da iniciativa que desenvolve desenhos ao ar livre

Croquis Urbanos criado, em 2007, pelo jornalista espanhol Gabriel Campanário | Foto: Divulgação

Ainda de acordo com a empresária Lenita Stark, a comunidade Croquis Urbanos foi fundada em 2007 pelo jornalista espanhol Gabriel Campanário. Em Ponta Grossa, as reuniões eram realizadas em locais aleatórios, escolhidos pelo movimento. “O foco era no geral, casas antigas do período colonial, arquiteturas da imigração, praças, igrejas, locais em que todos estavam de acordo com o possível encontro”, comenta Stark. A empresária aponta que, com o passar dos encontros, os participantes começaram a olhar os lugares de maneira diferente, “Nós, os croquizeiros, passamos a olhar a cidade, as arquiteturas, o espaço e o tempo com mais atenção e curiosidade nos detalhes da cidade, que antes passavam despercebidos aos nossos olhos”. De acordo com Stark, os locais eram escolhidos por meio de votação entre os participantes.

Uma das integrantes, Rute Yumi relata que, com o passar dos encontros, foi adquirindo outras percepções com relação a cidade. “Inicialmente era na dimensão do desenho, na riqueza de detalhes de muitas construções. Com o passar do tempo, fui adquirindo outras percepções. Percebi a relação emocional das pessoas com os locais desenhados que eu postava nas redes sociais”, comenta. Uma das dificuldades para manutenção da iniciativa foi garantir a presença nos encontros, conforme explica Stark: “Um dos motivos do movimento acabar foi a pouca participação dos participantes, e os compromissos pessoais das pessoas envolvidas diretamente, outro motivo foi quando alguns companheiros começaram a se afastar, foi ai que o movimento começou a perder a sua essência”, explica Stark.

Para participação, não havia a exigência do domínio de técnicas de desenho. “O registro era livre. Cada pessoa fazia seus traços de acordo com a sua observação. Cada um usava o material que queria e a técnica que mais se identificava”, relata.Os desenhos eram propagados por meio das redes sociais. Mas desenhos do movimento já foram expostos na mostra da Fundação Municipal de Cultura, no Cine Teatro-Ópera. Stark ainda afirma que não há chances do grupo voltar a se reunir. “O movimento pode surgir novamente, mas só caso um outro grupo seja criado, pois este não há chances de voltar”, relata. Segundo Yumi, o Croquis Urbanos Curitiba foi uma das inspirações para criar o movimento na cidade.

Em Curitiba, o projeto existe há 6 anos e é considerado um dos grupos mais ativos do Brasil, totalizando 314 encontros até agora. Não diferente do movimento em Ponta Grossa, Croquis Urbanos Curitiba partilha das mesmas regras para a construção dos desenhos, sendo uma delas o tempo de duas horas para finalizá-lo. De acordo com a participante de Curitiba, Maristela Rodrigues, um dos motivos para o grupo estar ativo até hoje é a descontração de desenhar ao ar livre e partilhar os resultados adquiridos no encontro, mostrando a evolução dos participantes. “O Croquis Urbanos se trata de um agito cultural. Isso é importante pois vai na contramão das pressões cotidianas, direcionadas por metas estratégicas e tem seu sucesso medido pelo lucro”, afirma. A adesão dos participantes também atinge, em média, 15 desenhistas que participam dos encontros semanais do movimento, em qualquer condição climática. Segundo Rodrigues, os pontos turísticos de Curitiba costumam agrupar cerca de 25 pessoas no dia, em dias chuvosos, a média cai para cinco pessoas.

Maristela Rodrigues ressalta que o olhar dos participantes também é outro na hora de perceber aspectos do local retratado. “Com o passar do tempo, acabamos conhecendo mais os locais e aguçando a curiosidade sobre a cidade e suas construções”, completa. Rodrigues ainda ressalta que, um dos pontos na hora de transmitir algo com seus desenhos, é mostrar o contexto histórico dos locais retratados com base nas artes feitas pelo grupo. As reuniões acontecem semanalmente. As artes já foram expostas em exposições recentes como no lançamento do livro em 24 de março de 2018 ”Morar nas alturas! A verticalização em Curitiba entre 1930 e 1960”, de autoria de Elizabeth Amorim de Castro e Zulmara Clara Sauner Posse, e no evento “Zombie Walk Curitiba”, em 23 de fevereiro de 2019.

Ficha Técnica:

Reportagem:
Larissa Hofbauer
Supervisão: Angela Aguiar, Fernanda Cavassana, Rafael Kondlastsch, Ben-Hur Demeneck
Foto: Arquivo Croquis Urbanos
Edição: Alunos do 2° ano de Jornalismo e Gabriella de Barros

Cinemas de Ponta Grossa reproduzem quase na íntegra o ranking nacional


Projeto Fissura é um cine debate que é realizado no Cine Teatro Ópera. |Foto: Arquivo Lente Quente

Dados da Agência Nacional do Cinema Brasileiro (Ancine) revelam que, em 2018, o cinema nacional gerou uma renda de R$ 404 mil na cidade de Ponta Grossa. O valor corresponde a 0,15% da receita nacional (R$ 260 milhões), obtida com o lançamento de mais de 163 longa-metragens. Do total, mais de R$ 236 milhões (90,7%) ficaram concentrados nos 10 títulos mais assistidos. Em Ponta Grossa, o montante movimentado pelos títulos do top 10 chega a 96% (R$ 387,8 mil).

Eventos de hip hop são algumas expressões culturais de Ponta Grossa | Foto: Arquivo 

A pesquisa de mestrado “As trajetórias juvenis do movimento Hip Hop e a paisagem urbana de Ponta Grossa - PR”, de Lucas Renato Adami, mostra que o Hip-Hop de Ponta Grossa desenvolve dois de seus pilares, Rap e Graffiti nos bairros da cidade. Pistas de Skate e quadras de basquete, práticas íntimas do Hip-Hop, têm se transformado em espaços usados para a reunião dos jovens ligados ao Hip-Hop. A localização próxima a ginásios poliesportivos contribui para realização das atividades. O processo de ressignificação desses espaços presentes na periferia, através de eventos, constitui marcas do Hip-Hop no espaço e na paisagem da cidade, conforme aponta a dissertação defendida por Adami através do Programa de Pós-Graduação em Geografia Mestrado em Gestão do Território, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), em março deste ano.

A Estação do Parque Ambiental recebeu no sábado, 18, a primeira seletiva de batalhas de rima. Dezesseis Mc's de Ponta Grossa disputaram o título que garante vaga para uma seletiva regional, que acontecerá em Guarapuava. Assista a reportagem: