Polícia Civil é a responsável por registrar casos que envolvem arma de fogo | Foto: Arquivo Periódico

De acordo com o Corpo de Bombeiros, Uvaranas é o bairro com maior número de ferimentos por arma de fogo em Ponta Grossa. Os dados apurados pela reportagem de agosto de 2017 a agosto de 2019 mostram que 38 ocorrências foram registradas no bairro em dois anos. Uvaranas é a região mais populosa da cidade, segundo o último levantamento do IBGE, com uma população de 44.450 moradores. Os ferimentos no bairro representam cerca de 20,8% do total de 182 casos em dois anos.

 

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27/05/2017 - Polícias Militar e Civil detalham o assalto que deixou um jovem baleado



O número de ferimentos por arma de fogo aumentou nos últimos três anos em Ponta Grossa. De acordo com o Corpo de Bombeiros, em 2017, 38 casos foram registrados, em 2018, o número subiu para 96 e, de janeiro até agosto deste ano, 50 casos já foram atendidos pela corporação, isso representa 12 registros a mais que o total de 2017. Segundo o Oficial de Comunicação Social do 2º Grupamento de Bombeiros, Tenente Matheus Justino Candido, as vítimas de ocorrências desse tipo geralmente são homens. “Quase 95% das vítimas que nós atendemos são do sexo masculino e geralmente elas têm de 15 até 29 anos. A maior parte das vítimas a gente percebeu que é nessa faixa etária”, relata.

O Corpo de Bombeiros não têm o levantamento das possíveis causas dos ferimentos, mas não descarta casos de desentendimentos, acerto de contas e brigas entre duas pessoas. “Essas ocorrências derivam de desentendimentos entre duas pessoas ou de acerto de contas”, afirma Candido. Os números elevados preocupam as autoridades, tendo em vista que os ferimentos por armas de fogo, na maioria das vezes, são fatais. “Aqui na cidade, a gente já atendeu mais mortes por ferimento de arma de fogo do que por acidente de trânsito, embora a gente tenha atendido um número muito maior de acidentes de trânsito”, alerta o bombeiro. Só em 2019 a Corporação atendeu 1174 acidentes de trânsito, mas somente 18 morreram por esse tipo de ocorrência.

Chapada e Boa Vista são bairros com mais mortes por arma de fogo

Dos 182 registros de ferimentos por arma de fogo, 48 pessoas morreram em dois anos na cidade. De acordo com o Ministério da Justiça, no Paraná, 551 pessoas foram
vítimas de homicídio doloso em 2019, valor correspondente a 4,86 mortes por cem mil habitantes. O número de homicídios dolosos no Brasil somam 13.977 vítimas só neste ano, o que corresponde a 6,70 mortes por cem mil habitantes.

Os bairros Chapada e Boa Vista estão empatados no número de homicídios por arma de fogo registrados de agosto de 2017 a agosto de 2019, com seis mortes cada. Uvaranas registrou cinco mortes em dois anos, Cará-Cará quatro, Jardim Carvalho e Nova Rússia aparecem com dois óbitos cada. Ronda, Colônia Dona Luiza, Neves, Centro, Estrela e Rodovia constam com uma morte cada.

A pedido da reportagem, o Ministério da Justiça e Segurança Pública disponibilizou um arquivo com dados de registros de Boletins de Ocorrência (BO), entre janeiro de 2017 até maio de 2019. Informações geradas pelas Secretarias Estaduais de Segurança Pública à Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). De acordo com esses dados o Paraná registrou 4965 casos de homicídios, entre lesão corporal seguida de morte, latrocínio, homicídio doloso e mortes sem esclarecimento.

De acordo com o Atlas da Violência de 2019, que coletou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, em 2017 houve 65.602 homicídios no Brasil. “Trata-se do maior nível histórico de letalidade violenta intencional no país”, destaca o estudo. Do total de mortes, 59,1% são homens entre 15 a 19 anos de idade. Para a pesquisa, a alta letalidade de jovens gera fortes implicações no atual cenário de transição demográfica, em que a população está envelhecendo. “De fato, a falta de oportunidades, que levava 23% dos jovens no país a não estarem estudando nem trabalhando em 2017, aliada à mortalidade precoce da juventude em consequência da violência, impõem severas consequências sobre o futuro da nação”, conclui.

O Atlas da Violência é uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A publicação tratou de temas específicos, como a escalada da violência no Brasil desde 1980, a evolução nas unidades federativas na última década, as mortes violentas com causa indeterminada e concluiu, também, que há evidências de um “processo extremamente preocupante nos últimos anos: o aumento da violência letal contra públicos específicos, incluindo negros, população LGBTI, e mulheres, nos casos de feminicídio”.

Desigualdade Social

O sociólogo e advogado, Aknaton Toczek Souza, especialista em Sociologia Política e em Direito Penal e Criminologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e professor de Direito Penal no Centro Universitário Santa Amélia (UniSecal) destaca que a violência é um processo variável. “Enquanto Ponta Grossa tem aumentado, em outros estados e cidades têm diminuído. O Paraná, em termos gerais, diminuiu”.

Souza afirma que a análise desses dados é complexa, mas acredita ser possível confirmar que o aumento da violência está relacionado com o processo de desigualdade social. “Ponta Grossa é uma região muito rica, mas com pouca distribuição de renda. É muito curioso você notar que essa desigualdade não é só no nível econômico, também afeta outros espaços, ou seja, um nível simbólico de desigualdade que constrói verdadeiros guetos, espaços e cinturões de pobreza. Na cidade de Ponta Grossa é muito claro”, aponta o sociólogo, “parece que um dos efeitos da desigualdade é gerar uma espécie de fragmentação social cujo efeito principal é acabar com a empatia, com a solidariedade e obviamente a violência surge de forma mais chocante, mais rápida”, ressalta Souza.

Outro fator que o sociólogo usa para explicar o aumento da violência é a movimentação geográfica da criminalidade. “Sobretudo as facções, que pulam pelos estados. Então a gente não sabe se o aumento pode ter sido por uma situação desses fluxos da criminalidade. Ou se são por erupções sociais específicas de determinados bairros, de determinados confrontos”. Souza também lembra dos fluxos de passagens de armas ilegais no Paraná. “Boa parte das armas de fogo no Brasil, as armas ilegais são adquiridas do Paraguai, mas são de origem norte-americana, ou seja, os Estados Unidos é o principal fornecedor de armas ilegais para o Brasil”, finaliza.

Registros de armas de fogo

Segundo dados da Polícia Federal, o Brasil possui 36.238 armas de fogo registradas em todo o território nacional. O Paraná é o segundo estado com maior registro, contando com um total de 3.949 armas de fogo registradas, ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul com 5.333. O número de registros aumentou em 15 estados entre 2017 e 2018 e diminuiu em 11.

Armas de fogo registradas por estado (Fonte: Polícia Federal)

tabela armas

Atendimento dos casos

Os bombeiros atendem as ocorrências a partir do telefone 193, conforme afirma Cândido. “Dependendo da gravidade da ocorrência ele [o telefonista] manda um determinado número de viaturas para aquele local”. Nos casos mais comuns, de uma vítima grave, o bombeiro envia uma ambulância e aciona o médico do Samu. “Esse médico vai acompanhar no deslocamento e, dependendo do caso, um oficial de serviço do Corpo de Bombeiros também vai se deslocar com uma camionete”, explica o oficial. A Polícia Civil também participa dos atendimentos de ferimentos por arma de fogo, a fim de registrar as ocorrências e fazer a perícia do local.

Ao chegar no local da ocorrência, os socorristas verificam os ferimentos da vítima para realizar o tratamento adequado. “Geralmente os ferimentos por arma de fogo, a contenção de uma hemorragia e os procedimentos mais complexos, um médico tá acompanhando também para fazer essa intervenção necessária”, finaliza.

Ficha Técnica

Repórter: Hygor Leonardo e Thailan de Pauli Jaros.
Supervisores: Angela Aguiar, Fernanda Cavassana e Helena Maximo
Edição: Alunos do terceiro ano do curso de Jornalismo e Thaiz Rubik

Estudo apresentado pelo Núcleo de Economia Regional e Políticas Públicas da UEPG (NEREPP), mostra que o índice de furtos e roubos nos Campos Gerais apresentou queda no período de 2017 e 2018. O relatório indica que o número era crescente até 2016, mas retraiu nos dois anos seguintes (2017 e 2018). Ainda assim, a redução identificada nos últimos anos continua acima dos números apresentados em 2010 quando o acompanhamento dos casos registrados teve início.

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A cadeia pública Hildebrando de Souza (CPHS) que, após 2013, quando passou pela última reforma de expansão, passou a ter a capacidade máxima de 340 presos, abriga, atualmente, 940 presos, conforme declara a advogada Kelly Campos, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção Ponta Grossa. A superlotação do estabelecimento prisional excede em 176% a capacidade máxima.

Em resposta ao assalto que ocorreu nesta quarta-feira (24) os estudantes da Universidade Estadual de Ponta Grossa seguiram em passeata do bloco M até a reitoria durante esta manhã. Os alunos pediam mudanças na segurança do Campus e pressionavam o Reitor, Luciano Vargas. Confira o vídeo produzido pela nossa redação.

Foto: Angelo Rocha

A Coordenação Estadual dos Conselhos Comunitários de Segurança (CONSEG) se posicina a favor da contratação de segurança privada para a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) como uma solução a curto prazo para o problema de segurança. A falta de segurança no campus Uvaranas da UEPG resultou no pós-graduando de Odontologia Éric Navarro baleado na quarta (24). A presidente do CONSEG, Jane Villaca, esteve no campus recentemente e o achou abandonado. Para a presidente, a Universidade deveria tomar providência. “No momento, a contratação de uma segurança particular poderia melhorar a segurança do local”, afirma.