Secretaria de Segurança Pública diz que queda se deve às medidas de isolamento

Foto: Arquivo Periódico 

 

A Secretaria de Segurança Pública do Paraná (SESP) registrou redução dos casos de furtos, roubos e violência doméstica em todo o Estado durante a pandemia. O comparativo foi feito entre os meses de janeiro, fevereiro e março do ano passado com os três primeiros meses deste ano.

Segundo a corporação, as reduções se devem às medidas restritivas de isolamento social, que contribuíram para a diminuição da circulação de pessoas nas ruas. Além disso, o toque de recolher a partir das 23 horas e a proibição de venda e consumo de bebidas alcoólicas em locais públicos depois do mesmo horário, são motivos que contribuíram.

Infográfico: Larissa Godoi

 

Em Ponta Grossa, de acordo com relatório da Secretaria da Segurança Pública do Paraná, o número de furtos diminuiu 1,48% comparado com o ano de 2020 no período analisado. No ano passado, o número total de ocorrências registradas foi de 2.305, contra 2.271 casos neste ano.

Na cidade, outro crime que teve queda de ocorrências foram os roubos mediante grave ameaça ou violência à pessoa: em 2020 foram 512 casos; em 2021, 383. Houve redução de 25,20% nos registros na cidade. Já no percentual de furtos de veículos em Ponta Grossa houve aumento de 13,95%. Em 2020 foram 129 casos. Neste ano, 147. É importante frisar que a Secretaria de Segurança Pública só leva em conta os casos registrados em boletins de ocorrência.

Vítimas

Embora a Secretaria tenha registrado redução em alguns crimes, em Ponta Grossa não é difícil achar moradores que não se sentem tranquilos quanto à segurança pública.

Rita de Fátima Tavares, moradora de Ponta Grossa que foi vítima de roubo no início da pandemia, acredita que os casos de furtos e roubos registrados durante o isolamento, em parte, foram ocasionados pelo desemprego. Rita foi atacada quando estava a caminho do trabalho. Três rapazes a abordaram com faca. Ela destaca que se sente intimidada e teme que ocorra novamente. “A sensação que eu fiquei foi de muito medo, e hoje, apesar de ter passado algum tempo, continuo com medo”.

A professora Márcia Regina da Silva, também moradora de Ponta Grossa, teve o celular roubado, durante a pandemia, quando ia ao trabalho. Márcia relata que isso não aconteceu apenas com ela e demonstra ter medo ocorra novamente. "Na mesma semana uma colega minha também vindo para o serviço, foi assaltada no ponto de ônibus. Agora, qualquer pessoa que se aproxima de mim, eu já acho que vou ser assaltada novamente”.

Em Curitiba, onde moram 1,948 milhão de pessoas, os resultados também foram positivos. Em relação aos furtos, houve a redução em 17,97%. No número de roubos, houve queda em 43,61%. Os furtos de veículos diminuíram cerca de 46% comparados com o primeiro trimestre de 2020.

 

Ficha técnica

Reportagem: Larissa Godoi 

Edição e Revisão: Tayná Lyra e Deborah Kuki

Publicação:  Deborah Kuki e Matheus Gaston 

Supervisão: Jeferson Bertolini

Convivência integral de vítimas com parceiros, decorrente do isolamento social, fez aumentar número de agressões

 

Ponta Grossa apresenta aumento de casos de violência contra a mulher durante a pandemia de COVID-19. De março a dezembro de 2020, foram realizados 210 atendimentos de mulheres pelo Núcleo Maria da Penha (NUMAPE). Em 2019, a NUMAPE realizou 190 atendimentos. No mesmo ano, a Patrulha Maria da Penha (PMP) realizou 3.804 atendimentos, prisões e visitas. Já em 2020, esse número subiu para 5.858.

Segundo a psicóloga Camila Maffioleti Cavaler, o aumento da violência no período da pandemia é resultado do confinamento da vítima com seu agressor. Entre os motivos que fazem com que a mulher tenha dificuldades de romper o ciclo de violência estão a dependência financeira, quando o agressor priva a mulher de suaspróprias finanças e a dependência emocional, quando a mulher é levada a acreditar que é dependente de seu agressor, além do medo e vergonha.

 

Mapa da cidade de PG mostra locais onde há mais risco de agressões contra mulher. Foto: Manuela Roque

 

O aumento da violência contra mulher na pandemia de coronavírus foi um problema mundial. Por dia, pelo menos três mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, segundo o monitoramento de violência feito por mídias independentes, Um vírus e duas guerras. Com a pandemia, o isolamento social e os decretos de paralisação de atividades, muitas mulheres encontraram maior dificuldade em fazer denúncias, o que resultou em uma queda no número de casos de violência registrados. Para a coordenadora da Maria da Penha e assistente social do Conselho Regional de Serviço Social (CRESS), Lilian Chociai, “fatores como fechamento e/ou diminuição de horários dos locais de atendimento especializado para as denúncias das violências sofridas e a presença do(a) autor(a) da violência no espaço doméstico em razão do isolamento criaram empecilhos para que a vítima procurasse ajuda”.

A assistente social da delegacia da mulher Luciana Stocco explica que o período da pandemia é um desafio em relação ao enfrentamento da violência doméstica. Stocco acredita que outro fator para a redução do registro de denúncias, especificamente no mês de março, foi a paralisação da circulação do transporte coletivo com o decreto municipal 18.797/2021, pois mulheres de menor renda e mais fragilizadas são afetadas. “A violência não para, não segue decreto”, afirma a assistente social. Além da paralisação das atividades presenciais da NUMAPE, mulheres sem acesso à internet e telefone ficam impossibilitadas de denunciar.


MEDIDAS DE ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA MULHER


Algumas medidas foram tomadas a fim de tentar frear o aumento dos casos de violência contra mulher e feminicídio. Instituições e órgãos privados de combate a violência contra a mulher em Ponta Grossa desenvolveram medidas protetivas de urgência de modo online. No âmbito nacional, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) criaram a Campanha do Sinal Vermelho, que virou lei (n° 6.713/2020) no Distrito Federal. A campanha é uma ferramenta alternativa para mulheres sem acesso à internet, computadores e familiares denunciar sua situação de violência de forma segura, elas podem fazer isso indo a uma farmácia, supermercado, hotel e apresentar um X vermelho desenhado em sua mão, assim o atendendente deve procurar ajuda policial.

A Polícia Civil do Paraná também desenvolveu a possibilidade de registro de boletim de ocorrência referente a crimes contra mulher (Lei Maria da Penha) de forma online e digital. A Patrulha Maria da Penha produziu um vídeo que contou com representantes da rede de proteção e membros do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher explicando que as vítimas de violência doméstica estão ainda mais expostas à ação de seus agressores durante a pandemia e incentivando as vítimas a denunciar casos de violência.

 

Ficha Técnica

Repórter: Yasmin Orlowski
Editor de texto: João Gabriel Vieira
Supervisão: Rafael Kondlatsch, Marcos Zibordi e Kevin Kossar

Foto: Manuela Roque

Publicação: David Candido

Polícia Civil é a responsável por registrar casos que envolvem arma de fogo | Foto: Arquivo Periódico

De acordo com o Corpo de Bombeiros, Uvaranas é o bairro com maior número de ferimentos por arma de fogo em Ponta Grossa. Os dados apurados pela reportagem de agosto de 2017 a agosto de 2019 mostram que 38 ocorrências foram registradas no bairro em dois anos. Uvaranas é a região mais populosa da cidade, segundo o último levantamento do IBGE, com uma população de 44.450 moradores. Os ferimentos no bairro representam cerca de 20,8% do total de 182 casos em dois anos.

 

Arquivo Portal Periódico

27/05/2017 - Polícias Militar e Civil detalham o assalto que deixou um jovem baleado



O número de ferimentos por arma de fogo aumentou nos últimos três anos em Ponta Grossa. De acordo com o Corpo de Bombeiros, em 2017, 38 casos foram registrados, em 2018, o número subiu para 96 e, de janeiro até agosto deste ano, 50 casos já foram atendidos pela corporação, isso representa 12 registros a mais que o total de 2017. Segundo o Oficial de Comunicação Social do 2º Grupamento de Bombeiros, Tenente Matheus Justino Candido, as vítimas de ocorrências desse tipo geralmente são homens. “Quase 95% das vítimas que nós atendemos são do sexo masculino e geralmente elas têm de 15 até 29 anos. A maior parte das vítimas a gente percebeu que é nessa faixa etária”, relata.

O Corpo de Bombeiros não têm o levantamento das possíveis causas dos ferimentos, mas não descarta casos de desentendimentos, acerto de contas e brigas entre duas pessoas. “Essas ocorrências derivam de desentendimentos entre duas pessoas ou de acerto de contas”, afirma Candido. Os números elevados preocupam as autoridades, tendo em vista que os ferimentos por armas de fogo, na maioria das vezes, são fatais. “Aqui na cidade, a gente já atendeu mais mortes por ferimento de arma de fogo do que por acidente de trânsito, embora a gente tenha atendido um número muito maior de acidentes de trânsito”, alerta o bombeiro. Só em 2019 a Corporação atendeu 1174 acidentes de trânsito, mas somente 18 morreram por esse tipo de ocorrência.

Chapada e Boa Vista são bairros com mais mortes por arma de fogo

Dos 182 registros de ferimentos por arma de fogo, 48 pessoas morreram em dois anos na cidade. De acordo com o Ministério da Justiça, no Paraná, 551 pessoas foram
vítimas de homicídio doloso em 2019, valor correspondente a 4,86 mortes por cem mil habitantes. O número de homicídios dolosos no Brasil somam 13.977 vítimas só neste ano, o que corresponde a 6,70 mortes por cem mil habitantes.

Os bairros Chapada e Boa Vista estão empatados no número de homicídios por arma de fogo registrados de agosto de 2017 a agosto de 2019, com seis mortes cada. Uvaranas registrou cinco mortes em dois anos, Cará-Cará quatro, Jardim Carvalho e Nova Rússia aparecem com dois óbitos cada. Ronda, Colônia Dona Luiza, Neves, Centro, Estrela e Rodovia constam com uma morte cada.

A pedido da reportagem, o Ministério da Justiça e Segurança Pública disponibilizou um arquivo com dados de registros de Boletins de Ocorrência (BO), entre janeiro de 2017 até maio de 2019. Informações geradas pelas Secretarias Estaduais de Segurança Pública à Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). De acordo com esses dados o Paraná registrou 4965 casos de homicídios, entre lesão corporal seguida de morte, latrocínio, homicídio doloso e mortes sem esclarecimento.

De acordo com o Atlas da Violência de 2019, que coletou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, em 2017 houve 65.602 homicídios no Brasil. “Trata-se do maior nível histórico de letalidade violenta intencional no país”, destaca o estudo. Do total de mortes, 59,1% são homens entre 15 a 19 anos de idade. Para a pesquisa, a alta letalidade de jovens gera fortes implicações no atual cenário de transição demográfica, em que a população está envelhecendo. “De fato, a falta de oportunidades, que levava 23% dos jovens no país a não estarem estudando nem trabalhando em 2017, aliada à mortalidade precoce da juventude em consequência da violência, impõem severas consequências sobre o futuro da nação”, conclui.

O Atlas da Violência é uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A publicação tratou de temas específicos, como a escalada da violência no Brasil desde 1980, a evolução nas unidades federativas na última década, as mortes violentas com causa indeterminada e concluiu, também, que há evidências de um “processo extremamente preocupante nos últimos anos: o aumento da violência letal contra públicos específicos, incluindo negros, população LGBTI, e mulheres, nos casos de feminicídio”.

Desigualdade Social

O sociólogo e advogado, Aknaton Toczek Souza, especialista em Sociologia Política e em Direito Penal e Criminologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e professor de Direito Penal no Centro Universitário Santa Amélia (UniSecal) destaca que a violência é um processo variável. “Enquanto Ponta Grossa tem aumentado, em outros estados e cidades têm diminuído. O Paraná, em termos gerais, diminuiu”.

Souza afirma que a análise desses dados é complexa, mas acredita ser possível confirmar que o aumento da violência está relacionado com o processo de desigualdade social. “Ponta Grossa é uma região muito rica, mas com pouca distribuição de renda. É muito curioso você notar que essa desigualdade não é só no nível econômico, também afeta outros espaços, ou seja, um nível simbólico de desigualdade que constrói verdadeiros guetos, espaços e cinturões de pobreza. Na cidade de Ponta Grossa é muito claro”, aponta o sociólogo, “parece que um dos efeitos da desigualdade é gerar uma espécie de fragmentação social cujo efeito principal é acabar com a empatia, com a solidariedade e obviamente a violência surge de forma mais chocante, mais rápida”, ressalta Souza.

Outro fator que o sociólogo usa para explicar o aumento da violência é a movimentação geográfica da criminalidade. “Sobretudo as facções, que pulam pelos estados. Então a gente não sabe se o aumento pode ter sido por uma situação desses fluxos da criminalidade. Ou se são por erupções sociais específicas de determinados bairros, de determinados confrontos”. Souza também lembra dos fluxos de passagens de armas ilegais no Paraná. “Boa parte das armas de fogo no Brasil, as armas ilegais são adquiridas do Paraguai, mas são de origem norte-americana, ou seja, os Estados Unidos é o principal fornecedor de armas ilegais para o Brasil”, finaliza.

Registros de armas de fogo

Segundo dados da Polícia Federal, o Brasil possui 36.238 armas de fogo registradas em todo o território nacional. O Paraná é o segundo estado com maior registro, contando com um total de 3.949 armas de fogo registradas, ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul com 5.333. O número de registros aumentou em 15 estados entre 2017 e 2018 e diminuiu em 11.

Armas de fogo registradas por estado (Fonte: Polícia Federal)

tabela armas

Atendimento dos casos

Os bombeiros atendem as ocorrências a partir do telefone 193, conforme afirma Cândido. “Dependendo da gravidade da ocorrência ele [o telefonista] manda um determinado número de viaturas para aquele local”. Nos casos mais comuns, de uma vítima grave, o bombeiro envia uma ambulância e aciona o médico do Samu. “Esse médico vai acompanhar no deslocamento e, dependendo do caso, um oficial de serviço do Corpo de Bombeiros também vai se deslocar com uma camionete”, explica o oficial. A Polícia Civil também participa dos atendimentos de ferimentos por arma de fogo, a fim de registrar as ocorrências e fazer a perícia do local.

Ao chegar no local da ocorrência, os socorristas verificam os ferimentos da vítima para realizar o tratamento adequado. “Geralmente os ferimentos por arma de fogo, a contenção de uma hemorragia e os procedimentos mais complexos, um médico tá acompanhando também para fazer essa intervenção necessária”, finaliza.

Ficha Técnica

Repórter: Hygor Leonardo e Thailan de Pauli Jaros.
Supervisores: Angela Aguiar, Fernanda Cavassana e Helena Maximo
Edição: Alunos do terceiro ano do curso de Jornalismo e Thaiz Rubik

Estudo apresentado pelo Núcleo de Economia Regional e Políticas Públicas da UEPG (NEREPP), mostra que o índice de furtos e roubos nos Campos Gerais apresentou queda no período de 2017 e 2018. O relatório indica que o número era crescente até 2016, mas retraiu nos dois anos seguintes (2017 e 2018). Ainda assim, a redução identificada nos últimos anos continua acima dos números apresentados em 2010 quando o acompanhamento dos casos registrados teve início.

Prevista para ser liberada até 30 de novembro, verba autorizada para a construção da Casa de Custódia está pendente

A cadeia pública Hildebrando de Souza (CPHS) que, após 2013, quando passou pela última reforma de expansão, passou a ter a capacidade máxima de 340 presos, abriga, atualmente, 940 presos, conforme declara a advogada Kelly Campos, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção Ponta Grossa. A superlotação do estabelecimento prisional excede em 176% a capacidade máxima.