Até o fim de março, 30.010 pessoas receberam a primeira dose da vacina na cidade

 

Com uma das maiores taxas de mortalidade do Estado do Paraná e o menor número de doses aplicadas - em comparação entre as cidades de mesmo porte -, Ponta Grossa encontra-se em momento precário no combate à pandemia do novo Coronavírus, de acordo com dados divulgados pelo ranking de vacinação. A campanha iniciou em janeiro de 2021 e, até o final de março, 30.010 mil receberam a primeira dose e 6.697 mil receberam a segunda dose da vacina. Até o momento, o grupo com maior número de vacinados são os profissionais da saúde, com mais de 4 mil com ambas as doses.

 

No país, campanha de vacinação começou em janeiro deste ano. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

 

Em comparação com dados do Estado, é notável a desproporção entre a cidade e as demais na distribuição. Com mais de 30 mil casos confirmados e um total de 644 óbitos, a Associação Médica de Ponta Grossa cobra um aumento no repasse de doses ao município. Para o integrante do Conselho Municipal de Saúde de PG, Ismael Freitas, a vacinação acontece de modo lento em todo o país. “A vacinação está além das possibilidades do SUS, por conta de erros cometidos pelo presidente da república”, afirma o integrante ao tratar do impedimento da compra das vacinas de forma antecipada através do ministro da saúde, Eduardo Pazuello.

 

O Paraná hoje, de acordo com o consórcio da imprensa, vacinou 7,90% da população na primeira dose. Não sendo prioritário, a imunização avança lentamente no Sul, ao contrário do Amazonas, que teve preferência após crises sanitárias no início do ano. Agora, a situação se inverte. “Hoje, o Brasil inteiro enfrenta o que ocorreu no Amazonas em janeiro/fevereiro”, avalia Freitas. Isto demonstra que a pandemia desenfreada e a falta de vacinas agravam cada vez mais a situação do sistema público e privado de saúde.

 

Para outra integrante do conselho, Albertina Soares, a taxa de vacinação no Estado acompanha a média federal, ou seja, é muito baixa. “Vacinamos 1 milhão de pessoas e isso corresponde apenas pessoas acima de 70 anos e profissionais de saúde”, aponta. Considerando a parte econômica, um plano de vacinação eficiente seria capaz de ‘salvar’ a economia tão defendida pelos governantes desde o início da pandemia. O assistente social Marcos Koczur ressalta que a imunização é a única forma de retornar às atividades coletivas, como escolas. “A vacinação é um pacto coletivo entre toda a nação”, reconhece o profissional.

 

A estimativa da administração da Prefeitura de Ponta Grossa considera duas opções para imunizar a população. Em primeira opção, utilizando-se apenas das doses enviadas pelo Ministério da Saúde, no ritmo atual, seriam necessários 240 dias para vacinar 250 mil pessoas acima dos 18 anos. Em um segundo plano, contando as doses do Ministério mais as doses do consórcio de Municípios para a compra de vacinas, seriam necessários 180 dias para imunizar a população.

 

Ficha Técnica: 

Repórter: Tamires Limurci

Publicação: Denise Martins

Supervisão: Sérgio Gadini

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Só em março de 2021, cidade registrou 268 mortes por Covid-19

 

Com pouco mais de 40 mil doses aplicadas em Ponta Grossa, a cidade enfrenta um cenário de calamidade devido à pandemia do novo coronavírus. O Boletim Oficial Municipal, divulgado em 01/04, identifica 178 novos casos em 24h, totalizando 31580 ocorrências do vírus, onde aproximadamente 12 mil pessoas encontram-se em isolamento domiciliar. Ao mesmo tempo, PG contabiliza 650 mortes, sendo 268 acometidos somente no mês de março.                                                   

                                                           
            Lockdown pode reduzir casos de infecção por Covid-19. Foto: Milena Oliveira

                                                   

Nova Unidade de Pronto Atendimento (UPA) oferece atendimentos não relacionados à covid-19

Ficha técnica

Reportagem: Mariana Rodrigues

Edição: Maria Luiza Pontaldi

Publicação: Emanuelle Salatini

Supervisão: professora Paula Melani Rocha

Foram registrados 49 casos a menos pela diminuição de testes durante a pandemia 


Infográfico: Kauana Neitzel

A queda no número de novos casos de HIV/AIDS registrados em Ponta Grossa no ano de 2020 preocupa os profissionais da saúde. São 49 registros a menos que a média dos anos anteriores, que é de 125 casos. No ano de 2019 Ponta Grossa tinha uma média de 17 infectados para cada 100 mil habitantes.  Números repassados pela Secretaria Municipal de Saúde, através do Setor de Vigilância Epidemiológica e Controle de Doenças do Município mostraram que, em 2019, foram registrados 108 casos de pessoas infectadas pelo vírus na cidade. Em 2020, foram apenas 76 casos confirmados. Se comparar com a média nacional os números são ainda mais assustadores. Em 2019 foram registrados 41.919 casos de infecção por HIV no Brasil, já no ano passado o número caiu para 13.677. Entre outros fatores, a queda foi decorrente da pandemia do coronavírus no país.

            A tendência, com a falta de incentivo à testagem e a prevenção, é que o número de infectados aumente ou se mantenha na média registrada nos anos anteriores, mas os dados não vão apontar esta constância. Assim como em 2020 a propensão é que o número total de casos notificados se mantenha baixo, justamente pela falta de procura pelo exame. Não é que os casos diminuíram, mas sim que eles ainda não foram identificados, o que facilita o aumento de contaminados.

            “Como 2020 foi um ano atípico por conta do cenário epidemiológico, o número de diagnósticos acabou sendo reduzido no comparativo com os outros anos. Mas se for olhar a linha histórica dos últimos seis anos, eles são dados estáveis. Não temos grande oscilação nem para cima e nem para baixo”, diz o enfermeiro Jean Zuber, coordenador do Serviço de Assistência Especializada (Sae) e Centro de Testagem Aconselhamento (CTA) da Fundação Municipal de Saúde Ponta Grossa.

            O público que tem maior contato com o HIV é essencialmente o público masculino, uma aproximação de quase 70% comparado ao feminino, na faixa etária dos 20 aos 39 anos. Entretanto, o público que mais cresce hoje, ou seja, vem apresentando maior índice, são os jovens a partir dos 20 anos até os 29 anos de idade. 

Campanhas de conscientização e prevenção 

            A queda no número de casos é decorrente de uma falta de incentivo da população para realizar a testagem. Os serviços não pararam durante a pandemia da Covid-19 em Ponta Grossa, “mas as campanhas de testagem não podem ser realizadas por conta do aumento de circulação de pessoas e as possíveis aglomerações”, relata Zuber.

            Em outros anos, eram realizadas mobilização com grandes públicos, em virtude do Covid isso fica impossibilitado, segundo o coordenador do Sea. Mas os testes ainda são realizados nas Unidades Básicas de Saúde e no SAI, o serviço não fechou em nenhum momento desde o início das medidas restritivas. 

            Para o ano de 2021 a Prefeitura de PG não tem nada previsto de ações/campanhas devido ao cenário epidemiológico e as medidas restritivas de circulação. É necessário aguardar a liberação para retomar as campanhas. O que foi realizado é o planejamento de educação em saúde.

            O secretário de Vigilância em Saúde do Governo Federal, Arnaldo Medeiros, ressaltou o esforço do Sistema Único de Saúde (SUS) no tratamento e no diagnóstico da doença e destacou que as ações não param mesmo durante a pandemia da Covid-19. “Garantimos tratamento mesmo em época pandêmica. Não faltou medicação, testes rápidos de HIV ou preservativos. Garantimos a contínua dispensação de medicamentos para o tratamento desse paciente”.

                Até outubro do ano passado, o Ministério da Saúde distribuiu 7,3 milhões de testes rápidos de HIV, 332 milhões de preservativos masculinos e 219 milhões femininos. A única campanha de prevenção ao HIV/Aids lançada foi em dezembro, uma celebração ao Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Com o slogan “HIV/Aids. Faça o teste. Se der positivo, inicie o tratamento”, a campanha teve filme para TV, peças de mídia, internet e mídias sociais, cartazes e spot para rádio.  

Entenda o que é HIV e Aids e qual a diferença entre elas

            O HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) é o vírus causador da aids, que ataca células específicas do sistema imunológico, responsáveis por defender o organismo contra doenças. A transmissão se dá principalmente por via sexual, seja ela anal, vaginal ou oral. Outras formas de transmissão são por meio da transfusão de sangue contaminado e seus derivados; através do uso de drogas injetáveis e compartilhamento de instrumentos que furam ou cortam não esterilizados, canudos e cachimbos; ou por meio da transmissão vertical de mãe para filho.

            Vale destacar que, mesmo assintomático, o portador do HIV pode continuar a transmitir o vírus. Uma pessoa, após ter sido infectada pelo vírus HIV, pode permanecer muitos anos sem desenvolver nenhum sintoma. Nesse caso, dizemos que a pessoa está vivendo com HIV, por isso a importância de realizar o teste.

            Já a Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) é o estágio mais avançado da doença causada pelo vírus HIV. Mais vulnerável, o organismo fica mais sujeito a diversos agravos, as chamadas infecções oportunistas, que vão de um simples resfriado a infecções mais graves como tuberculose ou câncer.

Tratamento para infectados com HIV/Aids

            Uma vez que o paciente diagnosticado com HIV vai passar por alguns exames iniciais, então é receitado para ele os antirretrovirais - são os medicamentos que fazem o controle ou a supressão viral no indivíduo. Esse tratamento persiste por toda a vida do paciente.

            O objetivo é reduzir a multiplicação de vírus no corpo para que fiquem em níveis indetectáveis nos exames. Sabemos que pacientes que estão indetectáveis não transmitem o HIV, este é o objetivo da Secretaria de Saúde de PG, reconhecer todas as pessoas que vivem com o HIV, entrar com o uso do retroviral e fazer a supressão viral.

            As pessoas que não têm o diagnóstico ou aqueles pacientes que por ventura acabam tendo um desfecho menos favorável, são mais suscetíveis a infecções oportunistas e ao óbito. Quem não utiliza o retroviral apresenta níveis muito maiores de mortalidade comparado aqueles que estão em tratamento.

            Hoje o tratamento para o HIV/Aids já inicia com o diagnóstico. Não se tem a necessidade de estar doente de Aids, como era até 2013, para poder fazer o tratamento. Qualquer pessoa que tenha o diagnóstico de infecção pelo HIV é garantido o direito de fazer o tratamento pelo SUS.

Quando fazer o teste

            A orientação para fazer o teste é sempre que houver uma exposição de risco. Entende-se uma exposição de risco como qualquer relação sexual, seja oral, vaginal ou anal, sem uso de preservativo, independente se existe uma relação estável ou não. O Centro de Testagem e Aconselhamento considera que relações estáveis não são garantias para impedir infecção por HIV, assim como pessoas que têm múltiplos parceiros estão propícias à infecção. Então, sempre que houver exposição de risco ou uma dúvida em decorrência dessa, é indicado fazer a testagem rápida. 

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece testes para diagnóstico do HIV/Aids, e também para triagem da sífilis e das hepatites B e C. Existem, no Brasil, dois tipos de testes: os exames laboratoriais e os testes rápidos. Os testes rápidos são práticos e de fácil execução, podem ser realizados com a coleta de uma gota de sangue ou com fluido oral, e fornecem o resultado em, no máximo, 30 minutos. É muito importante que o diagnóstico seja feito em tempo oportuno. 

Estimativa de vida de infectados com HIV/AIDS

            Se a pessoa é diagnosticada de forma precoce, o chamado ‘diagnóstico oportuno’, logo é iniciado o tratamento com o uso do retroviral (este medicamento age impedindo a multiplicação do vírus no organismo. Eles não matam o HIV, vírus causador da aids, mas ajudam a evitar o enfraquecimento do sistema imunológico). Caso não haja nenhum problema em relação a adesão da pessoa nos serviços de acolhimento, a expectativa de vida é comparável com a de qualquer outra pessoa. 

            Atualmente, precisamos compreender que conviver com o HIV, estar com AIDS, é um agravo crônico como qualquer outra doença. O que pesa é o estigma que foi originado desde a década de 80 até os dias de hoje.

            Agora, se a pessoa não faz o uso do retroviral, a estimativa de vida é muito baixa a partir do término do período de latência. Quando contaminado com o HIV é possível passar assintomático em média de 6 a 8 anos, a partir desse período o sistema imunológico tende a declinar tanto que a pessoa fica suscetível a infecções oportunistas e é quando a expectativa de vida tende a baixar.

Preconceito enfrentado por positivados com HIV/Aids

            De acordo com Jean Zuber, coordenador do Serviço de Assistência Especializada (Sae) e Centro de Testagem Aconselhamento (CTA) como em qualquer outra cidade do Brasil existe o preconceito atrelado, falar sobre sexo ou sobre sexualidade é um tabu. Em grandes centros, essa informação fica um pouco mais diluída, ou seja, a pessoa que é portadora do HIV vai constar em um ambiente mais distante da sua casa. Quando você vai trazendo para territórios pequenos, ou cidades menores como é o caso de Ponta Grossa, onde as pessoas se conhecem, existe o medo de quem tem o diagnóstico positivo para o HIV, justamente pelo estigma.

            Quando a gente não fala sobre sexo acaba alimentando ainda mais o preconceito, essa educação em saúde precisa começar em casa, com os pais, antes dos adolescentes iniciarem a vida sexual. Não podemos incumbir a escola de fazer todo esse papel, porque muitas vezes já é tarde, visto que nós temos adolescentes de 15/16 anos já vivendo com HIV, muitos com Aids. Ponta Grossa tem um cenário bem especial, por ser uma cidade tradicional onde existe uma dificuldade de falar sobre temas aonde estão inclusos o sexo e o HIV.

 

Ficha Técnica:

Repórter: Kauana Neitzel

Publicação: Kauana Neitzel

Supervisão: Textos III, Vinicius Biazotti.

Foto ivermectina bula e indicação Por Maria Fernanda de Lima 1

Foto: Maria Fernanda de Lima 

Profissionais farmacêuticos possuem dever fundamental na hora de orientar consumidores sobre a compra desses medicamentos

Conforme pesquisas realizadas em 2020, a venda de remédios que compõem o chamado Kit Covid, que é tido como uma proposta de tratamento precoce para a Covid-19, mais que dobraram nas farmácias brasileiras, isso levanta uma série de questões, sobre como os farmacêuticos devem agir diante dessa procura e como lidar com a propagação de notícias falsas sobre o tratamento.

A campanha de vacinação contra a covid-19 atingiu a marca de 25.650 doses aplicadas em Ponta Grossa no dia 23 de março. O grupo de pessoas entre 75 e 78 anos foi contemplado com a imunização no dia 20 de março.

De acordo com o plano estadual de vacinação, a população paranaense nessa faixa etária é de 215.843 pessoas.

Ficha Técnica:

Reportagem: Marcella Panzarini

Publicação: André Ribeiro

Supervisão: Rafael Schoenherr

Perfis que veiculam informações contra a vacinação chegam a 14 mil membros

Em meio à pandemia do Covid-19, juntamente com o recordes de mortes diárias e média móvel dos casos, o Brasil ainda apresenta movimentos antivacinas nas redes sociais. Em uma busca rápida pelo Facebook, rede social considerada hoje um dos polos destes movimentos negacionistas da imunização, periculosidade do vírus e distanciamento social, foram encontradas pelo menos cinco espaços destinados apenas para questionar a necessidade de vacinação. O maior deles, a página denominada “O Lado Obscuro das Vacinas” continha cerca de 3 mil e 300 curtidas e um grupo com mais de 14 mil membros.

 

Para especialistas, vacina é a forma mais eficaz de conter a pandemia. Foto: Emanuelle Benício

A página que chega a mais de três mil curtidas, possui postagens destinadas a questionar a vacinação. A média de curtidas dos posts é baixa, se comparada com o número de seguidores. Nas ultimas cinco postagens, o número de curtidas não passa de 100. A média de interações fica entre 10 e 30 publicações. Os conteúdos são em maioria informações falsas, ou fatos retirados de contexto. Encontra-se na página, post do último dia nove de fevereiro, prints com mensagens recebidas nos Whatsapp e Instagram (ambas redes sociais do mesmo dono do Facebook) com supostas mortes e reações negativas com as vacinas do Covid-19.

Na página também é possível visualizar os “memes”, frequentemente usados e publicados na internet, banalizando a imunização e a recomendação por partes das autoridades públicas e de saúde para que a população se vacine.

Dentro da página também existe uma publicação, com uma chamada para um grupo público. O grupo possui o mesmo nome da página, “O Lado Obscuro das Vacinas”, e é encontrado dentro da rede social e aberto para qualquer um entrar e aderir. O total de membros de acordo com a contagem fornecida pela rede social e de 14 mil membros. Nas postagens e discussões, visualiza-se postagens dos membros com links de notícias sobre as vacinas (geralmente fora de contexto) com conteúdos apontando mortes por conta da imunização. As maiorias dos portais são de caráter duvidosos, com posts sem informações confirmadas, e matérias com conteúdos duvidosos. Além dessas notícias, também aparecem declarações dos membros zombando da origem das vacinas, utilizando motivações xenofóbicas, como um membro que postou “Pergunta sincera: As variantes do vírus chinês surgiram antes ou depois da vachina?” Postou um membro do grupo.

Ele utilizou o termo “vachina”, com o objetivo de zombar com uma das vacinas produzidas pelo Instituto Butantã, da Universidade de São Paulo(USP), a CoronaVac. A vacina foi produzida pelo Instituto em parceria com uma Farmaceútica chinesa Sinovac. Memes, postagens com conteúdos alarmistas sobre reações colaterais da vacina, são frequentemente postadas no grupo com pouco mais de 14 mil membros.

Outra página com um número considerável de adeptos ao movimento negacionista da vacinação, é o Movimento Contra Vacina no Brasil – MCV . O perfil possui mais de 1.100 curtidas. Com caráter mais agressivo contra as medidas de segurança definidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como uso de máscaras, distanciamento social e a vacinação, o perfil utiliza frases de teor conspiracionista, ou seja, com teorias sem fundamentos acerca das medidas de segurança recomendadas para combater a pandemia. No dia sete de março, a página publicou a frase “Lockdown, Vírus, V4c1na (o número 4 foi remetido a letra ‘A’, e o 1 a letra ‘I’, utilizado frequentemente na internet para frases com irônia) Máscara.. Faz parte de um projeto social que durará até 2025, povo que NÃO entendeu ainda”. Outro post feito pela página foi no quatro de Março, foi que “Ficar em casa é se acovardar! Sim, já estamos articulando manifestações no centro de Curitiba. Aguardem!”. Também são compartilhados na página vídeos, imagens, prints de whatsapp e conteúdos não confirmados e retirados de contexto.

De acordo com a professora do Departamento de Enfermagem da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Jacy Aurélia Vieira de Souza, essa é situação preocupante pois acredita que a vacina é nossa maior esperança. “A vacinação, sem dúvida, é a principal esperança para conter a disseminação do novo Coronavírus. À medida que aumente o número de vacinados, o vírus tende a circular menos, reduzindo transmissões e infecções.” A professora ainda afirma que a vacinação é um dos recursos mais potentes da saúde pública, e o que mais impactou positivamente no controle de diversas doenças, melhoria na qualidade de vida e aumento da expectativa de vida da população. “Dito isso, deve-se lembrar de que vacinar é um pacto coletivo, ou seja, além da proteção individual. Para além do risco individual em não se vacinar, temos o risco do reaparecimento de doenças já controladas, como foi o caso do sarampo” relembra a professora.


Fake News: Uma aliada ao negacionismo

Segundo Wasim Aluisio Prates Syed, membro do grupo de combate a desinformação e em defesa da imunização, União Pró Vacina da USP, aponta que “Os usuários desses perfis expõe a desinformação clara, enganando com a falsa premissa de que toda opinião e posição é válida quanto o consenso científico.” O membro do grupo completa que a permanência destes perfis nas redes sociais como o Facebook, mostram duas possibilidades: ou essas redes têm desinformação, ou são coniventes por interesses financeiras. “Conspirações são altamente viralizáveis e promovem muito engajamento, fatores interessantes pros algoritmos sociais” completa Syed.

O membro do grupo, que é ativo nas redes sociais com checagem de notícias falsas e compartilha informações reais sobre esse debate, acredita que combater essas notícias falsas que circulam sobre a vacina é um trabalho com muitos atores. “A imprensa deve fazer uma comunicação clara, com agências de checagem cada vez mais promovidas, e os cientistas e universidades devem se empenhas ainda mais em comunicar e educar a população” opina Syed. As notícias falsas e a desinformação são armas utilizadas frequentemente por adeptos ao movimento de negação da vacina e da ciência.

Pesquisadora em Comunicação Política e graduada em Jornalismo pela UEPG, Camilla Tavares explica que esse movimento antivacina já permeia em alguns anos aqui no Brasil. “O movimento antivacina, embora tenha voltado com a questão do Covid-19, ele surgiu na década de 90. Ele surge em uma desconfiança de um estudo científico na época, associando o autismo a um determinado tipo de vacina”. A pesquisadora completa que com as redes sociais, essa realidade se potencializou e virou um fator preocupante.

Tavares toca em um ponto que atrela os movimentos de negação da vacina e da ciência, com o contexto político. Tivemos desde o início da pandemia, políticos e membros de cargos público liderando movimentos a favor da negação da ciência e dos cientistas. Incluindo o Presidente da República Jair Bolsonaro, que investiu dinheiro público na produção de Cloroquina, por acreditar que o remédio combatia o Covid-19. Porém, nunca foi comprovado cientificamente que a Cloroquina era eficaz contra o vírus. Dentre seus aliados políticos, tivemos outros episódios com fatores que descredibilizaram a ciência. “Existem estudos preliminares fora do país que apontam que a posição da população em virtude da pandemia varia conforme os grupos políticos no poder. Portanto, acredito que esse estudo possa ser trazido para a realidade do Brasil”. Tavares afirma que para que as pessoas entenderem a gravidade dessas negações, e que o país avance positivamente no combate à Pandemia, os políticos e lideranças públicas devem mudar seu discurso e suas ações. “A gente vai conseguir avançar nessa discussão, fazer com que as pessoas entendam a gravidade, quando nossos políticos de fato, principalmente o Executivo, quando deixarem a negação da ciência de lado, e adotar um discurso em prol da ciência”.

De acordo com o relatório antivacina da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), feito em parceria com a Avaaz.org, 57% dos que não se vacinaram ou não vacinaram uma criança citam uma razão considerada incorreta pela Sbim e/ou a OMS. Ainda segundo o relatório, 8% dos brasileiros consideram as vacinas inseguras. Destes 8%, 72% viram notícias negativas sobre as vacinas nas redes sociais.

Segundo dados do Programa Nacional do Ministério da Saúde(PNI/MS) , nos últimos dois anos a meta de ter 95% da população alvo-vacinada não foi alcançada. Vacinas importantes, como a tetra-viral, que previne Sarampo, Caxumba, Rubéola e Varícela, teve o menor índice de cobertura: 70,69% em 2017.

Ficha técnica: 

Repórter: Germano Busato

Supervisão: Vinicius Biazotti

Publicação: André Ribeiro

A cidade tem UTIs lotadas e o número de  de casos e mortes aumenta a cada dia

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A 3ª Regional da Saúde recebeu, no dia 12 de março, 4080 doses de vacina contra a Covid-19 para serem distribuídas, entre os 12 municípios paranaenses. Segundo a infectologista Gabriela Magraf, a vacinação lenta por conta das poucas doses atrasa o cronograma de imunização, o que, por sua vez, agrava a pressão no sistema de saúde da região de Ponta Grossa. “A vacinação lenta nos grupos prioritários faz com que os serviços de saúde fiquem superlotados, com casos graves e óbitos. “Precisamos vacinar esses grupos prioritários que têm muito mais risco de ir a óbito se contrair a doença. Precisamos aplicar a segunda dose”, ressalta a especialista.
A taxa de transmissão de 1,8 do vírus levou o sistema de saúde na cidade ao colapso no dia 11 de março de 2021. A UPA Santa Paula paralisou o atendimento ao público devido a não suportar receber mais pacientes e o Hospital Regional de Ponta Grossa também opera com superlotação. Há  quase um mês os leitos de UTI covid estão com 100% da ocupação. O pronto atendimento do hospital, que possui capacidade para quatro pessoas, opera com funcionamento acima dos 500%.
Ficha Técnica:
Repórter: Leonardo Duarte
Edição: Maria Eduarda Eurich
Publicação: Mirella Mello
Supervisão: Profs. NRI I Fernanda e Rafael K e Textos II Kevin

Dos 355 mil habitantes da cidade, cerca de 250 mil devem ser imunizados

 

A estimativa feita pela Prefeitura de Ponta Grossa considera duas possibilidades para imunizar a população. Em um primeiro cenário, do ritmo atual, apenas com as doses enviadas pelo Ministério da Saúde, seriam necessários 240 dias para vacinar 250 mil pessoas acima de 18 anos seguindo o Plano Nacional de Imunização. Nesse ritmo, a vacinação terminaria em outubro. Em um segundo cenário, com as doses do Ministério da Saúde mais as doses de um Consórcio de Municípios para compra de vacinas, com média de 40 mil doses a mais por mês, seriam necessários 180 dias para imunizar a população. Assim, a vacinação terminaria em setembro.

 

Para conter a pandemia em até um ano, o Brasil precisa vacinar pelo menos 2 milhões de pessoas por dia. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Com todos os leitos de UTI e enfermaria lotados, sistema de saúde público e privado entra em colapso. Confira mais informações na reportagem em áudio:

Ficha técnica

Narração: Heryvelton Martins

Reportagem: Heryvelton Martins

Supervisão: professora Paula Melani Rocha