O local atende cerca de 350 pessoas por mês e novas vagas só são abertas quando um tratamento é finalizado.

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Falta e atraso de médicos, associados à baixa remuneração, são apontados como as causas das filas de espera que podem durar anos

 

Muitos pacientes, que vêm à Ponta Grossa em busca do serviço médico especializado do Sistema Único de Saúde (SUS), enfrentam problemas como a demora no atendimento e a falta de médicos. Segundo o secretário da Terceira Regional de Saúde de Ponta Grossa, Isaías Cantoia, o tempo para obter por uma consulta, para as pessoas que já se cadastraram na fila de espera, pode durar de meses a alguns anos.

 


O Governo do Estado oferece transporte para levar pacientes de cidades onde não há o atendimento especializado pelo SUS para os municípios que disponibilizam o serviço,  como é o caso de Ponta Grossa. As consultas são realizadas no Consórcio Intermunicipal de Saúde (Cimsaúde), no Hospital Santa Casa e no Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais.

 


Alguns pacientes estão há mais de cinco anos esperando por atendimento. Outros optam pelo atendimento particular por causa da demora. É o caso de Irani Oliveira, professora aposentada de 69 anos da cidade de Castro.“Tive uma situação em que eu precisei de um médico cardiologista. Fui atendida no posto e encaminhada para a fila de espera, mas demorou muito tempo para eles agendarem”, relembra Irani. A aposentada queixa-se ainda de que “a fila de espera é enorme”. Apesar de ser um caso de urgência, Irani ainda aguardou por dois meses.  A professora afirma que, após esse tempo, foi obrigada a buscar atendimento na rede privada, uma vez que ela não havia conseguido agendamento pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde (Cimsaúde).

 


Dona Elaine Santos Rieger, de 72 anos, residente em Castro, ficou por quase três anos na fila de espera para o atendimento em Ponta Grossa. Desde o final de 2015, ela aguardava para se consultar com um oftalmologista. “Somente agora [em agosto deste ano] eles me chamaram. É ruim a gente ser refém desse tipo de atendimento”, reclama. “Mas tô aqui, hoje, pra ver se vão me chamar ou se eu volto pra casa de novo sem ser atendida”, afirma.

 


 Para Gilmar Santos, aposentado de 68 anos e residente de Telêmaco Borba, além das filas, o deslocamento é outro grande empecilho enfrentado. Santos, que buscava atendimento endocrinológico, também queixa-se da demora e de que os pacientes, às vezes, voltam pra casa sem o atendimento, tendo que retornar no dia seguinte.

 


“Em Telêmaco, desde que eu fui à especialidade até me chamarem para ser atendido, demorou quase um mês. E, na minha cidade, só tem um médico endocrinologista e ele não atende pelo SUS. Então, ficamos refém do atendimento em outras cidades”, reclama.

 


Problema pode estar na baixa remuneração e no atraso dos médicos

 


De segunda a sexta-feira, chega a Ponta Grossa pelo menos um ônibus vindo de Ortigueira, Castro, Telêmaco Borba e Reserva. Em média, cada veículo traz de 20 a 30 pacientes para atendimento no Hospital Santa Casa, na Terceira Regional de Saúde, no Hospital Regional e no Cimsaúde. Quando os ônibus estão com lotação máxima, as prefeituras disponibilizam veículos menores para o transporte. O administrador do Consórcio, Luciano Camargo, explica que embora o número de pacientes varie, diariamente, a demanda é sempre alta. O número de atendimentos, segundo Camargo, gira em torno de 30 pessoas por dia.

 


 Há 8 anos, o motorista Valdecir dos Santos Gouveia faz o transporte de Ortigueira a Ponta Grossa. “Tem vezes que vem uns 15 passageiros, mas há dias em que pode vir dois ônibus e mais carro pequeno, porque só os ônibus não são suficientes para levar as pessoas. Porém, a quantidade varia”, conta Valdecir. Além da fila de espera, que pode durar anos, Gouveia ainda explica qu e problema enfrentado pelos pacientes enfrentam é a demora para serem atendidos no dia em que a consulta foi agendada. O motorista alega que isso é provocado pelo fato de que há médicos que vêm de Curitiba para atender as especialidades de Ponta Grossa e o deslocamento sempre acaba atrasando as consultas.“O horário que saímos das cidades é às 5 horas da manhã, mas não existe horário de retorno definitivo”, explica alegando que o atendimento é demorado e que, muitas vezes, o paciente mesmo tendo horário agendado não consegue a consulta por causa da demora.

 


O motorista faz a viagem todos os dias, de segunda a sexta, deixando pacientes nos diversos pontos de atendimento em Ponta Grossa. E, no sábado, ele leva os pacientes apenas para o Consórcio Intermunicipal de Saúde. “Nós levamos em todos os hospitais, até no Regional, onde o problema de demora é o maior de todos. Os pacientes esperam. Nunca são atendidos na hora e, muitas vezes, voltam pra casa sem a consulta. No outro dia, tentam de novo”, descreve.“Essas especialidades são de difícil acesso porque são poucos os serviços que oferecem pelo SUS essas consultas e esses exames, por ser pouco serviço, as filas são grandes por ser filas do estado todo.” Na Santa Casa, a média é de 923 pacientes atendidos, mensalmente, pelo SUS. O hospital conta apenas com 20 médicos das seguintes especialidades: Oncologia, Cardiologia, neurologia, vascular, cirurgia em geral e gestação de alto risco.

 

Já no Hospital Regional conta com especialistas de oito áreas: cirurgia geral, pediátrica, plástica, endocrinologia, ginecologia, neurologia, obstetrícia de alto risco e ortopedia. Os at endimentos no Cimsaúde contemplam oito áreas cardiologia, otorrino, dermatologista, endocrinologia, obstetrícia, psiquiatria, neurologia e oftalmologia.  De acordo com o secretário da Terceira Regional de Saúde, especialidades como  cardiologia e oftalmologia, que são as mais procuradas, demoram mais devido ao baixo número de médicos. Cantoia alega que há uma recusa, por parte dos médicos, em atender pelo SUS, pela baixa remuneração. Para o diretor, o problema se encontra na falta de médicos que aceitem atender pelo Sistema Único de Saúde. O Sindicato dos Médicos do Paraná (Simepar) não quis se manifestar a respeito.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer, o câncer de mama é o pricipal motivo de morte entre as mulheres brasileiras. Normalmente o risco aumenta depois dos 50 anos de idade.

 

Confira na reportagem de Luiza Sampaio e Gabriella Vasco como prevenir e diagnosticar a doença.

Embora a radialista Mabel Canto (PSC) seja a primeira mulher de Ponta Grossa a se eleger deputada estadual, os políticos ponta-grossenses que conquistaram uma vaga na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) tendem a repetir o padrão elitista. O novo quadro de políticos que irá ocupar, a partir de janeiro de 2019, o legislativo estadual mantém um perfil hegemônico que não contempla, de modo geral, as minorias.

 

Dos 54 deputados estaduais do Paraná que passaram a integrar a Alep na legislatura teve início 2014 e se encerra neste ano, nenhum é negro, possui patrimônio inferior a R$ 50 mil e representa a comunidade LGBTI+. Além disso, todos já tiveram acesso ao ensino superior.

 

Tendo em vista que mais da metade (61%) dos deputados estaduais foram reeleitos em 2014, observa-se que o perfil hegemônico já vem de legislaturas anteriores. Se considerado o quadro que irá compor a Alep a partir de janeiro de 2019, o desenho elitista se perpetua, sendo que 55,5% dos deputados eleitos em 2014 conseguiram se reeleger novamente.

 

A composição atual da Alep possui apenas três cadeiras ocupadas por mulheres. Com a eleição de 2018, o número cresceu para quatro: Maria Victoria (PP), reeleita, e assume o cargo Cristina Silvestri (PPS), Mabel Canto (PSC) e Luciana Rafagnin (PT). Neste ano, foi eleito apenas um candidato, Galo (Pode), que se identifica como negro. A comunidade LGBTI+ não conseguiu eleger nenhum representante para a nova composição da Assembleia.

 

Com o resultado das eleições de 2018, cai de três para duas vagas a participação de políticos ponta-grossenses no legislativo estadual a partir do próximo ano. Além de Mabel Canto, que recebeu 35.036 votos, foi reeleito o deputado Plauto Miró Guimarães, com 36.332 votos. Houve redução do número de cadeiras e ainda é possível perceber que não somente os políticos eleitos, mas também todos os demais candidatos com residência fixa em Ponta Grossa se enquadram no perfil elitista.

 

 

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Se considerados os candidatos a deputado estadual na eleição deste ano, temos que cerca de 76% dos 13 se enquadram no perfil hegemônico das últimas eleições, exceto pelo fato de que há três mulheres (aproximadamente 23%).

 

Fator econômico mantém elite no poder

 

Para o professor da rede pública de ensino Rodrigo Guidini Sonni, graduado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), historicamente no Paraná, o fator econômico mantém, no poder, pessoas que se enquadram no perfil elitista identificado nas últimas eleições para deputado estadual.

 

“Os candidatos com o perfil hegemônico costumam concentrar as arrecadações. Os financiamentos de campanha fazem com que eles se mantenham [no poder]”, critica destacando ainda o conservadorismo da cultura local. “Existe um racismo estrutural e um machismo estrutural que colaboram para a manutenção desse perfil”, reforça.

 

Na perspectiva dos movimentos sociais, o administrador e integrante da comunidade LGBTI+ e do movimento negro de Ponta Grossa, Cleyton Reis, acredita que o município não lança candidatos que representam as minorias na questão de políticas públicas.

 

Reis foi candidato, pela primeira vez em 2018, a deputado federal pelo partido PSol. Com 556 votos, não conseguiu se eleger.  “Desde que cheguei aqui, em Ponta Grossa, em 2014, percebi a falta de condições e de interesses, em especial, nas condições que promovem a política pública, sua acessibilidade e aceitabilidade por parte dos diversos segmentos que atuam na gestão pública”, critica ressaltando que a candidatura visou contribuir para mudar esse cenário.

 

Para Reis, “valorizar e criar ações conjuntas de interação com as camadas de base, ou seja, de regiões periféricas, possibilitam o acesso à democratização frente ao seu valor e garantia de direitos”.

 

Em relação à formação histórica do perfil hegemônico não inclusivo dos candidatos em Ponta Grossa, o professor de História, Cláudio Dias, afirma: “creio que seja a formação social. Temos uma formação europeia, branca e de ethos empresarial liberal e meritocrático. De alguma forma, isso se enraizou em nossa região e se reproduz perante a população”.

 

Segundo Dias, esta formação influencia no perfil representativo dos candidatos da região que não contempla as minorias, ou seja, pessoas negras, indígenas, alijadas da terra e da moradia e LGBTI+. “Fica fácil entender porque só elegemos perfis hegemônicos”, reitera.

 

 

ENTENDA O QUE SO AS MINORIAS SOCIAIS

O papel da população em relação à manutenção do perfil hegemônico em Ponta Grossa não pode ser desconsiderado, segundo Cleyton Reis. “A participação popular acaba sendo fruto dessa falta de boas ações da gestão pública que as impossibilitam de avançar”, ressalta.

 

O fator crucial de mudança do quadro político em Ponta Grossa, de acordo com o militante de movimentos sociais, seria criar mecanismos e incentivar a economia que favoreça as minorias. Para Reis, isso traria resultados financeiros que permitiriam o equilíbrio nas relações sociais.

 

Os dados utilizados para a análise apresentada nesta reportagem sobre o perfil dos candidatos a deputado estadual no Paraná, foram obtidos através do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) (http://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/).

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) 9 em cada 10 pessoas respiram ar poluído, sendo assim o aumento da venda de veículos contribui com a expansão das doenças respiratórias. Confira na Reportagem de Bruna Kosmenko e Rafael Santos.

Em setembro, foram oferecidos apenas 350 atendimentos por causa do impasse na renovação de contrato entre Hospital Santa Casa e Governo Estadual

Com a finalização do prazo de vigência do antigo contrato de prestação de serviço do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Ponta Grossa, o número de consultas mensais pelo Sistema Único de Saúde (SUS) baixou de 1.200 para 350. A mudança provocou o cancelamento de vários atendimentos no último mês e, após o fechamento de novo acordo em 27 de setembro, o limite de consulta foi fixado em apenas 850, o que representa uma queda de 30%.

 


Pacientes que tiveram a consulta desmarcada, sem previsão de nova data, ficaram apreensivos. É o caso da paciente Leonil Aparecida Correa Lima, que recebeu o diagnóstico da doença em 2015. O câncer no útero progrediu para uma metástase que, atualmente, se encontra em estágio 5.
Leonil teve a consulta desmarcada um dia antes do atendimento previsto para o dia 20 de setembro, pelo Hospital Santa Casa. A explicação recebida para o cancelamento foi o fato de que o hospital não estava recebendo a verba para pagar os médicos.

 


A paciente explica que a última consulta pelo SUS se deu em janeiro e, na ocasião, o médico pediu uma tomografia. Indignada, ela destaca que fez o exame em julho para ser entregue na consulta cancelada de setembro. “É preocupante, pois está demorando demais. Eu não sei quando vou entregar para o médico ver como está a minha situação”, queixa-se.
A situação de espera e demora gera angústia diante da gravidade da doença. “Será que eu aguento esperar todo esse tempo? É um câncer bem grave. É uma metástase. Eu fico muito preocupada com tudo isso, mas não tenho o que fazer. Tenho que aguardar, pois é pelo SUS”, lamenta.

 


A entrevista ao Portal Periódico foi realizada em final de setembro. No início deste mês, a paciente conseguiu reagendar a consulta para o dia 24 de outubro. No entanto, foram várias tentativas de contato por telefone, seguindo procedimento orientado pelo próprio Hospital, no momento de cancelamento.
Depois de várias tentativas frustradas, Leonil foi, pessoalmente, ao Hospital, no dia 5 de outubro, e conseguiu o agendamento para mais de um mês após a data inicialmente prevista. E, portanto, cerca de três meses após a realização da tomografia.

 

Negociações duraram quatro meses


O contrato entre o Hospital Santa Casa de Misericórdia e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) do Paraná expirou em junho passado. Os impasses e a demora para a aceitação de um novo contrato foram as causas do cancelamento das consultas.

 


Segundo o técnico administrativo da Sesa, André Luiz Albuquerque Lisboa, em maio deste ano havia sido solicitada, pela Terceira Regional de Saúde de Ponta Grossa, uma nova proposta de contrato, mas não houve retorno da Santa Casa de Misericórdia. O retorno, segundo Lisboa, só aconteceu em agosto.
“A proposta enviada pelo Hospital Santa Casa, em agosto, estava muito fora daquilo que o Estado tem de recursos financeiros. Então, foi enviada [nova proposta] para avaliação e o Hospital não concordou com um dos itens propostos no contrato e não assinou o contrato até hoje”, afirma André.
A equipe de reportagem do Portal Periódico solicitou dados sobre o contrato, o que inclui os valores propostos. No entanto, a Sesa disse que teria dificuldade em fornecer a informação uma vez que os valores variam de acordo com o tratamento.

 


No antigo contrato, que acabou em junho, estavam previstas 1.200 consultas mensais. Até que novo acordo fosse fechado, o Hospital Santa Casa voltou a atender 350 consultas, como previsto no contrato anterior ao que perdeu vigência em meados de 2018.
Somente no dia 27 de setembro, um novo contrato foi aceito pelo Hospital. Contudo, ele não prevê o mesmo número de atendimentos do anterior. “Não vão voltar às 1200, no momento. A Santa Casa irá atender 850 consultas mensais, mas [somente] após um trâmite burocrático de contrato, provavelmente voltarão a ser atendidas as 1200 consultas”, afirma André.

 


A administração da Santa Casa foi contatada por email, por telefone e pessoalmente, mas em nenhuma das situações a equipe de reportagem obteve um posicionamento da instituição sobre o cancelamento das consultas, o retorno ao antigo contrato e a negociação do novo acordo.
Segundo a Sesa, em média, 300 pacientes iniciam, mensalmente, tratamento de tumores e investigação de câncer, no Hospital Santa Casa, que é responsável por cirurgias e quimioterapias. Já o Instituto Sul Paranaense de Radioterapia (Ispar) disponibiliza o tratamento de radioterapia pelo SUS. Contudo, nesses dois hospitais de Ponta Grossa, são tratados apenas tumores sólidos de adultos. Os pacientes com tumores não sólidos, bem como as crianças e os adolescentes, são enviados para os hospitais Erasto Gaertner, em Curitiba, e Angelina Caron, em Campina Grande do Sul.     

 

Lei dos 60 dias não é cumprida


O paciente que é diagnosticado com câncer é amparado pela Lei nº 12.732 de 22 de novembro de 2012 que prevê o prazo de 60 dias para o início do tratamento de quem é identificado com neoplasia maligna.


A assistente social da Rede Feminina de Combate ao Câncer, Fernanda Schoemberger, comenta os impasses no cumprimento da lei. “Dentro do encaminhamento, demora duas ou três semanas para o paciente entrar no hospital e ter uma consulta com o especialista. A partir disso, são feitos exames e biópsias”, explica. Fernanda também afirma que esse prazo não é seguido por diversos fatores, como a precarização do SUS resultante da falta de investimento na área da saúde.

 


O técnico administrativo da Sesa, André Albuquerque, reconhece que há o descumprimento da Lei. “Esse prazo, às vezes, extrapola não necessariamente por negligência do serviço.” André explica, no entanto, que algumas vezes o paciente já chega debilitado ou é idoso e não consegue fazer as quimioterapias. Nesses casos, os pacientes precisam esperar a melhoraria da condição clínica para poder iniciar o tratamento, completa o assistente administrativo.

 


A Rede Feminina de Combate ao Câncer é uma alternativa para suprir as faltas que surgem no atendimento pelo SUS na cidade. A Rede, que existe há 60 anos, atende 200 pacientes. A Instituição oferece próteses, exames, cânulas, medicamentos e bolsas de colostomia e urostomia. Além disso, são realizados trabalhos sociais de distribuição de fraldas, roupas, agasalhos, cestas básicas, suplementos alimentares e perucas.

 


Fernanda explica que, nos casos em que o paciente está debilitado, ele inicia o tratamento paliativo, que é somente a prescrição de medicamentos para dor. Schoemberger afirma ter registrado casos de pacientes que vieram até ela relatando dificuldades até para conseguir esse tipo de medicamento pelo SUS.


 “Pense como é isso. O paciente, com dores em todas as partes do corpo, não consegue dormir e nem se alimentar. Vivencia dores todos os dias até a morte. Às vezes, demora um ano ainda para falecer. Isso é desumano”, relata.

 


“Nós temos um sistema precário, com pessoas não capacitadas, que não entendem de legislação e que acabam atendendo como é imposto dentro do serviço”, descreve Schoemberger criticando ainda a falta de uma gestão participativa.


De acordo com Fernanda, os pacientes, em tratamento pela Rede e pelo SUS, apresentam outras queixas. Entres os problemas, destaca a assistente social, está o relato de que o tratamento é iniciado apenas três meses após a realização da biópsia, ultrapassando o prazo de 60 dias previsto em lei.
O Instituto Sul Paranaense de Radioterapia foi consultado, pessoalmente e por e-mail, para saber como estão os atendimentos pelo SUS, mas se recusou a dar entrevista.

Embora o Hospital Regional seja o único a realizar parto humanizado em Ponta Grossa, nem todos os direitos da mãe são garantidos


“Começaram a me sugerir, faz assim, faz assado e não me deixaram fazer aquilo que meu corpo estava pedindo. Eu queria voltar para a água, mas não deixaram. Depois, o obstetra chegou e foi toque atrás de toque, muitos toques vaginais e isso me incomodou muito. Mas a questão principal foi com o recém-nascido, quando o Miguel nasceu”, declara a professora Aline Fevereiro lembrando-se que o filho foi submetido ao “kit terror”.

 

 

Mãe de quatro filhos, Aline descreve que a contratação de um pediatra humanizado teria impedido que o bebê fosse submetido ao “kit terror”. Aline relata que o filho foi submetido ao procedimento que, embora não seja recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), é padrão nas maternidades brasileiras. Segundo a mãe, o “kit terror” é aspirar as vias aéreas do bebê, causando desconforto, e separar a mãe da criança, que é colocada em berçário.

 

O relato da professora reflete problemas enfrentados por muitas gestantes brasileiras. Segundo um estudo da Fundação Perseu Abramo realizado em parceria com o Serviço Social do Comércio (SESC), em 2010, uma a cada quatro mulheres sofreu algum tipo de violência obstétrica no Brasil.

 

 

O parto humanizado, realizado na residência da gestante, é uma saída para evitar o problema. É o caso de Aline que, após a experiência traumática no nascimento do primeiro filho, optou pelo procedimento nas três gestações posteriores. Queixando-se da privação dos direitos negados no hospital, Aline afirma que, se tivesse optado pelo parto domiciliar na primeira gravidez, teria tido liberdade para realizar o parto em seu tempo.

 

 

Em Ponta Grossa, o parto domiciliar é uma alternativa à falta de estrutura adequada para a realização do parto humanizado na rede hospitalar. A médica obstetra Valdineia Xavier aponta que o problema afeta tanto a rede pública como a privada.

 

 

Xavier destaca que o Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais, que possui a maior maternidade da cidade, já realiza mais partos humanizados, mas nem todos os direitos e procedimentos são respeitados. Segundo a médica, por não terem seus direitos preservados nos hospitais, as gestantes estão buscando maneiras alternativas para o nascimento dos filhos. Uma dessas alternativas é a realização do parto domiciliar, feito na própria residência das gestantes.

 

 

Violência obstétrica desrespeita direitos da mãe e da criança

Valdineia Xavier descreve que a violência obstétrica é toda intervenção sofrida pela mulher, que, muitas vezes, não é necessária, como a tricotomia e episiotomia de rotina. Na avaliação da médica, esses procedimentos não afetam o andamento do parto e não oferecem riscos à saúde da mulher e da criança.

 

 

A médica complementa que a violência obstétrica pode ocorrer através de agressão verbal, da negação do direito de acompanhante e de atendimento no hospital, além da restrição do leito à mulher ou do impedimento da gestante de escolher a posição do parto.

 

 

Embora a gestante tenha o direito de montar um plano de parto, o documento muitas vezes é desrespeitado pelas maternidades. O plano “é uma lista, feita pela mulher ou por um profissional junto com a gestante, onde estará tudo descrito, o que ela gostaria que acontecesse no parto e aquilo que ela não gostaria”, descreve a médica.

 

 

Segundo a enfermeira do Hospital Universitário Regional e professora do curso de Enfermagem do Colégio Elzira, Ana Cláudia da Silva Olenik, para evitar a violência obstétrica, é necessário diminuir os processos invasivos, desconfortáveis e desnecessários realizados nas gestantes. Embora sejam rotineiras, essas condutas, na avaliação de Ana Cláudia, “não vão melhorar ou minimizar riscos durante o trabalho de parto”.

 

 

No Paraná, a orientação para a mudança de conduta já está prevista na Lei 184/2015 que trata da humanização de partos. A mudança, com a incorporação das práticas humanizadas, implica em um preparo e conscientização da equipe médica e das mães. “O que nós vemos são prescrições médicas que são cumpridas sem perguntar para a paciente se ela realmente deseja passar pelos procedimentos”, critica a enfermeira. “Falta esclarecimento da mulher, da equipe em relação à palavra humanização em qualquer situação”, avalia.

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Parto humanizado permite protagonismo da gestante

A humanização do parto não consiste apenas na escolha do tipo de parto que será realizado, se natural ou cesárea, mas sim por um cuidado maior com a mulher e com a família da gestante. Ana Cláudia explica que a humanização se dá na forma de acolhimento.

 

 

A enfermeira afirma que isso significa colocar a mulher “a par de situações que vão se apresentando durante o trabalho de parto, para que ela, como a principal protagonista da ação possa estar ciente da situação que está acontecendo e também tenha o direito de opinar, se ela está favorável ou não a determinado procedimento”.

 

 

Segundo a cartilha “Humanização do parto. nasce o respeito. Informações práticas sobre seus direitos”, publicada em 2015 pelo Ministério Público de Pernambuco, a humanização “está focada no respeito às escolhas das mulheres, no direito de atendimento digno, respeitoso e sem qualquer tipo de violência”. Ainda segundo o material educativo, os direitos de parto humanizado devem ser respeitados em qualquer local, seja em um hospital público, privado ou na residência da mulher. Parto domiciliar não é sinônimo de falta de rigor técnico.

 

 

Embora realizado na casa da gestante, o parto domiciliar conta com um grupo de profissionais - uma doula, uma parteira, um médico obstetra e um pediatra - especializados em partos humanizados. A equipe acompanha todas as etapas da gravidez junto à mulher. Aline Fevereiro conta que, nos três partos domiciliares, pôde ter a presença da família. A mãe avalia que, nesse tipo de procedimento, é respeitado o tempo do corpo da mulher, ou seja, não há a interferência ou antecipação da equipe profissional para acelerar o processo de trabalho de parto.

 

 

A professora, que vivenciou o parto hospitalar e o parto domiciliar, relata as principais as vantagens da experiência vivência na própria residência. “[No parto humanizado], a gente chama a equipe quando a gente acha que deve”, aponta destacando que é, a partir daí, que começa uma comunicação entre a mãe e a equipe. “Quando eles acham que devem vir, eles vêm e é outro esquema. O toque vaginal é um durante todo o trabalho de parto”, afirma.

 

 

Outra diferença está no respeito à forma de ausculta fetal tal como recomendada da Organização Mundial da Saúde (OMS). “A ausculta fetal em trabalho de parto ativo deve ser feita a cada meia hora e, no hospital, eles não fazem isso”, critica.

 

 

Em relação à escolha do parto domiciliar, Aline Fevereiro comenta que a decisão não foi influenciada somente pelas características do parto em si, mas também pelo momento imediato ao parto. “O bebê fica perto o tempo todo e o exame feito no recém-nascido, logo após o nascimento, é realizado no colo da mãe”.

 

 

A liberdade é outro diferencial. “Você tem liberdade total para fazer o que você quiser e ter seu filho no lugar e do jeito que você desejar. É liberdade total e absoluta”, declara. Segundo a professora, apesar da grande liberdade, não faltam preparação e rigor técnico. “Você tem prontuário e tudo mais, tudo muito certinho”, ressalta.

A fundação de Assistência Social de Ponta Grossa oferece alimentos especiais para aqueles que possuem Intolerância ao glútem, mediante a apresentação do laudo médico.

Confira a reportagem de Francielle Ampolini e Mariana Santos:

 

 

O número de psiquiatras da rede pública de saúde Ponta Grossa está abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que são nove profissionais para cada 100 mil habitantes. O município, que tem uma população de 348.043 pessoas, disponibiliza apenas dez médicos dessa especialidade em serviços públicos. Apesar de a quantidade ter aumentado desde 2009, quando eram apenas quatro servidores no quadro de profissionais da área, ainda se verifica uma carência.

 

 

Segundo a diretora de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde, Ana Paula Almeida Rocha Ohata, mais de 7.153 pacientes foram atendidos pelo SUS de janeiro de 2017 a maio deste ano. No setor de atenção primária do serviço de saúde mental, a cidade tem o registro de 5.452 pessoas com diagnóstico de problemas ligados à saúde mental. “A procura por atendimento na área de saúde mental tem aumentado no Brasil e na cidade em virtude, principalmente, dos casos de transtornos de ansiedade”, descreve Ohata.

 

 

Os atendimentos são alocados na rede pública de saúde mental de Ponta Grossa de acordo com a classificação como casos graves, leves e moderados. Os atendimentos graves são encaminhados para o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Os leves e os moderados são atendidos no Ambulatório de Saúde Mental, contando com apoio da equipe de atenção primária em saúde, como o Ambulatório.

 

 

Na cidade, existem três CAPS: o CAPS II, que atende pacientes com transtornos mentais graves e persistentes, o CAPS Álcool e Drogas (CAPS AD), que atende pessoas com vícios, e o CAPS Infanto-juvenil, que atende crianças com problemas de uso de drogas e transtornos mentais.

 

 

Segundo a coordenadora do CAPS AD, Patrícia Mundrey, os CAPS funcionam de portas abertas. Dessa forma, não é necessário o encaminhamento da rede de saúde e qualquer pessoa pode procurar o serviço. Mas as unidades básicas, os serviços de assistência social e os hospitais também podem fazer o encaminhamento. Mundrey explica, no entanto, que permanecem no serviço somente as pessoas com demandas mais graves.

 

 

O tempo médio de espera, para os casos graves, é de uma semana. Já para os casos leves e moderados o tempo de espera é de 5 a 6 meses pois depende da oferta de serviços e das consultas oferecidas pelo Hospital Universitário Regional e pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde.

 

 

O CAPS II, que conta com a atuação de médico e de psicológico, estimula a integração social e familiar dos pacientes com transtornos mentais. Nele, o atendimento acontece em quatro etapas: a avaliação, o acolhimento, o Projeto Terapêutico Singular (PTS) e as atividades em grupo. A avaliação é a primeira etapa quando os profissionais tentam diagnosticar o paciente.

 

 

No acolhimento a equipe de atendimento explica como funcionam o Caps e as atividades em grupo e também são apresentados os três territórios - divisão de atendimento pela geografia da cidade - que são Centro, Oficinas e Santa Paula.

 

 

Cada território conta com uma equipe de enfermagem, psiquiatra e psicólogo, que atende as pessoas de acordo com a região em que elas moram. O Projeto Terapêutico Singular (PTS) que diagnostica o que acontece com cada paciente para poder encaminhar para outras atividades, como as realizadas em grupo.

 

 

Universitária destaca rapidez no atendimento de casos graves

 

A universitária D.C. (o uso das iniciais visa preservar sua identidade) foi diagnosticada em 2017 com depressão moderada para grave a partir de consulta com profissional da rede privada. Neste ano, após participar de palestra com profissional da rede saúde mental, ela decidiu buscar o atendimento no serviço público. “O que me chamou atenção é que, no CAPS, você pode fazer avaliação a qualquer momento. Quando liguei, não fui bem atendida, mas me disseram que eu poderia ir até lá de terça à quinta, das 9 horas às 17 horas para fazer a avaliação. E eu fui”, relata.

 

 

Atualmente, paciente do CAPS II, a estudante conta que quando chegou ao local pela primeira vez uma atendente pegou seus dados para preencher uma ficha. Após o tempo de espera de 15 minutos foi chamada por um psicólogo que realizou uma sessão de terapia para entender o que a tinha levado ao serviço de saúde mental.

 

 

Logo depois “ele me disse que eu estava no grupo de risco e que eu deveria voltar na semana seguinte para acolhimento”, relembra D.C que julga ter sido curto o tempo de espera pelo atendimento.

 

 

Como a paciente foi incluída no grupo grave, houve a indicação de que ela procurasse o atendimento individual. “Eu posso fazer isso pelo postinho ou no Santana, que disponibiliza esse serviço”, acrescenta. A consulta leva um mês para acontecer, pois cada semana é uma coisa, mas a ideia é manter a rede conjunta, com o postinho e o CAPS.”

 

 

Saúde mental exige atenção do poder público

 

O Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo e o quinto em casos de depressão. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade e a depressão afeta 5,8% da população.

 

 

A OMS alerta que uma em cada 10 pessoas no mundo, o que equivale a 10% da população global, sofre de algum distúrbio de saúde mental. Isso representa aproximadamente 700 milhões de pessoas.

 

 

De janeiro 2017 a maio de 2018, foram realizados, pelos serviços de saúde mental de Ponta Grossa, mais de 30 mil ações de reabilitação psicossocial. O dado inclui todos os serviços e ações desenvolvidas pelos CAPS, como os realizados com grupos e com familiares de pacientes, bem como as atividades externas e reabilitação no CAPS AD.

 

 

Os principais diagnósticos dos atendimentos no município são transtorno de ansiedade, transtorno bipolar, esquizofrenia, depressão e os transtornos relacionados ao uso de álcool e de outras drogas, como destaca a diretora de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde, Ana Paula Almeida Rocha Ohata.

 

 

A psicóloga Danyela Braganhol descreve a diferença entre o trabalho desenvolvido por um médico psiquiatra e um psicólogo. “O atendimento psiquiátrico tem como objetivo principal diagnosticar o transtorno ou doença mental do paciente e iniciar um tratamento com medicamentos”, destaca.

 

 

Braganhol explica que o psicólogo, que não pode prescrever medicação, não tem a pretensão de diagnosticar o paciente, mas o que levou o paciente a buscar o tratamento. “Muitas vezes, os dois profissionais trabalham em conjunto para um melhor resultado”, avalia.

 

 

A psicóloga alerta para a importância do trabalho de prevenção pelo poder público. “O trabalho de prevenção e de identificação das doenças mentais é de suma importância para melhorar a qualidade de vida da população, além disso penso que todos deveriam ter acesso a um tratamento digno e de qualidade”, aponta.

 

 

Para a Ana Paula, as políticas de saúde mental na atenção primária são extremamente importantes. A diretora de Saúde Mental acredita que a saúde mental não está dissociada à saúde geral.

 

 

Danyela Braganhol também ressalta a necessidade de conscientização de que a saúde mental faz parte da saúde básica. “Quando a população se conscientizar de que as doenças mentais fazem parte do nosso cotidiano e que todos estão sujeitos a ter, o preconceito em relação a elas vai diminuir”, avalia.

 

 

“A população precisa compreender que a saúde mental é tão importante quanto a saúde do corpo, entretanto, vejo que este assunto ganhou muita ênfase nos últimos anos e tivemos algumas melhorias, cada vez mais pessoas estão compreendendo a importância de cuidar da mente”, conclui.

 

 

Em resposta à reportagem, a Prefeitura declarou que hoje existem 800 pessoas cadastradas nas unidades dos CAPS, todas estão em tratamento e que não há fila de espera.

 

 

A Prefeitura ainda informou que são 7 (sete) psquiatras que atendem nas unidades dos CAPS e que esse número é suficiente para a demanda de pacientes. E também que no último concurso não foram abertas vagas para psquiatras, apenas para psicólogos e outras modalidades.

 

 

Corredora Roseli Machuca há cerca de um ano da equipe de corrida “Superação”. Foto: João Guilherme Castro

  

Na linguagem dos corredores, a temida "quebra" acontece quando o atleta não consegue manter o ritmo durante toda a prova e precisa reduzir o passo na tentativa de chegar ao final. Funciona basicamente assim: o corpo se sente bem e forte no início da prova, mas com o passar o gasto de energia é tão grande que o corredor tem dificudade de completar a prova. O que acontece na quebra com o organismo, também pode ser comparado aos dramas vividos de quem sofre de depressão.

 

 

No final da tarde de terça-feira, com o café pronto já na mesa, a dona de casa Roseli Machuca calça o tênis, veste o uniforme e se prepara para mais um dia de treino. Então, se despede do cãozinho e do marido e entra no carro. “Tchau, amor, se cuide”. Passa na casa de amigas e, juntas, elas vão ao pátio do Conservatório de Música e da Biblioteca Municipal. Lá estão reunidas, com a mesma camiseta, várias mulheres que conversam animadamente umas com as outras, entre abraços e saudações. Às 19h20, soa o apito. O treino vai começar.

 

 

A equipe de corrida Superação existe há três anos e reúne aproximadamente 120 mulheres de 17 a 65 anos. Os encontros acontecem duas vezes por semana, alternando a semana de corrida com a que as esportistas treinam em circuitos, alongamentos e danças. Para participar, basta entrar em contato com a coordenadora da equipe, Caroline Barchaki. São cobrados R$ 20, mensais, das atletas. Em Ponta Grossa, existem vários grupos de corrida, com diferentes objetivos. Entretanto, a equipe Superação é a única que busca reunir pessoas com depressão, ansiedade e síndrome do pânico.

 

 

A organizadora e policial militar Caroline Barchaki criou o grupo após achar, no esporte, uma saída para enfrentar a depressão. “Foi através da corrida que eu consegui uma segunda chance. Talvez eu nem estivesse aqui se não fosse por ela”, conta Barchaki. “Para mim, correr é vida e eu vejo que correr é vida para elas também, porque não fui só eu que saí do fundo do poço. A gente conseguiu sair junta e a gente sempre ajuda alguém a sair também”, comenta.

 

 

Há dez anos, Roseli Machuca, de 53 anos, luta contra a depressão. Ela estava passando por um momento de manifestação mais grave do transtorno quando, há cerca de um ano e meio, a médica que a acompanhava indicou a realização de uma atividade física. “Na próxima consulta, eu quero ouvir você me contar que está fazendo alguma coisa”. Roseli ficou ansiosa com a situação, pois não estava animada a cumprir a recomendação e cogitou não voltar mais a se consultar com a médica.

 

 

Mas, no intervalo entre as consultas, ela conheceu a equipe de corrida. Informou-se com a organizadora a respeito do funcionamento e disse que iria experimentar participar um dia. No primeiro dia, chegou a pensar em não ir, procurando alguma desculpa para se ausentar. “Era tão forte aquilo que eu sentia de não querer sair que eu queria arrumar alguma desculpa para não ir”. Chegou o horário da aula e meu esposo falou que eu tinha que ir. Quis me esquivar, mas ele insistiu para que eu fosse. “Você falou que iria hoje, vá lá conhecer”. Então, eu fui

 

 

A depressão e o esporte

 

 

No Brasil, segundo a Pesquisa Nacional da Saúde de 2013 realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) junto com o Ministério da Saúde, 11,2 milhões de pessoas foram diagnosticadas com depressão. As definições e critérios médicos sobre a doença não são um consenso entre os profissionais e estudiosos da área. Atualmente, é a quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais que guia o diagnóstico. Segundo o documento, a depressão é caracterizada pela “presença de humor triste, vazio ou irritável, acompanhado de alterações somáticas e cognitivas que afetam significativamente a capacidade de funcionamento do indivíduo”

 

 

.A condição clássica do transtorno depressivo - transtorno depressivo maior - apresenta episódios de pelo menos duas semanas de duração, sendo que, geralmente, a maioria dos casos dura um tempo maior, segundo o manual. Alterações do humor, mantidas por pelo menos dois anos em adultos e um ano em crianças, podem ser características de um quadro crônico do transtorno. É importante ressaltar que é necessária a procura de um profissional adequado para o diagnóstico e tratamento da depressão.

 

 

 

Entenda mais sobre depressão com o áudio do Professor de Psicologia Elvio Maximo

 

“O sujeito [com depressão] vai perdendo reforçadores ao longo da vida”, explica o professor de Psicologia e especialista em Psicologia do Esporte, Elvio Maximo. Um sujeito com depressão, muitas vezes, acaba se isolando, como destaca o professor. “Conviver em grupo, praticando um exercício físico, o motiva e isso vai auxiliar no tratamento dele”, defende Maximo

 

 

.A atividade física libera hormônios no corpo que aumentam a sensação de prazer e bem-estar diminuindo a sensação de desânimo e tristeza causada pela depressão. “O exercício físico libera mais serotonina, mais endorfina. Então, isso vai contribuir para a pessoa de fato melhorar”, explica o especialista.

 

 

Apesar da validação do esporte como uma ferramenta que auxilia no tratamento da depressão, às vezes o paciente não se motiva com a ideia de começar a praticar alguma atividade física. Mas após o início, o praticante percebe os benefícios da atividade e continua a exercitar-se.  “Já tive relatos de pessoas que foram ao treino porque tinham que ir e depois me contaram que estavam felizes por terem ido, pois agora estavam se sentindo bem melhor”, comenta o educador físico Luís Henrique Flaviano.

 

 

A corredora Roseli Machuca foi uma dessas pessoas que, a princípio, relutou em ir ao treino, mas após participar do primeiro dia de aula, não perde nenhuma corrida mais. Quinze dias após o primeiro dia, ela voltou para a consulta com a médica. “Tenho duas novidades”. A primeira era que ela estava fazendo uma atividade física e a segunda era que ela tinha ganhado uma medalha na primeira corrida que participou.

 

 

A paciente, iniciante na prática da corrida, tinha participado de uma prova rústica de cinco quilômetros. “Foi uma emoção muito grande. Eu quase não consegui terminar a prova, mas eu terminei o percurso”. E desde que se tornou membra do grupo, foram sete participações em corridas, tendo ganhado várias medalhas.


 

As medalhas de participação e premiação da corredora Roseli Machuca.

Foto: João Guilherme Castro

 

O desafio de superar o limite físico da corrida - como ocorreu com Roseli Machuca - pode funcionar como um estímulo, tendo consequência no tratamento. “Para a saúde mental a atividade física é excelente, porque você sai da rotina. Você sempre está fazendo coisas diferentes, conhecendo pessoas, tendo qualidade de vida. Então, são desafios, digamos, todos os dias”, argumenta Caroline Barchaki que, na coordenação do grupo Superação, viu os casos de superação se multiplicarem.

 

 

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2015, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a caminhada e corrida ocupam o segundo lugar na lista dos esportes mais praticados no Brasil, com 9,5 milhões de adeptos. “A corrida é um esporte democrático, barato, dá para praticar em qualquer lugarzinho. Todo mundo pode praticar e também tem bastantes eventos na cidade e fora dela”, justifica Barchaki.

 

 

A expressão de felicidade é nítida em quem encontra, na corrida, uma forma de superar a depressão, cultivando amizades e colecionando medalhas. “Corridas são muito semelhantes ao que a gente passa no dia a dia da nossa vida. É difícil, tem subidas, tem descidas, tem retas, alegrias, realizações, tristezas, agonias, decepções, mas a gente sempre consegue chegar lá. E, agora, eu estou dando tchauzinho para a minha depressão”, relata a corredora Roseli Machuca.

 

A 3ª Regional de Saúde de Ponta Grossa atende 12 múnicípios da região: Arapoti, Carambeí, Castro, IpirangaIvaí, Jaguariaíva, Palmeira, Piraí do Sul, Ponta Grossa, Porto Amazonas, Sao João do Triunfo e Sengés. Para receber o kit insulina é necessário estar em tratamento com acompanhamento médico da doença, além da apresentação da prescrição médica e demais exames do tratamento.