Manifestação está marcada para este sábado, dia 25, às 16h, na frente da "Igreja dos Polacos"

 

Diante de mais de 454 mil mortos pela covid-19 e os níveis de desigualdade social e pobreza cada vez maiores no Brasil, diversos movimentos sociais e sindicatos realizam uma manifestação nacional no sábado (29/05) contra a falta de políticas públicas pelo governo federal para combater a pandemia.

Em Ponta Grossa, a Frente Ampla Democrática (FAD) da cidade organiza o ato. A integrante da coordenação coletiva da FAD em PG, Jennifer Dias, explica que o protesto, que será presencial, é um ato de resistência contra os desmandos do atual presidente Jair Bolsonaro, além da defesa de outras pautas como a agilidade do programa nacional de vacinação contra a covid-19, lockdown geral para conter a pandemia e um auxílio emergencial de R$600 para os mais de 60 milhões de desempregados.

 

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 Cartaz do ato organizado, em Ponta Grossa, pela Frenta Ampla Democrática. Foto: Reprodução Facebook FAD

 

Jennifer ressalta que a manifestação conta com todos os cuidados de prevenção ao vírus, mantendo condições necessárias aos participantes, além do distanciamento social. “Este é o terceiro ato que realizamos na pandemia, sempre orientados por um modelo de proteção que garanta higienização de pessoas e objetos que estejam na manifestação”, diz. A organizadora do evento informa as justificativas da manifestação. “No 29 de maio destacamos problemas não exclusivos da pandemia, como a reforma administrativa, a CPI do Covid-19 e outros acontecimentos que marcam 2021”, explica.

A FAD, que organiza o movimento na Cidade, é composta por entidades sociais, sindicatos, partidos de esquerda e centro-esquerda, além de pessoas independentes. O ato tem ainda o apoio da Frente Anti-Fascista de Ponta Grossa. A coordenação do movimento pede que os manifestantes sigam todas as medidas sanitárias de segurança, como o uso de máscaras (de preferência PF2), álcool gel e a não-aglomeração entre os participantes na manifestação.

A professora da rede estadual Maria Andreia Dias destaca a importância da participação de PG no protesto nacional. “É um avanço para nossa cidade fazer parte do ato nacional, pois estamos à mercê de medidas sanitárias insuficientes tomadas pelo governo, além dos impactos da falta de políticas públicas para combater a fome e a miséria”, explica. Um dos principais coordenadores do 29 de maio no País, o ex-candidato a presidente Guilherme Boulos (PSOL) publicou um vídeo nas redes sociais convocando apoiadores a comparecer na manifestação: “Quero fazer um convite a todos vocês, vamos tomar as ruas no próximo dia 29 de maiono país inteiro, pelo Fora Bolsonaro”, diz.

A manifestação do dia 29 de maio em Ponta Grossa acontece às 16h na Praça Barão de Guaraúna, em frente à Igreja dos Polacos. Outras informações sobre o evento estão nas redes sociais da organização: clique aqui ou acesse o Facebook da FAD.

 

Ficha técnica

Repórter: Carlos Augusto Solek

Supervisão: Sérgio Gadini

 Abandonar o tratamento pode agravar as fragilidade imunológicas dos pacientes

 

Até 2019, eram 8.355 pessoas em tratamento para Aids em Ponta Grossa. Esse número diminuiu em 2020 para 7.163, 14% a menos. Atualmente, 1.333 pessoas fazem acompanhamento médico para a doença na cidade, 5.830 pacientes a menos comparado ao ano passado

Essa queda se dá junto ao agravamento da segunda onda da pandemia. E o motivo da redução se deve também à pandemia e ao preconceito.

Segundo dados da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa, 2018 foi o ano de maior adesão de pessoas que realizaram o acompanhamento médico, foram 10.428. O coordenador do Serviço de Assistência Especializada (SAE)/ Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) e IST/Aids, Fernando Sandesk, explica o objetivo da medicação: “O objetivo do tratamento para a pessoa que vive com HIV é deixar a carga viral indetectável. A pessoa que vive com HIV e fazendo o uso do medicamento de forma regular e com a carga viral indetectável não transmite o vírus mesmo que se relacione com outras pessoas de forma sexual”.

Quando uma pessoa abandona o tratamento fica suscetível a outras doenças. “Quando alguém que abandona o tratamento ou faz o diagnóstico tardiamente a carga viral começa a se elevar no organismo chegando a milhões de cópias por milímetro de sangue e as células de defesa CD4 vão diminuindo e aí a ficam sucessíveis a infecções oportunistas e uma delas é a tuberculose”, esclarece Fernando.

Testes rápidos

Os testes rápidos realizados também tiveram queda durante a pandemia. Em 2020 foram 16.647 testes de HIV realizados, redução de 18% com relação ao ano de 2019. Naquele ano foram realizados 20.185 testes. Em 2017 foram feitos 24.195 exames, ano de maior testagem realizado. Desde então os números apontam queda, 31% a menos até o ano passado. Um dos pontos que mais dificultam a adesão da população em realizar os testes rápido é o preconceito. “Existe uma adesão razoável para a testagem rápida. Em boa parte, isso ocorre devido ao preconceito. Falar de sexualidade é difícil e especialmente quando são abordadas essas questões de saúde pode ser tarde com relação a prevenção. Por isso o objetivo sempre do programa da saúde é fomentar na maioria dos espaços essa discussão que tratem a sexualidade como forma natural porque faz parte do contexto do ser humano”, comenta Fernando.

A queda na testagem impacta na frequência dos diagnósticos por ano. No ano em que mais foram realizados testes, 188 pessoas positivaram para HIV/Aids. Em 2020 foram confirmados 89 casos, redução de 18% se comparado a 2019 que confirmou 108 pessoas com a comorbidade.

Por e-mail,a prefeitura respondeu que o Serviço de Atendimento Especializado (SAE) está operando normalmente desde o início da pandemia sem restrições aos atendimentos. Sobre o atendimento a prefeitura respondeu o seguinte: “O Ministério da Saúde prorrogou as receitas por noventa dias, sendo assim o fluxo dos atendimentos diminuiu por conta de um critério adotado por eles. Casos novos e pacientes que desejavam se consultar, todos foram atendidos. Em relação à testagem a prefeitura manifestou o seguinte: “Os testes rápidos são oferecidos em toda rede de saúde (Unidades Básicas de Saúde - UBS), por este motivo acredita-se que o cidadão ficou mais restrito na sua casa, na sua comunidade, pois os testes são descentralizados”.

Sobre o HIV e Aids

O HIV é um retrovírus que causa a imunodeficiência humana que provocaa Aids, ou seja, soropositivo. Quando tratado, a pessoa vive com condições de saúde normais. A Aids é o vírus ativo no corpo e passa a se manifestar com os chamados “doenças oportunas”. Os sintomas do HIV são parecidos com a de uma gripe vaivém. Já os sintomas da Aids são perda de peso, infecções recorrentes, sudorese noturna e febre. A transmissão ocorre por relações sexuais sem proteção, uso compartilhado de seringas, materiais cortantes, de mãe para filho e transfusão de sangue contaminado. Os meios de prevenção são o uso correto de camisinha e outros preservativos, não compartilhar o uso de seringas e uso acompanhado por orientação médica de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição).

Segundo o Ministério da Saúde, o PrEP é um conjunto de dois medicamentos em um único comprimido que impede que o HIV se espalhe pelo corpo. Vale lembrar que o medicamento não é 100% eficaz e o uso de preservativo deve ser realizado.

O coordenador da SAE/CTA explica sobre os grupos que tem acesso a esse medicamento. “A PrEP é uma política pública para alguns públicos específicos. É destinado para homens que fazem sexo com outros homens, pessoas transsexuais, profissionais de sexo e casais soro-diferentes. A pessoa que se encaixa nesses critérios pode procurar o SAE que passa pelo acolhimento e é feito alguns exames para ministrar o medicamento”.Os testes são oferecidos de graça nas UBS, Unidades de Pronto Atendimento, SAE e hospitais e devem ser realizados com periodicidade. O tratamento oferecido pelo Sistema único de Saúde é gratuito. A Serviço de Assistência Especializada está localizado na Rua Joaquim Nabuco, ao lado do antigo Hospital 26 de Outubro. O estabelecimento funciona de segunda a sexta das 7h às 16h.

 

Ficha Técnica:

Repórter: Leonardo Duarte

Publicação: Maria Fernanda de Lima

Supervisão: Kevin William Kossar

Crise econômica prejudica ou impede o acesso à alimentação de mais da metade dos brasileiros

 

A crise econômica, agravada pela pandemia, fez com que a insegurança alimentar alcançasse pessoas que não se encontravam em situação de pobreza, mas que passaram por redução de renda. A diretora do Departamento de Refeições da Organização Espírita Cristã Irmã Scheilla de Ponta Grossa, Rosecleia de Fátima Simão Venske, relata que a organização atende moradores de rua em situação de vulnerabilidade e pessoas que possuem algum tipo de moradia, porém com risco social e renda informal. “Durante a pandemia houve grande mudança na questão social, notamos o aumento de desempregados procurando por refeições e também pedindo emprego”, explica.

A Organização Irmã Scheilla possui grupos de voluntários que distribuem refeições em diferentes turnos, de segunda a sábado. Grande parte desse trabalho é custeado pelos próprios voluntários, além de outras doações. “Com a pandemia, sentimos um aumento na solidariedade e sensibilidade da população. Eu sempre digo aos grupos: a fome não tem recesso e nem lockdown”, completa a diretora.

 

Cerca de 19 milhões de brasileiros foram atingidos pela fome durante a pandemia - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil 

 

A professora de Administração da UEPG e também voluntária da Frente Ampla Democrática (FAD) de Ponta Grossa, Marilisa do Rocio Oliveira, menciona que, durante as atividades de entrega de cestas básicas, tem contato com relatos de famílias com dificuldades por conta da pandemia. “As pessoas contavam que, no início, pelo menos algum integrante da família trabalhava, mesmo que fazendo bicos, mas com o prolongamento da pandemia se tornou difícil encontrar serviços e acabou faltando dinheiro para coisas básicas, como a alimentação”.

A FAD divulgou no mês de março algumas reivindicações para o combate à fome que foram acatadas pelo poder executivo de Ponta Grossa. Segundo a professora, é preciso cobrar o poder legislativo para que ações sejam implementadas. “Também é necessário intensificar as discussões por políticas públicas que busquem reduzir as desigualdades sociais em nosso município; É preciso olhar com mais cuidado para a população, pois esse problema já é de longa data, apenas se agravou com a pandemia”, finaliza.

Segundo a Fundação Municipal de Assistência Social (FASPG) e a Secretaria de Políticas Públicas Sociais, durante a pandemia foram enfrentadas algumas dificuldades relacionadas à distribuição de cestas básicas, como a adaptação do orçamento do município e o aumento do preço dos produtos, que dificultou a compra e atrasou a entrega para as famílias atendidas.

Outro serviço que sofreu alterações foi o Restaurante Popular. Durante o ano de 2020, idosos e demais usuários ficaram praticamente sem atendimento por conta de decretos que suspendiam as atividades temporariamente. Apenas o atendimento aos moradores de rua estava permitido por meio de entrega de marmitas.

Cerca de 19 milhões de brasileiros foram atingidos pela fome, segundo dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, desenvolvido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede PENSSAN). Realizada em dezembro de 2020, a pesquisa consultou 2.180 domicílios de áreas urbanas e rurais, de todo o país. Ao todo, 116,8 milhões de pessoas não tinham acesso pleno e permanente a alimentos, ou seja, mais da metade da população enfrenta a insegurança alimentar em níveis que variam entre leve, moderado e grave.

 

Ficha-técnica: 

Repórter: Gabriel Ryden

Editor de texto: Diego Santana

Supervisão: Rafael Kondlatsch, Marcos Zibordi e Kevin Kossar

Publicação: Laísa Braga 

A Rádio Princesa FM tem programação focada em música brasileira com informações para a comunidade local

 

A rádio comunitária do bairro Nova Rússia, em Ponta Grossa, realiza campanha de arrecadação financeira para manter o funcionamento do veículo, que opera há 13 anos na Cidade. Durante a pandemia, algumas empresas reduziram o apoio cultural à Rádio Princesa FM 87.9. E, a partir do início de Maio, entidades apoiadoras lançaram a campanha solidária em redes sociais. Conforme a publicação da Agência de Jornalismo UEPG, uma das organizações parceiras, as doações podem ser feitas por transferência ou PIX.

Encontro "Diálogo sobre outras Economias: Possibilidades de Transformação Social" foi realizado pela internet

 

O fenômeno de uberização cresceu no último ano e, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 68% dos trabalhadores que ficaram sem ocupação no segundo trimestre de 2020 se tornaram  informais e diretamente afetados pela falta de políticas públicas ou regulação do trabalho.

A proposta de compartilhar os meios vem do consumo colaborativo, que nasce pela Economia Solidária (ES), busca organizar os recursos humanos, reduz as desigualdades sociais, repensa o lucro e beneficia a sociedade com o trabalho gerado. Entretanto, os resultados estão na contramão da ES e a uberização exemplifica a precarização e exploração de trabalho, ausência de direitos e informalidade, englobando aplicativos de comida, transporte e estadia.

 

Sem título

Participaram da reunião virtual Pedro Hespanha, Valmor Schiochet e Beatriz Caitana. Reprodução

 

Em encontro virtual, realizado dia 5/05/2021, os sociólogos Pedro Hespanha, Valmor Schiochet e Beatriz Caitana discutiram Diálogo sobre Outras Economias: Possibilidades de Transformação Social’. O debate destacou a definição de Economia Solidária e a transformação de experiências. De acordo com sociólogo e coordenador do Grupo de Estudos sobre Economia Solidária no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (ECOSOL/CES), Pedro Hespanha, atualmente, a modalidade de consumo colaborativo, vertente do ES, gera uma errônea impressão de que os trabalhadores e consumidores não estão seguindo a ordem capitalista. “O negócio das plataformas cria a ilusão de que os consumidores e trabalhadores que prestam serviços participam de uma nova ordem econômica autogerida e democratizada”, explica.

Doutor em sociologia e Mestre em sociologia política, Valmor Schiochet lembra que para a economia solidária funcionar integralmente é necessário um enfrentamento ao capitalismo, capacidade crítica, emancipação das mulheres, consciência ecossocialista e a necessidade de desenvolver uma economia popular. “É preciso articular com a economia pública, não só distribuir renda e sim, ter uma organização de bens e serviços com centralidade na questão ambiental” argumenta.

Programas que buscam trabalhar com a economia e o consumo solidário existem no Brasil em forma de incubadoras de empreendimentos e procuram ajudar os trabalhadores na geração de emprego e renda. Em Ponta Grossa, um exemplo é a Incubadora de Empreendimentos Solidários (IESOL). A estudante Helena Denck destaca a importância das ações. “Esse mecanismo é importante para que os trabalhadores não fiquem sem ajuda e tenham uma estrutura no serviço prestado”, diz.

 

Ficha técnica

Repórter: Maria Catharina Iavorski Edling

Supervisão: Sérgio Luiz Gadini