Hotéis, restaurantes e pontos turísticos registraram queda de público

Parque Vila Velha, um dos atrativos da cidade, teve menos visitação em 2020. Foto: Ângelo Rocha.

 

No último dia 26 de fevereiro completou um ano que a pandemia do coronavírus chegou ao Brasil. Em Ponta Grossa, o fato ocorreu dia 21 de março de 2020. De lá para cá muita coisa mudou e a população teve que se adaptar aos novos hábitos para se proteger da doença do covid-19. No setor do turismo não foi diferente. Hotéis, restaurantes, parques e atrações turísticas tiveram que se contentar com o baixo número de clientes e a pouca demanda devido aos decretos que proibiam aglomerações nesses locais.

Prefeitura não tem cálculo, mas reconhece crescimento; antes da pandemia eram 185 em situação de rua

Desde o começo da pandemia de Covid-19 no Brasil, muitas pessoas viram nas ruas uma saída por conta dos problemas econômicos como falta de emprego, despejo, perda da fonte de renda. Em Ponta Grossa, esse aumento foi visível e a prefeitura e as associações da cidade se dividem para amenizar essa situação e amparar essas pessoas que estão em situações vulneráveis.

Em março de 2020, logo depois do início da pandemia, a cidade possuía cerca de 120 pessoas em situação de rua, que são aqueles que dormem nas ruas e 65 pessoas que moravam nas ruas, por conta de diversos motivos.  Ainda não houve uma pesquisa aprofundada para entender os motivos desse crescimento.Em Curitiba, capital do estado do Paraná, também ainda não há estudos aprofundados sobre o aumento do número de moradores de rua em 2020. De acordo com o Cadastro Único, em 2015 eram em torno de 1.200 pessoas nas ruas, número que em 2019 marcou mais de 2.200.

Onze locais no município são homenagens a políticos ou elementos que remetem ao episódio nacional de 1964 a 1985

 

O atual presidente, Jair Bolsonaro, em dois anos de governo já fez diversas menções à Ditadura Militar em declarações públicas. A última, em 11 de fevereiro de 2021, durante a cerimônia de entrega de títulos de propriedade de terras em Alcântara, no Maranhão, Bolsonaro exaltou os presidentes que governaram durante 1964 a 1985, afirmando que a ditadura é um período “um pouco diferente do que vivemos hoje”. Seu vice, Hamilton Mourão, chega a comparar lockdown – diante da pandemia do Coronavírus – como uma ditadura, no dia 2 de março.
Esses entre inúmeros comentários e associações que políticos geram com a Ditadura nos faz pensar como o episódio nacional, que iniciou a quase 57 anos, está instaurado na sociedade e local em que vivemos, como em nomes de ruas marcados por nomes de indivíduos que fizeram parte do governo daquela época.
Analisando em um âmbito local, em 21 anos do regime militar, Ponta Grossa teve oito prefeitos de três partidos diferentes e três renúncias. Quatro tiveram os respectivos nomes homenageados em escolas municipais, um em hospital municipal e um em distrito espalhados pela cidade paranaense. Além de políticos, a data da Ditadura é nome de um núcleo residencial: o 31 de Março, no bairro Neves.

 

Histórico de prefeitos entre 1964 e 1985

No ano anterior ao golpe, José “Juca” Hoffmann assumiu a prefeitura pela 2ª vez – a primeira entre 1955 e 1958. Jornalista, nasceu em 1904 em Ponta Grossa e foi proprietário do Diário dos Campos por um pouco mais de três décadas, até 1963 ao assumir o cargo que duraria até 1969. Juca renunciou em 66 devido à pressão dos acontecimentos políticos. Plauto Miró Guimarães, advogado e vice-prefeito em 64, tomou posse da prefeitura em 15 de junho de 66 e permaneceu até 31 de janeiro de 69.
Entre 1969 e 1977, Ponta Grossa teve prefeitos integrantes da Aliança Renovadora Nacional (Arena), extinta em 79 no Brasil. O primeiro foi o engenheiro civil Cyro Martins, que implantou o Plano de Desenvolvimento Industrial, PLADEI, com o objetivo de trazer novas indústrias à cidade. Em consequência, tem seu nome homenageado no Distrito Industrial, localizado no Cara-Cará.
Em 31 de janeiro de 1973, Luiz Gonzaga Pinto tomou posse. Mineiro e engenheiro, permaneceu no governo apenas dois anos, renunciando em março de 1975 para assumir o cargo de Titular da Secretária de Negócios da Indústria e Comércio. Em seu lugar, o médico e vice Amadeu Puppi cumpre o tempo restante na prefeitura.
A partir de 1º de fevereiro de 1977, três prefeitos representam dois diferentes partidos. Luiz Carlos Zuk era filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB) ao ser eleito e permaneceu até 82 na prefeitura, renunciando para concorrer a deputado estadual no mesmo ano. Seu vice, Romeu de Almeida Ribas, permanece pelos nove meses restantes de governo. Ao contrário das posses pós renúncia, esta não foi noticiada pelo Diário dos Campos. O enfoque é voltado ao partido da oposição que Romeu era filiado, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). O último político a assumir a prefeitura no período da Ditadura foi o advogado Otto Santos da Cunha. Em 1º de fevereiro de 83, o ponta-grossense permanece no cargo até 1988, quando inicia o processo de redemocratização no país e, consequentemente, as eleições diretas. Em sua trajetória política, já fez parte da ARENA, do PTB e do MDB. Em 82, fazia parte de duas alas do MDB.
O infográfico a seguir mostra o tempo e os anos de governo, os partidos e foto dos ex-prefeitos citados anteriormente.

 

 infográfico prefeitura de ponta grossa durante a ditadura militar

 

Homenagem em locais em Ponta Grossa

O município já teve o total de 41 prefeitos e 45 mandatos – 4 reeleitos – entre 1891 e 2020. É comum os nomes de ruas, escolas, hospitais e outros lugares públicos ganharem nome de pessoas como uma espécie de homenagem e/ou relação direta. Do total de prefeitos, 17 tiveram o nome vinculado a rua, localizadas em 11 bairros, as vias somam aproximadamente 25 km da cidade. A maior via em extensão é a Rua Balduíno Taques, no Centro, com 3,6 km, e a menor, com 0,2 km, Rua Teodoro Pinheiro Machado, no Jardim Carvalho. Apesar de homônimo, a Avenida Pedro Wosgrau, em Cará-Cará, é uma homenagem ao pai do ex-prefeito. Oito em escolas municipais, um hospital municipal, um distrito, um CMEI e um CRAS também recebem o nome de ex-prefeitos, como mostra o mapa a seguir.

 

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Em relação aos oito prefeitos que governaram durante a Ditadura, nenhum teve o nome vinculado às vias. Entretanto, quatro escolas municipais, um hospital municipal e um distrito trazem o nome de quatro prefeitos. Como mostra o mapa abaixo, estão localizados em oito bairros: Boa Vista, Cara-Cará, Centro, Chapada, Contorno, Neves, Ronda e Uvaranas.

 

mapa1

 

Iniciando em ordem cronológica de governo, o nome de Hoffmann é vinculado à Escola Municipal Pref. José Hoffmann em 1978, 19 anos após sua fundação. De acordo com a diretora Milene Favaro, em 1959 era chamada Escola Isolada da Vila Claudionora e tinha ensino de 1ª a 4ª série. Já em 1968 passou a chamar-se Escola Municipal da Vila Claudionora.
A Escola Municipal Plauto Miró Guimarães, no bairro Neves, escolheu o ex-prefeito Plauto Miró Guimarães como patrono. Recentemente em 2018, a Lei Ordinária nº 13321/2018 denominou de Prefeito Plauto Miró Guimarães o trecho de via pública que faz a ligação entre o Contorno Leste e o Distrito Industrial Prefeito Ciro Martins (mencionado abaixo), gerando então a Rodovia Plauto Miró Guimarães. No mesmo ano, o Projeto de Lei 517/2018 tem como objetivo denominar de Prefeito Plauto Miró Guimarães, o complexo viário de acesso ao Jardim Los Angeles na rodovia PRC-373.
Cyro Martins, terceiro governante do período militar, tem seu nome presente em dois tipos de lugares. Como já citado anteriormente, Cyro adotou o PLADEI no município e, na área em que várias indústrias se estabeleceram, é marcada pelo seu nome, o Distrito Industrial Ciro Martins, maior do interior do estado do Paraná. Outra escola também tem Cyro como patrono, a Escola Municipal Pref. Eng. Cyro Martins, no bairro Chapada.
Luiz Gonzaga Pinto foi homenageado em 2012 com a inauguração do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Prefeito Engenheiro Luiz Gonzaga Pinto, na vila Palmirinha, durante a prefeitura de Pedro Wosgrau Filho. O ex-prefeito homenageado faleceu em 2008 em Ponta Grossa.
O próximo ex-prefeito a ter homenagem é Amadeu Puppi, também em dois locais da cidade. Em 1991, foi inaugurado o Hospital Municipal Doutor Amadeu Puppi – lembrando que Puppi era médico – no Centro. Já no bairro Boa Vista, está a Escola Municipal Dr. Amadeu Puppi, inaugurado em 9 de dezembro de 1995. De acordo com a diretora Elizandra de Moraes, o nome da escola homenageia um médico de renome na cidade, Dr. Amadeu Puppi, recebendo o título de cidadão pontagressense em 1968”. Apesar da homenagem, não há vínculo direto com o político e o vínculo do nome se deu logo na fundação.
Diferente dos outros locais, o nome de Luiz Carlos Zuk foi associado ao prédio da Câmara Municipal de Ponta Grossa, de acordo com o Projeto de Lei nº 379/2016, quatro meses após sua morte. O PL justificou a homenagem ao político como “merecedor de tal honraria” devido a vida política na cidade como vereador, prefeito e deputado estadual.
Assim como Luiz Gonzaga Pinto, Romeu de Almeida Ribas recebeu homenagem no Centro Municipal de Educação Infantil a partir do Projeto de Lei nº 449/07. O CMEI, localizado no bairro Santa Paula, foi inaugurado em 2009 também durante a gestão de Pedro Wosgrau Filho.

 

Núcleo Residencial 31 de março

Em 31 de março de 1967, durante o governo de Plauto Miró, há exatos três anos após o golpe militar, foi inaugurado uma vila habitacional no bairro Neves que leva o nome da data. Dois anos antes, foi promulgada uma lei que relacionaria o nome do Sargento Carlos Argemiro de Camargo ao que se tornaria uma das principais ruas do núcleo. O Sargento em questão era ponta-grossense e o primeiro militar a ser morto em exercício, no dia 27 de março de 1965. O mapa abaixo mostra o bairro Neves, a área do Núcleo 31 de Março e a Rua Srg. Carlos Argemiro de Camargo (linha rosa).

 

infográfico31demarço

 

Há um histórico de leis da Câmara Municipal acerca da data de 31 de março e do que viria a se tornar o Núcleo Residencial:
Lei Ordinária 1703/1965 de 02/06/1965: Denomina de SARGENTO CARLOS ARGEMIRO DE CAMARGO, uma das ruas da cidade, ainda sem denominação;
Lei Ordinária 1792/1966 de 29/03/1966: Considera feriado o dia 31 de Março, data festiva consagrada a comemorar o "Dia da Redenção Nacional";
Lei Ordinária 1832/1966 de 01/07/1966: Denomina de 31 DE MARÇO, uma das vias públicas do Município, ainda sem denominação;

 

Dominação de locais pela Câmara

A Lei 274/50, sancionada em 14 de julho de 1950, define que as denominações dadas para qualquer via pública ou estabelecimentos em Ponta Grossa só serão efetivadas a partir de uma lei especial decretadas pela Câmara Municipal, ou seja, a aprovação do vínculo de nomes a pessoas vivas em ruas, avenidas, alamedas, praças, bairros e arrabaldes ou quaisquer vias públicas ou logradouros públicos ou, ainda, a educandários ou outros municipais depende integralmente de discussões e de dois terços de vereadores.
Em 1999 – Resolução nº 291/1999 de 19/05/1999 – houve uma alteração nos critérios para associar nomes de pessoas que já morreram em locais públicos. Seria necessária uma “justificativa escrita, com informações biográficas suficientes para que se evidencie o mérito do homenageado” e somente após três meses da data do óbito.
Segundo o Regimento Interno da Câmara Municipal de Ponta Grossa, a comissão responsável pela denominação de vias, próprios e logradouros públicos é a Comissão de Obras, Serviços Públicos, Trânsito, Transporte, Mobilidade Urbana e Acessibilidade.
Ricardo Enguel, estudante de história da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), diz que não há como relacionar o laço da cidade com a ditadura a partir dessas homenagens a ex-prefeitos. Caso contrário, desconsidera outras homenagens, como a Escola Coronel Cláudio Guimarães, que tem como nome o primeiro prefeito de Ponta Grossa após a Proclamação da República, em 1889. “Isso serve para o caso do Hospital Amadeu Puppi também, pois embora ele fosse prefeito durante o período, a homenagem que ele recebe ao batizarem o espaço de saúde com seu nome, deve-se em parte à sua formação em medicina”, acrescenta, assim como o Distrito Industrial Cyro Martins, já explicado acima.
Em contrapartida, o Núcleo 31 de Março, inaugurado três anos após o golpe militar, e a Rua Srg. Carlos Argemiro Camargo foram gerados durante o governo dos militares e, de acordo com Enguel, podem reforçar esse vínculo. Tanto para a homenagem de ex-prefeitos quanto para o Núcleo, deve-se partir para a etnografia para confirmar se de fato a Ditadura se encontra presente na cidade, ou seja, perguntar o que os populares da cidade e os residentes mais antigos entendem por “ditadura civil-militar” e o conhecimento dos governantes do município entre 1964 e 1985. “Essa hipótese nos permitiria comprovar a tese ou não de que os “laços da cidade com a ditadura são reforçados a partir dos nomes dos ex-prefeitos", conclui.

Infográficos: Denise Martins

Reportagem: Denise Martins

Publicação: Vítor Almeida

Supervisão: professores do curso de Jornalismo da UEPG

 

Queda no consumo do impresso influência na derrocada das bancas

 

Até o começo dos anos 90 o jornal impresso ainda vendia significativamente e a Banca Nova Rússia, na Avenida Ernesto Vilela, era comandada por dona Maria.  “Jornal aqui só sai pra ser usado em canil de animais de estimação. Até 2015 vendíamos em média 200 jornais por semana. Em 2020 não vendemos nem 5 por semana” lamenta Anderson Carneiro, atual dono do ponto. A solução é transformar a banca em uma loja de conveniência.

De 2013 a 2020 o consumo de jornalismo impresso caiu de 50% para 23% no Brasil, segundo O Relatório de Notícias Digitais 2020 do Instituto Reuters que analisa o impacto do coronavírus no consumo de notícias e nas perspectivas econômicas para os editores - O instituto Reuters entrevistou 2.000 brasileiros para essa pesquisa.

O pai de Anderson assumiu o ponto na Praça dos Bichos - agora com todos os animais extintos - em 1991. “Eu sempre acompanhei e assumi integralmente as atividades aqui faz um ano e meio” me conta Anderson enquanto caminhamos entre pilhas de jornais e revistas que não foram vendidas, sorvetes, tabaco, revista adulta, mangá, fones de ouvido e carregadores. Às vezes alguém aparece precisando de uma impressão ou de uma cerveja.

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Legenda: Anderson Carneiro atende sozinho o caixa da banca, seu pai, já idoso, mora em outra cidade

Porém, o fenômeno de baixo consumo de jornalismo impresso, que acarreta no desligamento das atividades das bancas, não é novo e se desenrola desde os anos noventa. As bancas de jornais reduziram seus pontos comerciais em 45% nos últimos 10 anos, no Paraná, segundo o Sindicato dos Jornaleiros do Estado do Paraná (Sinjor-PR). 

O jornal Diário dos Campos e o Jornal da Manhã são os únicos veículos impressos privados que circulam em Ponta Grossa. “Temos os dois jornais locais principais. Porém, em 2021 cancelamos assinaturas de fora, como por exemplo, Folha de S. Paulo. Não vendia quase nada, então não rendia. As revistas são o mesmo caso dos jornais impressos, não vendem muito e o trâmite de compra com a gráfica é muito complicado” finaliza Carneiro.

O relatório do Instituto Reuters mostra que as redes sociais ocuparam um lugar importante na vida das pessoas e o consumo de conteúdo jornalístico por meio de redes sociais cresceu de 47% para 67%. O uso de smartphones para consumo de notícias também teve expressivo crescimento e saltou de 23% para 76%. “O mercado digital tem facilidade na procura e aquisição de produtos. Para acompanhar conteúdo jornalístico e entretenimento sigo perfis no Instagram que nos direcionam diretamente ao seu conteúdo e site” relata Cadu Kordiak, colecionador de quadrinhos e mangás.

Segundo o colecionador, Cadu Kordiak, as bancas estão em um processo de desconstrução. “Nos dias de hoje as bancas não são rentáveis, e dá pra ver isso nos esforços que elas precisam fazer para se adaptar, gerando uma desconstrução do que ela é. Você vê cada vez mais produtos incomuns na banca ocupando o lugar de conteúdos impressos” conta o colecionador. O mercado editorial flui aos poucos para um mercado majoritariamente digital e as bancas se tornam lojas de conveniência. “Não abro mão de consumir livros e quadrinhos por colecionar e realmente gostar e também vejo o valor do impresso devido a visibilidade que ele deu a grandes cartunistas, porém com a modernidade, o hábito de leitura e acessibilidade do digital acabam ganhando” complementa Cadu Kordiak.

Postos de trabalho

As assinaturas digitais se tornam cada vez mais comuns no dia a dia e isto aumenta a demanda por profissionais em pontos de trabalhos em portais de notícias. Porém, o fechamento de jornais impressos têm impactado diretamente na relação de trabalho dos jornalistas e no fechamento de postos de trabalho. Segundo o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (Sindijor-PR), de 2010 pra cá é crescente o número de jornalistas que são demitidos ou estão pedindo demissão devido ao acúmulo de trabalho ter aumentado. Isso acontece por conta da mudança do modelo de negócio, migrando do impresso para a internet, onde o acompanhamento de notícias, são 24 horas por dia. 

“O aumento no consumo do digital a partir de 2014 até 2016 resultou em muitos jornalistas demitidos e desligados, especialmente de jornais impressos. No interior vários jornais também estão fechando, não é só na capital. Isto reduziu drasticamente as vagas de trabalho de jornais que eram impressos e viraram portais” explica Gustavo Henrique Vidal, diretor-presidente do Sindijor-PR.

 De acordo com Gustavo Henrique Vidal é muito relativo avaliar pontos positivos e negativos dessa migração do trabalho em jornal impresso para o digital e que depende muito da estrutura e condições de trabalho que as empresas oferecem. “Se um jornal do interior fecha as portas para o impresso, demite jornalistas e mantém uma equipe reduzida para cobertura online, o volume de trabalho vai ser bem excessivo", conta o diretor-presidente do Sindijor-PR. O lado positivo seria que quanto mais demanda você tem, mais jornalista você precisa, o que geraria mais contratação, porém, não é o que acontece. “Diversas denúncias de longa jornada, trabalho excessivo e dupla jornada mostram que o cenário se agravou negativamente” finaliza Gustavo Henrique Vidal.

Procura e Venda

O colecionador de quadrinhos e mangás, Cadu Kordiak, tem esse hobbie desde a infância. “Eu frequentei banca por um tempo. Sempre fui muito fã de quadrinhos e mangá. Logo que comecei a colecionar fui atrás de uma banca para adquirir esses produtos aqui em Ponta Grossa, porém sem muito sucesso. Em outros lugares a variedade de cultura impressa é maior, fica mais fácil achar quadrinhos que te chamam atenção. Mesmo assim, não só em Ponta Grossa, o perfil das bancas está mudando” aponta Cadu Kordiak.

“Por exemplo, você quer adquirir um conteúdo impresso, semanal, mensal, enfim, é muito fácil você ir na internet encontrar o que você quer. Isso reflete no mercado editorial, na banca e nessa relação. Você vê publicações e editoras grandes fechando. Abril, Panini, JPC”, comenta o colecionador. 

Editoras como a Panini já cancelaram a impressão e comercialização de várias publicações na banca, muito diferente do que você vê no site, onde essas editoras oferecem um catálogo maior de venda. “O conteúdo que você encontra nas bancas de Ponta Grossa é mais geral. Revista de culinária, automobilística, infantil, conteúdo adulto, Revista Mundo Estranho, Revista Recreio, Revista Superinteressante, não tem mais lançamentos e aquele excitamento de ir lá comprar. Quando surgiu ela cumpria uma demanda que atualmente é bem menor. Agora funciona bem e melhor em grandes centros urbanos” finaliza Cadu Kordiak.

Em atividade desde os anos 50, a Editora Abril encerrou em janeiro deste ano a operação da sua gráfica, localizada na Marginal Tietê, em São Paulo. Todas as revistas da editora serão impressas terceirizadamente. Segundo informações do portal Clube da Criação, em agosto de 2018, o Grupo Abril entrou com processo de recuperação judicial, com o intuito de renegociar dívidas, que somariam R$1,6 bilhão. A editora também já havia finalizado as atividades das revistas Boa Forma, Bebe.com.br, Casa Claudia, Casacor, Casa.com.br, Cosmopolitan, Elle, Mundo Estranho, Veja Rio, Arquitetura & Construção e Minha Casa. Um plano de recuperação judicial foi aprovado pelos credores do Grupo Abril - ex-funcionários, bancos, prestadores de serviço editorial e demais fornecedores - em agosto de 2019. O processo já previa a venda do prédio da sede da Abril - onde fica localizada a gráfica - e de imóveis em Campos do Jordão (que somam 750 mil m²), além do leilão da marca Exame.

Analista de Mídias Digitais e acadêmica do curso de Jornalismo da Faculdade Maringá, Isabela Gobbo comenta que a migração do público para o digital foi impulsionada ainda mais com a pandemia, onde as pessoas passaram a sair menos de casa, evitar o contato com outras pessoas, e consequentemente diminuindo suas idas a bancas, mercados ou até mesmo livrarias para o consumo dos impressos. O digital tem tomado uma grande proporção na vida dos brasileiros, em todos os aspectos de suas vidas: informações, compras, saúde, entretenimento. “Infelizmente isso afetou diretamente o comércio, em específico esses donos de bancas, e por isso é tão importante se reinventar nesse momento, e uma alternativa que deve ser levada em consideração é a internet. Quem sabe trabalhar com e-commerce, venda pelas próprias redes sociais, e várias outras alternativas que podem ser levadas em consideração” diz a Analista de Mídias Digitais. “Pensando no jornalismo, também tem sido muito importante se reinventar cada vez mais através do digital, seja com pacotes de assinaturas online ou publicidade” finaliza Isabela Gobbo.

De acordo com O Relatório de Notícias Digitais 2020 do Instituto Reuters 27% dos entrevistados pagam por notícias online.

Ficha técnica:

Repórter: David Candido

Edição: David Candido

Supervisão:  Vinicius Biazotti

 

Campanha da fraternidade 2021 | Foto: Kauana Neitzel

A Campanha da Fraternidade de 2021 (CF 2021) é a quinta campanha ecumênica, realizada em conjunto entre diferentes denominações cristãs, formada pelos representantes do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic). Além das seis igrejas membros do CONIC, a igreja Betesda de São Paulo e o Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e à Educação Popular (Ceseep) fazem parte da CF, atuando como igreja observadora e membro fraterno, respectivamente.